
-O tipo de medidas como a apontada pelo actual ministro da agricultura, tende a irritar-me profundamente.
-A actual legislação em vigor é suficiente sem ser radical ou desumana, apenas bastaria para que resultasse que fosse cumprida e não o é! Diariamente, assistimos a transacções de animais desprovidos de qualquer registo ou licença em locais públicos e em casas que não são fiscalizadas. Todos os dias nos cruzamos com cães que sendo legalmente obrigados a usar açaime o não usam; que são passeados (quando muito) à trela por crianças (ou pouco mais) que não demonstram qualquer capacidade de os controlar numa hipotética situação limite como por exemplo um caso de pânico do animal.
-Tudo isto se passa “às claras”, muitas vezes sob o olhar da PSP ou GNR que passam a pé ou de carro sem nunca intervir para solicitar a documentação e/ou aplicar as coimas e penas previstas. São estas autoridades, as mesmíssimas que se chamadas a um local onde um cão de “raça perigosa” se encontra sem dono ou em plena liberdade, não comparecem atempadamente ou não comparecem sequer e a culpa não é sua mas de quem os dirige.
NÃO existem raças perigosas de cães!
-Aquilo que existe são donos incompetentes, maldosos e ignorantes por um lado e por outro, total ausência de fiscalização e inoperância por parte das autoridades que voluntariamente ignoram a existência da lei vigente.
-Castrar cães cujos donos são incapazes, incompetentes, desleixados e ignorantes de tudo o que significa “possuir” um cão, não é a melhor solução e não chega sequer a ser solução. Possuir um qualquer animal significa antes de mais afecto e conhecimento. Um qualquer dono deve possuir todo o conhecimento necessário acerca da raça do seu animal, das suas características físicas e comportamentais, das suas necessidades específicas e deve aprender a lidar com elas e com o animal propriamente dito.
-Os cães, são actualmente o produto de uma evolução demorada e apurada. Foram sendo seleccionados ao longo de milénios pelas suas aptidões especiais para esta ou aquela função de auxílio ao homem e criados com esse preciso objectivo. Tal como não passaria pela cabeça do mais idiota dos seres humanos possuir um cão para lavrar a terra ou um boi para guardar a casa também os canídeos devem ser usados para aquilo que são as suas aptidões naturais: guarda, companhia e trabalho. Isto não significa que não se trate de um animal extremamente adaptável mas nesse caso é, não apenas necessário mas exigível, que se entenda que se trata de uma adaptação e não de um facto ou função natural.
-Se para ser “dono” de um cão de companhia, grande parte dos seres humanos se encontra preparada, já para um cão de trabalho ou de guarda não se passa o mesmo. Ainda assim, no caso dos cães de companhia ou de luxo, conheço casos em que é o animal o verdadeiro dono casa, muitas vezes tiranizando os donos à sua vontade e chegando ao ponto de morder as visitas e até mesmo os donos, o que constitui um comportamento intolerável mas totalmente imputável aos “familiares” e não ao próprio cão.
-Os cães, ao contrário do que se tende a pensar, são animais de extrema sensibilidade psíquica e com enorme necessidade de afecto; são extremamente gregários e excelentes respeitadores das regras do seu grupo social. A questão que se coloca é que não as adquirem por si só, estas devem ser-lhes ensinadas e inculcado o respeito por elas. Se os observarmos em liberdade, é fácil constatar que isso acontece desde muito cedo por parte das mães e dos líderes da matilha ou alcateia.
Algumas regras de ouro para o possuidor de um qualquer cão :
“Quanto maior o animal, maior é a sua necessidade de espaço aberto e de exercício físico”.
“Nenhum cão nasce ensinado a respeitar membros exteriores ao seu grupo social. A sociabilização É ESSENCIAL!”
“A disciplina e o ensino obtêm-se com paciência e recompensa. Jamais com castigos!”
“Escolha o cão adequado ao espaço de que dispõe, à sua própria personalidade, à função que pretende que ele desempenhe e à sua disponibilidade!”
“Um cão como qualquer animal, NÃO É um brinquedo. Não deve ser exclusivamente educado por uma criança!”
“Um cão pode ser “o melhor amigo do homem” mas pode tornar-se um perigo e isto apenas acontece por culpa do próprio homem: por insensatez, desconhecimento, maldade ou incúria!”
“Se não sabe educar um cão não o tenha! É melhor para si, para o animal e para todos nós. Compre um pelhuche!”