sexta-feira, junho 04, 2010

Praia.. filhos da praia…

beach - praia in-provavel

Desde criança que meio mundo tenta convencer-me que a praia é algo de bom, saudável, tonificante, agradável e que o simples facto de ir lá promove o meu bem estar social, psíquico e físico. A tez morena é “In”, a pele calcinada pelo sol é socialmente bem aceite e o “iodo”é um trunfo contra coisas tais como a gripe vulgar, o stress, a estupidez profunda a neurastenia, a frustração ou a falta de cálcio.

Também Eu passei a fase da “barraca alugada” pela família numa praia de conveniência e a da convivência entre vizinhos de férias que nunca mais (com alguma sorte minha) voltaria a suportar.

Também gostei de ensopar os calcanhares junto à areia molhada e dos mergulhos entre alforrecas e peixes-aranha. Confesso que brinquei com bolas que “diziam” NIVEA a branco em fundo azul e puxei papagaios ao longo da rebentação das ondas.

Tempos houve em que eu apreciava a exposição ao sol. Tempos em que me deitava em dois metros quadrados de tecido com um desenho da moda e me dedicava a suportar a areia escaldante, os UV’s, os bichos saltitantes, os animais passeantes, as famílias palrantes e outras avantesmas que preenchiam cada palmo quadrado da costa com a sua própria “quadradez”.

Tive os meus dias de Algarve antes que lhe chamassem alarvemente “ALLGARVE”; conhecia a costa alentejana quando era (realmente) um deserto quase absoluto e belíssimo; Conheci as praias desde Caminha ao “Quinto caneco” como diria um amigo e era adepto das do Minho sobretudo. Era quase um fã.

Entretanto cresci fisicamente… pelo menos. Tornei-me mais ácido (ao que me dizem) e sobretudo aprendi que a areia é um dos elementos que fazem parte da minha noção de “praia”. Sim a areia… essa coisa constituída por milhões de pequenos grãos que se metem em tudo como as finanças, o Estado e os vizinhos nojentos.

Actualmente, sempre que alguém ainda ousa convidar-me para uma ida à praia e não recebe um simpático “Tás maluco/a ou que?” como resposta… recebe a pergunta : “Tem esplanada ou é relvada?”.

5 comentários:

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Este teu post fez a minha delícia (como muitos outros teus). Escreves indubitavelmente bem e abordas pertinentemente um tema actual. Também não gosto da praia (gosto do mar), e apesar de acreditar em todo o bem psicossomatico que qualquer saída faz (mas não tem de ser a praia ou para a praia), estou como tu na resposta final :)

Um grande abraço

Disse disse...

Caro Rui:

Partilho as agruras de muitas permanências na praia, mas continuo a gostar, sobretudo daquelas que (e ainda as há) são tão pouco frequentadas, que quase dá para ouvir os peixes a saltar...

papoila disse...

Eu GOSTO! Quer dizer, gosto de uma praia sem bolas, sem gritos e sem vento.
Gosto do mês de Setembro quando paira uma neblina, não há calor excessivo,há pouca gente e até dá para dormir...
xx

Violeta disse...

Gosto de praia mas tenho um grave defeito, detesto pessoas na praia. Sou uma pessoa horrível, eu sei.
Durante muitos anos fiz investigação na praia, de inverno. Era frio, ventoso, mas era tão bela...
Há muito que perdia a paciência para estar na praia de verão...Mas tb perdi a paciência para estar comigo... coisas minhas!

Alien David Sousa disse...

"a estupidez profunda a neurastenia" lol

Bem cada um com a sua pancada. :P
Kisses