segunda-feira, outubro 12, 2009

DESILUSÃO

















-Há dias tive uma conversa ocasional acerca da desilusão e ainda não esqueci algumas das coisas que nela disse e ouvi.


-Afinal, a desilusão só existe por oposição à ilusão. Só pode existir se antes tivermos sido iludidos, se nos deixámos iludir ou (pior) nos tivermos iludido a nós próprios de um modo qualquer.

-Quando olhamos para trás, ainda que para um passado próximo e concluímos que aquilo que existia, o que era único e diferente todos os dias, se desvanece a cada dia novo deixando no seu lugar uma ferida insanável durante um tempo indeterminado… estamos perante a desilusão.


-Nessas alturas, tudo o que fazemos é dúplice: possui dois aspectos, dois formatos, duas facetas como uma mesma moeda vista de apenas um lado de cada vez. Afirmamos que não havia afinal para connosco ou em nós, nenhum dos sentimentos que antes víamos com toda a clareza, mas simultaneamente recusamos acreditar que assim fosse e temos todas as razões da lógica para o fazer.

-Alternamos entre uma afeição profundíssima e uma imitação de ódio que nos impomos sentir como couraça contra os outros sentimentos. Somos ora esperançados, ora desesperados e passamos de um estado a outro sem qualquer sinal definível, sem a necessidade de um “click”, sem querer e sem pedir desculpa.


-A desilusão não é uma faca que golpeia e mata , como dizem os poetas. É uma faca de dois gumes , encurvada, com serrilha, lima, lupa e saca-rolhas… Não golpeia apenas, amplia, dilacera, esmaga, retorce os nervos, os músculos, os pensamentos todos e infecta com o vírus da tristeza, a bactéria da saudade e a gangrena do sentimento de perda.


-Porque falei disso hoje quando as eleições autárquicas foram ontem? Porque a desilusão de uma só pessoa é mais importante do que todas as ilusões criadas em cada acto eleitoral e porque me apeteceu e posso.


sexta-feira, outubro 09, 2009

AUTÁRQUICAS 2009














"Que Deus tenha piedade e os portugueses vergonha."

sexta-feira, outubro 02, 2009

Uma Lady no Parlamento Europeu, uma louca na Camâra

Untitled - 8

Para desgraça minha e do que me resta de fé em alguma da humanidade, no dia anterior ao de ontem vi e ouvi o debate entre os candidatos à Câmara Municipal do Porto, na SIC.

Talvez devesse dizer: “debate entre Rui Rio e os restantes candidatos, pois foi isso o que aconteceu.

Quanto a Elisa Ferreira conseguiu (na minha opinião) comportar-se de tal modo, que apenas não me desiludiu profundamente por nunca me ter iludido minimamente.

Desde o inicio interrompeu constantemente todos os outros intervenientes, num exercício de rudeza e vulgaridade não raros em debates políticos, mas sempre profundamente reprovável. Nem sequer os pedidos do moderador, a par com as chamadas de atenção surtiram qualquer efeito ou acordaram nela as regras do civismo televisivo, da básica educação que deve ter também lugar na actividade politica ou o menor traço de bom senso.

A “senhora”(*) insistia em boicotar as afirmações de TODOS sem excepção e pretendia tornar-se “dona da bola argumentativa”. Um espectáculo triste, a raiar a má educação e a ultrapassá-la demasiadas vezes.

Talvez ainda não tenha havido quem lhe tivesse feito ver que “tem razão que a tem e quem a bem explica e não quem a quer ter”.

Pouco revelou da suas intenções para com a cidade a não ser vagas referências generalistas e sem detalhe que lhas credibilizasse. Esteve apenas e sempre apostada em falar, sem nada dizer, criticar sem nada propor e exibir-se sem ter que mostrar.

Não lhe ouvi uma só palavra acerca da sua permanência na edilidade, no caso de não ser (que aos portuenses livre o canhoto!) eleita presidente da Câmara.

Nesse caso, a cidade já não seria tão importante. Para ela é presidente de câmara (só) ou deputada europeia. Tem assim, como qualquer “bom malandro que se preze”, ambos os pés bem assentes no ambicioso estrume da carreira politica.

A “senhora” (*) que me desculpe, mas de si não voltarei a dizer mais nada.



(*) – O uso de aspas é totalmente intencional.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Crenças, crendices, teorias e seitas avulsas – Da imaginação á practica sem passar pela casa “Partida”

caderno diario das ideias In-Provavel

O Mundo está cheio de crenças e crendices, seitas, grupos, pseudo-religiões e outras teorias mais ou menos estranhas, mais ou menos sofisticadas, mais menos credíveis, aceitáveis, elaboradas, cientificas, imaginativas e desonestas.

Neste assunto não misturo as religiões tradicionais, as práticas meditativas, ou algumas artes de cura como a acupunctura, por não se tratarem de “coisas” da área da crença”.

Ainda hoje ouvi uma entrevista acerca de uma estranha forma de pensar que (em linhas muito gerais) preconiza que a água emana e recebe energia (ou é ela mesma energia); que as palavras influenciariam o modo como as próprias moléculas da água se comportam e que sendo o ser humano composto maioritariamente por água… enfim. Fale-se então com a água para obter o progresso e a felicidade humana.

Esta, como outras imensas “imensidades” que tenho escutado e conhecido, baseia-se também no pensamento de um ancião japonês a quem carinhosa e reverentemente, como de costume, tratam por Doutor (quer o seja quer não).

O filão de teorias provenientes de Doutores anciãos japoneses parece inesgotável. Todas elas falam em “Estudos”, elaborados em países como os Estados Unidos, o Japão, a Dinamarca e (digo eu) o Burkina Fasso e que suportariam as teorias que propalam. No entanto, esses estudos raramente são acompanhados por nomes, datas e publicações credíveis. Já ouvi até falar de “estudos da NASA” e em outras fontes tão gerais e tão secas como o antigo leito do Mondego em pleno Verão.

Não coloco em causa nem a fé, nem o conhecimento científico de quem defende as opções que defende. Cada um é como cada qual, ainda que defender inconscientemente questões de “crença” com base em pseudo-argumentos científicos seja algo tão lógico e premente, como o é defender a existência do sol apenas com base no facto de se ter sabido através de um “livro” que ele existiria.

Neste como em muitos outros capítulos da vida, estar vivo e usar o que a inteligência nos permite usar do restante cérebro que possuímos… é um apreciável troféu.

segunda-feira, setembro 21, 2009

ELEIÇÕES 2009 – O CIRCO NACIONAL

eLEIÇÕES 2009  - o circo iN-PROVAVEL

PALAVRAS PARA QUÊ? 

SÃO ARTISTAS PORTUGUESES!

Grandes malabaristas.

Leoas com pêlo na benta.

Tigres de papel.

Acrobátas da Política.

Animais Selvagens da Economia.

Trapezistas de Poleiro.

Contorcionistas das ideologias.

Ilusionistas da Justificação.

Equilibristas do Tacho.

OS PALHAÇOS SOMOS TODOS!

AINDA ASSIM VOTE!!!

sexta-feira, setembro 18, 2009

Annus horribilis

Luto in-provavel

---Tínhamos ambos o hábito de gastar as tardes de domingo em intermináveis conversas circulares, acerca do mundo e dos seus arredores recônditos. Cada um de nós, por motivos diferentes, detestava as neuras das tardes dominicais, em que as horas se arrastavam teimosamente até que chegava a altura de regressar a casa para o jantar. Nessa altura, a grande maioria dos cafés da cidade mantinha o hábito do descanso semanal no primeiro dia da semana e aquele onde nos acolhíamos era uma excepção rara e simpática; não era maior do que o espaço de uma sala pequena com um balcão ao fundo, mal iluminado e espelhado. Nunca combinava-mos as horas de chegar nem as de partida, chegávamos e íamo-nos embora com a naturalidade do acaso mas quase sempre simultaneamente.

---Eram tardes atiradas à leitura de semanários, de revistas e raramente de estudo como exigiria o bom senso da nossa actividade principal de então. A amizade era feita de pequenos desabafos, de contos e ditos, das frustrações e êxitos que a vida, de quem tinha vinte e poucos anos naquela altura, trazia nas marés das semanas civis. Fazia-se o balanço das noites de Sexta e de Sábado, comentava-se a semana política e maltratava-se a táctica futebolística.

Tornámo-nos mais amigos, mais sinceros e mais tarde, quando a vida nos alterou os domingos de tarde bastava um telefonema com a palavra “café” e uma hora marcada para que nos voltássemos a reunir para contar o êxito pessoal ou a tristeza romântica que nos alegrava ou afligia.

--Era um poço de calma como eu nunca serei. Por detrás da sua voz, sempre baixa, nunca se lhe lia uma ira, uma zanga profunda ou qualquer ódio a quem quer que fosse. Conciliava quase tudo e todos com a ponderação de um velho conciliador experiente e com o empenho de quem fizesse disso profissão. Era talvez o pior cozinheiro do mundo e um simples ovo estrelado significava para ele um desafio maior do que uma escalada vertical ou um mergulho em águas turvas e agitadas.

--Estive ao seu lado no altar quando casou; ainda ambos a destilarmos os vapores da sua despedida de solteiro. Lembro-me do nascimento dos seus dois filhos e de ter sabido, em primeira-mão, de cada uma das gravidezes desejadas e ansiadas pelo casal. Estive no funeral dos seus pais e irmão e nos aniversários familiares quase todos.

--Recentemente, estive horas a ouvi-lo contar as razões da separação e do divórcio. Tantas razões, tão estranhas e inevitavelmente tão diferentes das razões que me contou a sua mulher em outras tantas horas de conversa pesada. Como estas conversas são sempre tão pesadas. Recordo a impotência que senti, o quase desespero de voltar a não entender as pessoas, os argumentos e atitudes de cega obstinação de ambos e a tristeza profunda que tudo aquilo acrescentou a este ano de tristezas quase ininterruptas.

Ontem, soube que tinha caído nas escadas de casa e morrido de uma morte tão estúpida e inútil como apenas a morte de mais alguém chegado consegue ser. Hoje foi a enterrar e nem sequer era domingo.

É apenas outro dia mau deste interminável annus horribilis.

sábado, setembro 12, 2009

O Rosto Feminino através de 500 anos de Arte

http://www.artgallery.lu/digitalart/women_in_art.html


Porque há coisas que merecem ser vistas !


Vejam!




"Há pessoas belas que nos enviam coisas belas. Se ao menos soubessemos apreciar ambas sempre....."


Nota: Desliguem antes a música da "casa" (aqui ao lado).
Ouvir também faz bem à alma.

terça-feira, setembro 08, 2009

FAQ - perguntas e respostas

F A Q In-Provavel

FAQ

Toda a gente sabe que FAQ significa Frequently Asked Questions e não há página da Internet que não possua uma secção com este nome, ainda que seja em português e que nunca contenha as respostas às perguntas que queremos ver respondidas.

Gosto além disso do som de FAQ, dito de um determinado modo parece um palavrão muitas vezes repetido em tudo o que é filme americano e que é exactamente aquilo que muitas vezes me apetece responder a determinadas perguntas que determinadas pessoas me fazem com indeterminada vulgaridade. Em vez disso…


P: Então, como vais?

R: Regra geral vou a pé mas hoje por sinal, vou apanhar um autocarro e estou mesmo atrasado para isso.


P: Então, como estás?

R: Até este momento estava sentado aqui sozinho e bem mas já que tenho que responder aos teus lugares comuns… vou estar bem para outro lado onde não estejas.


P: Então, como tens passado?

R: Mal, muito mal. Imagina que ainda ontem me descuidei e deixei queimar a minha camisa preferida. Por falar nisso tenho que ir comprar uma. Adeusinho!


P: Porquê agora e porquê a mim…?

R: Talvez por seres uma besta quadrada que merece todo o mal que lhe acontece e porque agora é uma altura tão boa como qualquer outra para que aconteça mal a imbecis. Aliás, assim já ficas despachado.


P: Lindo dia, não achas?

R: Não! Está a caminho uma frente fria que vai provocar acentuado arrefecimento nocturno, aguaceiros fortes lá para o final da tarde e vento forte de Nordeste, com possibilidade de queda de neve na Serra da Gardunha e de parvos aqui mesmo.


P: Estás com pressa?

R: Nenhuma. Podes ir indo à frente!


P: Para que lado vais?

R: Vou para o lado oposto ao que tu fores!


P: Deves estar a brincar comigo, não?

R: Claro que não. Eu contigo nem sequer seriamente gosto de falar!


(Ao telefone de casa)

P: Então, onde estás?

R:Em Fafe e por isso não posso falar agora! Liga para a semana que vou estar em Aljustrel.


(Ao Tlm.)

P: Que estavas a fazer?

R. A pensar mudar de número de tlm.


(Em ambos de madrugada)

P: Estavas a dormir?

R: Vai-te… #%&/)(“ ! FAQ!

Clara, são 04:49 estou a escrever este post apenas para incluir esta frase: Gosto muito de Ti e tenho saudades. Um Beijo!

domingo, setembro 06, 2009

ELEIÇÕES 2009

eleições 2009

Voltamos de novo às Eleições e consequentemente às Campanhas Eleitorais e ao primado da vida politica na actualidade nacional.

Isto passa-se num país onde a confiança da população no Regime, no Sistema Governativo, nas Instituições de Justiça, nos órgãos de Soberania em geral, na Administração Pública, nos detentores de Cargos Públicos e em TODA a Classe Politica é mínima como não há memória de ter sido depois da rebaldaria em que se tornou a 1ª República.

Algures entre a instalação da Democracia representativa em Portugal e os nossos dias as convicções e as crenças parecem ter desaparecido. Os sentimentos patrióticos estão reservados para as selecções. As paixões por causas nobres estão reservadas para festas em discotecas para angariação de fundos e auto-promoção de pseudo-vedetas.

A Intriga intra-partidária fede de desrespeito e ausência de solidariedade entre correlegionários, de desrespeito pelos lideres e por compromissos assumidos em congresso.

A intriga inter-pardidária perdeu a pouca polidez que possuía. O debate tornou-se arrogante e de baixo teor informativo; O poder não responde às questões da oposição; dribla, evita e foge às perguntas fingindo-se insultado por elas.

Os Adversários já se não detestam por diferenças doutrinárias, agora detestam-se por inveja de cargos de poder e de acesso a altas remunerações ou pelo domínio de grupos financeiros essenciais à NOSSA economia; ou em alternativa, agora são solidários nas mesmas fraquezas, na desmedida ambição pessoal e nos desprezos interpessoais.

O carácter dos políticos é constantemente colocado em causa apenas por que eles (na generalidade) o não possuem. A psicologia politica vigente não é a de servir mas a de servir-se da “coisa pública”. A integridade é cada vez menor e os armários estão a abarrotar de esqueletos disfarçados de fatos italianos comprados em NY ou de casaquinhos e camisolas a cheirar a génio e haxixe marados.

A culpa é também nossa (de todos). Há muito que nos demitimos por básica incultura politica e preguiça mental de exercer o direito de voto e a obrigação de fiscalizar a acção dos nossos políticos. Colocámos as “jóias da democracia” nas suas mãos; Criticámos os políticos de carreira, confundimos carreira com carreirismo politico e agora temos amadores e pára-quedistas no exercício do poder, misturados com oportunistas e saqueadores. Todos apressados em enriquecer e em enriquecer os amigos, a família, os amigos e afilhados.

Vem aí de novo a Campanha Eleitoral mas esta, ainda que em tempo de crise, bate todos os recordes de despesismo e gastos de um modo obsceno, sendo que o exemplo pior é dado pelo mesmíssimo partido que nos exige mais e maiores sacrifícios.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Coisas de pensar de mais

just me in shit - in-provavel 

Ele há nós que nos apertam no pescoço

mais do que abraços que  partem costelas…

segunda-feira, agosto 31, 2009

O Gato e o Arco-Irís

O Gato e o Arco-irís

O meu gato nunca viu um arco-íris.

Não pelo facto de não existirem arco-íris ou por não ter sonhos românticos o meu gato.

O meu gato, não sabe que o arco-íris existe porque nunca viu um arco-íris, mas já viu as estrelas, os pássaros, as flores e até já miou à lua-cheia.

O meu gato acredita que o arco-íris existe, apenas por que é o meu gato,porque sente assim e por que tem uma alma sensível; É uma alma-de-gato mas é muito sensível a alma do meu gato.

O meu gato nunca viu um arco-íris, apenas porque os gatos não vêm todas as cores do arco-íris e porque eu não tenho um gato.

Yur Adelev

sábado, agosto 29, 2009

Fotocópias de BI

BI traçado

Entre as linhas paralelas deve escrever-se "entregue na loja xxxx" ou "entregue no serviço público yyyy", dependendo da situação

Por uma vez, um aviso a circular na Internet não é produto de uma mente criativa com demasiado tempo livre. Segundo uma fonte oficial da PSP, apesar de não existir um "alerta policial", cruzar uma fotocópia de um Bilhete de Identidade é "uma medida de prevenção que pode ser utilizada pelo comum cidadão". E é absolutamente legal.

Há cópias de BI utlizadas para abrir contas num banco, contrair empréstimos ou adquirir cartões de crédito. O prejuízo é sempre do dono do BI.

 

In: http://aeiou.expresso.pt/bilhete-de-identidade-alerta-que-circula-na-net-e-a-serio=f532821

sexta-feira, agosto 21, 2009

Arrependimento Claramente Arrependido

arrependimento provavel - In-Provavel

ARREPENDIMENTO

Claramente, já todos nós alguma vez na vida nos arrependemos de ter dito, pensado ou feito algo levados pelo momento, pelo instinto ou pela inconsciência. Depois, infelizmente, apenas depois entendemos que metemos o pé na boca, na argola e que o deveríamos tê-lo metido noutro qualquer local ou te-lo mantido dentro do sapato ou chinela “de-meter-o-dedo”. Se o caso é grave, pode ser tarde de mais para voltar a trás e desfazer, desdizer ou “despensar” o que fizemos, dissemos ou pensámos.

Embora a sabedoria popular afirme que o arrependimento mata, ainda não me convenci nem de que a sabedoria popular existe nem de que o arrependimento mate realmente. Penso sim, que se passa com o arrependimento algo semelhante ao que se passa com a Gripe-A: são os que se encontram mais fracos por padecerem de outros males que morrem de arrependimento ou remorso. Este, o remorso é algo que não chega a ser arrependimento, é a constatação do facto e o medo das consequências mas não é ainda o arrependimento. É o “Porra. Que fiz asneira e pode trazer-me chatices!” bem diferente do “Bolas! Saí-me mesmo mal e prejudiquei alguém gravemente. Não devia nem podia tê-lo feito!”.

Se o remorso aborrece e incomoda o arrependimento magoa e corrói. Se um pica e dá comichão o outro queima e dói profundamente, da pele às entranhas todas. Se o remorso nos tira umas noites de sono o arrependimento torna-nos íntimos da insónia para o resto da vida, tira-nos o apetite, faz cair o cabelo ou embranquece-o; Faz de nós gato-sapato, causa lágrimas silenciosas que se limpam à socapa para não molhar o teclado, suspiros abafados e muita muita tristeza. O remorso pode até merecer desculpa mas apenas o arrependimento merece o perdão.

Já perdoei e desculpei muita coisa e muita gente ao longo da vida. Já pedi desculpa muitas vezes e perdão outras menos. Tenho o perdão mais fácil do que tenho o verbo e poucas vezes me tenho arrependido de perdoar ou desculpar.

Acho que foi imperdoável da minha parte escrever acerca deste assunto e arrependo-me amargamente de o ter tentado fazer. Por isso e por outras coisas mais peço desculpa e perdão por ter falado nisto!

segunda-feira, agosto 10, 2009

Silly Season / Parvoeiras de Verão (3) ou a má educação, a falta de Educação e a ignorância básica do que é ser minimamente educado em Portugal

Pig Porco

Exactamente ao contrário daquilo que muitas vezes tendemos a pensar, o ser humano não está assim tanto mais evoluído do que o macaco, o bacalhau, o carneiro, a cobaia ou o carapau.


É surpreendente como algo aparentemente tão simples com permanecer ou circular em locais públicos pode ser tão complicado para algumas pessoas. Como grupos de dois seres humanos são capazes de permanecer num passeio, a ouvir pedidos de licença de centenas de outros e não se movem um metro que seja para que estes possam passar.


É notória a dificuldade que certos indivíduos sentem para pedir uma simples informação e não tratar o “informador involuntário” por Chefe ou “Tchéfe”, Tá-me a ouvir, Diga-me aí ou o mais vulgar: Oiça lá! E depois de obtida a informação (que eu nessas situações dou o mais errada que posso) arrancam sem sequer um ”Obrigadinho Chéfe!”


Nunca me surpreende o desconhecimento de determinados donos de animais que não os abandonando de só uma vez, vão abandonando parcialmente as sobras das suas entranhas intestinais pelos jardins e passeios, numa actividade a que chamo “ Passeio 3 M’s”: Merda de passeio, Merda de cão e dono de Merda!


Também não desconhecia que existe um forma violenta de “cegueira violenta” nos transportes colectivos que ataca no preciso momento em que entra alguém com uma criança ao colo. Neste instante, a paisagem torna-se subitamente interessante e o sono ataca todos os que não olham a paisagem.

Noções tão básicas e simples como andar pela direita, oferecer o lugar a quem mais dele necessite, pedir por favor e agradecer com “obrigado” são noções que os pais (caso as possuíssem) deviam tentar transmitir aos seus rebentos desde o berço.

sábado, agosto 01, 2009

Silly Season / Parvoeiras de Verão (2)

 

Eu Penso  In-Provavel

Adoro o céu das montanhas sem a luz dos candeeiros.. ver a Via Lactea tal como ela é! reconhecer um satélite de comunicações entre as estrelas...

O odor da "carqueija" no monte ou o da erva fresca dos lameiros… e sobretudo o cheiro da chuva de verão na terra seca e as trovoadas ENORMES que passam sobre a "minha" aldeia!!!!

A sombra de um castanheiro plantado pelo meu bisavô, para descansar do almoço e antes de ser hora para passear....

Gosto das caganitas do estafermo do melro que ainda à pouco cantava num galho do castanheiro e que depois defecou nas minhas trombas - Tudo é poético na minha aldeia! Até mesmo a porcaria das formigas que picam como cabras e as cabras que dão marradas como vacas....

sexta-feira, julho 31, 2009

Silly Season / Parvoeiras de Verão (1)

chinelo

As frases para terem alguma graça ou humor, têm que possuir um final inesperado, alguns palavrões, sexo ou não serem entendidas por quem as ouve e este ser nosso subalterno.

terça-feira, julho 28, 2009

Origem das Bandas Filarmónicas

Banda filarmónica  In-provavel

 

 Nesta época de festas populares esta é a minha homenagem às Bandas  Filarmónicas:

Uma vez, algures na China, um rapaz chamado Tá-Chin e o seu pai esperavam pelo autocarro!

O autocarro vinha completo

e o Ta-chin perguntou ao pai:

-Parará, papá? Parará?

responde-lhe o pai:

-Parará! Ta-Chin! Parará!

Tinham acabado de ser inventadas as Bandas Filarmónicas!

sábado, julho 25, 2009

Um Pouco de azul e de todas as cores

Um Pouco mais de azul -  In-Provavel

De regresso a casa, entro num cafézinho pequeno por onde passo todos os dias e onde jamais entrara. Na realidade estou apenas a adiar o regresso a casa e o acto compulsivo de escrever o que aqui estou a escrever como resultado dessa compulsão não obsessiva. Queria que fosse algo pleno de significado, algo inspirado que traduzisse um sentimento profundo ou então, algo irrisório e vulgar mas pleno de conteúdo. Prefiro, aliás preferi sempre, ser um espectador atento ao essencial do que tornar-me parte dos acontecimentos que me levem a perder-me no circunstancial e nas descrições secundárias.

No entanto hoje não parece existir nada no mundo de que mereça falar-se ou que me mereça a vontade de falar, pensar ou escrever. Fico apenas ali, a olhar o desenho da borda do pires e os padrões da falsa madeira da mesa.

Sentara-me perto da entrada para poder ver a ruas e as alminhas penadas que se passeiam aos Sábados de tarde como se este fosse um dia especial em que as ruas fossem apenas suas. Os vestidos domingueiros, os óculos de sol de fancaria, as t-shirts com dizeres a que ignoram o significado, as mãos dadas (mais posse que paixão) os chinelos pendurados no “dedão”.

Ao fundo do café na ultima das mesas sentava-se um casal loiro com uma menina de cerca de 3 anos, também loira que eu via apenas pelos espelhos. Conversavam contidos, com uma compostura de quase humildade de gestos e de palavras. A menina usava um vestido branco de folhos como aqueles que já se não usam, com bordados feitos à mão e sentava-se na cadeira abanando as pernas ainda longe do chão. Estranhamente não olhava em volta nem fazia menção de se levantar e correr o café todo soltando gritos estridentes.

Algo neles me fazia lembrar um quadro qualquer que não me recordava ter visto alguma vez e podia chamar-se “Família Feliz” ou “Tarde em Café”.

O pai, retirara do bolso os trocos, contou-os com meticulosidade e dirigiu-se ao empregado apontando uma fatia de bolo sob uma redoma de vidro enquanto a mãe olhava para o horizonte que há-de existir para lá do balcão. Quando regressa à mesa com a fatia triangular pousada num prato desmesuradamente maior do que a fatia trazia também uma garrafa de Coca-Cola. A garotinha bateu palmas sem fazer um ruído que fosse. A mãe retirou da bolsa três velas amarelas com as pontas enegrecidas e colocou-as no bolo equanto o pai retirava de um dos bolsos fósforos com que as acendeu. A criança abandonou a imobilidade total em que se mantivera no ultimo minuto e depois da mãe olhar em volta a certificar-se de que ninguém os olhava começou a cantar uma canção quase inaudível e para mim incompreensível; seguem-se palmas. A menina sopra as velas com um sorriso aberto que lhe mostrava os dentes e os olhos claros e tão claros e abertos como o sorriso. A mãe recolhe as velas na bolsa de onde tinham saído. Trocaram beijos e sorrisos e a menina comeu a fatia de bolo e voltou a beijar os pais.

O pai levantou-se e dirigiu-se ao balcão para pagar e foi então que reparou que eu também ali estava. Pareceu incomodado mas não desviou o olhar do meu. Sorri-lhe e ele sorriu-me de volta.

Lembro-me de ter pensado que gostava que todos os sorrisos fossem como o sorriso daquela criança ou o do pai e que tudo fosse dão digno e simples como o que acabara de presenciar.

A tristeza apenas me surgiu quando os vi sair de mão dada.

A criança no meio dos pais saltitando como todas as crianças felizes de três anos saltitam quando se sentem felizes.

terça-feira, julho 21, 2009

LUA – Aniversário da chegada do homem à Lua 40 anos

Lua In-Provavel Blue Moon

 

Estou na Lua.

Tu és aluado.

Ele tem cara de Lua cheia.

Ela levava-me à Lua.

Nós sob a Lua.

Vós viveis na Lua.

Eles são selenitas.

Desde sempre a Lua foi um mistério para a humanidade. Fonte de medos primitivos e de exaltações poéticas, não deve ter existido, desde os primeiros dias da humanidade, um único ser humano que nunca tenha formulado questões sob a lua e a sua luz reflectida. Não deve ter existido um poeta que a não tivesse reverenciado e que não tivesse cantado os seus encantos. Não existiu um único ser apaixonado que não a tivesse invocado como testemunha do seu amor ou do seu sofrimento por amor.

Dizem que comanda as marés e os nascimentos e que influência a vida das gentes.

É simbolo de magias e de religiões. É uma e quatro diferentes.

Ontem comemoraram-se 40 anos desde que foi pisada pela primeira vez.

segunda-feira, julho 13, 2009

Comissão Nacional de Protecção de Dados - cadernos eleitorais e recenseamento eleitoral

Comissão Nacional de Protecção de Dados - cadernos eleitorais e recenseamento eleitoral -  In-Provavel

Pelos vistos a Comissão Nacional de Protecção de Dados descobriu aquilo que já todos sabíamos. Existem irregularidades nos cadernos eleitorais. Se algumas até podem ser divertidas pelo caricato que significam como o facto de existir um cidadão eleitor com 136 anos de idade, outras são realmente graves e podem implicar o desprestigio de um acto eleitoral, o vicio do direito de escolha através do voto, ou a manipulação de resultados. Existem cidadãos portugueses falecidos com “licença para votar”; existem menores de, não 18 anos mas 17 anos inscritos nos cadernos eleitorais e para contrabalançar existem cidadãos maiores de 18 anos que não possuem capacidade eleitoral por pura asneirada administrativa. Há uma só pessoa que tem 614 registos; deve poder votar desde Bragança a Faro e caso esteja de férias na Madeira ou Açores… vota na mesma.

Na Base de Dados de Recenseamento Eleitoral (BDRE) existem cerca de 15 milhões de cidadãos eleitores o que excede largamente o número total de cidadãos portugueses que se encontra próximo dos 10 milhões.

Por outro lado, a gestão e actualização da base de dados foi entregue à Critical Software, uma empresa privada, fazendo o governo “letra morta” das recomendações e opinião da Comissão Nacional de Protecção de Dados que considera tratar-se de uma ilegalidade.

Nas ultimas eleições vimos nas televisões o primeiro-ministro votar com toda a facilidade usando o seu cartão único (CU?) mas nada se disse acerca das dezenas ou centenas de cidadãos que foram impedidos de exercer o seu direito porque nas mesas voto não constavam por usarem esse mesmo cartão. Sabemos agora que também existem cidadãos duplamente inscritos por culpa do mesmo documento.

Em resposta às conclusões da CNPD José Magalhães, secretário de Estado da Administração Interna, garante que a empresa tem os poderes controlados pela direcção-geral e que já anteriormente existiam erros e que vai pedir uma nova auditoria à mesma comissão que elaborou esta.

Das três uma: ou não soube ler a auditoria anterior, ou espera que por artes milagrosas tudo se tenha auto-corrigido entretanto ou finalmente prepara-se para “atirar” qualquer acção de correcção dos erros para depois das próximas eleições.

A “bandalheira é geral e evidente, há disparates enormes a serem cometidos com impunidade e paninhos quentes para todos eles. Todos os dias.

Neste país é preciso colocar cornos na própria testa em directo na televisão para que exista motivo de demissão.

sexta-feira, julho 10, 2009

quinta-feira, julho 02, 2009

A CRISE Chama-se Portugal!

CRISE In-Provavel

Os portugueses vivem em crise desde a fundação do país que teve origem, básicamente, numa crise familiar ocorrida na família dos Afonsinhos. À fundação da nacionalidade seguiram-se inúmeras crises, tão constantes que a nossa história nacional na melhor das hipóteses pode ser vista como uma sucessão de crises ou alternativamente um crise constante e ininterrupta.

Tivemos crises sucessórias em praticamente todas as transições entre reis e uma entre cada dinastia. Tivemos crises com os Papas, com os Espanhóis e com todos os povos que fomos conhecendo.

Tivemos crises de moeda, crises religiosas, crises sociais, crises económicas, a crise de 1383-1385, a do terremoto, a do Marquês do Pombal, a crise das invasões napoleónicas, a crise da Guerra Civil, a crise do mapa cor-de-rosa, a crise da monarquia, a da 1ª República, a da 1ª Guerra, a da 2ª República e 2ª Guerra, a crise Coimbrã, a do Marcelismo, a do pós-25 de Abril, a Crise económica posterior… enfim crises e mais crises ou mais obviamente, uma só crise que dura desde que existimos.

Pessoalmente estou em crise desde que me conheço. Apenas ainda não sei se sou um português em crise ou se estou em crise por ser português.

Cresci em plena crise de Liberdade Democrática, conheci (vagamente) a crise Coimbrã e a do Maio de 68. Vivi a crise do equilíbrio nuclear e a crise da guerra colonial, a do Marcelismo e a resultante dos excessos do PREC. Passei pela crise dos governos provisórios e pela da descolonização; pela da Fonte Luminosa e a de Rio Maior.

Fui vítima da crise do ensino e das sucessivas reformas que de crise em crise me arrastaram, como uma cobaia, de metodologia em metodologia, de sistema em sistema, de programa em programa.

Vi a crise do Bloco de Leste, a da bolsa, a da industria textil e calçado. Via a fome em Setúbal tal como a vejo hoje no país todo.

Talvez me devessem ter baptizado Crisóstimo mas na altura, este era um nome em crise.

Há dias, o ministro Teixeira dos Santos, o mesmo que o “Financial Times” considerou como pior ministro da Europa, veio anunciar o principio do fim da crise. Talvez o senhor ignore que a credibilidade que lhe resta é pouca e que já o ministro das Obras Públicas e o da Economia (a célebre dupla “Lino & Pinho”) o haviam feito sempre que puderam.

Talvez a “luz ao fundo do Túnel” seja finalmente, o farol do comboio que os há-de (se não atropelar) levar para bem longe.

Estou sem humor apenas por estar em CRISE!

sexta-feira, junho 26, 2009

CURSO DE FÉRIAS- - 2009

TURISTA IN-PROVAVEL

Se está de Férias ou se vai estar em breve.

Se tem receio da Gripe A.

Se não tem dinheiro para viagens aos lugares mais vulgares onde todos os seus conhecidos já foram.

Se não tem pachôrra para ficar em casa a ver televisão ou a reler os debates da Assembeleia da Republica.

Se procura algo excitante que aumente a sua cultura.

VENHA FAZER UM CURSO DE FÉRIAS IN-PROVAVEL

DATA: 1 de Julho a 31 Setembro

LOCAL: Praia e Campo à sua escolha.

DURAÇÃO MÁXIMA: 5 anos.

DESTINATÁRIOS: O curso destina-se a indivíduos de qualquer sexo maiores de 1,20 de altura e com espesura superior a 10 centimetros.

Neste curso pode aprender a meter metade da sua casa nas malas de viagem, a evitar perder-se enquanto circunda uma rotunda ou o melhor modo de provocar zaragatas numa discoteca.

Aprenderá que as férias são uma excelente ocasião para conhecer locais fantásticos onde nunca mais vai querer voltar e conhecer populações simpáticas que hão-de tentar sugar-lhe a carteira até ao ultimo centímo.

Vamos ensiná-lo como passear no campo, em saudavél convivio com as vespas, víboras e formigas danádas assim como a saber distinguir que tipo de cogumelos colher para dar de jantar à sua sogra.

Receberá toda a formação de que necessita acerca de farnéis, casas de banho de estações de serviço e hóteis manhosos bem como do melhor modo de combinar chinélos horriveis e t-shirts pirósas.

Temos técnicos especializados para actividades ao ar livre e ao ar de parvo e formadores altamente experientes que têm estado de férias nos últimos 25 anos.

Os primeiros inscritos receberão duas semanas de Férias de Natal na Ilha de Páscoa ou em alternativa duas semanas de Férias de Páscoa na Ilha de Natal.

terça-feira, junho 23, 2009

Noite de S. João
























Porque esta noite é noite de S. João


Hão-de sair à rua os milhares do costume com os martelinhos de plástico, agora feitos na China, a fazer a algazarra do costume. Uns divertem-se, outros esforçam-se para concretizar o sonho de diversão que guardaram para este dia outros emulam o contentamento que não sentem.


O cheiro a sardinhas assadas (ao preço do costume) vai invadir a cidade toda até à náusea e nos céus hão-se haver balões de papel a arder e foguetório;que a crise hoje não tem lugar.

Vai correr vinho e cerveja até chegar ao Douro onde os políticos do costume jantarão a bordo do barco habitual longe do povinho e das marteladas.

Já não existem fogueiras para saltar, nem raminhos de cidreira com arruda no interior e rareiam os alhos-porros.

Pela manhã, o nevoeiro das madrugadas há-de esconder à cidade os que dormitam nos bancos de jardim e nos portais gastos. Hão-de haver garrafas vazias e sapatos pelo chão e nos pés, bolhas dolorosas como as paixões que o S. João trouxe e levou.

O metro vai andar cheio toda a noite e há-de levar, já de manhã, os corpos cansados, os hálitos alcoólicos e as frustrações de outra noite de S. João.


Quem sabe, para o ano também haverá S. João.

sábado, junho 20, 2009

7º Dia

7º dia

Pode ser o fim de um ciclo ou apenas o início de todos os outros que ainda restem.

Pode ser uma fase de luto ou o que resta do resto de tudo.

Tenho saudades da minha mãe!

Hei-de ter sempre!

sexta-feira, junho 12, 2009

Nada

in-provavel

Queria dizer aqui algo que pudesse ter algum significado. Algo que pudesse de um qualquer modo servir como conselho, exemplo ou reforço positivo a outro alguém que um dia passasse por aquilo que eu imaginei passar mas que nunca achei que fosse tão.. tão inultrapassavél como constato agora que é na realidade.

Todos nós num ou outro momento da vida receamos pelos que nos rodeiam e a quem amamos. Afastamos esses pensamentos pelo incómodo e sofrimento óbvio que nos causam e seguimos em frente esperando fervorosamente que nunca se concretizem.

Face aos acontecimentos funestos que afectam os nossos amigos/conhecidos sabemos sempre o que dizer e sabemos (julgamos nós) tudo aquilo que fariamos se fosse connosco. Frases vãs parecem-nos possuir significados profundos e chegamos mesmo a achar que o que nos sai dos lábios deveria ser cumprido à risca.

No entanto, quando na nossa alma existe uma dor que não sendo nossa também o é. Dor por quem amamos e pelas sua próprias dores e sofrimentos. Uma dor das que nos esvazia a alma que nos atormenta desesperadamente e leva a esperança toda com ela… Não há nada que se possa dizer ou ouvir; não há conselhos; não há sono; não há satisfação em nada e nem há sequer nada.

Por isso não tenho nada para dizer e já nem sei sequer dizer nada.

segunda-feira, junho 08, 2009

Resultados das Eleições Europeias 2009 - Victória e Derrota



















Quem ganhou:

-A abstenção

-PSD e Manuela Ferreira Leite

-Bloco de Esquerda


Quem Perdeu:

-PS, o governo e José Sócrates

-PCP

-Empresas de Sondagens, sobretudo no caso CDS/PP


Se a vitória do PSD foi sobretudo a derrota do Partido Socialista, já a derrota de Sócrates não se justifica apenas com a derrota do candidato (mal) escolhido. Foi uma derrota pessoal, e das políticas governativas seguidas durante o corrente mandato. Foi a derrota da atitude sobranceira e orgulhosa, da falta de humildade e das manobras oportunistas, evidentes e quase “amadoras” à porta das eleições. Lembremos a gratuitidade dos medicamentos genéricos para os pensionistas miseravelmente ressarcidos por uma vida inteira de trabalho.


Como apontamento gracioso ficam as imagens dos ministros ao serem confrontados com os números que francamente não esperavam. A Maria de Lurdes Rodrigues apenas lhe faltou assassinar com o olhar e a habitual voz estridente (da qual não lhe cabem culpas) os jornalistas que procuravam obter a sua opinião. Luís Amado parecia perdido, deslocado e confuso talvez imaginasse que estava no estrangeiro ou noutro local qualquer que não ali onde estava e parecia não saber. Mário Lino desta vez não gritou “Jamais” (em francês) e retirou-se, também à francesa, de cena.


Talvez o erro mais clamoroso cometido pelo Partido Socialista, por José Sócrates (secretário-geral) e por José Sócrates (primeiro ministro) tenha sido o facto de ter colado a sua imagem à do candidato derrotado Vital Moreira. Todos os restantes partidos apareceram duas vezes no ar; uma com as declarações dos candidatos e uma segunda, com as declarações dos lideres partidários. Todos maximizaram os tempos de exposição mediática. Todos? Todos excepto o PS que além de não o ter sabido fazer, geriu de modo amador o seu tempo de entrada em cena sendo obrigado a sair dela pela aparição do PSD.


Falta agora a José Sócrates Pinto de Sousa saber desatar os nós que ele próprio atou. Gostava de acreditar que seria capaz de mudar de rumo, levando em linha de conta os erros que cometeu. Mas francamente têm sido tantos e tão graves e danosos para o país, que não me parece que tenha tempo, capacidade, discernimento ou humildade para tanto.


O PS perdeu, mas antes dele perdemos todos muitíssimo e ainda continuaremos a perder com as consequências dos seus actos.


quinta-feira, junho 04, 2009

A nobre arte do insulto ou como bem insultar alguém (repostagem)

 

Nobre ARTE DO INSULTO In-Provavel

Para que seja possível insultar alguém com alguma dignidade e inteligência, não basta o palavrão batido, a expressão ordinária e repetida, a referência aos parentes próximos ou o achincalhamento próprio dos simplórios e dos parlapatões sem ideias. Para bem insultar alguém, é necessária alguma arte e estilo; É necessário que se possuam recursos linguísticos e imaginação suficiente, para poder improvisar metáforas inteligentes.

São estas metáforas que muitas vezes constituem autênticos homicídios de personalidade para o insultado mas que ele, apesar de tudo, pode tolerar sem a verdadeira e irreversível ofensa.

A arte de bem insultar é sempre uma demonstração de agudeza de espírito por parte de quem em determinada altura sente necessidade de dizer a outrem o quão mau, baixo, ou estúpido é, ou está a ser momentaneamente.

O insulto demonstra, quando inteligente, uma boa integração social, humor, capacidade de análise e de reacção a factos adversos. O insulto, se inteligente, é libertário, democrático, humanista e terapêutico.

O insulto, não é desprezível nem deve ser desprezado. Não se deve jamais confundir o “bom insulto” com ordinarice, demência, saloiice ou vulgaridade. O “bom insulto” é insolente, é malicioso, é diabolicamente perverso e ao mesmo tempo elegante e quase aristocrático.


-O insulto, é património cultural de toda a humanidade e da sua comunicação verbal. É instrumento preciso para que aqueles que não se submetem, possam permanecer livres de peias que não desejam, de ideias pré-concebidas e de tentativas de imposição de toda a espécie.


-Quem ao longo da sua vida não insultou em determinada situação, voluntariamente alguém?


-Quem, na altura de escolher as palavras, não hesitou entre a verborreia da vulgaridade e elaboração inteligente de frases? Nestas situações limite, é necessário possuir precisão para ferir sem deixar ferida, bater sem deixar nódoa, magoar sem fazer doer mais do que o tempo necessário para que o insultado possa ver o seu erro, e cair em si… ou não.


-Foram muitos os escritores que cultivaram esta arte de dizer verdades ofendendo apenas o necessário. Muitas vezes disfarçado sob o manto largo do humor, o insulto foi usado magnificamente por: Nicarcos, Gil Vicente, Moliere, Bocage, Rafael Bordalo Pinheiro, Eça de Queirós, Cervantes, Quevedo, Lope de Veja, Camilo Castelo Branco, Ramalho Ortigão, Winston Churchill, Bernard Shaw, Serge Gainsbourg, Jorge Luís Borges e tantos, tantos outros.

-Talvez que em ultima instância, seja a arte do bom insulto a única coisa que valha a pena salvar neste país de façanhudos e gente de riso tonto e fácil. Gente de comunicados oficiais e de “oficiais” sem capacidade de comunicação. Neste país de pseudo cultos sorumbáticos e de palhaços alegres mas ridículos. De gente alinhada em demasia ou demasiado desalinhada; Deprimida e deprimente.

Saiam à rua e insultem com elegância, ou então… vão afogar peixes.

Heis alguns exemplos de que gosto:

  • Eu insultava-te mas acho que não irias notar.
  • Não, não te chamei estúpido. Isso seria insultar os estúpidos deste mundo.
  • Será que a corrente dos teus pensamentos tem algum elo?
  • Nem todas as pessoas são aborrecidas, também há os falecidos.
  • Estou a tentar imaginar-te com uma personalidade.
  • Se eu atirar um ramo para longe tu sais daqui?
  • Tu? Do meu planeta?
  • Quando é que o teu circo de anormalidades passa cá para te vir buscar?
  • E… a tua opinião deslocada, estúpida e a despropósito, seria?
  • Olha lá, por acaso eu pareço-te alguém com vontade de te ouvir?
  • Eu finjo trabalhar e eles fingem pagar-me.
  • Será que os extraterrestres se esqueceram de te retirar a sonda anal?
  • Gosto do teu perfume, mas seria preciso tomares banho nele?
  • Qualquer que seja o teu novo visual devo dizer-te que falhaste.
  • “Ele pode parecer como um idiota e falar como um idiota, mas não deixes que isso te engane. Ele é um perfeito idiota.” - Groucho Marx
  • Deves ser o único génio com um Q.I. de 10.
  • Os teus pais por acaso não serão irmãos?
  • Deve estar a fazer anos que foste excretado pelo organismo da tua mãe, não?
  • Deixa lá, ainda um dia hás-de ser famoso. Lá no manicómio onde te internarem.
  • Estás a começar a parecer razoável, vai tomar a medicação!
  • Tens mesmo cara de santo… S. Bernardo!
  • Sabes bem que entendo esse sentimento de vazio de que falas, conheço bem o teu cérebro!
  • Não sei qual é o teu problema mas com certeza a psiquiatria em um nome para ele.
  • Gosto de ti fazes-me lembrar de mim quando eu era estúpido!
  • Hei! Quem é que te escolhe a roupa, O Stevie Wonder?
  • Ok, prometo tentar ser mais simpático se prometeres tentar ser mais inteligente.
  • Namorada nova? Onde é que ela deixa o cão e a bengala às riscas?
  • Olha que o facto de ninguém te entender não é por seres um artista modernista.
  • Irra! Parece impossível como em tempos foste o mais rápido dos espermatozóides!
  • Naturista, tu? Depois de tudo o que a natureza te fez?
  • Eu sei que toda a gente tem direito a fazer asneiras mas tu abusas desse direito.
  • Recordas-me alguém que conheci em tempos, … durante um pesadelo.
  • Já pagaste as quotas deste mês do clube dos canalhas?
  • Eu sei que não és um plagiador, mas tu não plagias é a raça humana!
  • Se alguma vez te vir a afogar, prometo que te atiro uma corda, ambas as pontas e tudo.
  • Só ouvirás algo de bom acerca de ti se for num monólogo!
  • Gostava imenso de trabalhar para si, mas como coveiro.
  • Se disse algo que te tenha ofendido, podes ter a certeza de que foi totalmente propositado.
  • És tão estranho que eras capaz de tropeçar no fio de um telefone sem fio.
  • Eh pá, vai afogar peixes!

quarta-feira, junho 03, 2009

Eleições Europeias 2009– Parlamento Europeu

Europeias 2009 - canditatos In-Provaveis

Partidos e Candidatos In-Provaveis

O Mundo está perigoso mas Portugal está ainda, e sempre, mais perigoso do que a Europa e o mundo.

Nos últimos dias, por exemplo, não tem sido possível ao comum dos cidadãos, andar sossegado pelas ruas, fazer compras nos mercados habituais, andar nos centros das cidades ou sequer executar actos tão simples como ver televisão ou ouvir rádio. Já nem é sequer possível observar os belíssimos arranjos paisagísticos das rotundas das cidades, vilas e aldeias sem ter um cartaz de um candidato ao Parlamento Europeu.

Existem em todas as formas, cores e feítios. Há os altos e magros, os baixos e gordinhos, os de cabelo curto, os de cabelo branco, os carécas e os opostos de todos eles. Há candidatos que são a favor da Comunidade Europeia, outros que são contra e até existe um que era contra mas que agora é a favor.

Há ex-presidentas da câmara e pretendentes a presidentas de câmara; ex e actuais jornalistas; ex e actuais deputados; ex e actuais comunistas.

A trapalhada com os partidos clássicos já era anteriormente um facto, mas a ela juntam-se agora os “movimentos de independentes” que assim deixam de ser independentes para se tornarem partidos com o nome de movimento.

Isto é um belíssimo exemplo de uma Democracia participativa. Há de tudo para todos os gostos. Cada ideologia seu sabor e até sem sabor e sem ideologia.

Com tanto por onde escolher… Vá lá! Vá votar.

Ou em alternativa adopte um!