quinta-feira, julho 02, 2009

A CRISE Chama-se Portugal!

CRISE In-Provavel

Os portugueses vivem em crise desde a fundação do país que teve origem, básicamente, numa crise familiar ocorrida na família dos Afonsinhos. À fundação da nacionalidade seguiram-se inúmeras crises, tão constantes que a nossa história nacional na melhor das hipóteses pode ser vista como uma sucessão de crises ou alternativamente um crise constante e ininterrupta.

Tivemos crises sucessórias em praticamente todas as transições entre reis e uma entre cada dinastia. Tivemos crises com os Papas, com os Espanhóis e com todos os povos que fomos conhecendo.

Tivemos crises de moeda, crises religiosas, crises sociais, crises económicas, a crise de 1383-1385, a do terremoto, a do Marquês do Pombal, a crise das invasões napoleónicas, a crise da Guerra Civil, a crise do mapa cor-de-rosa, a crise da monarquia, a da 1ª República, a da 1ª Guerra, a da 2ª República e 2ª Guerra, a crise Coimbrã, a do Marcelismo, a do pós-25 de Abril, a Crise económica posterior… enfim crises e mais crises ou mais obviamente, uma só crise que dura desde que existimos.

Pessoalmente estou em crise desde que me conheço. Apenas ainda não sei se sou um português em crise ou se estou em crise por ser português.

Cresci em plena crise de Liberdade Democrática, conheci (vagamente) a crise Coimbrã e a do Maio de 68. Vivi a crise do equilíbrio nuclear e a crise da guerra colonial, a do Marcelismo e a resultante dos excessos do PREC. Passei pela crise dos governos provisórios e pela da descolonização; pela da Fonte Luminosa e a de Rio Maior.

Fui vítima da crise do ensino e das sucessivas reformas que de crise em crise me arrastaram, como uma cobaia, de metodologia em metodologia, de sistema em sistema, de programa em programa.

Vi a crise do Bloco de Leste, a da bolsa, a da industria textil e calçado. Via a fome em Setúbal tal como a vejo hoje no país todo.

Talvez me devessem ter baptizado Crisóstimo mas na altura, este era um nome em crise.

Há dias, o ministro Teixeira dos Santos, o mesmo que o “Financial Times” considerou como pior ministro da Europa, veio anunciar o principio do fim da crise. Talvez o senhor ignore que a credibilidade que lhe resta é pouca e que já o ministro das Obras Públicas e o da Economia (a célebre dupla “Lino & Pinho”) o haviam feito sempre que puderam.

Talvez a “luz ao fundo do Túnel” seja finalmente, o farol do comboio que os há-de (se não atropelar) levar para bem longe.

Estou sem humor apenas por estar em CRISE!

5 comentários:

bell disse...

Só não concordo com a última conclusão: o teu humor não está em crise, nem o teu sentido crítico.

Vasco Gamito disse...

Tem graça que ainda há dias participei numa conversa em que se reportava a crise à primeira dinastia... De resto, concordo com o que se diz no comentário anterior acerca do teu humor e do teu sentido crítico.

Natália disse...

Um país sem crises... Ideologia?
O que mais me farta de impaciência é a crise da fome que perpetuamente vivemos. Penso que em todas essas crises, existiu a da fome como o "coração" de um corpo podre e uma mente insana.
Quero gritar com palavras o que sinto quando vejo noticiar milhares de cidadãos com fome, morrendo doente e um governador de uma certa cidade investindo meio milhão de espécies na literatura (nada contra a literatura), é que com fome, não consigo ler...
É meu amigo Rui... Acho que as crises são planetárias.
Ainda vivo na esperança de um país sem crise, sem fome, sem podridão. Ainda vivo de "esperanças" será "utopia"?

aquelabruxa disse...

realmente... desde que me lembro que portugal está em "crise". desde criança que me lembro da expressão "é preciso apertar o cinto".

Peri disse...

aaaaaaaaaahahah! COncordo com tudo amigão!
AO menos se pode gabar de ter algo com constância.
A crise.

Assim como é um estado permanente a fome na Etiópia =D

E Natália, já ouviu falar em humor? Outra coisa. Ele está falando de Portugal,não do planeta.

Beijos para todos!!!