quinta-feira, junho 24, 2010

IDIOTAS E CRIANÇAS (Repostagem de) Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Crianças e tótós que não são crianças

-Há gente que me irrita “figadalmente” apenas pelo simples facto de existir. Outros… apenas me fazem entrar em erupção violenta quando decidem começar a falar e abrem a boca para dizer o que quer que seja do modo específico que mais me encanita.

Um dos melhores exemplos que posso dar é o de gente que fala com crianças com aquele tom de voz esganiçado, pau..sa..da men..te e estupidamente. Gente que imita a vózinha delico-doce de uma galinha constipada demonstrando possuir ainda menos neurónios do que o galináceo em questão.

-Vou começar por vos contar um segredo. O Papão NÃO existe. Tal como não existe o Pai Natal... muito menos existe a cegonha de que nos falavam em crianças.

-Na realidade quando éramos crianças vivíamos enganados, éramos enganados quase todos os dias por aqueles em quem mais confiávamos: os nossos pais e os adultos em geral. Os adultos não hesitam em recorrer ás mais torpes patranhas para ludibriar as crianças e fazem-no com a maior desfaçatez; Fazem-no até, achando que é esse o seu dever de progenitores e educadores, como se cumprissem um qualquer dever ou uma obrigação superior.


-Quando as crianças não querem comer, os adultos tentam fazer-lhes crer que a colher cheia daquele horroroso puré de verduras, é na realidade um aviãozinho e no intuito de enganar as pobres crianças, até imitam o ruído do motor: VVRRRUUUMMMMM. Qual será a lógica disto? Se as crianças não querem comer o puré, será que lhes apetece comer aviões?

-Outra técnica muito usada é a de tornar a criança responsável pela alimentação de toda a família: “Esta pela mama, esta pelo papá, esta pelo senhor da leitaria. Ou seja, o pobre infante, ou infanta, tem que comer por toda aquela cambada de glutões.
-Para adormecer então é que os adultos mentem, inventam letras idiotas, arrasam as mais belas músicas de embalar e destroem as obras mais clássicas transformando-as em algo semelhante ao jazz experimental cantado por um rouco-surdo. Quem depois de tais maus-tratos aos ouvidos conseguiria pregar olho?

-Os médicos também enganam as crianças. Quem nunca ouviu no final de uma consulta a frase: “Toma meu menino, isto é para ti” enquanto nos estendem uma espécie de pau de gelado sem gelado algum?
-Ainda para mais, somos obrigados pela mãe ou pelo pai a agradecer: “Que se diz ao senhor doutor?”, quando o que nos apetecia era mandar que ele metesse o pauzinho no...no... no bolso.

-Outra ideia peregrina dos adultos foi a invenção dos jogos educativos, que consiste essencialmente em associar algo de que não se gosta com algo de que se goste muito. Por exemplo: tinham que associar a bola de praia ao globo terrestre?

5 comentários:

Marliborges disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marliborges disse...

Olá,muito bom esse texto.
Também tenho um post engraçado a respeito. De uma olhadinha, acho que você vai gostar. Qua tal a gente linkar os dois posts?
Bjsssssss
http://marliborges.blogspot.com/2010/06/papo-cabeca.html

relogio.de.corda disse...

Nem vos passa pela cabeça tanta coisa parva que anda por aí.
É verdade que este tipo de atitude se reflecte mais tarde nas crianças, nos mais variados aspectos. Há pais que não fazem a mínima do que é dar educação.

Fabi´s disse...

Adorei, o post e o blog também. Voltarei mais vezes!!

teresa disse...

Rui, antes de mais, parabéns pelo texto fantástico! Nada a que já não esteja habituado quem lê o In-Provavel... No entanto, não posso deixar de discordar com um dos tópicos abordados, sobre jogos pedagógicos. Aprender brincando ou brincar aprendendo parece-me uma abordagem muito útil quando se trata de promover comportamentos saudáveis nos mais pequenos. Senão vejamos, já se realizaram imensos estudos sobre o assunto e é comumente aceite que a simples transmissão de conhecimentos não produz necessariamente mudança de comportamentos. Ora a psicologia da saúde advoga que o envolvimento, através de dinâmicas e jogos pedagógicos, pode produzir mudanças atitudinais significativas, quase sempre com efeito nos comportamentos das crianças. Posso aqui citar o PASSE (viste no meu mural do FB algumas fotos) e até posso enviar-te um artigo q escrevi sobre o assunto, para uma revista de saúde escolar.
Naturalmente não se pretende descurar nenhuma das responsabilidades de pais e educadores, apenas facilitar tarefas árduas como fazer a criança gostar de vegetais... Deformação profissional da minha parte ou não, fica a minha opinião.

Abraço gde e continua a mimar-nos com os teus textos, ok?!
Teresa R