sexta-feira, setembro 29, 2006

Manual para políticos amadores (Capitulo I)
















-Considero-me um tradicionalista moderado com alguns tiques de reaccionário e umas quantas, se não muitas, atitudes de revolucionário libertário. Possuo uma cada vez maior e mais intensa aversão a algumas pessoas enfeudadas em alguns partidos. Não acredito, nas esquerdas militantes e extremadas, nem tão pouco nas direitas extremas e militantes.
-Por incrível que isso por vezes me pareça a mim e a quem me conhece, acredito no sistema político, na honestidade de uma grande maioria dos seu elementos e não encontro mal de monta no actual regime.
-Outrora, fui militante intenso e responsável; A situação que então se vivia exigia-o e eu tinha a consciência dessa exigência. Ganhei e perdi “combates”, eleições, confrontos ideológicos e tempo, muito tempo e algum dinheiro. Concretizei e vi caírem muitos projectos meus e de outros com quem tinha uma relação leal de comunhão de pontos de vista. Quando considerei ter chegado o momento de me afastar, fi-lo deliberada e lentamente, como se disso dependesse alguma vez a minha dignidade, mas não abandonei nunca o hábito de pensar e reflectir a “coisa politica”.
-Pelo caminho, tomei notas e apontamentos que usei muitas vezes em várias ocasiões, e que aqui irei deixar sob o actual titulo. A mim serviram-me bem.
-Hoje, mais perto do centro do “sistema”, inserido totalmente no mundo e ainda e sempre a pensar, sinto-me cada vez mais cínico com relação a alguns políticos, nada crédulo com relação a algumas intenções e totalmente contrário a determinadas práticas. Não se trata nem da frustração nem da desilusão e nem sequer da descrença. Trata-se apenas de um modo de pensar e da vontade de ver mudar o que de mal está neste meu país.
-Há coisas que felizmente melhoram e a lua cheia é uma das que mais me agradam apesar de ser sempre a mesma lua.

Em Politica:

  • Por vezes não é bom destapar a caixinha dos vermes.
  • Não é aconselhável abanar o barco onde vamos todos juntos pois podemos ir ao fundo, todos separados.
  • A melhor táctica é a do salame, isto é: comer apenas uma fatia de cada vez.
  • O nada é tudo.
  • O que parece é! – Lenine
  • Tudo está ligado a tudo o resto.
  • Bajular resulta sempre.
  • O mentiroso é um criador de factos políticos. O homem honesto é apenas um mero divulgador.
  • É mais difícil reconhecer os inimigos. O tipo que nos trama é o que nos sorri da cadeira ao lado.
  • O referendo é como um “spray” que se abana quando não há coragem para usar e decidir.
  • È sempre bom perdoar aos inimigos, nada os aborrece mais. – Óscar Wilde
  • O protesto é arriscado, a crítica perigosa e a irreverência imperdoável.
  • A coerência é um luxo que por vezes se paga caro.
  • A única coisa para que o passado serve é para ficar para trás.
  • Nunca se deve acreditar em nada até que seja oficialmente desmentido.
  • Não se deve ser revolucionário sem revolução.
  • Há quem possa ser acusado de praticamente tudo, excepto de honestidade, coerência e competência. Disso ninguém os pode acusar.
  • Existem políticos que possuem o mais rígido código de imoralidade.
  • Um conservador de hoje é alguém que defende as ideias de um reformador de ontem.
  • Um reformador só é reconhecido quando morre, mas por isso deixa de reformar morre nesse instante.
  • Agir correctamente pode provocar embaraços. No entanto isto não é razão para deixar de o fazer.
  • Um economista é alguém que serve para explicar amanha, o porquê de as previsões que fez ontem falharem hoje.
  • Alguns políticos não servem para fazer nada, mas sim para explicarem porque não se fez nada e prometerem de novo fazer tudo.
  • O melhor modo de não fazer nada acerca do que quer que seja é falar constantemente nela.

4 passos para não fazer nada em politica:

1- “Ainda é cedo para fazer o que quer que seja!”
2- “Estamos a analisar o que poderá ser feito!”
3- “Estamos a envidar esforços para que tudo ao nosso alcance seja feito!”
4- “Infelizmente já nada podemos fazer, os factos estão consumados!”

  • Quando o tempo confirma os factos eles já não têm significado.
  • O poder adora arrependidos.
  • Existe o trunfo dos sem coração sobre os sem miolos.
  • “No pântano da arrogância, o trajecto dos néscios é tranquilo impune e bem remunerado”.

2 comentários:

Luisa disse...

Nisto da política há sempre uma certa desilusão quanto crescemos. Na juventude tudo nos parece uma causa pela qual temos de trabalhae e lutar. Com o avançar dos anos ficamos numa perspectiva de "observador". Parece que é isso que aconteceu a muitos activistas - da esquerda e da direita. Recomendo a todos o estudo do teu Manual porque a ironia é uma boa atitude perante a vida.

Alien David Sousa disse...

Bem Rui, quando li o texto fiquei :O
Se esse caminho te levou ao Rui que és hoje, ainda bem que o tiveste que percorrer.

Só quero destacar umas frases que são pérolasm, pelo facto de as ouvirmos DIARIAMENTE NA TV, ou rádio:


4 passos para não fazer nada em politica:

1- “Ainda é cedo para fazer o que quer que seja!”
2- “Estamos a analisar o que poderá ser feito!”
3- “Estamos a envidar esforços para que tudo ao nosso alcance seja feito!”
4- “Infelizmente já nada podemos fazer, os factos estão consumados!”

Tu consegues, fazer-me rir, com a desgraça que estes idiotas fazem dos meus interesses.
bjs