sábado, fevereiro 12, 2011

Restaurantes, e “pussidónios” afins

Restaurante que é restaurante tem que me servir comida.docx

Restaurante que é restaurante tem que me servir comida!

Dito isto, que parece ser básico, pensemos um pouco:

Quantos de nós já nos sentimos traídos ao olhar para o que pedimos da ementa e que ao chegar à mesa mais parece ser apenas uma amostra da comida que esperávamos? Uma miscelânea de artigos decorativos e salpicos coloridos que mais deviam estar numa montra de ourivesaria do que num prato que iremos pagar ao peso do que não chegamos a comer.

Quando almoço ou janto não pretendo ver a decoração do meu prato, se este é pintado à mão ou de que tipo de faiança é feito. Quero ver sim, a comidinha dentro dele e não apenas um montinho cuidadosamente arranjado a um canto.

Sempre que a ementa se chama Lista, Carta de Pratos, Cardápio ou Menu estremeço. Se ao abri-la deparo com termos que pretendem ser “técnicos”, pomposos, ou estrangeirados sem outra justificação do que o pretensiosismo mais básico… o apetite começa a dissolver-se nos meus sucos gástrico e o nível de neura sobe-me quase logo no sangue.

Depois da “epidemia do frango assado”, da “mania do marisco”, do “domínio da Pizza e do Hambúrguer” e da “onda do churrasco à brasileira” vivemos agora na “era do Sushi”. Todo isto combinado sempre que possível e desnecessário com imitações de Haute Cuisine e ambições de Gourmet.

A primeira obrigação de um restaurante, casa-de-pasto, tasco ou similar é encher o estômago do cliente. Esta é a satisfação primária que se lhe exige: matar a fome de comida que o cliente traz até ao estabelecimento e não encher-lhe os olhos de beleza para lá do mínimo aceitável Para isso existem galerias de arte e museus que me matam esse outro tipo de fome.

Quanto aos restaurantes com decoração de Manhatan, comida de Manhatan, fardas de Manhatan, requintes de Manhatan, e preços de Manhatan… que se mudem para Manhatan!

Este texto foi escrito de acordo com o “A COR DO HORTO GRÁFICO”

2 comentários:

Fernando Lopes disse...

Belo texto, amigo Rui. Eu cá desconfio que a moda gourmet serve propósitos anorécticos camuflados.
Se quiser ver obras de arte, vou ao museu, não ao restaurante.

Abraço,
Fernando

papoila disse...

Que bom que é ir a Restaurante normal, comer comida portuguesa.
xx