Mais um exemplo acabado da rasteiríce politica que nos rodeia e que se afunda, afundando-nos a nós com ela.
Vital Moreira (essa versão surreal e pouco realista do Avô Cantigas de outrora) foi insultado em plena rua; agredido até, ao que se queixa, mas nas televisões não foi visível se o foi ou não, suponhamos que sim.
O acto de agressão é estúpido e inútil. É desrespeitoso da pessoa que o sofre e da lei de todos mas é sobretudo bárbaro e inaceitável por parte de quem o comete.
Os insultos não os ouvi como tal. Chamar “vira-casacas” a quem professava os ideais comunistas com tanta convicção como aquela com que agora não professa ideal algum, não me parece ser insulto. Afinal o homem não é alfaiate (honrada e utilíssima profissão) e se o fosse o insulto seria para a respeitável classe dos alfaiates e similares.
Logo se levantaram as vozes do “Coro dos Caliméros” a exigir desculpas a quem obviamente nem culpas possuía. José Sócrates talvez tenha mesmo equacionado queixar-se judicialmente; Outro José, o Saramago veio defender o “Camarada” de outras andanças com a indignação possível. Não seja que um dia destes lhe aconteça a ele o mesmo ao entrar na fronteira do país que ainda parece ser o seu intermitentemente. Francisco Louça logo que ali viu uma câmara de TV apontada, desfiou a defesa da honra de Vital Moreira. Todos, sem excepção, os “caceteiros de serviço” se apressaram para derramar as habituais lágrimas “crocodilianas”, exigir as vulgares desculpas e esfregar as mãos de contentamento pela vitimização que tal poderia trazer ao seu “excelso candidato” à mesma Europa contra a qual tantas vezes tanto perorou.
Comunistas deste país, ponham-se de joelhos, peçam Perdão, envergonhem-se todos com sinceridade do que (não se sabe quem) fez e depois… depois nada. Digam-lhe apenas que quem anda à chuva molha-se, que manifestações populares (como o nome indica) são para populares e que se ele se sentiu tão honrado por já possuir a sua “Marinha Grande” (1) então ele é deveria agradecer.
Mas que foi malfeito se o agrediram… lá isso foi!
(1)Foi na Marinha Grande que Mário Soares levou (alegadamente) umas chapadas de elementos (alegadamente) afectos ao Partido Comunista durante a 2ª volta das eleições presidenciais em que disputava (alegadamente) a presidência com Freitas do Amaral (também este alegadamente “Vira-Casacas) em 14 de Janeiro de 1986. A vitimização foi de tal ordem que há quem considere ter sido a partir deste acontecimento que Soares (alegadamente Mário) ganhou o “Elan” para vencer as presidenciais.
-Declaro oficialmente aberto... este cãogresso.. perdão, congresso!
(Sem intenção de ofender e com toda a tolerância democrática que me assiste, com respeito pelo direito de expressão e com receio que a PSP de Braga me entre porta adentro e me apreenda o Cartoon)
Aos congressistas e aos meus modelos um bom fim-de-semana de trabalhos e que nem uns nem outros me levem a mal. Obrigado!