sexta-feira, abril 07, 2006

Confissões de um Indeciso












-Sempre, ou quase sempre, pensei em mim como uma pessoa hesitante. Quer dizer, hesitante e por vezes com dúvidas. Mas apesar disso nunca entendi muito bem o que são as certezas e talvez por isso tenha tantas dúvidas e hesitações. “Na realidade, não tenho a certeza de nada o que não significa que duvide de tudo”, acho que li esta frase em qualquer lado mas não tenho bem a certeza onde.
-Quando se decide algo, é um acto definitivo, está decidido, resolvido, encerrado e já não há nada a fazer excepto claro, se mudarmos de ideias e decidirmos o contrário do que decidira-mos antes. A isto também se chama hesitar, embora eu, quer por hábito quer por vício, não goste de chamar ás coisas nomes definitivos de que, quem sabe, me possa vir a arrepender mais tarde ou mais cedo. Peso e repeso sempre tudo antes de tentar tomar uma decisão, até me peso a mim várias vezes por dia por não estar bem certo se devo emagrecer, ou se pelo contrário devo ganhar mais algum peso. Penso todas as coisas repetidamente e depois deixo que alguém ou a providência, decida por mim. É mais prático e evita que volte a pensar de novo tudo o que pensei antes, embora ainda não esteja convencido que este seja o melhor modo de proceder.
-Apesar de tudo considero, na maior parte das vezes, as decisões como coisas muito importantes e isto, talvez seja o que me complica o acto de decidir; Por outro lado talvez o simplifique, porque se afinal não decido nada, é porque não tenho nada que decidir o que quer que seja.
-Sou, como já me chamaram, “um viciado em alternativas”, até nas tauromáquicas que na realidade é a tomada da decisão de ir para os cornos do touro e não deve ser nada fácil de tomar.
-Deixo portanto tudo à sorte, à sorte ou ao azar e mando à fava as decisões; Outras vezes no entanto, faço exactamente o contrário ou nem chego a fazer nada. Porque uma pessoa que não hesite é uma pessoa decidida e eu decidi ser hesitante. Disto tenho eu a mais absoluta das certezas… ou talvez não.

Rui

4 comentários:

Alien David Sousa disse...

Rui, isto não me parece saudável: " e depois deixo que alguém ou a providência, decida por mim. É mais prático e evita que volte a pensar de novo tudo o que pensei antes, embora ainda não esteja convencido que este seja o melhor modo de proceder."

Não! Não é o melhor modo de proceder. Colocar a nossa vida, as nossas escolhas nas mãos de outro só pode dar merda.
Quanto ao deixar a vida à sua sorte, também não me parece bem. E se fores azarado?? Vais ter uma vida miserável, esperando pela sorte.
Pára com as hesitações. Agarra o touro pelos cornos e agarra as rédeas da tua vida!

Rui disse...

Não tenho por hábito responder a comentários aqui feitos pela unica razão de que foi está a ideia inicial, mas desta vez e apenas porque resulta de um lapso meu cá vai:
O texto não reflecte a realidade do seu autor, pretende antes ser um texto com o humor possivél, acerca de "um indeciso" e não acerca deste indeciso. Noutras ocasiões tenho acrescentado este tipo de nota explicativa, neste caso não o fiz por esquecimento. De qualquer modo obrigado pelo comentário e pelo bom conselho ... e está decidido!
Obrigado de novo.
Rui

Luisa disse...

Pois é: as pessoas tomam à letra tudo o que dizemos...Já não se pode inventar nada! Olha os escritores, se fosse com eles tudo o que escrevem, afinal, sobre os outros.Os Poetas, que fingem tão bem os sentimentos mais angustiantes!
Gostei deste texto sobre os indecisos e compreendo muito bem que se decida não tomar decisões...

Visi disse...

Olá!

Penso que das nossas decisões nasce o nosso destino.Daí ser tão importante termos (ou devermos ter) consciência do que realmente estaremos a fazer. è das coisas mais importantes da nossa vida: as decisões!!