quarta-feira, fevereiro 17, 2010

DIA MUNDIAL DO ASPERGER – SINDROME DE ASPERGER

amar asperger in-provavel

As crianças e jovens com Síndrome de Asperger, uma 'disfunção neurocomportamental' da família do autismo, são muitas vezes incompreendidos e mal tratados na escola porque os professores, os auxiliares e os restantes alunos não estão ainda familiarizados com a patologia.
A denúncia parte da presidente da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA) que, em entrevista à Lusa por ocasião do Dia Internacional do Asperger, que se assinala quinta-feira, revelou: 'Ainda há muitos miúdos que são incompreendidos'.
'Algumas [crianças] são alvo de 'bullying' [ameaça ou agressão de forma intencional e repetida] sem sombra de dúvida, não só na violência física, mas na psicológica que é muito pior porque os professores, muitos deles, não estão familiarizados com a problemática ou mesmo que estejam, não são os olhos dos meninos todos no intervalo', adiantou Maria Piedade Monteiro.
De acordo com a presidente da APSA, mãe de um jovem de 17 anos com a síndrome, os doentes de Asperger têm uma grande dificuldade no relacionamento social e na interação com os seus pares, o que leva a que 'qualquer coisa que se lhes faça' tenha repercussões no seu comportamento.
'Basta ser gozado uma ou duas vezes, mesmo em contexto de sala de aula, para nunca mais abrir a boca', exemplificou.
Admite que 'às vezes há maus tratos' sobre estas crianças e jovens e pede 'a maior atenção aos pais, educadores, aos auxiliares de apoio educativo'.
Em caso de suspeitarem de 'bullying', os pais devem dizer-lhes que nunca fiquem sozinhos na escola. Que se mantenham perto de um grupo, por muito difícil que seja, ou que fiquem próximos de uma auxiliar de apoio educativo, avisou, recordando que 'os olhos dos auxiliares não estão em todo o lado'.
Entende, por isso, ser 'urgente' que os profissionais recebam formação 'consistente e uniformizada', apesar de lembrar que o Ministério da Educação fez 'uma grande divulgação e uma grande formação do espectro do autismo e síndrome de Asperger'.
Não só para os portadores de síndrome de Asperger, mas para todos os alunos com necessidades educativas especiais, defende que cada agrupamento de escolas tenha 'forçosamente' uma equipa multidisciplinar que englobe uma psicóloga e uma assistente social.
'Isto é fundamental porque vivemos hoje uma juventude muito, muito problemática em termos de comportamento e as famílias precisam de ajuda para se estruturarem', sublinhou Maria Piedade Monteiro.
Segundo a presidente da APSA, a Síndrome de Asperger manifesta-se 'por alterações sobretudo na interação social, na comunicação e no comportamento', é de transmissão genética, afeta maioritariamente rapazes e são cerca de 40 mil as pessoas em Portugal que têm esta patologia.
Os sintomas podem passar por atraso na linguagem, dificuldade no relacionamento social e na interação com os pares, dificuldade na compreensão das regras sociais e desajuste social e emocional, dificuldade na expressão não verbal e em compreender expressões faciais, atitudes bizarras ou excêntricas, hipersensibilidade sensorial, entre outras.
A APSA propõe-se esclarecer os pais, tanto através do site www.apsa.org.pt, como da linha telefónica, numa entrevista presencial ou até mesmo durante as reuniões mensais, nos primeiros sábados de cada mês, na Junta de Freguesia do Estoril.


*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***

O texto é da Agência LUSA e foi retirado do “Correio do Mnho”

http://correiodominho.com/noticias.php?id=23293

12 comentários:

Há.dias.assim disse...

Obrigada por esta notícia. É sempre bom divulgar.

Austeriana disse...

Já lidei de perto com miúdos com síndrome de Asperger. Curiosamente, a ideia com que fiquei foi a de que, embora revelem tendência para o isolamento, são jovens muito inteligentes, extremamente afectivos e que sofrem muito perante o sofrimento daqueles de quem gostam.
Um deles, brindava-me quase todos os dias com um caloroso abraço e, quando percebia que eu estava mais cansada (sem eu ter dito absolutamente nada), dizia-me: " You're tired. You're very tired. Poor girl. You should take some rest."
Há, de facto, pouca ou nenhuma formação para lidar com a disfunção e as crianças conseguem ser muito crueis entre elas. É mais uma daquelas questões ligadas à natureza humana - o medo do que não conhecemos leva-nos a ter comportamentos idiotas.
Embora já não esteja em contacto com jovens com Asperger, vou divulgar o contacto que fornece no post. Obrigada pela informação.

Teresa disse...

Olá Rui
Conheço bem essa problemática. Tive um aluno com síndrome de Asperger na minha Direcção de Turma e há muitas coisas difíceis de gerir. Em primeiro lugar, a crueldade das crianças. Estes meninos são facilmente vítimas de bullying, ainda mais do que as outras crianças. E eles querem estar junto dos outros, querem participar das brincadeiras, serem aceites. Mas não é nada fácil serem aceites. Depois, é difícil gerir as expectativas que os pais têm a respeito deles e do que eles conseguem ou não atingir. Por último, onde estão as equipas multidisciplinares nas escolas? Ou um simples psicólogo, muitas vezes? A vida já não é fácil para nenhum jovem, quanto mais um jovem diferente!

Anónimo disse...

Ainda usas o teu "bigode nefelibata"?
Toma lá um abraço e para saberes quem sou eu lembra-te da "Meia-Cave" faz anos agora pelo Carnaval e da música que tens a tocar e que seria "Morte ao Sul"... ainda és do benfica? Casaste com a Joana?
Rui como tu mas R. e não V.

Disse disse...

Caro Rui:

Hoje aprendi uma coisa nova. Que desconhecia, e que verdadeiramente me enriqueceu.

Obrigado.

Arisca disse...

Querido Rui,
É muito importante informar e divulgar realidades que podem passar despercebidas a muita gente.
Mas o que verdadeiramente me enterneceu foi "Não fazem ideia do bom que é amar alguém com Asperger". Há coisas que nos tocam. E pessoas, ainda mais...

Um beijinho com carinho. Para ti e para ela.

papoila disse...

Gostei deste post, estou solidaria com a causa.
Tive contacto com crianças autistas e sei bem como é difícil tentar minimizar os problemas delas.

Miguel Coelho disse...

Olá a todos

Diz-se no texto que houve uma grande divulgação da SA no contexto do ensino... mas onde? Em Portugal? Se foi por cá então parece não ter tido grande efeito já que a ignorância que havia há uns tempos continua bem instalada no meio.
Sou pai de um menino com 3 anos com PEA e que naturalmente irá dar em Síndrome de Asperger. É deveras frustrante perceber que quase ninguém sabe ou pelo menos ouviu falar da SA. Ainda mais triste quando se precisa de apoios oficiais e obtemos respostas como "não há técnicos que cheguem". Vivemos num país terceiro mundista em que quase tudo é só fachadas e cenários e nós somos uns meros figurantes. Podem crer com total certeza que se os nossos governantes fossem aspies seriamos todos (muito) mais felizes!

Rui disse...

Não podia estar mais de acordo Miguel! Qualquer coisa disponha terei muito gosto em compartilhar o pouco que conheço e a minha bibliografia acerca do S.A.!
Um abraço!

aquelabruxa disse...

nunca tinha ouvido falar desta doença. e também não sabia que já se escreviam texto oficiais ao abrigo do novo acordo.

Miguel disse...

Rui, agradeço desde já a sua disponibilidade acerca da bibliografia. Sendo assim, gostaria que me ajudasse nesse sentido. Já tenho alguns livros acerca do assunto mas é claro que haverão muitos outros igualmente interessantes.

Os meus sinceros cumprimentos e um muito obrigado.

Ana Ferreira disse...

Boa noite, obrigada pelo artigo. Muito bom! Ha cerca de um mês travei conhecimento com uma pessoa que sofre de Asperger, sou bastante insegura e impulsiva o que, obviamente, dificulta as coisas. Não me queria afastar, ajudem-me a saber como agir. Num dia sou o centro do seu mundo, causando mesmo embaraço as tarefas do meu dia a dia e noutro pode parecer que nem nunca me conheceu, nao diz nada..
Obrigada
7
ANa