quarta-feira, maio 28, 2008

Futebol Euro 2008 Selecção Nacional














Futebol Euro 2008 Selecção Nacional

Gosto de Futebol. Mas sem exageros. Tenho um clube favorito. Mas sem exageros.

Se empata, não perco tempo a pensar nisso porque sei que não foram capazes ou suficientemente bons para ganharem. Se perde, perco o mesmo tempo e concluo que ou os outros foram melhores, tiveram mais sorte ou mais capacidade. Nunca penso que tenha sido culpa da arbitragem.

Quanto à Selecção Nacional, qualquer Selecção, a história é outra. Vibro, vivo, salto, esmurro e urro. Um erro vale um epíteto; O árbitro, está sempre de má vontade, persegue-nos, não entende nada de futebol e é filho de mãe incógnita. Os adversários fazem mais faltas do que aquilo que jogam, um corte de bola é falta, um contacto com o nosso jogador é motivo para um cartão amarelo… ou dois e uma rasteira a meio campo é “penálti” óbvio.

Sinto-me tenso uma hora antes do jogo como se fosse eu a entrar em campo e por vezes, dou por mim a fazer “prognósticos” e a falar um “futebolês” quase perfeito sem sotaque de bom senso algum. A cerveja sabe mil vezes melhor, o fumo do cigarro entra-me nos olhos e faz com que fiquem lacrimejantes, quase sempre ao ouvir o hino nacional.

Gosto daquela alegre magia que nos enche quando um jogador dos nossos mete a bola na baliza dos “outros”.

O que eu já não gosto é da informação acessória que as televisões me impingem de manhã à noite e em cada serviço noticioso. Dizem-nos quase tudo acerca de tudo o mexa nas imediações. Quem está, quantos são, o que vestem e de onde são. Não há parvalhona ou parvalhão que não seja entrevistado pelo repórter enviado ao local. Todos têm cachecóis de mil feitios diferentes a dizerem Portugal. Todos se embrulham em bandeiras nacionais que maltratam como se fossem rodilhas de loiça. E quando o “jornalista” esgota a matéria para “encher os chouriços”, lá vêm as criancinhas (tão giras…) que só conhecem o Ronaldo, a dizerem que é o “mais melhor do mundo”!

Entrevista-se o dono do pronto-a-vestir que fica a 20 quilómetros que pôs uma bandeira no manequim; O ti Joaquim que tem (na horta) tomates vermelhos e feijão verde; A dona Miquelina apenas porque sim e o Zé “borrachóla” apenas porque não. Lá aparece o Dr. Fernando Ferreira Faria Fernandes a discursar acerca da importância da aerodinâmica da bola e da consistência do relvado para a “tribéla” (ou trivéla) do …

Entrevistam-se as mulheres dos jogadores, os pais e avós, a primalhada toda e aquele tipo que já o não vê há mais de 10 anos mas que lhe abriu a cabeça com um pontapé durante um jogo da paróquia aos 7 anos.

Entrevista-se o motorista da camioneta, o cozinheiro, o aparador de relva, o director do hotel, a camareira, o mini-bar, o porteiro e por que não a própria porta do hotel?

Depois vêm as ementas, dos jogadores; O que fazem nos tempos livres, se jogam às cartas ou bilhar; Se bebem leite ou sumo, se foi carne ou peixe, massa ou arroz. A que horas acordaram e quando calçaram as chuteiras.

Espero ainda com maior das ansiedades que mais dia, menos dia, fiquemos a saber a que horas arrotou o Simão Sabrosa; quantas vezes vai o Ricardo Carvalho ao WC por noite ou de que cor são os boxers do Nani.

segunda-feira, maio 26, 2008

NO COMENTS

sexta-feira, maio 23, 2008

MEMÓRIA












MEMÓRIA

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-Tenho experimentado ultimamente alguns problemas com a memória. Esqueço-me com frequência de onde coloco os objectos de que preciso, Esqueço as datas de aniversário de quase toda a gente incluindo a minha. Por vezes não me recordo de que não uso óculos e procuro-os pela casa toda até que me canso. Outras vezes, esqueço-me de dormir e passo os dias, cheio de sono sem me lembrar porquê.

-Á poukus diaz esqussi-me de kmo cê eskrvia kuando etva a envear 1 msagem no tlmovel. Flixment ningem nutou nda.

-Tenho a convicção de que isto já dura há muitos anos, porque nem sequer me lembro de ter nascido e as primeiras recordações que tenho, são de uma casa de onde saí antes dos dois anos de idade. Não me lembro de ter aprendido a andar ou a falar e no entanto falo e ando.
-Alguns amigos dizem-me (quando me esqueço da idade que tenho) que isso é típico das senhoras mas francamente não me recordo da razão porque o dizem.

-Ultimamente, quando oiço o preço da gasolina ou de alguns bens essenciais, fico muito admirado. Quando vejo as péssimas condições de vida de muita gente abro a boca de espanto; Quando me dou conta daquilo em que este país se transformou em poucos anos arregalo os olhos até me doerem. Que diabo, como posso eu não me lembrar de Portugal ter passado a ser um país do terceiro mundo?
-É que francamente não me lembro de ouvir o actual primeiro-ministro (que me dizem ser engenheiro, embora não me lembre disso) prometer o aumento do desemprego mas sim a criação de milhares de empregos. Não me recorda absolutamente nada que tenha prometido destruir o sistema de ensino e de saúde, de instalar portagens onde as não havia antes ou de o ter ouvido a garantir uma cada vez pior redistribuição da riqueza gerada.

-Mas cada vez mais me espanto menos; É que também havia esquecido que alguns políticos são capazes de todas as “facinorices” para chegar ao poder e depois, esquecem-se eles próprios, de tudo o que disseram.

-Apesar de ser esquecido não sou estúpido de todo e não me vou esquecer nunca de muita coisa como estas.

segunda-feira, maio 19, 2008

Canção de Embalar






















SEMPRE

Boa noite meu Anjo é tempo de fechar os olhos e deixar as perguntas que ainda não fazes para amanhã. Penso mesmo que eu ainda consigo, ler-te nos olhos que entendes tudo aquilo que eu te digo. Prometo estar sempre contigo e que onde quer que tu vás, saberás que estarei eu sempre perto de onde tu estás.

Boa noite meu anjo é tempo de dormir. Tenho ainda tanto para te dizer. Lembra-te das canções que sempre eu te cantei. Para mim, já é tempo de ir. Navega nos meus braços até adormecer que ao acordares aqui estarei. As tuas águas serão agitadas e profundas. Mas neste coração antigo que com a tua existência inundas ao adormecer, existem esperanças profundas da tua felicidade simples de ser.

Boa noite meu anjo, agora é tempo de sonhar e quando um dia distante, uma criança nos teus braços acordar, canta-lhe uma canção assim. Então serei uma parte tua como tu és sempre a maior parte de mim.

Um dia, como nós também esta canção há-de passar. Mas enquanto houver uma criança que acorde e alguém que lhe cante uma canção de embalar para ela adormecer, há-de ser no seu coração que nós os dois havemos sempre de estar e para sempre viver.


Yur Adelev

quinta-feira, maio 15, 2008

SOCRATES, FUMO, TAP






















Ele, sem vergonha!
TAP, sem respeito!
Eu sem surpresa e sem comentários!

domingo, maio 11, 2008

Terra de cegos











Terra de cegos

Quando vi (e ouvi) o Senhor bastonário da Ordem de Todos os médicos e o senhor presidente do Órgão Corporativo que abrange os nacionais-oftamologistas, a alertar os cidadãos acerca dos perigos “terríveis” de serem operados em Cuba, não pude deixar de sorrir o mais amareladamente possível.

Todos, TODOS, sabemos quem sempre se opôs à abertura de mais cursos de medicina. Sabemos que a consequência imediata foi a inflação das notas de entrada nas actuais faculdades. Sabemos que os únicos beneficiados foram os médicos em geral e que os prejudicados fomos TODOS NÓS em geral e particular!

Temos TODOS consciência que hoje em dia não é médico quem possui real vocação para o ser, mas sim quem possui todos os meios necessários para obter as notas de ingresso na Faculdade de Medicina. Conhecemos quem beneficiou e beneficia com tais práticas; Quem, entre todos os recém-licenciados, tem emprego garantido no final do curso superior. Sabemos quem se recusa a “migrar” para o interior do país, a fim de prover as vagas de especialidade que aí existem e sabemos que o não fazem porque a medicina privada no litoral e nos grandes centros habitacionais é muito mais abundante e rentável.

Nunca vi médico algum (excepto uns em Coimbra e alguns amigos que tenho) preocupados com as “Listas de Espera” perfeitamente terceiro-mundistas que afectam o nosso Sistema Nacional de Falta de Saúde! Essas mesmas listas são a garantia de trabalho num qualquer possível ano de crise. A garantia de expansão dos protocolos entre o Estado e indústria privada da Saúde. A obrigação que se não cumpre no sector público e que rende ouro no privado. O esforço que se não faz e o lucro que se procura.

A imagem de impunidade na má prática de actos médicos é a que mais circula. A ideia de omni-poder por parte da classe médica é constante em cada português médio e em cada doente, a par com a imagem de ineficácia e de trapalhada com que se vive (e morre) em todos os hospitais.

Dizer que tudo não passa de um problema politico é a mãe de todas as desculpas; É como querer retirar do “capote” todas as gotas de água que alimentaram a sua sede e o afogamento de outros.

terça-feira, maio 06, 2008

A Horta da Democracia













A Horta da Democracia

-Faz muito tempo, que nesta horta peninsular mais chegada ao lago Atlântico, apenas havia uma árvore frondosa e verde que dava sombra ao solo, frescura a quem sob ela decidia abrigar-se e alimento e protecção a todos. Chamavam-lhe árvore do Estado Democrático Livre e Justo. Essa árvore crescera a custo, demorara a ganhar alento, a espalhar os seus ramos e a abrir as suas folhas. Aliás, ainda não estava e talvez não estivesse nunca, suficientemente crescida, mas lá ia medrando.

-Um dia, o hortelão encarregado de a regar com o suor de muita gente, decidiu deixar que à sua sombra crescessem outras plantas. Vieram então os gordos repolhos ex-presidentes, as couves pencudas ex-ministras, as abóboras que rolavam de partido em partido, as melancias ecológicas (verdes por fora e vermelhas no interior), os nabos dos ministros, a pimpinela socrática e outros vegetais cujo colorido de inicio alegrava a visão daquela horta.

-Os cheiros e aromas das saladas e das sopas espalhavam-se pelo ar e com eles (e por eles) foram atraídos os pulgões, as lesmas, as lagartas e toda a restante bicharada que vivendo à sombra da árvore sempre se tinham encolhido nos seus buracos escuros.

-A pobre árvore bem tenta abrigar a horta, mas os ácaros sugam-lhe a seiva, os corvos defecam-lhe nos ramos e os ratos ávidos roem-lhe as raízes.

-Entretanto, o velho hortelão, agora cego pelas cataratas, ruma a Cuba para ser operado depois de seis anos a aguardar numa interminável lista de espera sem resultado algum.

quinta-feira, maio 01, 2008

FERIADOS NACIONAIS À PORTUGUESA











-Os portugueses são por excelência o povo europeu com maior espírito de contradição para com os feriados, Ora vejamos:

1 de Janeiro - ANO NOVO – Celebra-se o primeiro dia do novo ano. Por cá ainda estamos a pensar naquilo que teremos feito ano anterior: sonegámos o suficiente nos impostos? Será que escapámos às multas todas? Esquecemos um dia de férias ou usámos todas as faltas permitidas por lei? O que se passou depois do primeiro brinde às 11 da noite? Como foi que chegámos a casa? Como apareceu aquela nódoa negra? Quem pagou a conta? Quem era a morena bonita com quem tomamos o pequeno-almoço?

CARNAVAL - Por todo o lado, toda a gente parece andar disfarçada de qualquer coisa. Por cá, usamos a cara de pau de todos os dias; o mesmo sobrolho carregado a pensar nas contas até ao fim-de-mês; o mesmo ar carrancudo de quem não sabe o que é uma promoção ou um aumento desde há muitos anos; as mesmíssimas “trombas” de quem não vê nada que sendo novo seja melhor.

PÁSCOA – Altura de meditação para todos. Para nós é tempo de férias na neve, no Algarve, no Brasil, Cuba ou noutro destino qualquer que não podemos pagar.

25 de ABRIL (dia da liberdade) – Somos capazes de ser detidos por um policia qualquer, apenas porque por ser dia da liberdade, decidimos alimentar os pombos na praça ou por fumar um belo charuto no restaurante favorito e insultar o agente que nos chamou a atenção. Nada como “ir dentro” no dia da Liberdade!

1 de Maio (Dia do trabalhador) – Talvez alguns estejam de serviço neste dia e amaldiçoem a contradição de trabalhar no dia que por excelência deveria ser de descanso. Todos os outros que se encontram livres, lamentam o facto de não haver que trabalhe no dia que celebra precisamente o trabalho. “Irra um tipo quer ir ao hipermercado e nada, quer fazer compras, nada… Porra, está tudo fechado neste dia? Já ninguém trabalha?”

10 de Junho - DIA DE PORTUGAL – C’um Canéco! Vem mesmo a jeito este dia de Portugal para dar um salto ao lado de lá da fronteira; Comer bem e mais barato, fazer umas compras para as férias que se avizinham, abastecer a dispensa (que lá é mais barato) e sobretudo encher o depósito do carro que já nem sabia o que era estar cheio há muito! Dia de Portugal… Viva Espanha!

1 de Dezembro (Dia da independência) – Grande Feriado pá!
Logo de manhã depois do litro de café e dos primeiros três cigarros, corremos de bicicleta em volta do bloco. Cruzamo-nos com os “ganzados” todos da vizinhança encostados às esquinas e com a garotada que chega da discoteca com a garrafa de água na mão, os olhos injectados e ainda a curtir os speeds da noite. Sentamo-nos ao computador a surfar na net e cerveja após cerveja esperamos a hora de sair com os amigos para apanhar uma carraspana das antigas!

NATAL – Época de dádiva? Como? Todos os anos os presentes que ofereço são melhores e mais caros do que as tralhas que me dão a mim. Sempre as mesmas peúgas da Tia Nanda, o mesmo desodorizante e after-shave do primo Alberto, o mesmo “uísque marado” do António a mesma desculpa do Alberto. P´ró ano vão ver o que lhes dou! Dádiva uma ova!