quinta-feira, janeiro 18, 2007

IVG Vs. Aborto











-Confesso que me agradam os argumentos que defendem o respeito integral pela vida, qualquer vida. Também me agradam os argumentos de ordem prática, os que referem a consciência individual, a cidadania exercida com consciência e em liberdade.
-Na questão da “despenalização da finalização de gravidez por exclusiva vontade da mãe/grávida até ás dez semanas”, hesito.
-Não entendo que de uma atitude de desespero, impotência, ou absoluta necessidade, possa resultar uma condenação legal que pode traduzir-se no cumprimento de pena de prisão. Também não entendo o argumento “a barriga é minha” e acho-o desprezível. Peter Singer, (filosofo da ética) define-o como sendo “lógica do negreiro”; como se a simples posse justificasse todo e qualquer acto cometido sobre o objecto ou ser possuído.

A questão do aborto, pois que é disto que se trata, não é uma questão unicamente metafísica ou religiosa. Não é uma simples questão jurídica, técnica ou científica. Sobretudo não é e não será nunca uma questão politico-partidaria. É uma questão de ética, de consciência, de valores pessoais e como todas as questões assim, também esta não é a preto e branco. Daí a minha hesitação e daí que o meu não, não seja um “NÃO!”, nem o meu sim um “SIM!”.

-O argumento da prisão de mulheres é sem duvida alguma, um argumento falacioso porque não existem mulheres presas pela pratica de aborto. No entanto a lei existe e deve ser ou respeitada e aplicada, alterada ou substituída por uma que seja aplicável e respeitada. Qualquer outra coisa é hipocrisia. Também não é verdade que se o “SIM!” vencer, o aborto passe a ser encarado como método anti-concepcional. Trata-se de uma escolha ética, com base na consciência individual e não de uma obrigatoriedade ou imposição.

-Lamento no entanto que a questão a referendar tenha sido tão simplificada, ao ponto de me fazer crer que somos todos considerados idiotas pelos responsáveis governativos; Senão idiotas, pelo menos distraídos ao ponto de não sabermos distinguir entre “interrupção” e “finalização” de um processo. Ou ao ponto de mudarmos o sentido de voto, os nossos princípios e ideias apenas por acharmos que a palavra interrupção é mais bonita.

-Entretanto, prevejo que o debate não será nem saudável nem esclarecedor. Receio bem que assistamos a muita violência ideológica, a slogans primários e a argumentações que serão tudo excepto pedagógicas. Temo que em nome da moral de cada uma das partes venham a ser ditas palavras desnecessariamente fracturantes.

-Qualquer que venha a ser o resultado de dia 11 de Fevereiro, hão-de continuar a existir gravidezes não desejadas, adolescentes a engravidar por falta de esclarecimento, doenças sexualmente transmissíveis a serem transmitidas, vítimas de violência infantil, da mais básica ignorância e da extrema miséria e desigualdade sociais.

-Por tudo isto continuo hesitante e isso apenas tem a ver comigo e não é passível de contraditório algum. A minha consciência, a minha ética, a minha capacidade de decidir de acordo com o que penso, essas sim, são apenas minhas e faço com elas apenas o que eu quero. Eu hesito e hesito apenas porque penso.

-Não voltarei a falar disto.

7 comentários:

pexeseco disse...

É por esta e por outras que digo que tu tens o Dom da Palavra,só demonstraqs ser alguem com cracter e principios,coisa essa que muita gentalha nao respeita.
Junto-me ao teu lado ,pois quem somos nós para dizermos sim ou Nao.
Espero que o Sim Ganhe,mas só para bem de muitas mulheres e nao ...usando as tuas palavras "o aborto passe a ser encarado como método anti-concepcional" isso NAO!
Abracos e continua assim Realista como és.

pexeseco disse...

A proposito CARACTER e nao crater.
eh...eh...eh

contradicoes disse...

Concordo com a visão, no que toca a que o debate não vai ser esclarecedor. Muito sinceramente também não gosto dos argumentos utilizados nem pelos defensores do sim, nem pelos defensores do não.
A minha opção está tomada e não serão nem os argumentos dum nem doutros que a modificarão. Aliás por principio não tomo decisões em função de influências nem opiniões de terceiros. Também espero
independentemente do resultado do referendo que seja respeitada essa decisão. Aproveito a oportunidade para agradecer a sua visita.

Alien David Sousa disse...

Rui, só uma coisa:
"O argumento da prisão de mulheres é sem duvida alguma, um argumento falacioso porque não existem mulheres presas pela pratica de aborto."

Não existem?? Tens a certeza? Tás a brincar, não estás? Sempre te considerei uma pessoa bem informada.

Ainda há meses os Telejornais não davam outra coisa. E essas senhoras ainda estão presas para tua informação.

E também eu não volto a tocar neste assunto. Porque teria tanto para te dizer que tu nem sequer abordaste no teu texto. Enfim...beijos

Luisa disse...

A minha desição está há muito tomada. Não preciso de campanhas nem de mais esclarecimentos. Ética. Moral, muito amor à Vida!

Carlos Manuel disse...

Em outros países onde o aborto foi "legalizado", este duplicou ou triplicou, causando um forte impacto social nos respectivos países, e psicológico nas respectivas mulheres.
Neste país, à beira "aborto" plantado, os governantes sacodem a água do capote; - Ao invés de assumirem as suas
responsabilidades,legislando para despenalizar a mulher (é para isso que lá estão!), provam que são uns grandes incompetentes e "passam a bola" para o "Zé Povo" através do referendo. Assim, se algum dia a questão do não ou sim ao aborto der "bronca", sempre poderão dizer; "Não somos responsáveis pela situação. Houve referendo e o Povo é que escolheu!".
E nós vamos caindo em mais uma esparrela...em mais uma ilusão...em mais uma esperança perdida...
- Quando é que a gota de água transborda o copo para estes senhores governantes compreenderem que devem assumir verdadeiramente as suas responsabilidades, ditas "democráticas", mas que de democracia não têm nada?
Aproveito, Rui, para o felicitar pelo seu Blog! Parabêns! É simples, directo, conciso e objectivo, não faltando as imprescindíveis "pitadas" de humor e amor, já para não falar da cultura dos valores da vida e da personalidade, o que vai sendo cada vez menos frequente de encontrar.
Obrigado! Um grande abraço!

Mónica disse...

tens razão, por isso, se for legal podes decidir em consciencia e nada te acontece se for ilegal podes decidir em consciencia e aguardar julgamento