quinta-feira, março 15, 2007

Pesca-dores á linha











-Há tempos atrás dois amigos meus decidiram que eu precisava de um tempo de qualidade, de animação, distracção e divertimento. Vai daí levaram-me com eles à pesca. Ainda tentei argumentar que a noite estava demasiado fria e húmida; Que não trazia calçado apropriado para a façanha e que sobretudo, não entendia nada de pesca. Não adiantou, pois à medida que eu expunha um problema, ora um ora outro, descobriam-lhe logo ali a solução. Lá fui.
-Devo confessar que não sou grande adepto de praia, nem sequer de dia. A simples presença de areia causou-me sempre aborrecimento e comichão. Logo, que fazia ali eu ao frio sob um céu estrelado, perto das ondas com uma lanterna na cabeça e uma cana na mão?
-Os preparativos para a pesca estavam todos feitos. O farnel abundante, a cerveja fresquíssima e muita, o isco, canas, botas, lanternas, e uns estranhos estojos com mil e uma coisas pequenas que dificilmente eu entendia para o que serviriam. Colocado o isco na ponta de um anzol atira-se com ele e com um pedaço de chumbo para dentro da água; Espeta-se a cana na areia, com um suporte especial e espera-se que ela abane. Imediatamente era a hora de abrir cervejas. A conversa era escassa mas corria calma agradável e até o frio não incomodava tanto como eu pensara.

-Foi uma das melhores noites que tive nos últimos tempos. Continuo sem perceber nada da “arte da pesca à cana”, mas ali sob aquele céu estrelado, longe da civilização, entendi pelo menos porque há tanta gente que (literalmente) se dedica à pesca. Ali, com o vento frio no rosto, entre o rugir do mar invernoso e o silêncio da noite é realmente possível ouvirmos os nossos pensamentos mais íntimos e encontrar alguma verdadeira paz de espírito.

1 comentário:

Miss Alcor disse...

Por acaso nunca fui à praia à noite!
Mas num fim de tarde de inverno, com o sol quase, quase a tocar na linha do horizonte, a praia deserta é um dos melhores sítios para pensar e escutar o que vai cá dentro!