sábado, março 27, 2010

domingo, março 21, 2010

Chegada da Primavera… TELEGRAMA (REPOSTAGEM DE 2007)

pRIMAVERA     iN-pROVAVEL

Até já nem essa forma romantico/trágica de receber novas sequer existe.
-Apesar disso imaginei que tinha recebido este telegrama hoje.

sábado, março 20, 2010

Dia do Pai

scool of dreams - david weisner - in-provavel
Toda a gente, pelo menos uma única vez na vida, passou algum tempo a olhar as nuvens no céu e a imaginar ver aí “coisas” reais.
Sobretudo na infância, quantas vezes não demos por nós, deitados numa pedra ou num prado, na praia ou apenas na varanda a olhar as nuvens e a ver nelas tudo aquilo que desejávamos ver: elefantes, cisnes, pessoas conhecidas, navios…
Eram sem duvida uns momentos divertidos e uma parte inesquecível da infância. Nessa altura não existiam as fronteiras de hoje à nossa capacidade de sonhar, éramos capazes de transformar agua sob a forma de vapor em todo o tipo de sonhos.
Éramos capazes de ver o que queríamos ver. Agora, crescidos que somos, sentimos obrigação de ver tudo como os outros o vêm.
Recordei-me sem aparente motivo, ou talvez porque sempre me recordo, do meu pai.
Recordei uma manhã em que eu, doente, perdia a primavera lá fora e apenas via o sol eas núvens que entravam pela janela aberta de par em par no meu quarto de menino.
Jogávamos cartas sobre a cama e ele falava comigo não sei acerca de quê já, mas lembro que naqueles momentos me esquecia da primavera lá de fora, da escola e do tempo que já passara, primeiro no hospital e depois naquela cama.
Ele fazia-o sempre que podia e conseguia poder muitas vezes.
Sempre que se sentava comigo, ao fundo da cama trazia-me qualquer coisa nova, um livro ou uma história do seu tempo de criança; E eu que já não gostava que me contassem histórias… ficava a ouvir com toda a atenção que podia fingir e acabava sempre por gostar e pedir outra e outra até à hora de almoço.

E hoje, quando pela janela do meu quarto olhei as nuvens, não foram animais nem cenas de fantasia que vi. Foi o meu pai, mas vi-o de uma maneira tão intensa e tão real como nunca pudera ver no céu nada nascido da minha imaginação nem na minha enorme saudade.

quarta-feira, março 17, 2010

EU SOU UM PALHAÇO – In-Provavel (repostagem)

Palhaço in-provavel. - 2

-Tenho oitenta e três anos, uma reforma vergonhosa, filhos e netos que só vejo no Natal, contas que não posso pagar e uma vida inteira de trabalho. Outros que têm a minha idade entram em sentido contrário em auto-estradas porque elas são confusas. Outros, ainda nunca trabalharam e ganham mais do que a minha reforma.Outros ainda... ganham 3 reformas 30 vezes superiores à minha.

Eu sou mesmo um palhaço!

-Vivo num país em que quem tem dinheiro foge à Justiça para o Brasil, regressa em liberdade e é eleita Presidente de Câmara. Há quem se preocupe mais com a divulgação das escutas do que com o seu conteúdo e quem faça de tudo para para nunca assumir nada do que fez de irregular. Outros alongam os processos até à exaustão da paciência e da justiça.

Logo: …sou um palhaço!

-Tenho um primeiro-ministro que faz férias na neve e safaris em África. Antes e depois congela aumentos e progressões de carreira que eu mereço e pelas quais trabalhei sempre; Obriga-me a trabalhar mais anos para que me reforme, nomeia amigos e os amigos nomeiam outros amigos e ainda tem a lata de me pedir sacrifícios e de me falar da crise. Sim, a mim fala-me de crise.

…porque eu sou um palhaço!

-Estou no meu carrinho para ir para o emprego a ouvir falar de crise em todas as notícias e quando olho para o lado, vejo um rapaz de 22 anos num Mercedes que eu nunca poderia sequer sonhar ter. Ele ou o pai dele são culpados de algo muito grave com certeza, e eu?

Eu sou um palhaço!

-Tenho vinte e poucos anos passados a estudar à custa do esforço e sacrifício dos meus pais. Tenho um curso superior e vontade de trabalhar. Tenho amigos que trabalham em instituições governamentais apenas porque os tios são aí directores. Sou actualmente ajudante de peixaria de uma grande superfície. Ainda bem que a minha licenciatura era Biologia Marinha. Sim ainda bem…

… para saber que sou um verdadeiro palhaço.

-Tenho 47 anos e trabalhei desde os 14 na mesma fábrica onde o meu pai e o meu avô trabalharam sempre. A empresa encerrou deixando por pagar 18 meses de ordenados e 115 pessoas no desemprego. O Proprietário mantém as suas casas em Lisboa, Algarve, Ibiza e Brasil, bem como a quinta no Douro, um barco em Vila Moura e todos os automóveis que possuía. Eu… mantenho a família viva à custa da arte de sapateiro, mantenho alguma dignidade e pouca esperança no futuro dos meus.

Mantenho também a certeza de ter sido toda a vida um verdadeiro palhaço, triste mas ainda assim palhaço.

-Sou professor, cometi o “erro” de desejar ter uma família como toda a gente. Estive sempre, nos primeiros 18 anos de carreira, a mais de 80 quilómetros dela. Quando menos recebia tinha que pagar duas casas, gasolina, portagens, e cheguei quase a passar fome. Perdi uma boa parte do crescimento dos meus filhos enquanto adorava ensinar os filhos dos outros; Esforcei-me sempre o mais que pude sem ter muitas vezes os meios que necessitava, para os alunos e por eles. Fui insultado, tentaram agredir-me, riscaram-me o carro, não me aumentam e exigem-me que trabalhe nas escola e o volte a fazer quando chego a casa. No entanto ainda gosto do que faço, mas parece que nem pais, alunos ou ministras o entendem. Tudo isso apenas porque é por vezes difícil entender um palhaço.

E eu… sou apenas mais um palhaço!

NOTA:“Nenhuma das situações aqui relatadas reflecte qualquer situação real que o autor verdadeiramente conheça. Trata-se unicamente de situações imaginárias e ficcionadas e como tal impossíveis de existirem na vida real.”

Depois de feito tal esclarecimento também eu afirmo que sou um palhaço, embora nutra enorme respeito e estima por todos aqueles que o são profissionalmente.

domingo, março 14, 2010

Manual Para Políticos Amadores (Capitulo III)

IN-PROVAVEL MACACO POLITICAL

Acusar
-Incriminar.
-Apontar responsabilidades.

Adversários
-Protagonistas oponentes.

Amanhã
-Futuro próximo.
-Nunca.

Ambição
-Vontade de servir.
-Progressão politica.

Atrasado
-Moroso.

Cabeçadas
-Divergências.
-Discordâncias.
-Dissonâncias.

Cabeçudo
-Determinado

Cacique
-Líder de opinião local.

Cínico
-Bem humorado.
-Original.

Combinação explosiva
-Coabitação.

Contestação
-Agitação.
-Oportunismo.
-Desvario.

Confissão
-Clarificação.

Culpado
-Alegadamente responsável.

Cumplicidade
-Convergência de interesses.
-Comunhão de objectivos.
-Princípios e objectivos comuns.

Deixa andar
-Manutenção do status quo.

Desvalorização salarial
-Reajustamento salarial.

Discordância
-Dissonância.

Doido
-Desequilibrado.
-Original.
-Stressado, esgotado, cansado ou com problemas de coluna, se membro de um governo

Droga
-Dependência.
-Substancia tóxica.

EVASÃO
-Se recluso - Reinserção social.
-Se capitalista - Investimento no estrangeiro.
-Se jornalista - Contornar a questão.

Falhanço
-Adiamento.

Fraqueza
-Tolerância.

Greve
-Paralisação laboral.
-Bloqueio produtivo.
-Ataque às instituições.

Gueto
-Minoria
-Grupo desfasado da realidade.
-Desajustados sociais.

Homem de mão
-Colaborador próximo.
-Assistente pessoal.
-Assessor.

Imobilismo
-Status quo.
-Manutenção da actual situação.

Ignorância
-Desinformação involuntária.

Inflação galopante
-Ligeira derrapagem de preços.
-Dificuldade económica de aquisição.

Jovem palerma ambicioso
-Neófito.

Lobby
-Grupo de pressão.
-Grupo de interesses.

Luta
-Debate aceso de ideias.

Mentiras
-Alegações.
-Desinformação voluntária.

Miséria
-Condições precárias.
-Necessidade económica.
-Precariedade social.

NÃO
-Sim mas…
-Talvez.
-Logo se verá.

Pacóvio
-Rural.

País subdesenvolvido
-País em vias de desenvolvimento.

Pobre
-Necessitado.
-Excluído.
Privilégios
-Vantagens adquiridas.
-Recompensa monetária.
-Compensação.

Propaganda
-Informação.
-Conferencia de imprensa.
Sacudir a água do capote
-Referendo.

Reaccionário
-Tradicionalista.

Repressão
-Manutenção da ordem.

Saco de gatos
-Congresso.

Salário miserável
-Rendimento mínimo.

Suborno
-Contribuição.
-Ajuda monetária.
-Financiamento pessoal.

Víbora
-Dissidente.
-Discordante.

Vira-casacas
-O que sai do meu partido para outro; O que faz o oposto é sempre uma pessoa de coragem politica, carácter, coragem e assinalável percurso politico.

sexta-feira, março 12, 2010

Manual para Políticos Amadores (Capit. 2)

Manual para poíiticos amadores-Capitulo II

 

O Que se pensa e o que se diz:

A demora deve-se à excessiva burocracia.
“-O ligeiro atraso verificado deve-se à necessidade de serem respeitados os prazos e procedimentos legais necessários.”

A Inflação vai aumentar.
“-Uma certa incerteza paira sobre as perspectivas de aumento de poder de compra.”

Ambos são cúmplices.
“-Entre ambos existe uma grande convergência de interesses pessoais e outros.”

As eleições mudaram esta trapalhada toda.
“-Trata-se muito naturalmente do fim de um ciclo político e do inicio de um outro na sociedade portuguesa.”

As guerras internas no partido são inevitáveis e perigosas.
“-É salutar que diferentes sensibilidades se exprimam no contexto interno.”

A reunião foi detestável e sem resultados.
“-A reunião decorreu em clima franco e cordial com muitos pontos de vista semelhante e também algumas discordâncias.”

Bolas o fulano tem toda a razão, vou fazer como ele disse.
“-Sou extremamente sensível à eficaz analise que acabou de fazer e não deixarei de a ter em conta no futuro.”

BRONCA:
“-Circunstancias totalmente imprevisíveis levaram a que se cometesse um erro de cálculo com base em previsões não realizadas.”

Cala a boca idiota!
“-Tenha a bondade de me deixar terminar o meu raciocínio sem me interromper constantemente.”

CUNHA:
“-Ligação de personalidades da sociedade civil ao aparelho de Estado.”
“-Escolha pessoal com base na confiança e competência demonstradas.”

Ele é um valho jarreta, dorminhoco e cada vez mais gágá.
“-Ele é um bastião dos grandes valores ideológicos da democracia e a sua contribuição não pode nunca ser descurada ou esquecida.”

Ele é autoritário e déspota.
“-Ele possui uma considerável capacidade de chefia e liderança.”

Eleições? Que chatice.
“-As consultas eleitorais que pautam a vida do nosso país, permitem aos portugueses exprimir os seus anseios de forma democrática.”

Está bem eu digo-vos, mas nada de escrever isto.
“-Naturalmente informar-vos-ei acerca dessa questão mas off-the-record.”

Está totalmente lixado!
“-A sua posição pessoal encontra-se algo fragilizada.”

Está tudo lixado e vai tudo pró desemprego!
“-A actual conjuntura, a avaliar pelos recentes índices da Comunidade Europeia e da OCDE, apresenta sérios défices estruturais cujo resultado poderá traduzir-se na desacelaração da nossa economia e na forte penalização de algumas categorias sócio-profissionais.”

Fui obrigado a ceder em quase tudo.
“-Foi uma frutuosa troca de pontos de vista que me deu ocasião para redefinir as minhas convicções acerca de alguns assuntos específicos.”

Grande escandaleira.
“-Acontecimento algo embaraçoso.”

Há quem saiba bem quem ele é.
“-Goza de uma certa notoriedade em certos círculos.”

Há tantos militantes como correntes internas.
“-A galáxia de opiniões é rica na sua diversidade”

Morreu? Ainda bem, não faz cá falta nenhuma.
“-Uma perda irreparável para a democracia portuguesa.”
“-Um enorme exemplo de respeito pela liberdade, um democrata e um lutador de excepção e sem paralelo.”

Os idiotas dos eleitores.
“-O tecido eleitoral português.”

O Chato do Presidente da República.
“-O Garante da unidade nacional, o supremo magistrado da nação, o Chefe supremo das forças armadas e o verdadeiro vértice do estado.”

Os pobres estão cada vez mais miseráveis.
"-Verifica-se um ligeiro incremento no numero de portugueses necessitados e na taxa de exclusão social.”

O tipo além de cabotino é teimoso como uma mula.
“-Para além da sua personalidade extremamente mediática é sem qualquer duvida possuidor de sólidas convicções.”

O tipo é um fraco.
“- Possui uma enorme abertura de espírito que sempre soube demonstrar.”

O tipo é um idiota chapado e um indeciso.
“-Possui a primordial qualidade de um verdadeiro homem de estado, que é a de saber utilizar a capacidade de análise e reflexão.”

Passa o tempo todo a mudar de opinião.
“-Possui convicções flutuantes mas perfeitamente bem fundamentadas.”

Se falo acerca disso ainda me enterro.
“- Não sustentarei discussões estéreis e inúteis desadequadas ao momento presente.”

Ser do Contra.
“-Exprimir a diferença.”

TACHO:
“-Desempenho desinteressado de funções oficiais da mais alta responsabilidade e da maior importância para o país.”

Uns dias de sonho nas Seychelles com tudo pago.
“-Uma missão de representação ao mais alto nível, com vista ao estabelecimento de contactos comerciais e ao aprofundamento dos laços de amizade entre os dois estados.”

Vou ser demagogo porque isso ainda dá votos.
“-É necessário dar atenção relevada aos problemas que afligem os portugueses e não descurar nunca o aspecto social da governação.”

quinta-feira, março 11, 2010

Manual para Políticos Amadores (Capit. 1)

in-provavel manual para politicos amadores

-Considero-me um tradicionalista moderado com alguns tiques de reaccionário e umas quantas, se não muitas, atitudes de revolucionário libertário. Possuo uma cada vez maior e mais intensa aversão a algumas pessoas enfeudadas em alguns partidos. Não acredito, nas esquerdas militantes e extremadas, nem tão pouco nas direitas extremas e militantes.


-Por incrível que isso por vezes me pareça a mim e a quem me conhece, acredito no sistema político, na honestidade de uma grande maioria dos seu elementos e não encontro mal de monta no actual regime.


-Outrora, fui militante intenso e responsável; A situação que então se vivia exigia-o e eu tinha a consciência dessa exigência. Ganhei e perdi “combates”, eleições, confrontos ideológicos e tempo, muito tempo e algum dinheiro.

Concretizei e vi caírem muitos projectos meus e de outros com quem tinha uma relação leal de comunhão de pontos de vista.

Quando considerei ter chegado o momento de me afastar, fi-lo deliberada e lentamente, como se disso dependesse alguma vez a minha dignidade, mas não abandonei nunca o hábito de pensar e reflectir a “coisa politica”.


-Pelo caminho, tomei notas e apontamentos que usei muitas vezes em várias ocasiões, e que aqui irei deixar sob o actual titulo. A mim serviram-me bem.


-Hoje, mais perto do centro do “sistema”, inserido totalmente no mundo e ainda e sempre a pensar, sinto-me cada vez mais cínico com relação a alguns políticos, nada crédulo com relação a algumas intenções e totalmente contrário a determinadas práticas.

Não se trata nem da frustração nem da desilusão e nem sequer da descrença. Trata-se apenas de um modo de pensar e da vontade de ver mudar o que de mal está neste meu país.

Em Politica:

  • Por vezes não é bom destapar a caixinha dos vermes.
  • Não é aconselhável abanar o barco onde vamos todos juntos pois podemos ir ao fundo, todos separados.
  • A melhor táctica é a do salame, isto é: comer apenas uma fatia de cada vez.
  • O nada é tudo.
  • O que parece é! – Lenine
  • Tudo está ligado a tudo o resto.
  • Bajular resulta sempre.
  • O mentiroso é um criador de factos políticos. O homem honesto é apenas um mero divulgador.
  • É mais difícil reconhecer os inimigos. O tipo que nos trama é o que nos sorri da cadeira ao lado.
  • O referendo é como um “spray” que se abana quando não há coragem para usar e decidir.
  • È sempre bom perdoar aos inimigos, nada os aborrece mais. – Óscar Wilde
  • O protesto é arriscado, a crítica perigosa e a irreverência imperdoável.
  • A coerência é um luxo que por vezes se paga caro.
  • A única coisa para que o passado serve é para ficar para trás.
  • Nunca se deve acreditar em nada até que seja oficialmente desmentido.
  • Não se deve ser revolucionário sem revolução.
  • Há quem possa ser acusado de praticamente tudo, excepto de honestidade, coerência e competência. Disso ninguém os pode acusar.
  • Existem políticos que possuem o mais rígido código de imoralidade.
  • Um conservador de hoje é alguém que defende as ideias de um reformador de ontem.
  • Um reformador só é reconhecido quando morre, mas por isso deixa de reformar morre nesse instante.
  • Agir correctamente pode provocar embaraços. No entanto isto não é razão para deixar de o fazer.
  • Um economista é alguém que serve para explicar amanha, o porquê de as previsões que fez ontem falharem hoje.
  • Alguns políticos não servem para fazer nada, mas sim para explicarem porque não se fez nada e prometerem de novo fazer tudo.
  • O melhor modo de não fazer nada acerca do que quer que seja é falar constantemente nela.

4 passos para não fazer nada em politica:

1- “Ainda é cedo para fazer o que quer que seja!”
2- “Estamos a analisar o que poderá ser feito!”
3- “Estamos a envidar esforços para que tudo ao nosso alcance seja feito!”
4- “Infelizmente já nada podemos fazer, os factos estão consumados!”

  • Quando o tempo confirma os factos eles já não têm significado.
  • O poder adora arrependidos.
  • Existe o trunfo dos sem coração sobre os sem miolos.
  • “No pântano da arrogância, o trajecto dos néscios é tranquilo impune e bem remunerado”.

quinta-feira, março 04, 2010

Saudade

In-provavel - saudade

Saudade é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular, "saudade", só conhecida em galego-português, descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor. A palavra vem do latim "solitas, solitatis" (solidão), na forma arcaica de "soedade, soidade e suidade" e sob influência de "saúde" e "saudar".

Diz a lenda que foi cunhada na época dos Descobrimentos e no Brasil colónia esteve muito presente para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, longe de entes queridos. Define, pois, a melancolia causada pela lembrança; a mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou acções. Provém do latim "solitáte", solidão.

In “Wikipedia”

Saudade é uma espécie de lembrança nostálgica, lembrança carinhosa de um bem especial que está ausente acompanhado de um desejo de revê-lo ou possui-lo.

Diz-se que é possível ter saudade de pessoas, locais, animais, objectos e (imagine-se) regimes políticos, políticos e governantes.

No entanto, na realidade, tudo aquilo de que temos saudade é do passado. Do que nele vivemos de bom, do que de positivo passámos, daqueles que tivemos e perdemos, do que fomos e não somos.

O resto são memórias que nos despertam a saudade e não a saudade propriamente dita que gera a cada passo um violento sentimento evocativo; triste; melancólico; subjectivo; de angústia, nostalgia e perda.

“A saudade é um sentimento do coração que vem da sensibilidade e não da razão” tem pouco a ver com ela e ainda assim…

É comunicável mas é intransmissível; é exclusivamente humana e aparece com a solidão em comum (a solidão no meio da multidão).

A saudade torna-nos ensimesmados e contemplativos; enche-nos de emoções contraditórias. Faz-nos contrapor o presente ao passado e acreditar que o passado vale mais do que o presente.

A saudade existe em quem não vive o presente em pleno, porque não quer ou não poder e tem desvios e contrastes que as crianças não possuem por não terem “passado”.

O saudosismo é sobretudo patente nas sociedades e nas pessoas que as formam em alturas de retrocesso, de crise de marasmo, de descrença e desesperança.

Portugal está saudosista e eu com ele.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

DÚVIDAS ESSÊNCIAIS

 

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Quem não dorme de noite não tem o sono em dia?

O Queijo Flamingo é cor-de-rosa em vez de vermelho?

Os anjos discutem o sexo dos homens?

Se há partidas de Carnaval também há regressos de Natal? E se umas se pregam as outras aparafusam-se?

Bater à porta de casa é uma forma de “violência doméstica”?

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

DIA MUNDIAL DO ASPERGER – SINDROME DE ASPERGER

amar asperger in-provavel

As crianças e jovens com Síndrome de Asperger, uma 'disfunção neurocomportamental' da família do autismo, são muitas vezes incompreendidos e mal tratados na escola porque os professores, os auxiliares e os restantes alunos não estão ainda familiarizados com a patologia.
A denúncia parte da presidente da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA) que, em entrevista à Lusa por ocasião do Dia Internacional do Asperger, que se assinala quinta-feira, revelou: 'Ainda há muitos miúdos que são incompreendidos'.
'Algumas [crianças] são alvo de 'bullying' [ameaça ou agressão de forma intencional e repetida] sem sombra de dúvida, não só na violência física, mas na psicológica que é muito pior porque os professores, muitos deles, não estão familiarizados com a problemática ou mesmo que estejam, não são os olhos dos meninos todos no intervalo', adiantou Maria Piedade Monteiro.
De acordo com a presidente da APSA, mãe de um jovem de 17 anos com a síndrome, os doentes de Asperger têm uma grande dificuldade no relacionamento social e na interação com os seus pares, o que leva a que 'qualquer coisa que se lhes faça' tenha repercussões no seu comportamento.
'Basta ser gozado uma ou duas vezes, mesmo em contexto de sala de aula, para nunca mais abrir a boca', exemplificou.
Admite que 'às vezes há maus tratos' sobre estas crianças e jovens e pede 'a maior atenção aos pais, educadores, aos auxiliares de apoio educativo'.
Em caso de suspeitarem de 'bullying', os pais devem dizer-lhes que nunca fiquem sozinhos na escola. Que se mantenham perto de um grupo, por muito difícil que seja, ou que fiquem próximos de uma auxiliar de apoio educativo, avisou, recordando que 'os olhos dos auxiliares não estão em todo o lado'.
Entende, por isso, ser 'urgente' que os profissionais recebam formação 'consistente e uniformizada', apesar de lembrar que o Ministério da Educação fez 'uma grande divulgação e uma grande formação do espectro do autismo e síndrome de Asperger'.
Não só para os portadores de síndrome de Asperger, mas para todos os alunos com necessidades educativas especiais, defende que cada agrupamento de escolas tenha 'forçosamente' uma equipa multidisciplinar que englobe uma psicóloga e uma assistente social.
'Isto é fundamental porque vivemos hoje uma juventude muito, muito problemática em termos de comportamento e as famílias precisam de ajuda para se estruturarem', sublinhou Maria Piedade Monteiro.
Segundo a presidente da APSA, a Síndrome de Asperger manifesta-se 'por alterações sobretudo na interação social, na comunicação e no comportamento', é de transmissão genética, afeta maioritariamente rapazes e são cerca de 40 mil as pessoas em Portugal que têm esta patologia.
Os sintomas podem passar por atraso na linguagem, dificuldade no relacionamento social e na interação com os pares, dificuldade na compreensão das regras sociais e desajuste social e emocional, dificuldade na expressão não verbal e em compreender expressões faciais, atitudes bizarras ou excêntricas, hipersensibilidade sensorial, entre outras.
A APSA propõe-se esclarecer os pais, tanto através do site www.apsa.org.pt, como da linha telefónica, numa entrevista presencial ou até mesmo durante as reuniões mensais, nos primeiros sábados de cada mês, na Junta de Freguesia do Estoril.


*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***

O texto é da Agência LUSA e foi retirado do “Correio do Mnho”

http://correiodominho.com/noticias.php?id=23293

sábado, fevereiro 13, 2010

S. Valentim (2010) – respostagem revista!

S. Valentim  In-Provavel

Desculpem o meu cinismo, mas vocês sabem que isso não vai durar. Claro que durante algum tempo vão andar por aí com esse sorriso idiota estampado na cara; Vão dizer palavrinhas parvas, como quem fala com um bebé de meses, um ao outro e nunca vão largar-lhe a mão com medo que se possa perder numa multidão de três pessoas.

Vão andar aos beijos pelos passeios, cafés, centros comerciais ou durante os primeiros 25 jantares românticos.

Mas daqui a alguns meses onde é que vão estar?

Ainda a namorar? Casados? Juntos? A viver maritalmente?

Provavelmente vão estar na berma de uma estrada qualquer ao lado do carro do/a melhor amigo/a solteiro/a ou já divorciado/a segurarando o cabelo ou a tentar não acertar com o vómito nos sapatos.

Os amigos e amigas vão ser ignorados durante três ou quatro meses; vão ligar para saber como está ou se ainda cá está. Depois, quando finalmente se encontrarem, vão ter que suportar telefonemas de 5 minutos a cada 10 minutos, a ouvi-lo/a dizer onde está e com quem está e que invariavelmente terminam com um “Amo-te muito amorzinho” ou “Eu também te amo muito amorzinho”.

Pior ainda é que nos intervalos dos telefonemas vão querer contar tudo o que de “maravilhoso” tem feito por si a pessoa amada. Vai falar da “sua Maria” ou do “seu João” como se todos, “o” ou “a” conhecessem intimamente e como se alguém estivesse minimamente interessado em ouvir o que tem para contar.

Vai colocar constantemente em destaque aquelas “tantas coisas que têm em comum”: ambos adoram as Canárias, ambos detestam touradas, ambos nasceram a uma Sexta-Feira 13, ambos têm um olho de cada lado do nariz, ambos são filhos de mãe incógnita… O que não vai contar a ninguém e que nunca reparou sequer que existe é tudo aquilo com que não concordam e de que deixaram de falar por não concordar; De politica a religião, de música a saídas nocturnas, de gatos a cães.

Mas por outro lado, pode até ser que desta vez resulte.

Pode ser que os dias de lágrimas, de ira e de vómitos tenham terminado, pelo menos durante algum tempo. Talvez desta vez a coisa resulte ou em alternativa, talvez os amigos e amigas tenham aprendido a não apresentarem quem quer que seja, a quem quer que seja, com intuitos românticos.

Talvez você mesmo tenha aprendido que o MSN ou um qualquer “chat” são locais onde nunca deve despir a armadura da sensatez (excepto se costumar ganhar o Euromilhões todas as semanas).

Apesar de tudo, são estas situações e acontecimentos que permitem a actividade profissional a muita gente. Que seria dos psiquiatras, dos psicanalistas, dos bombeiros, dos barman’s e confessores deste país, sem as pessoas que se apaixonam e que dão com os “burros na água”?

Ainda me recordo bem da última vez que me apaixonei e do quanto isso me trouxe de comportamentos idiotas.

-Não me tornou um idiota mas destituiu-me da maioria das capacidades de agir como se pensasse e isto, aos mais variados níveis de actuação. -Tornou-me viciado no tóque do meu telemóvel e podia ter-me tornado accionista da Vodafone; Alterou-me todas as rotinas, fez-me interessar por assuntos que nunca me interessaram; Tive insónias, mais do alguma vez antes tinha tido; Sorria sozinho e gargalhava sem razão. Deprimia-me com o pôr-do-sol e com o nascer dele ou alegrava-me quase às lágrimas com ambos; Ficava à chuva numa esplanada sem sequer saber que chovia ou onde estava.

Tornei-me ora bêbado, ora abstémio e isto apenas por duas razões: por tudo e por nada. Os meus dias, tinham dias de 12 horas e outros de 48.

Por isso e pela incrível felicidade que senti, apenas quero deixar um conselho a todos aqueles que neste momento vivem uma paixão intensa e que tem a certeza de terem passado de “meia-pessoa” a “pessoa completa” sempre que olhos nos olhos, olham os olhos da pessoa que pensam amar…

Encontrem um quarto!

MORTE AO SOL

 

sol in-provavel

MORTE AO SOL

Nome de Filme?

Romance de Agatha Christie?

Canção dos GNR?

Óbito causado por excesso de exposição`solar?

Desejo profundo dos apoiantes, amigos e apaniguados do primeiro-ministro?

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Provérbios Populares e Sabedoria Popular

In-Provavel proverbios populares

Sempre tive a convicção de que a “sabedoria popular” dos provérbios é uma espécie de pronto-a-vestir da sabedoria. Basta dar alguma atenção ao POVO que reclama a sua autoria e que nunca passa além do estatuto de miserável ou remediado. O mesmíssimo POVO que a cada passo demonstra um aprofunda e absurda ignorância acerca dos seus direitos mantendo-se quedo e mudo ao ser ignorado, pontapeado, enganado, pisado e aviltado.

Os provérbios populares, aquilo que de mais comum têm com o Povo é o facto de serem usados quando convém, sempre que tal é necessário e imediatamente esquecidos logo a seguir. Retorcem-lhes o sentido, o significado e a oportunidade de aplicação e aplicam-se sempre, para tentar obter razão onde ela não existe.

Servem para quase todo o tipo de argumentação.

Parecem-se com as palavras de ordem das manifs a quem a tradição (de novo popular) atribuiu um valor mais duradoiro mas igualmente inútil e frequentemente contraditório.

Parece existir a ideia vincada de que os provérbios vão bem com discursos apelativos e que conferem a razão ou as qualidades populares que os que querem fazer-se passar por “povo” e por “sabedores” necessitam para continuar a enganar. Não há politico, candidato ou oportunista que os não inclua no discurso ou que lhes resista.

-Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem eles são.

-Diz-me como te chamas, dir-te-ei quem tu és.

-Mais vale a amêndoa do que o cianeto.

-Quem tem telhados de vidro é visto pelo vizinho.

-Nem tudo o que luz é da EDP ou do Benfica.

-Para mau entendedor, duas palavras não bastam.

-Tempestade no mar, pescadores na merda. (Miguél Unamuno)

-Milhão a milhão devia o banqueiro estar na prisão.

-Mais vale uma operação em Cuba do que duas em lista de espera.

-Azar ao jogo, azar ao amor… irra que é do pior!

-A cavalo dado, vende-se logo.

-Deitar tarde e cedo erguer, dá cansaço e faz adormecer.

-Quem feio ama, precisa de óculos.

-Os homens não se medem aos palmos, é em centímetros.

-Mais vale uma mão inchada do que uma enxada na mão.

-Chuva em Novembro, Natal em Dezembro.

-Casa onde não há pão, todos pedem empréstimos até mais não!

-Enquanto o pau vai e vem, doem as costas.

-Em casa de carpinteiro, espeto de ferro.

-Nunca peças a quem pediu, nunca votes em quem já te mentiu!

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Artigo de Mario Crespo

Mário Crespo In-Provavel

O Fim da Linha

Mário Crespo

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) na imprensa.

Fonte: http://www.institutosacarneiro.pt/?idc=509&idi=2500

Nota minha: Não tenho por hábito colocar aqui textos que não sejam da minha autoria mas neste caso achei que seria importante fazê-lo. Não que Mario Crespo necessite de qualquer divulgação; Não que o facto de o fazer leve a minha mão à cara dos responsáveis do “Jornal de Noticías” numa chapada mais que merecida, pois a covardia , o  servilísmo aviltante e subserviente não merecem outro tratamento.

Quanto aos covardes que em vez de nos governar se governam e se divertem a puxar cordelinhos fazendo e desfazendo carreiras e pessoas… para esses, chapadas seriam pouco, bengaladas já se não usam e outro modo de violência seria desperdício do esforço. Sugiro talvez, o VÓMITO ou o ESCARRO nos fatinhos e nas gravatas de seda.

Nunca fui dado a "essas coisas" mas começo a gostar de expressões como: "Revolução Popular", "Poder ao Povo", "Do Povo, pelo Povo e para o Povo" e no entanto, ainda acredito que a classe politica não é toda corrupta e corruptível, egoísta, falsa e mentirosa. Daqui resultam dois problemas: não sei onde anda, o que pensa (se pensa) ou o que é o "Povo" e não conheço os tais políticos que seriam a excepção.
Estou farto desta serenidade popular que tudo permite e de quem pensa que protesto e falta de civilidade são uma e a mesma coisa.
Ainda um dia venho para a rua atirar pedras já que as palavras não arranham inconsciências.

 

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

FADOS, FADAS E… IN-PROVAVEL

Fado In-Provavel

“Fado” é uma boa música ou apenas um mau anagrama?

Uma Bruxa é uma empata-fadas?

Mais vale nascer bem fadado do que bem…

quinta-feira, janeiro 28, 2010

A BELA E O PAPARAZZO OU A BETA E O PAPALHAÇO

a BELA E O PAPARAZZO IN-PROVAVEL SOCRATES CARICATURA

Uma história de amor  e paixão pelo poder; pelo poder poder.

Uma história que nos tem  “podido” a todos!

quarta-feira, janeiro 27, 2010

LITERATURA In-PROVAVEL

LITERATURA IN-PROVAVEL

  • O Cavaleiro mais redondo da Távola Redonda do Rei Artur era o Sir Cunferência.
  • Escrever um romance com um lápis mal afiado não tem ponta por onde se lhe pegue.
  • Um poeta ao escrever ao contrário escreve inverso?
  • Se um clérigo escreve um conto é o “Conto do Vigário”?
  • Mário de Sá Carneiro ainda pensou em suicidar-se saltando de uma ponte para o rio em Paris mas não quis fazer uma Sena.
  • Quando os canibais comeram o escritor tomaram o gosto pela literatura.

domingo, janeiro 24, 2010

Arte In-Provavel

ARTE In-Provavel

De quando em vez sou convidado para uma ou outra... (quase sempre, uma a mais) “vernissage” de uma amigo/a, de um conhecido/a ou de um/a desconhecido/a que decidiu , ou alguém por si, realizar uma exposição (quase sempre) de pintura e que teve o desplante de me convidar.

Quase sempre tentam dar ao acontecimento uma solenidade que nem a ocasião merece nem eles/as são capazes de lhe conferir.

As caras (e os donos delas) que por lá passam são invariavelmente as mesmas.

As mesmíssimas tias e tios; os intelectuais do costume; os pseudo-intelectuais de sempre; os donos dos bares da “noite”; os artistas lançados no mercado a marcar presença e a a tecer comentários para quem os queira ouvir; os pretendentes a artistas e os pretendentes a alguma coisa que nunca entendi o que seja mas que marcam presença regular. Ooops… e de quando em vez um autárca!

Há também os estilistas sem estilo e sem venda, os actores em busca de papel, os sonhadores em busca de uma refeição grátis ou dos canapés e os curiosos que não distinguem a parede da tela mas que teimam em opinar ainda e sempre. Claro… não esquecer os jornalistas de todas as áreas, dos estagiários aos consagrados do desporto e uma ou outra “vedetinha de TV”.

Os aperitivos raramente são grande coisa. O champanhe raramente passa de de espumante de baixa qualidade e limitada quantidade.

O Vinho do Porto é Tawny mas daquele que se vende em supermercado durante as feiras de vinhos. O Gin é do barato e a água (tónica ou não) vem em embalagem de plástico.

Aconselho apenas o vinho; sempre branco e sempre verde mas sempre, sempre com a imagem de um palacete no rótulo.

Bebe-se a água e o vinho em copos iguais para não parecer presunçoso e não demonstrar desconhecimento. Os guardanapos (de papel) esgotam ainda antes de outra coisa qualquer e depressa se nota o aglomerar de gente junto às “fontes” de bebida.

Os vestidos das senhoras são os dos casamentos das irmãs, das primas e das amigas e os gestos são tão falsos como os sorrisos e os beijos afastados da face que dão e que recebem ou algumas das gargalhadas mais audíveis.

Em alternativa, algumas delas parecem-se com as avós, quando estas se vestiam como quem tenha estado em woodstock mas sem a lama do festival.

Os homens que não usam gravata parecem ser todos do Bloco de Esquerda ainda que fumando cigarrilhas sem o hábito de o fazer e sem saberem como se faz. Outros poderiam ser sem-abrigo que as roupas não destoariam.

Enquanto que aqueles que usam gravata parecem ser todos vendedores… perdão técnicos/directores comerciais, jovens empregados bancários de bancos privados sem o balcão pela frente ou deslocados dentro dos colarinhos engravatados. Um ou outro, visivelmente metrosexual e meia dúzia de imitadores.

Não sou apreciador de “Artes Plásticas” no sentido que muita gente afirma ser.

Sou perfeitamente incapaz de fazer qualquer esforço para justificar as manchas hediondas que vejo em algumas telas;

Detesto algumas “instalações” com que me deparo, tanto como detesto montoeiras de resíduos sólidos urbanos (RSU’S) ou restos de obras de construcção civil em locais públicos.

Não lhes procuro nem sentidos para que existam, nem justificações recônditas para que possam ser lidas de outro modo que não aquele com que se apresentam aos meus sentidos. Aprecio a técnica de execução e o improviso. Admiro a capacidade de representar a realidade e de a reinventar ou a reinvenção de modos de representação.

Tenho consideração suficiente por amigos para não os arrastar a estes “acontecimentos” e se forem eles os artistas em causa… não lhes minto e evito falar tanto das obras (se for caso disso) como da fauna presente na altura e no local.

Não admiro estes convites nem as suas circunstâncias. No entanto, não perco a ocasião por nada do mundo. Apesar de não gostar de Carnavais a destempo e despropósito sempre tenho uma ocasião de me divertir com a natureza humana e as suas ridicularias.

Se agora me lerem… não voltarei a ser convidado! Irra, lá se vai o mau copo e a conversa fútil!

Bolas faz-me falta!

Aliás.. há muito mais do que isso na actual conjuntura “artística”?

sábado, janeiro 23, 2010

Desafios, inquéritos, questionários, perguntas e respostas… Blogices simpáticas

Desafios dos blog's In-provavel

Esclareço que esta é a primeira e provavelmente unica vez que faço isto e os motivos são apenas dois: O apreço pelas pessoas que mo propuseram e mais nada!.

http://sairdaspalavras.blogspot.com/

E

http://clarices-bichocarpinteiro.blogspot.com/

Eis o “desafio” a ser respondido:

a) Tens medo de quê?


Medo de ter medo de tudo aquilo que me assusta e que receio não conseguir superar.

O Absoluto, em geral, assusta-me. Opiniões absolutas; poder absoluto; dedicação absoluta; dependência absoluta; crença absoluta. O que é absoluto é doentio.

b) Tens algum "guilty pleasure"?


Hum… se tivesse Eu tempo para escrever e Vós tempo para ler… faria uma lista curta!


c) Farias alguma "loucura" por amor/amizade?


Todas as que possam imaginar além de todas as já cometi e não imaginava ser capaz e não lamentei!


d) Qual o teu maior sonho? [Não vale responder Paz, Amor e Felicidade ;)

Tenho sonhos demasiado longos e indescritíveis. Quase sempre têm livros à mistura, bibliotecas imensas que sonho poder ler.

De um modo mais… “Terra-a-terra”: Gostava de poder concretizar os sonhos um sonho chamado Inês. (afilhada de 3 anos com Síndrome de Asperger).

e) Nos momentos de tristeza, abatimento, isolas-te ou preferes colo? (Não vale brincar)

Se tiver “colo” não o recuso… mas não o procuro nem me isolo… limito-me a tentar continuar a ser Ser.

f) Entre uma pessoa extrovertida e outra introvertida, qual seria a escolha abstracta?


Ambas na mesma pessoa com conta, peso e a minha medida que desconheço ainda qual seja e que quero continuar a procurar conhecer.


g) Sentes que te sentes bem na vida, ou há insatisfações para além do desejável?


“Os satisfeitos estão mortos, em coma ou em vias disso” Yur Adelev


h) Consideras-te mais crítico ou mais ponderado? (mesmo sabendo que há críticas ponderadas)


Critico, sem dúvida! E ponderado na crítica, sem sombra de dúvida!


i) Julgas-te impulsivo, de fazer filmes, paciente ou... (define o que te julgas no geral).


Impulsivo é agir sem pensar ? Reajo bem sob stress!

j) Consegues desejar mal a alguém e eventualmente concretizar? (Responder com sinceridade)

Se alguém disser que não .. MENTE! “Dai-lhes a oportunidade e os meios e eles tornar-se-ão bestas!” Yur Adelev

No entanto sem empurrar quem quer que seja… já pisei muitos pescoços de quem me empurrou para me passar e me caiu um pouco mais à frente. Também já lhes dei a mão muitas vezes.

k) Conténs-te publicamente em manifestações de afecto (abraçar, beijar, rir alto...)


Só até onde a “boa educação manda” e… nem sempre! Não faço regra de nada disso mas admiro o respeito pelos outros e o seu direito à pacatez.


l)Qual o lado mais acentuado? Orgulho ou teimosia?


Sou uma mistura de todos os meus “lados” e a minha teimosia tem orgulho em mim e Eu nela. Sobretudo quando tenho a certeza de que ter razão.


m) Casamentos homossexuais e/ou direito à adopção?

As idiotices andam sempre aos pares e a sua ausência também!

Ou bem que se pugna pela igualdade ou se pugna pelo direito à diferença. Ambas as coisas em simultâneo… é uma contradição tontinha e libertária sem razão, sem Rei nem roque, entre os termos da questão.

É uma questão em que tenho demasiadas dúvidas para ter opiniões acertivas e não faz parte das minhas prioridades mais imediatas.

n) O que te faz continuar com o blogue?


O prazer de “dizer” e de saber que há pelo menos uma pessoa que lê e me envia destas coisas para responder.

Note-se que esta será a unica confirmação da regra de não o fazer.


o) O número de visitas ou de comentários influencia o teu blogue?

Nadinha! Mas agrada, embora a qualidade seja preferivél à quantidade como em outras coisas na vida!

p) Na tua blogosfera pessoal e ideal, como seria ela?

Livre sem libertinagem, sem anonimatos e sem “desafios”.

q) Deviam haver encontros de bloguistas? Caso sim em que moldes e caso não porquê?

È sempre bom para a alma compartilhar gostos e partilhar momentos com quem partilha connosco os seu momentos e gostos.

Sem compromissos ou segundas intenções.

r) Sabes brincar contigo mesmo e rir com quem brinca contigo? (Não vale responder com ironias).


Eu só não me rio mais de mim, para mim e acerca de mim porque estou ocupado a rir-me de outras pessoas que me causam a mais profunda tristeza. (Não é ironia).

Gosto que se riam comigo e para mim mas não de mim.

s) Já agora, qual ou quais os teus principais defeitos?


Conhecer os meus defeitos e não ter o sucesso que desejava ter quando tento eliminá-los.


t) E em que aspectos te elogiam e/ou achas ter potencialidades e mesmo orgulho nisso?


Se uma opinião acerca de mim me agrada não a considero um elogio mas uma mera constatação. Se for um falso elogio, finjo que a pessoa não disse nada!

Tenho um humor que se situa entre a observação cínica e a causticidade objectiva. Tem imenso potencial… mas a potência é um problema dos homens da minha idade. Dizem-me as minhas amigas… e a quantidade de Viagra que o meu famacêutico afirma vender.


u) Entre uma televisão, um computador e um telemóvel, o que escolherias?


Actualmente o computador permite-me não apenas ver Tv mas também fazer chamadas. Logo….


v) Elogias ou guardas para ti?

Elogio se pensar que é oportuno; manifesto apreço se (na circunstância) pensar ser o mais correcto mas se for merecida a critica ou ou elogio não guardo para ninguém.


w) Tens a humildade suficiente para pedir desculpa sem ser indirectamente?


Absolutamente e espero ser assim até ao meu ultimo segundo! E peço desde já desculpa por isso!


x) Consideras-te, grosso modo, uma pessoa sensível ou pragmática?


Quem disse que sensibilidade e pragmatismo se opõem?


y) Perdoas com facilidade?


Demasiadas vezes. Ao ponto de já ter pensado em mudar essa minha faceta… No entanto, perdão e arrependimento têm que fazer parte do mesmo “pacote” e serem ambos sinceros!


z) Qual o teu maior pesadelo ou o que mais te preocupa?

A infelicidade, qualquer que seja. Minha ou de alguém a quem estime de sobremaneira.

sábado, janeiro 16, 2010

Manuel Alegre candidato, Contos de Fadas e Polìtica Nacional.

Manyel Alegre candidato In-Provavel e contos de fadas


As histórias da nossa política são iguais aos contos de fadas que são todos iguais entre si.

Na nossa politica existem Califas tiranetes, com Vizires que desejam ser Califas no lugar dos Califas. Rainhas más que consultam e tentam dominar espelhos mágicos que pronunciam verdades que muitas vezes constroem eles próprios. Falo da nossa imprensa, sempre hesitante entre a “notícia sensação”, o bajular do poder, e o reflectir acerca das realidades nacionais.

Existem anõezinhos guindados ao poder funcionando em lobby de anõezinhos que parecem gigantes no topo dos pés de feijão das empresas e organismos públicos ou nas direcções de bancos, ainda que privados.

Há a galinha dos ovos de ouro que todos os dias é morta pelo lucro fácil, pela promoção duvidosa, pela reforma antecipada e choruda, pelo cargo de direcção imerecido.

Há as princesécas ou Moiras encantadas, encerradas no alto de torres de cristal televisivo de onde debitam os seus comentários políticos, sem contraditório ou com ele e de onde nunca saem para provar que saber comentar é o mesmo que saber fazer.

Há o Rei que do seu palácio se dirige ao Povo de quando em vez e que escolhe mal os conselheiros.

Há soldadinhos de chumbo (já não no serviço militar obrigatório mas ainda assim de chumbo) a prestar serviço em países distantes e que aqui pouco ou nada fazem de realmente útil.

Temos sapos que se transformam em príncipes encantados ou patinhos feios que se tornam cisnes temporários mas que pouco depois retornam ao seu estado inicial e desaparecem em exílios dourados, sem fama mas com fortuna ou com cargos em organismos internacionais.

Há lobos maus, sempre a soprarem contra tudo. Lobos a que todos conhecem os côvís, a existência, os actos e o paradeiro mas que os caçadores não conseguem apanhar em investigação alguma; nem com apitos mágicos e doirados, nem com casas pias que nunca foram feitas de outro chocolate que não fosse o mais amargo.

Temos a nossa Rainha-mãe de bochechas proeminentes e que não sabe que já não reina mas que nunca se cala a propósito de tudo e de nada; Que se arrasta adormecendo nas ocasiões solenes e que tem apenas Só-ares de saber o que diz.

Não nos faltam sequer os bobos da corte que todos os dias aparecem travestidos de figura pública das artes e do entretenimento em capas de revistas e em shows onde dançam, cantam e (imagine-se) até falam de política num círculo viciado em que todos se entrevistam e se elogiam a todos.

E temos Manuel Alegre.

Indeciso, como sempre, entre qual o papel que pretende representar neste conto de F_das!

Já quis ser Califa no lugar do Califa; Já foi Príncipe herdeiro deserdado pela rainha-mãe. Já foi Édipo a querer matar o pai. Já foi Caím que mata Abel e Abel politicamente assassinado por Caím.

Ora se apresenta como Raposinha Matreira, ora como Cavaleiro Branco, paladino dos fracos a quem esquece logo que volta a ser a raposa. Já foi Urso urrante, a gritar que a sí ninguém o cala. Mas calou-se sempre que assumiu o papel de pretendente a Rei.

Já foi o Soldadinho de Chumbo na reserva intelectual; o Mago da Corte das letras; o Conspirador da Corte; o Herói Breve; o Grande General retirado em exílio doirado de onde haveria de sair em dia de nevoeiro.

Já foi a Bela Adormecida que acordaria apenas com um beijo do Povo que nunca o beijou e acordou sozinho do outro lado do espelho da Alice, mas longe do País das Maravilhas.

Já pregou no deserto e ainda prega.

Actualmente é uma Cinderela a querer impôr-se à Fada Madrinha e rodear-se de Ratinhos que hão-de ajudá-lo a tentar vingar-se da madrasta e das irmãs que o rejeitaram nas eleições anteriores.