domingo, janeiro 24, 2010

Arte In-Provavel

ARTE In-Provavel

De quando em vez sou convidado para uma ou outra... (quase sempre, uma a mais) “vernissage” de uma amigo/a, de um conhecido/a ou de um/a desconhecido/a que decidiu , ou alguém por si, realizar uma exposição (quase sempre) de pintura e que teve o desplante de me convidar.

Quase sempre tentam dar ao acontecimento uma solenidade que nem a ocasião merece nem eles/as são capazes de lhe conferir.

As caras (e os donos delas) que por lá passam são invariavelmente as mesmas.

As mesmíssimas tias e tios; os intelectuais do costume; os pseudo-intelectuais de sempre; os donos dos bares da “noite”; os artistas lançados no mercado a marcar presença e a a tecer comentários para quem os queira ouvir; os pretendentes a artistas e os pretendentes a alguma coisa que nunca entendi o que seja mas que marcam presença regular. Ooops… e de quando em vez um autárca!

Há também os estilistas sem estilo e sem venda, os actores em busca de papel, os sonhadores em busca de uma refeição grátis ou dos canapés e os curiosos que não distinguem a parede da tela mas que teimam em opinar ainda e sempre. Claro… não esquecer os jornalistas de todas as áreas, dos estagiários aos consagrados do desporto e uma ou outra “vedetinha de TV”.

Os aperitivos raramente são grande coisa. O champanhe raramente passa de de espumante de baixa qualidade e limitada quantidade.

O Vinho do Porto é Tawny mas daquele que se vende em supermercado durante as feiras de vinhos. O Gin é do barato e a água (tónica ou não) vem em embalagem de plástico.

Aconselho apenas o vinho; sempre branco e sempre verde mas sempre, sempre com a imagem de um palacete no rótulo.

Bebe-se a água e o vinho em copos iguais para não parecer presunçoso e não demonstrar desconhecimento. Os guardanapos (de papel) esgotam ainda antes de outra coisa qualquer e depressa se nota o aglomerar de gente junto às “fontes” de bebida.

Os vestidos das senhoras são os dos casamentos das irmãs, das primas e das amigas e os gestos são tão falsos como os sorrisos e os beijos afastados da face que dão e que recebem ou algumas das gargalhadas mais audíveis.

Em alternativa, algumas delas parecem-se com as avós, quando estas se vestiam como quem tenha estado em woodstock mas sem a lama do festival.

Os homens que não usam gravata parecem ser todos do Bloco de Esquerda ainda que fumando cigarrilhas sem o hábito de o fazer e sem saberem como se faz. Outros poderiam ser sem-abrigo que as roupas não destoariam.

Enquanto que aqueles que usam gravata parecem ser todos vendedores… perdão técnicos/directores comerciais, jovens empregados bancários de bancos privados sem o balcão pela frente ou deslocados dentro dos colarinhos engravatados. Um ou outro, visivelmente metrosexual e meia dúzia de imitadores.

Não sou apreciador de “Artes Plásticas” no sentido que muita gente afirma ser.

Sou perfeitamente incapaz de fazer qualquer esforço para justificar as manchas hediondas que vejo em algumas telas;

Detesto algumas “instalações” com que me deparo, tanto como detesto montoeiras de resíduos sólidos urbanos (RSU’S) ou restos de obras de construcção civil em locais públicos.

Não lhes procuro nem sentidos para que existam, nem justificações recônditas para que possam ser lidas de outro modo que não aquele com que se apresentam aos meus sentidos. Aprecio a técnica de execução e o improviso. Admiro a capacidade de representar a realidade e de a reinventar ou a reinvenção de modos de representação.

Tenho consideração suficiente por amigos para não os arrastar a estes “acontecimentos” e se forem eles os artistas em causa… não lhes minto e evito falar tanto das obras (se for caso disso) como da fauna presente na altura e no local.

Não admiro estes convites nem as suas circunstâncias. No entanto, não perco a ocasião por nada do mundo. Apesar de não gostar de Carnavais a destempo e despropósito sempre tenho uma ocasião de me divertir com a natureza humana e as suas ridicularias.

Se agora me lerem… não voltarei a ser convidado! Irra, lá se vai o mau copo e a conversa fútil!

Bolas faz-me falta!

Aliás.. há muito mais do que isso na actual conjuntura “artística”?

4 comentários:

Violeta disse...

Depois desta descrição, senti uns arrepios e simultaneamente fiquei feliz por não ser convidada, assim com tanta frequência...
Mas, confesso, que fiquei com pena de ti...

Helena Teixeira disse...

Hum...depois de ler isso,vou seleccionar cuidadosamente os convites de expo e afins...se bem que nao têm abundado.lol...

Ah, o mês de Fevereiro está quase a chegar e com ele a Blogagem de Fevereiro. O tema é: O Carnaval e as suas tradições. Já sabe: texto 25 linhas e foto até 8/'02 para aminhaldeia@sapo.pt
Mesmo que não goste do Carnaval (eu pelo menos nao suporto),há sempre 1 aventura para contar (eu tenho...traumatizou-me para não gostar nada do carnaval...lol)

Jocas gordas
Lena

Antipatiko disse...

Mas....será sempre assim? Penso que não, algumas talvez! Cmpts

Rui disse...

Pois.. vulgarmente... e demasiadas vezes isto acontece mas não em todas as ocasiões. Limitei-me a fazer um "apanhado" de pequenas ridicularias" que me são dadas a observar (havia mais).
Cumprimentos a todos 3!