domingo, maio 11, 2008

Terra de cegos











Terra de cegos

Quando vi (e ouvi) o Senhor bastonário da Ordem de Todos os médicos e o senhor presidente do Órgão Corporativo que abrange os nacionais-oftamologistas, a alertar os cidadãos acerca dos perigos “terríveis” de serem operados em Cuba, não pude deixar de sorrir o mais amareladamente possível.

Todos, TODOS, sabemos quem sempre se opôs à abertura de mais cursos de medicina. Sabemos que a consequência imediata foi a inflação das notas de entrada nas actuais faculdades. Sabemos que os únicos beneficiados foram os médicos em geral e que os prejudicados fomos TODOS NÓS em geral e particular!

Temos TODOS consciência que hoje em dia não é médico quem possui real vocação para o ser, mas sim quem possui todos os meios necessários para obter as notas de ingresso na Faculdade de Medicina. Conhecemos quem beneficiou e beneficia com tais práticas; Quem, entre todos os recém-licenciados, tem emprego garantido no final do curso superior. Sabemos quem se recusa a “migrar” para o interior do país, a fim de prover as vagas de especialidade que aí existem e sabemos que o não fazem porque a medicina privada no litoral e nos grandes centros habitacionais é muito mais abundante e rentável.

Nunca vi médico algum (excepto uns em Coimbra e alguns amigos que tenho) preocupados com as “Listas de Espera” perfeitamente terceiro-mundistas que afectam o nosso Sistema Nacional de Falta de Saúde! Essas mesmas listas são a garantia de trabalho num qualquer possível ano de crise. A garantia de expansão dos protocolos entre o Estado e indústria privada da Saúde. A obrigação que se não cumpre no sector público e que rende ouro no privado. O esforço que se não faz e o lucro que se procura.

A imagem de impunidade na má prática de actos médicos é a que mais circula. A ideia de omni-poder por parte da classe médica é constante em cada português médio e em cada doente, a par com a imagem de ineficácia e de trapalhada com que se vive (e morre) em todos os hospitais.

Dizer que tudo não passa de um problema politico é a mãe de todas as desculpas; É como querer retirar do “capote” todas as gotas de água que alimentaram a sua sede e o afogamento de outros.

terça-feira, maio 06, 2008

A Horta da Democracia













A Horta da Democracia

-Faz muito tempo, que nesta horta peninsular mais chegada ao lago Atlântico, apenas havia uma árvore frondosa e verde que dava sombra ao solo, frescura a quem sob ela decidia abrigar-se e alimento e protecção a todos. Chamavam-lhe árvore do Estado Democrático Livre e Justo. Essa árvore crescera a custo, demorara a ganhar alento, a espalhar os seus ramos e a abrir as suas folhas. Aliás, ainda não estava e talvez não estivesse nunca, suficientemente crescida, mas lá ia medrando.

-Um dia, o hortelão encarregado de a regar com o suor de muita gente, decidiu deixar que à sua sombra crescessem outras plantas. Vieram então os gordos repolhos ex-presidentes, as couves pencudas ex-ministras, as abóboras que rolavam de partido em partido, as melancias ecológicas (verdes por fora e vermelhas no interior), os nabos dos ministros, a pimpinela socrática e outros vegetais cujo colorido de inicio alegrava a visão daquela horta.

-Os cheiros e aromas das saladas e das sopas espalhavam-se pelo ar e com eles (e por eles) foram atraídos os pulgões, as lesmas, as lagartas e toda a restante bicharada que vivendo à sombra da árvore sempre se tinham encolhido nos seus buracos escuros.

-A pobre árvore bem tenta abrigar a horta, mas os ácaros sugam-lhe a seiva, os corvos defecam-lhe nos ramos e os ratos ávidos roem-lhe as raízes.

-Entretanto, o velho hortelão, agora cego pelas cataratas, ruma a Cuba para ser operado depois de seis anos a aguardar numa interminável lista de espera sem resultado algum.

quinta-feira, maio 01, 2008

FERIADOS NACIONAIS À PORTUGUESA











-Os portugueses são por excelência o povo europeu com maior espírito de contradição para com os feriados, Ora vejamos:

1 de Janeiro - ANO NOVO – Celebra-se o primeiro dia do novo ano. Por cá ainda estamos a pensar naquilo que teremos feito ano anterior: sonegámos o suficiente nos impostos? Será que escapámos às multas todas? Esquecemos um dia de férias ou usámos todas as faltas permitidas por lei? O que se passou depois do primeiro brinde às 11 da noite? Como foi que chegámos a casa? Como apareceu aquela nódoa negra? Quem pagou a conta? Quem era a morena bonita com quem tomamos o pequeno-almoço?

CARNAVAL - Por todo o lado, toda a gente parece andar disfarçada de qualquer coisa. Por cá, usamos a cara de pau de todos os dias; o mesmo sobrolho carregado a pensar nas contas até ao fim-de-mês; o mesmo ar carrancudo de quem não sabe o que é uma promoção ou um aumento desde há muitos anos; as mesmíssimas “trombas” de quem não vê nada que sendo novo seja melhor.

PÁSCOA – Altura de meditação para todos. Para nós é tempo de férias na neve, no Algarve, no Brasil, Cuba ou noutro destino qualquer que não podemos pagar.

25 de ABRIL (dia da liberdade) – Somos capazes de ser detidos por um policia qualquer, apenas porque por ser dia da liberdade, decidimos alimentar os pombos na praça ou por fumar um belo charuto no restaurante favorito e insultar o agente que nos chamou a atenção. Nada como “ir dentro” no dia da Liberdade!

1 de Maio (Dia do trabalhador) – Talvez alguns estejam de serviço neste dia e amaldiçoem a contradição de trabalhar no dia que por excelência deveria ser de descanso. Todos os outros que se encontram livres, lamentam o facto de não haver que trabalhe no dia que celebra precisamente o trabalho. “Irra um tipo quer ir ao hipermercado e nada, quer fazer compras, nada… Porra, está tudo fechado neste dia? Já ninguém trabalha?”

10 de Junho - DIA DE PORTUGAL – C’um Canéco! Vem mesmo a jeito este dia de Portugal para dar um salto ao lado de lá da fronteira; Comer bem e mais barato, fazer umas compras para as férias que se avizinham, abastecer a dispensa (que lá é mais barato) e sobretudo encher o depósito do carro que já nem sabia o que era estar cheio há muito! Dia de Portugal… Viva Espanha!

1 de Dezembro (Dia da independência) – Grande Feriado pá!
Logo de manhã depois do litro de café e dos primeiros três cigarros, corremos de bicicleta em volta do bloco. Cruzamo-nos com os “ganzados” todos da vizinhança encostados às esquinas e com a garotada que chega da discoteca com a garrafa de água na mão, os olhos injectados e ainda a curtir os speeds da noite. Sentamo-nos ao computador a surfar na net e cerveja após cerveja esperamos a hora de sair com os amigos para apanhar uma carraspana das antigas!

NATAL – Época de dádiva? Como? Todos os anos os presentes que ofereço são melhores e mais caros do que as tralhas que me dão a mim. Sempre as mesmas peúgas da Tia Nanda, o mesmo desodorizante e after-shave do primo Alberto, o mesmo “uísque marado” do António a mesma desculpa do Alberto. P´ró ano vão ver o que lhes dou! Dádiva uma ova!

terça-feira, abril 29, 2008

CIRQUE













Um ministro que quase no final de um pseudo-debate, mas ainda assim uma espécie de debate, diz e repete reiterando: “os portugueses não entendem…”, obviamente não pode entender ele próprio o significado, não de ser, mas de “estar” ministro e o que tal significa.

Quem se preze de ocupar um cargo em que deve servir governando, um cargo em que lhe compete acima de outra coisa qualquer, servir os tais “portugueses” a quem se refere com algum óbvio desdém como “incapazes de compreender”, deveria no mínimo ser provido ainda que não da mais básica educação pelo menos do mínimo senso politico e não o é!

Isto acontece no exacto, no mesmíssimo dia em que o ministro da ADMINISTRAÇÃO INTERNA afirma não existir uma Comissão que ele próprio nomeou e que faz parte de um despacho dos ministros da Administração Interna e da Justiça, publicado em Diário da República no passado dia 23 de Novembro do ano passado com a finalidade de rever as MEDIDAS DE SEGURANÇA NOS TRIBUNAIS. Não só a comissão foi constituída por decreto ministerial, como já REUNIU TRABALHOU e APRESENTOU CONCLUSÕES que no mínimo, não são elogiosas para a actual forma de funcionamento.

Já sei que a mim ninguém liga, mas ainda assim a vergonha que sinto não é a minha; é a vergonha dos quem sem vergonha alguma, pretendem governar sem ponta da vergonha que deveriam sentir.

Vem aí o campeonato da Europa de Futebol. Tudo será esquecido. Todos continuaremos a empurrar o mesmo autocarro até ao destino final: “nenhures” ou em alternativa mais do mesmo!

28 Abril 2008 - 18h40

Garante Rui Pereira

Ministro nega Grupo de Trabalho

O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, negou a existência de um Grupo de Trabalho, criado em Novembro último, ao qual foi dado um prazo de três meses com o objectivo de estudar medidas que reforcem a segurança dos tribunais.

A rádio ‘TSF’ questionou Rui Pereira sobre que medidas lhe tinham sido sugeridas, ao que o governante respondeu não ter qualquer iniciativa em mãos, e que esse grupo de trabalho não existe.

“Não há nenhum grupo de trabalho no âmbito do Ministério da Administração Interna a estudar medidas de segurança nos tribunais. Há um acompanhamento permanente das necessidades de segurança nos tribunais como em todas as instalações de órgãos de soberania”, frisa Rui Pereira.

Contudo, é possível que esse grupo de trabalho tenha existido, na medida em que o mesmo faz parte de um despacho dos ministros da Administração Interna e da Justiça, que foi publicado em Diário da República no passado dia 23 de Novembro do ano passado.

sábado, abril 26, 2008

Cavaco Silva preocupado com incultura política juvenil












"O 25 de Abril foi uma revolução feita por Salazar contra o General Spínola que queria ficar com as antigas colónias só para ele. O 25 de Abril aconteceu a 10 de Junho que foi o dia em que nasceu um tal Camões que era Capitão do exército e amigo do Paulo de Carvalho que foi o culpado de tudo ter começado por cantar uma música na rádio ainda de madrugada. Por causa dessa música a tropa ficou muito zangada e pegou nos tanques para vir para Lisboa prender os PIDES que eram a ASAE desse tempo. Tudo isto, enquanto um tal Otelo ouvia rádio longe dali.

Antes do 25 de Abril as pessoas andavam em guerra civil umas com as outras e não podiam falar porque o governo não permitia nem a liberdade, nem os isqueiros, nem a Coca-Cola.

Depois da revolução, Marcelo Caetano foi nomeado presidente de um Conselho que era da Revolução e foi ele quem aconselhou Soares e Cunhal a virem do estrangeiro para trabalharem nas primeiras eleições a sério; nas outras que houvera antes, ganhara um General morto em Espanha. Logo a seguir as colónias emigraram para a África."

O Presidente da Republica manifestou a sua preocupação para com o desconhecimento demonstrado por muitos jovens acerca do que foi o 25 de Abril e do que é a vida político/institucional. Ainda bem que ficou apenas por essa área do conhecimento!

quinta-feira, abril 24, 2008

25 de ABRIL


























-Durante anos, muito foi aquilo que foi dito acerca do 25 de Abril de 1974. Aliás, penso que foi dito tudo e de tudo; Foi dito aquilo que era verdade e o que era a mais perfeita das deslavadas mentiras. Foi contado o que se passou e muito do que nunca sequer passou pela cabeça de ninguém na data em causa. Descreveu-se, contou-se recontou-se e efabulou-se. Edificaram-se heróis irreais e esqueceram-se reais heróis. Fabricaram-se defensores da liberdade democrática que o não eram nem nunca foram e estigmatizaram-se alguns que realmente sempre o haviam sido.

-Todos os anos nesta data, não existe Assembleia Municipal, Associação, Cooperativa, Agremiação, Sindicato, Freguesia, Grupo Social, Desportivo, Cultural, Bairro, Partido ou tendência que no mais ínfimo rincão do Portugalito real, não comemore com discursos, descerramentos de placas comemorativas e baptismos todas as pracetas de miserável aspecto urbanístico, ou ruas empoeiradas, apondo-lhes o nome dos heróis vigentes ou a data que se celebra.
-Esta insistência quase cega, embora compreensiva, em relembrar para que se não esqueça, acabou por produzir o efeito oposto do pretendido. Tornou muitas das orelhas interessadas em “orelhas moucas” e as próprias palavras tornaram-se roucas com a idade dos seus pronunciantes. As oratórias de comemoração tornaram-se para muitos, meras palavras de circunstância; a atitude tornou-se um mero acto comemorativo e o significado real do facto comemorado, tornou-se ele mesmo, uma memória cada vez mais longínqua e desfocada.

-Este é o papel de todas as “revoluções”. Sanadas as feridas provocadas pelo rompimento que todas as mudanças súbitas provocam, a evolução reduz a sua velocidade ao ritmo da mudança comezinha e diária, enquanto as memórias se esfumam à exacta velocidade do esquecimento.
-O 25 de Abril de 1974 não é excepção e daqui a cinquenta ou cem anos, o seu significado e importância real, serão exactamente os que hoje atribuímos ao 1 de Dezembro de 1640, ao 10 de Junho ou ao 5 de Outubro de 1910. Meras datas no calendário civíl, assinaladas como feriados e que envolvem a importância que a Escola e os meios de comunicação lhes atribuem; Muito mais como espaços a ocupar nos media, do que como exaltação de princípios e memórias daquilo que alguém fez por todos nós e que nos permitiu ser aquilo que hoje somos ou que não soubemos aproveitar para ser melhores do que poderíamos ser na realidade.

-É verdadeiramente muito difícil, senão impossível, explicar o significado de LIBERDADE a quem nunca padeceu da sua ausência. Tal e qual como é difícil apontar a perda de “liberdades” a quem nasceu com todas elas ou a necessidade do exercício responsável da liberdade, a quem sempre se achou apenas com o direito de ser livre.

Nota: Há não muito tempo, dizia-me uma das minhas sobrinhas (pessoa educada, culta, responsável e observadora) que as pessoas da geração “anterior” à sua, eram muito mais sensíveis a tudo o que pudesse implicar qualquer perda ou redução de liberdades e direitos, do que as pessoas da sua própria “geração”.

Tinha toda a razão e em ocasiões como a que se comemora entendo porquê!

Se o 25 de ABRIL fosse hoje:

Seriam quatro os estúdios de televisão para ocupar e ainda ficariam os canais por Cabo e a Internet.

Os soldados teriam de pousar os “fumos” para sair dos quartéis e haviam de dar vários tiros nos pés por falta de instrução básica.

A GNR teria de ser chamada das auto-estradas, das brigadas de combate a fogos, da Brigada Fiscal e da de Conservação da Natureza.

Otelo Saraiva de Carvalho atrapalhar-se-ia com os números de telemóvel a que teria de aceder desde o Posto de Comando e em vez do seu abuso do “PÁ” diria mil vezes por cada frase: “YÁ”

As colunas de cavalaria perder-se-iam algures entre a 1ª e a 2ª Circular e o Jipe de Comando seria vítima de “Carjacking”

O primeiro-ministro daria uma conferência de imprensa a anunciar que a inflação descera e que tudo estava no melhor dos mundos, ainda que já estivesse no interior da Chaimite finalmente a caminho do exilio.

Vinte minutos depois do inicio do movimento, este seria patrocinado por uma cerveja qualquer.

Os “comunicados do movimento” começariam assim: “Prontos… Ker deXer… ixtu é axin…”

segunda-feira, abril 21, 2008

Na vida também há "coisas" BOAS!


















... e gente que é Gente que é boa gente!

sábado, abril 19, 2008

LUÍS FILIPE MENEZES, PSD, CRISE ou não e outros pensamentos








As elites e os barões assinalados.

-Um partido político caracteriza-se por agregar em si um conjunto de pessoas com ideias e princípios comuns. Mas um partido político não é apenas um conjunto de indivíduos irmanados nas ideias políticas. Um partido, representa também as ideias, aspirações, interesses e anseios de cidadãos; De TODOS os cidadãos que nele votam ou que de um qualquer modo nele se revêem.

-Um partido político possui a ideologia daqueles que o compõem: os militantes; de TODOS ou se em Democracia, da sua maioria. Os líderes devem ser eleitos maioritariamente segundo regras claras, pré-definidas e aceites comummente. O papel dos líderes é liderar: definir tempos e modos de actuação, elaborar estratégias de oposição ou de projecto de governação, políticas tendo como finalidade que uma vez atingido o poder, possam obter o melhor para TODOS os cidadãos; Pelo que o poder não é em si mesmo uma finalidade, mas sim um modo para concretizar ideias e princípios.

-Não conheço partido político algum que nos seus estatutos ou regulamento interno, preveja a existência de “benjamins”, “notáveis”, “barões”, “delfins” ou “herdeiros ideológicos”.

-No seio de cada partido, tal como na vida nacional, existem locais próprios de troca e debate de ideias. Mas ao contrário da vida político-institucional, de que todos fazemos parte, na vida política de um partido estão apenas aqueles que de livre vontade lá querem estar em consonância com as regras pré estabelecidas. Posso demitir-me de um partido mas não posso jamais demitir-me da minha qualidade de cidadão.

-Por isso, quando assisto à “sanha contestatária” anti-Meneses, não posso deixar de me interrogar acerca das responsabilidades que cabem a cada um dos intervenientes: Aos contestatários por terem estado sempre ausentes dos processos de escolha do líder, sem apontarem caminhos ou alternativas válidas; Aos media por embarcarem na política do “soundbite”, conferindo espaço de divulgação a opiniões que se encontram, desde logo, no espaço errado de emissão e que apenas aproveitam a quem imerecidamente tem merecido a sua transmissão… e aos seus retransmissores em busca da audiência.

-Num aspecto pelo menos, Meneses é um líder que antes de o ser já o era. Tal foi o modo como, ainda antes de se propor à liderança do PSD, já era temido e atacado pelo “baronato histórico” do seu partido, naquilo que me pareceu ser um profundo receio pela perda de “privilégios de influência” contra os quais Meneses sempre disse pugnar. Estes “barões” parecem não entender que ao atacá-lo sem modo nem método e muitas vezes sem razão, o projectam.

-Marcelo Rebelo de Sousa, tem-lhe repetidamente chamado incoerente e populista, esquecendo-se que foi ele próprio, quem se atirou ao Tejo em campanha autárquica e quem garantiu que não seria candidato a líder ainda que “Cristo viesse à terra”. Foi candidato a líder e líder mas Cristo não veio. Foi também ele quem criticou o facto de o PSD possuir um líder que não estivesse na Assembleia da República tendo ele próprio sido líder não estando na dita Assembleia.

-Muitos outros, que por omissão e silêncio, contribuíram para dois anos de apagadíssima oposição e que então lhe criticavam o facto de apresentar alternativas, fazem eles próprios o mesmo AGORA, mas sem a apresentação de qualquer alternativa.

-São as bases que mandam em quem as dirige e não o oposto. Ao acusar, quem quer que seja, de manipular as bases de um partido, insulta-se o militante comum de falta de visão e entendimento e esse facto paga-se nas urnas a seu tempo contra quem o afirmou. As bases por serem bases não são nem incultas nem inconscientes.

-Desta vez também irá provavelmente ser assim.















Terça-feira, Setembro 25, 2007

Luís Filipe Menezes Vs. Marques Mendes

terça-feira, abril 15, 2008

Acordo Ortográfico, prós e CONTRAS

















Reajustar a ortografia de um povo é algo que não pode ser encarado com a leveza de um “intervalo para café”; No entanto, foi exactamente num intervalo para café que o nosso “competentíssimo” ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou a tomada de posição do nosso país nessa matéria, lançando uma polémica que deveria ter existido antes do anúncio e uma discussão que ao invés de ser prévia foi posterior.

A ortografia é a transcrição da linguagem oral de um povo, logo: parte integrante da língua de um povo, o nosso; e como dizia um Pessoa qualquer: “A minha pátria é a minha língua!”

Não sendo linguista, não me detenho a apreciar questões de sintaxe, de gramática, de fonologia, lexicografia ou de semântica.

Não estando ligado a interesses editoriais, não me debruçarei acerca de impactos económicos. Do mesmo modo, não sendo estúpido, não me “engulo” argumentos de uma maior funcionalidade da compreensão ou da melhoria de inter-relacionamento cultural entre a comunidade CPLP.

Outro argumento amplamente difundido é o da suposta simplificação da aprendizagem da língua portuguesa. Tal argumento, não colhe qualquer validade pelo mais simples dos factos: as crianças não possuem consciência fonológica; Como tal, tanto aprendem a escrever de um modo como de outro, além disso a “diferença” nunca foi facto impeditivo da aprendizagem do português.

Por um outro lado, “todo o mundo” (Google, Yahoo e Microsoft incluídos) parecem ter entendido que a par do Inglês (British ou GB), existe o Inglês (American ou USA) e que existe também o Português (Brasil ou BR) e o Português (Portugal ou PT).

O “idioma espanhol” (Castelhano) é escrito e falado de modos diferentes desde a Estremadura Espanhola ao Chile, Argentina, Paraguai, México (e sabe Deus que mais) até às Filipinas. Nunca por isso algum escritor, de Cervantes a Borges ou Saramago deixou de ser lido, compreendido ou estimado.

Desconheço que exista algum acordo ortográfico entre países da Commonwealth; Shakespeare é lido nos EUA tal como na Suíça ou no Nepal.

Um acordo, por definição, é o modo de duas partes perderem menos do que o que perderiam se o acordo não existisse. Neste caso é exactamente o oposto.

Ao ratificá-lo, Portugal, está a fazer aquilo que o Brasil jamais fez com o acordo anterior. Ao pô-lo em prática, Portugal, vincula a língua de vários outros países não á expressão portuguesa mas à expressão brasileira.

De salientar que nada me move contra a “doce pronúncia de além-mar” ou contra a “doce sonoridade” do Brasil. Ainda assim, as decisões que se têm vindo a tomar relativamente à “nossa língua/ nossa Pátria” (recordo bem o TLESB), mais parecem caricatas brincadeiras de pseudo-intelectuais sem ocupação outra que não seja a da mudança pela mudança. Ou então, e não o quero crer, são apenas FALSAS MUDANÇAS que não transmitem nem melhorias nem evolução. Sem resultado útil nem nada de positivo para quem quer que seja.

Palha, palha e mais palha!

Pela parte que me toca, continuarei a escrever apressadamente, mal, sem respeito por vírgulas ou regras que devendo conhecer cá vou ignorando. Apenas que eu não sou Prémio Nobel, nem eterno candidato a ele ou especialista no que quer que seja!

Desculpo-me com “ liberdade criativa” mas não abdico do que penso nem sequer do modo como o exprimo por escrito.

Crucifiquem-me como alternativa, mas não desperdicem madeira na minha cruz!

segunda-feira, abril 14, 2008

Coisas da meia noite: Camélias










Todos temos histórias tristes que gostaríamos de esquecer.

Todos? Todos não!

Algumas pessoas têm belíssimos pores-de-sol primaveris; passeios agradáveis em veredas no parque de uma cidade ao fim de tarde ou à beira-mar, ao fim da mais bela de todas as manhãs. Têm beijos roubados na praça. Têm sonhos de noites de lua cheia e saudades do sul!

(…)
Per questo i suoi fanciulli tornano sui monti,
costringono i cavalli sotto coltri di stelle,
mangiano fiori d'acacia lungo le piste
nuovamente rosse, ancora rosse, ancora rosse.
Più nessuno mi porterà nel Sud.
E questa sera carica d'inverno
è ancora nostra, e qui ripeto a te
il mio assurdo contrappunto
di dolcezze e di furori,
un lamento d'amore senza amore.

Salvatore Quasimodo

sábado, abril 12, 2008

Receita de Coelho no Tacho


















COELHO NO TACHO
(para 10 milhões de pessoas)

1 Coelho gordo.
1 Tacho largo.
1 Programa de rádio.
1Grupo Empresarial de grande dimensão e vastos interesses.
500g. Palavras vãs.
1,5 Kg. de falsa moralidade.
7 Kg. de fraca memória.

Toma-se o Coelho, rapa-se-lhe o bigode e coloca-se sete anos a marinar fora do governo.

Tempera-se com raspas de programa de rádio, a fraca de memórias dos portugueses, a falsa moralidade e por fim as palavras vãs.

Mete-se no Grupo Empresarial (já no interior do tacho) e desliga-se a consciência.


"Os portugueses têm muito má memória no que toca à politica e aos políticos"
JORGE COELHO

terça-feira, abril 08, 2008

PACOTES DE POLITICA FAMILIAR











-Com medidas desmedidas como estas, importa perguntar se este governo está realmente interessado em elevar a qualidade de vida das Famílias portuguesas, em promover e facilitar os processos de adopção e incentivar a própria adopção de crianças.

-Ainda que de algum modo possa vir a “arrepiar caminho” está demonstrada a desorientação que reina e qual o verdadeiro interesse no que concerne a este tipo de politica: o interesse material e economicista!

-Aliás como de costume e como em quase tudo se tem podido constatar.

segunda-feira, abril 07, 2008

BOA CAUSA


















OLHARES - CENTRO DE DESENVOLVIMENTO

-Um local onde sabem que existem crianças diferentes, para quem o mundo é uma coisa muito grande, onde quase nada faz sentido e com o qual não conseguem comunicar na linguagem da maioria das pessoas.

-Onde lidam dia após dia, com crianças com síndromes de Asperger, Down ou Autismo, entre muitos outros.

-Para eles, criaram uma casa pequenina, onde todos os olhares são de ternura. Incluindo o seu e o MEU!


A melhor de todas as causas que conheci até hoje!
Depois falaremos mais ou quem sabe... melhor!

segunda-feira, março 31, 2008

TIBETE JOGOS OLIMPICOS





















Mais liberdade, mais independência, mais independência!


E eu sou absolutamente contra a politização dos Jogos Olimpicos!

quinta-feira, março 27, 2008

Redução de IVA












Hoje foi anunciada a redução de um imposto:

Vejamos sucintamente o que é um imposto.

Um imposto é a contribuição proporcional de cada cidadão para as despesas do Estado.

No antigo regime, quando o Estado era o soberano (rei ou não) o súbdito pagava segundo a vontade do soberano e a sociedade presumia que tudo era pertença do senhor. Aí, o imposto era a reposição do trabalho do servo exercido em terras e bens do senhor. O excedente, aquilo que o povo guardava, era para sua subsistência e era encarado como uma dádiva da generosidade do senhor.

Após a Revolução Francesa o papel do Estado transformou-se. O Estado passou a ser o detentor do poder que o povo delegava nele, tornando-se o responsável pela aplicação das leis e o administrador encarregado de pagar pela manutenção do bem-estar da comunidade. O imposto, passou a ser a contribuição a pagar pela Liberdade e pelos serviços prestados pelo Estado ou, segundo Proudhome: “Todo o imposto é uma troca.”

O Estado restitui em serviços à comunidade tudo o que da comunidade recebe em impostos.

Apesar da contribuição ser proporcional aos rendimentos de cada um, a prestação dos serviços, num Estado Social não o é. Assim, aqueles que mais podem contribuir devem fazê-lo embora no entanto tenham direito apenas ao mesmo que os que podem contribuir em menor quantidade.

O que é que isto tem que ver com a diminuição do IVA decretada ontem pelo primeiro-ministro? Tem tudo!

Ao anunciar esta “benesse” mais parecia estar a conceder aos portugueses um favor especial em vez daquilo que eles conquistaram de pleno direito ao pagarem mais impostos e ao obterem em troca menos serviços e de pior qualidade que anteriormente.

O Estado não emagreceu, não gasta menos consigo próprio, não se racionalizou, não se tornou mais funcional nem mais efectivo no seu funcionamento. Por outro lado, a saúde piorou, o ensinou, denegriu-se e deteriorou-se, a qualidade de vida piorou e os cidadãos vivem pior embora paguem mais.

“Quando os povos não gozam das vantagens que o imposto deve proporcionar-lhes. Quando o sacrifício a que se submetem não é contrabalançado por vantagens supervenientes, dá-se a iniquidade. Se a importância do tributo lhes não ministra beneficio que tenha o valor do tributo, comete-se UM ROUBO!”

J.B. Say

quarta-feira, março 26, 2008

Coisas da meia noite!













-Hoje em dia parece que ninguém serve para nada.
-Pedem-nos que sejamos mais sensíveis, menos individualistas, mais compreensivos, menos oportunistas, mais competitivos, menos fechados, mais sentimentais, menos machistas, mais liberais, menos conservadores, mais naturais, menos exigentes, mais colaborantes, menos independentes, mais sinceros, menos emotivos, mais práticos, menos lamechas, mais companheiros, menos “frios”, mais “cool”, mais interessados, menos demonstrativos.
-Pedem-nos enfim, em todas as alturas, lugares, situações, ocasiões e relações que mudemos, que melhoremos, que alteremos aquilo que somos. Que digamos toda a verdade ou que omitamos a verdade que choca e ofende. Que sejamos humanamente honestos e politicamente correctos. Simultaneamente mais poéticos e mais terra-a-terra.
-

- Por mim, já não mudo mais! Mudar, seria desistir de mim; quando já desisti de vícios, hábitos, atitudes factos e pensamentos. Desisti de opiniões, de carreiras, amizades falsas mas oportunas em nome da honestidade que sempre me prejudicou mas de que não desisto; ou de uma certa forma de honestidade de que também não desisto. Desisti de verdades por covardia e conforto. Desisti de agradar, de contrariar mas não desisti de provocar nem desistirei.
- O resto, são desabafos como este: inconsequentes, desabridos, incompreensíveis e como este sem qualquer razão aparente.

“Os seres humanos castigam-se de tal modo bem uns aos outros que Deus (se entendido como Deus que pune e castiga) poderia reformar-se e gozar o prazer de não ter que nos ouvir a pedir o perdão que já nos concedeu mas que tememos não ter ainda daqueles que mais amamos! E que talvez não mereçamos nunca!”

Yur Adelev



Apeteceu-me é TUDO!

segunda-feira, março 24, 2008

Casamento e Fisco






















CASAMENTO DE FISCO



-A notícia de hoje (salvo algo ainda mais ridículo) é que a Direcção Geral de Contribuições e Impostos (DGCI) está a enviar aos recém-casados inquéritos nos quais eles, ao abrigo da obrigação de informação, devem prestar esclarecimentos acerca da celebração da boda. -Aparentemente, no distrito de Viseu, os nubentes (vulgo: noivos) são ameaçados com o pagamento de uma elevada quantia caso não respondam ao tal inquérito que a determinado passo entra mesmo na esfera da reserva pessoal dos inquiridos ao perguntar: "quem ofereceu o vestido de noiva" e quanto terá este custado. Pode tratar-se de “excesso de zelo” como já afirmou o Secretario de Estado da Área em causa mas não deixa de ser ridículo, imbecil e disparatado por parte do ou dos responsáveis. Mas não é só. Noutra das questões é perguntado além de onde, por quanto e quando foi realizado o “copo-de-água” se na ocasião, no mesmo local, decorria outro e de quem. Isto mais não é do que promover o “queixismo”, a delação e a arte de “bufar”.

-Urge então perguntar o que fazem os senhores da Inspecção-geral de Impostos. Verificam, investigam, inspeccionam? Não! Sentam os seus redondos traseiros nas suas cadeiras de gabinete, a ler os inquéritos na esperança de que existam recém-casados que façam o trabalho que é deles.

-Ignoro quem foi o responsável por mais esta disparatada atitude, mas há-de com certeza existir um responsável, que como sempre, passará despercebido e incólume ás consequências dos seus actos, cometidos na esperança de agradar superiormente ou quem sabe cometidos por ordem de um superior.

- Já que não há bom-senso que exista pelo menos algum juízo e decência por parte de quem nos devia governar.

quinta-feira, março 20, 2008

segunda-feira, março 17, 2008

Raças de cães perigosos














-O tipo de medidas como a apontada pelo actual ministro da agricultura, tende a irritar-me profundamente.

-A actual legislação em vigor é suficiente sem ser radical ou desumana, apenas bastaria para que resultasse que fosse cumprida e não o é! Diariamente, assistimos a transacções de animais desprovidos de qualquer registo ou licença em locais públicos e em casas que não são fiscalizadas. Todos os dias nos cruzamos com cães que sendo legalmente obrigados a usar açaime o não usam; que são passeados (quando muito) à trela por crianças (ou pouco mais) que não demonstram qualquer capacidade de os controlar numa hipotética situação limite como por exemplo um caso de pânico do animal.

-Tudo isto se passa “às claras”, muitas vezes sob o olhar da PSP ou GNR que passam a pé ou de carro sem nunca intervir para solicitar a documentação e/ou aplicar as coimas e penas previstas. São estas autoridades, as mesmíssimas que se chamadas a um local onde um cão de “raça perigosa” se encontra sem dono ou em plena liberdade, não comparecem atempadamente ou não comparecem sequer e a culpa não é sua mas de quem os dirige.

NÃO existem raças perigosas de cães!

-Aquilo que existe são donos incompetentes, maldosos e ignorantes por um lado e por outro, total ausência de fiscalização e inoperância por parte das autoridades que voluntariamente ignoram a existência da lei vigente.

-Castrar cães cujos donos são incapazes, incompetentes, desleixados e ignorantes de tudo o que significa “possuir” um cão, não é a melhor solução e não chega sequer a ser solução. Possuir um qualquer animal significa antes de mais afecto e conhecimento. Um qualquer dono deve possuir todo o conhecimento necessário acerca da raça do seu animal, das suas características físicas e comportamentais, das suas necessidades específicas e deve aprender a lidar com elas e com o animal propriamente dito.

-Os cães, são actualmente o produto de uma evolução demorada e apurada. Foram sendo seleccionados ao longo de milénios pelas suas aptidões especiais para esta ou aquela função de auxílio ao homem e criados com esse preciso objectivo. Tal como não passaria pela cabeça do mais idiota dos seres humanos possuir um cão para lavrar a terra ou um boi para guardar a casa também os canídeos devem ser usados para aquilo que são as suas aptidões naturais: guarda, companhia e trabalho. Isto não significa que não se trate de um animal extremamente adaptável mas nesse caso é, não apenas necessário mas exigível, que se entenda que se trata de uma adaptação e não de um facto ou função natural.

-Se para ser “dono” de um cão de companhia, grande parte dos seres humanos se encontra preparada, já para um cão de trabalho ou de guarda não se passa o mesmo. Ainda assim, no caso dos cães de companhia ou de luxo, conheço casos em que é o animal o verdadeiro dono casa, muitas vezes tiranizando os donos à sua vontade e chegando ao ponto de morder as visitas e até mesmo os donos, o que constitui um comportamento intolerável mas totalmente imputável aos “familiares” e não ao próprio cão.

-Os cães, ao contrário do que se tende a pensar, são animais de extrema sensibilidade psíquica e com enorme necessidade de afecto; são extremamente gregários e excelentes respeitadores das regras do seu grupo social. A questão que se coloca é que não as adquirem por si só, estas devem ser-lhes ensinadas e inculcado o respeito por elas. Se os observarmos em liberdade, é fácil constatar que isso acontece desde muito cedo por parte das mães e dos líderes da matilha ou alcateia.

Algumas regras de ouro para o possuidor de um qualquer cão :

“Quanto maior o animal, maior é a sua necessidade de espaço aberto e de exercício físico”.

“Nenhum cão nasce ensinado a respeitar membros exteriores ao seu grupo social. A sociabilização É ESSENCIAL!”

“A disciplina e o ensino obtêm-se com paciência e recompensa. Jamais com castigos!”

“Escolha o cão adequado ao espaço de que dispõe, à sua própria personalidade, à função que pretende que ele desempenhe e à sua disponibilidade!”

“Um cão como qualquer animal, NÃO É um brinquedo. Não deve ser exclusivamente educado por uma criança!”

“Um cão pode ser “o melhor amigo do homem” mas pode tornar-se um perigo e isto apenas acontece por culpa do próprio homem: por insensatez, desconhecimento, maldade ou incúria!”

“Se não sabe educar um cão não o tenha! É melhor para si, para o animal e para todos nós. Compre um pelhuche!”

segunda-feira, março 10, 2008

Portugal Sempre em Festa













-Vivemos em constante ambiente festivo. Esta é uma das manias, tiques e modernices mais idiotas que me são dadas a observar. Todas as semanas, assistimos a celebrações de dias mundiais, europeus e nacionais; Existe um dia para cada causa, para cada tema, para cada ideal, para cada organização, cada profissão, sexo, arte, actividade, meio de transporte, grau de parentesco, animal, vegetal ou fenómeno meteorológico. Celebram-se aniversários de carreira, de nascimento, de estreias e de falecimentos. Celebra-se hoje o aniversário do nascimento de um poeta, amanhã o da publicação sua primeira obra, depois o da atribuição de um prémio ao poeta, na semana seguinte o da sua maior publicação e um mês após o primeiro, celebra-se o aniversário do seu falecimento.

-Existem galas, shows, exposições, espectáculos comemorativos, conferências, inaugurações, casas museu, fundações, sessões solenes, transladações, evocações, estátuas, bustos, placas e primeiras e únicas pedras.

-Exultam-se carreiras de cantadores de fado, de “cançoneteiros”, de “pintadores”, fazedores de fitas, “futeboleiros”, escrevedores de jornais ou livrécos. Todos apresentados como sendo “sem pecado”, todos personalidades exemplares apenas dotados de virtudes. Todos beneméritos e impolutos. Todos, exemplos de cultura e humanismo, de portugalidade vigente e dominante. Todos pouco (muito pouco) mais do que apenas servidores do próprio Ego, da sua carteira e dos seus próprios amigos e comparsas no “crime”. Quando ainda vivos, são exultados em debates e entrevistas onde se pronunciam sem razão aparente nem conhecimento suficiente. Falam, opinam, contestam e criticam temas que nem sequer conhecem e muito menos ainda dominam mas pronunciam-se e opinam.

-Também se celebram monumentos (alguns absolutamente “monos” e nada monumentais). Celebram-se 5 anos de um programa televisivo idiota, dez anos de dissolução de um grupo de rock (e os 11 com a sua “reunião”). Celebra-se a milésima edição de um programa de opinião, os 8000 visitantes de um blog, catorze anos de um canal, cinco anos de uma empresa, quatro meses de uma relação e cinco meses de vida.

domingo, março 09, 2008

Santos Silva










-O governo anda nervoso. Os ministros andam nervosos.
-Se por um lado já nos habituámos aos disparates do ministro da Economia, às patranhas do ministro das Finanças, à agressividade do ministro da Agricultura, à precipitação do ministro dos Negócios Estrangeiros, ao incoerente “francês” do ministro das Obras Públicas; Eis agora a má têmpera do ministro dos Assuntos Parlamentares Augusto Santos Silva. O homem zangou-se, aborreceu-se seriamente e apontou o dedo aos manifestantes que lhe chamavam “mentiroso e fascista”. Chamou-lhes primeiro comunistas e devolveu-lhes o epíteto de fascistas que “ele” sim… é que era um combatente pela liberdade.

-À parte da óbvia e preocupante contradição das suas palavras, surpreendeu-me o facto de que não se tivesse ofendido mais por lhe terem chamado mentiroso do que o que se ofendeu com o apelidar de fascista. Fiquei convicto de existe, pelo menos um ministro neste governo, que tem profunda consciência daquilo que é ele próprio e do que é o governo no seu todo.

-Ainda pensei que iria vê-lo ontem, de dedo em riste, ar contristado e ofendido a apontar aos cem mil professores (*) que se manifestaram em Lisboa, o facto de serem todos eles Comuno-fascistas ou Fachólo-comunistas.

(*) Disseram-me hoje, que mil professores de Aveiro e outros tantos de Viana do Castelo foram aparentemente impedidos, por quilo que parece ter sido um “excesso de zelo policial”, de prosseguirem a viagem até Lisboa e que não terão sido casos únicos.

quinta-feira, março 06, 2008

DISPARATES PÚBLICOS

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- “Ele” está aí desde o princípio do mundo. Talvez até seja mais velho do que a mais velha profissão do mundo. Tem sido acarinhado pelos maus políticos, pelos burocratas de carreira, pelos barbeiros, donos de tascos e cafés de aldeia, por alguns blogs e por alguns jornais, rádios e programas de televisão.
-Falo, é fácil de ver, do “disparate público”. Com certeza que já na pré-historia existia e que era aquele que teimava que o fogo e a roda não passavam de disparates inúteis.

-Regra geral distingue-se de todos os outros, por ser aquele que tem sempre uma opinião acerca de tudo: “Eu bem avisei César, que o Coliseu devia ter sido construído na outra ponta de Roma. Agora vou ser comido por leões constipados.”

-O “disparate público” acredita em tudo o que é disparatado e não coloca qualquer objecção a repetir uma asneira que tenha ouvido, mesmo que não faça ideia do que está a falar: “Olha este!? A terra é que o centro, toda a gente sabe isso. O Galileu é mas é maluco!”.

-Outra característica sua é o facto de ser invejoso até à saciedade da estupidez: “Mozart? Ora essa… um garotelho que apenas faz ruídos com os instrumentos. A música antigamente é que era boa!”

-Como aconteceu com muitas coisas boas também o “disparate público” foi afectado e transformado pelas novas tecnologias. Actualmente, não é necessário deslocar-se de taberna em taberna ou de casa em casa das comadres, para espalhar a sua sanha virulenta. Existem mil e um programas em que o mais básico e simplório dos “disparates públicos”, pode ser transmitido e ampliado sob a capa de “opinião”. Mil escrevinhadores de colunas assinadas que não sabendo nada acerca daquilo que escrevem, ainda assim o fazem sem que se distingam das “cartas dos leitores” excepto pelo facto de serem bem pagos.

-Quem não ouviu já afirmações como as que se seguem?


- Os professores só trabalham cinco horas por dia, ganham uma fortuna, têm dois meses e meio de férias e não querem ser avaliados!

- Os funcionários públicos, não fazem nada, ganham bem, têm emprego certo e baixa quando querem.

- Os juízes têm dois meses de férias e só trabalham quando querem. É só vê-los a adiar os julgamentos. Uma balda.

- Os portugueses não querem é trabalhar; Os emigrantes são todos mafiosos; Os políticos são todos corruptos; Os sindicalistas são todos comunistas; Os taxistas, todos uns …

Dedicado com todo o respeito e carinho a quem defende a voz do dono “actual dono” pelo menos.

Vital Moreira - Terça-feira no “PÚBLICO”

José Miguel Júdice – Afirmações algures num canal noticioso da televisão por cabo.

segunda-feira, março 03, 2008

Manuel Pinho - Sapatos Italianos























Podia acrescentar um comentário mas para quê?

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Prós e Contras - Educação (25 Fev. 2008)












-O debate foi fraco em termos de conteúdo, de orientação e de satisfação da razão de qualquer das partes.
-Mal moderado, quase diria tendenciosamente mal moderado. Recordo a exigência, duas vezes feita pela apresentadora /“moderadora” aos “Educadores” de que não batessem palmas enquanto duas vezes, depois dessa exigência, a autêntica claque da ministra e que me pareceu organizada pelo secretário de estado, desabridamente aplaudia frases inacabadas.
- A mesma “moderadora”, deixou que o debate caísse num discurso técnico que em nada contribuiu para o esclarecimento de ninguém e que serviu sobretudo os objectivos ministeriais ao permitir de novo, o uso e abuso das estatísticas que o próprio ministério produz sem que nunca revele o modo como as produz e que não traduzem absolutamente em nada a realidade actual do ensino.

-Do debate tirei duas conclusões essenciais. Uma refere-se aos professores e a outra à ministra da Educação.

-A primeira, foi que os professores se encontram realmente preocupados com a situação do ensino e não apenas com a sua situação profissional. No entanto não se encontram, (na sua grande maioria) preparados para debates como este. Não possuem o traquejo político, o à-vontade frente às câmaras e demasiadas vezes se deixam dispersar ao querer abarcar demasiados assuntos numa única intervenção, o que leva a “moderadora” a retirar-lhes a palavra. Por outro lado falam muito mais com o coração e quase sempre “pessoalizam” o discurso o que lhes retira eficácia à argumentação. Afinal a sua profissão é ensinar e não debater.

-Por seu lado, a ministra notoriamente teve aulas. Isso tornou-se tanto mais evidente para quem desde o início da sua actividade ministerial a tem acompanhado via TV. A sua imagem foi expurgada de marcas negativas como os seus anteriores óculos mais pesados ou o hábito de não se apresentar com eles; Agora mostra um aspecto mais cuidado, melhor combinação de peças de vestuário, penteado mais elaborado, sobrancelhas aparadas em arco que lhe intensificam o olhar, outrora mortiço e maquilhagem em que sobressai o batôn vermelho que anteriormente se lhe não via.
-Mas não foi apenas isso. É evidente que os gestos e poses são agora estudados e trabalhados: a postura corporal é mais erecta e o posicionamento das mãos varia consoante fala ou escuta. Até o “esganiçar” de voz que a caracterizava já não está lá. O que ainda lá está é o hábito de derivar de assuntos inconvenientes para a bendita afirmação peremptória apoiada por números. O abuso do argumento da necessidade de provas físicas para que os seus oponentes sustentem meras opiniões e sua tão própria técnica de “Calimero”.