quarta-feira, maio 10, 2006

LIVRA... RIA!







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Confesso que tenho uma secreta paixão por livrarias. E embora a não a exerça com a regularidade que gostaria, ela está em mim e eu nela sempre que a ambos é possível estarmos juntos.
-Quando estou numa livraria a desfolhar mil livros que não tenciono comprar tenho, nesses momentos únicos, a impressão que ainda resta no mundo alguém que sabe pensar.
-Gosto das cores das lombadas dispostas anarquicamente, e bem dispostas habitualmente. Gosto do cheiro a papel e a tinta e sobretudo gosto do quase solene silêncio que lá existe; Este, não é o silêncio mal disposto, obrigatório, pesado e opressivo das bibliotecas, mas um silêncio respeitoso e auto imposto, como o som da concentração do atleta antes de iniciar a corrida contra a fasquia que deveria ultrapassar.
-Adoro percorrer as secções temáticas e já me tem acontecido encontrar na secção de arte, excelentes obras acerca de reciclagem de resíduos sólidos ou na de auto-biografias, fantásticas obras de ficção. Mas sobretudo sempre me impressionou a divisão da totalidade dos livros em dois grandes grupos: ficção e não ficção. É como se me quisessem dizer que uns são verdadeiros e outros apenas uma data de patranhas que no entanto eu devo ler, pagando para isso a pequena fortuna que os livros por cá vão custando.

-Ainda recordo com alguma saudável saudade, outro tempo não muito distante, em que era possível fazer perguntas aos empregados das livrarias e obter respostas concretas, rápidas e acertadas sem que tivessem de consultar com ar sério um terminal de computador. Nessas alturas, franzem o sobrolho como se soubessem a resposta e apenas não se recordassem bem dela, consultam a base de dados e concluem quase invariavelmente, que o autor cujo livro nós procuramos não existe, ou que naquela livraria não existe nada, que ele a ter existido, tivesse escrito; O que parece dar no mesmo a julgar pela expressão de estranheza e desdém com que nos olha. È mais ou menos assim: “Hum…, desculpe mas OZ, só se for O feiticeiro de OZ. Esse tal Amos Oz não existe!”. Está encerrada a questão, e assim Amos Oz (pseudónimo de Amos Klausner), um dos mais importantes e mais traduzidos autores em língua hebraica, deixa pura e simplesmente de existir num ápice, desaparecendo com ele toda a sua obra.

Rui

3 comentários:

Visi disse...

Quero agradecer a visita e dizer que gosei muito deste blog! Parabens!!

Luisa disse...

Também gosto muito e livrarias. A descrição das tuas visitas é giríssima! Também já me tem acontecido ver desaparecer um autor no computador. Os empregados antigos sabiam tudo mas agora, com a informática, já não confiam na sua memória e saber. O meu problema com as livrarias é a altura das estantes: só posso folhear livros até à terceira. E eu, que tenho a mania que os livros bons estão lá em cima, junto ao tecto, onde não posso chegar.

Alien David Sousa disse...

Percebo muito bem o teu fascino por livrarias.Sou capaz de passar á vontade 1 hora den Bertrand sem dar por ela.