sábado, fevereiro 09, 2008

Camilo Pessanha - CONVITE












Clube Literário do Porto

Rua Nova da Alfândega, n.º 22

4050-430 Porto

T. 222 089 228

Dia 10 - Domingo

Auditório

Camilo Pessanha: o Poeta ao longe - Comemoração dos 140 anos do seu nascimento (parceria Associação Venceslau de Morais e Clube Literário do Porto)

17:00h

Conversa sobre Camilo Pessanha:

- Ana Paula Laborinho (Comissária da exposição)

- Pedro Barreiros (Comissário da exposição)

- Vale de Figueiredo

- Fernando Guimarães

- António Aresta

- António Leite da Costa

Participação do Grupo de Coros Dramáticos dos Antigos Estudantes de Coimbra no Porto.

Lançamento do livro O essencial sobre Camilo Pessanha de Paulo Franchetti.

Piano-bar

19:00h

Camilo Pessanha: o Poeta ao longe - Comemoração dos 140 anos do seu nascimento

Piano - Yuki Rodrigues

Galeria

16:45h

Inauguração da Exposição - Camilo Pessanha: o Poeta ao longe. Comemoração dos 140 anos do seu nascimento.


(ENTRADA LIVRE)




Pessanha, Camilo de Almeida

(1867 - 1926)

-Natural de Coimbra, era filho ilegítimo de um estudante de Direito aristocrata e de uma mulher, que serviu toda a vida como governanta de seu pai.

-Formou-se em Direito, em 1891 pela Universidade de Coimbra. Ainda que temporariamente, em 1890, fez parte do grupo dos «Nefelibatas», criado no Porto por Raul Brandão, António Nobre e Alberto Oliveira. Partiu para Macau para leccionar Filosofia no liceu. Aí, travou amizade com Venceslau de Moraes e publicou alguns poemas na revista Ave Azul e em jornais de província em 1899. Em 1900, era conservador do Registo Predial da cidade, tendo regressado a Portugal entre 1905 e 1909 e entre 1915 e 1916.

-Oferecia os seus poemas, dizia-os quase sempre de cor e era avesso a publicá-los, embora alguns tenham, ainda assim, aparecido em diversas revistas de então. Muito admirado pela geração de Orpheu, foi pelos seus integrantes frequentemente contactado para que se publicassem os seus poemas, quer na Orpheu, quer na Centauro. Foram no entanto, João de Castro Osório e Ana de Castro Osório que conseguiram a publicação do volume Clepsydra (1920), que reúne poemas de Camilo Pessanha, muitos dos quais ditados de memória pelo poeta.

-Considerado o mais genuíno representante do simbolismo português, notabilizou-se sobretudo pela extrema qualidade rítmica e musical dos seus versos, tal como Verlaine. Meticuloso, rigoroso e sempre extremamente equilibrado, afastava-se do lirismo romântico tradicional, do sentimentalismo e confessionalismo, de muita da poesia portuguesa de então. A sua poesia denota quase sempre uma melancôlia plena de calma e resignação; quase pessimista, como se ao passar do tempo todo o esforço humano fosse inútil. Pleno de vivências ténues, sempre expressas com imagens e símbolologia subtil e passageira e de sensações de ansiedade com alguma nostalgia saudosa (de fundo marcadamente português).

-Viveu, em Macau, os últimos anos da sua vida. Afastado do convívio dos seus principais companheiros de letras, ia repetindo os seus melhores versos "de memória", como gostava de sublinhar.

-Camilo Pessanha, deixou além da obra poética, vários estudos sobre literatura e cultura chinesa, reunidos no volume China (1944), em que inclui também oito elegias chinesas.

DOIS POEMAS

Estátua
 
Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, --- frio escalpelo,
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.
 
Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.
 
E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre o mármore correcto
Desse entreaberto lábio gelado...
 
Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.
 
            Caminho
 
                I
 
Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...
 
Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...
 
Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,
 
Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.
 
Camilo Pessanha

1 comentário:

Clara Branco disse...

Na cadeia

na cadeia os bandidos presos!
o seu ar de contemplativos!
que é das feras de olhos acesos?!
pobres dos seus olhos cativos!


passeiam mudos entre as grades,
parecem peixes num aquário.
-campo florido das saudades,
porque rebentas tumultuário?


serenos... serenos... serenos...
trouxe-os algemados a escolta.
- estranha taça de venenos
meu coração sempre em revolta.


coração, quietinho... quietinho...
porque te insurges e blasfemas?
pschiu... não batas... devagarinho...


olha os soldados, as algemas!

Camilo Pessanha

Genial! bj