quinta-feira, março 27, 2008

Redução de IVA












Hoje foi anunciada a redução de um imposto:

Vejamos sucintamente o que é um imposto.

Um imposto é a contribuição proporcional de cada cidadão para as despesas do Estado.

No antigo regime, quando o Estado era o soberano (rei ou não) o súbdito pagava segundo a vontade do soberano e a sociedade presumia que tudo era pertença do senhor. Aí, o imposto era a reposição do trabalho do servo exercido em terras e bens do senhor. O excedente, aquilo que o povo guardava, era para sua subsistência e era encarado como uma dádiva da generosidade do senhor.

Após a Revolução Francesa o papel do Estado transformou-se. O Estado passou a ser o detentor do poder que o povo delegava nele, tornando-se o responsável pela aplicação das leis e o administrador encarregado de pagar pela manutenção do bem-estar da comunidade. O imposto, passou a ser a contribuição a pagar pela Liberdade e pelos serviços prestados pelo Estado ou, segundo Proudhome: “Todo o imposto é uma troca.”

O Estado restitui em serviços à comunidade tudo o que da comunidade recebe em impostos.

Apesar da contribuição ser proporcional aos rendimentos de cada um, a prestação dos serviços, num Estado Social não o é. Assim, aqueles que mais podem contribuir devem fazê-lo embora no entanto tenham direito apenas ao mesmo que os que podem contribuir em menor quantidade.

O que é que isto tem que ver com a diminuição do IVA decretada ontem pelo primeiro-ministro? Tem tudo!

Ao anunciar esta “benesse” mais parecia estar a conceder aos portugueses um favor especial em vez daquilo que eles conquistaram de pleno direito ao pagarem mais impostos e ao obterem em troca menos serviços e de pior qualidade que anteriormente.

O Estado não emagreceu, não gasta menos consigo próprio, não se racionalizou, não se tornou mais funcional nem mais efectivo no seu funcionamento. Por outro lado, a saúde piorou, o ensinou, denegriu-se e deteriorou-se, a qualidade de vida piorou e os cidadãos vivem pior embora paguem mais.

“Quando os povos não gozam das vantagens que o imposto deve proporcionar-lhes. Quando o sacrifício a que se submetem não é contrabalançado por vantagens supervenientes, dá-se a iniquidade. Se a importância do tributo lhes não ministra beneficio que tenha o valor do tributo, comete-se UM ROUBO!”

J.B. Say

quarta-feira, março 26, 2008

Coisas da meia noite!













-Hoje em dia parece que ninguém serve para nada.
-Pedem-nos que sejamos mais sensíveis, menos individualistas, mais compreensivos, menos oportunistas, mais competitivos, menos fechados, mais sentimentais, menos machistas, mais liberais, menos conservadores, mais naturais, menos exigentes, mais colaborantes, menos independentes, mais sinceros, menos emotivos, mais práticos, menos lamechas, mais companheiros, menos “frios”, mais “cool”, mais interessados, menos demonstrativos.
-Pedem-nos enfim, em todas as alturas, lugares, situações, ocasiões e relações que mudemos, que melhoremos, que alteremos aquilo que somos. Que digamos toda a verdade ou que omitamos a verdade que choca e ofende. Que sejamos humanamente honestos e politicamente correctos. Simultaneamente mais poéticos e mais terra-a-terra.
-

- Por mim, já não mudo mais! Mudar, seria desistir de mim; quando já desisti de vícios, hábitos, atitudes factos e pensamentos. Desisti de opiniões, de carreiras, amizades falsas mas oportunas em nome da honestidade que sempre me prejudicou mas de que não desisto; ou de uma certa forma de honestidade de que também não desisto. Desisti de verdades por covardia e conforto. Desisti de agradar, de contrariar mas não desisti de provocar nem desistirei.
- O resto, são desabafos como este: inconsequentes, desabridos, incompreensíveis e como este sem qualquer razão aparente.

“Os seres humanos castigam-se de tal modo bem uns aos outros que Deus (se entendido como Deus que pune e castiga) poderia reformar-se e gozar o prazer de não ter que nos ouvir a pedir o perdão que já nos concedeu mas que tememos não ter ainda daqueles que mais amamos! E que talvez não mereçamos nunca!”

Yur Adelev



Apeteceu-me é TUDO!

segunda-feira, março 24, 2008

Casamento e Fisco






















CASAMENTO DE FISCO



-A notícia de hoje (salvo algo ainda mais ridículo) é que a Direcção Geral de Contribuições e Impostos (DGCI) está a enviar aos recém-casados inquéritos nos quais eles, ao abrigo da obrigação de informação, devem prestar esclarecimentos acerca da celebração da boda. -Aparentemente, no distrito de Viseu, os nubentes (vulgo: noivos) são ameaçados com o pagamento de uma elevada quantia caso não respondam ao tal inquérito que a determinado passo entra mesmo na esfera da reserva pessoal dos inquiridos ao perguntar: "quem ofereceu o vestido de noiva" e quanto terá este custado. Pode tratar-se de “excesso de zelo” como já afirmou o Secretario de Estado da Área em causa mas não deixa de ser ridículo, imbecil e disparatado por parte do ou dos responsáveis. Mas não é só. Noutra das questões é perguntado além de onde, por quanto e quando foi realizado o “copo-de-água” se na ocasião, no mesmo local, decorria outro e de quem. Isto mais não é do que promover o “queixismo”, a delação e a arte de “bufar”.

-Urge então perguntar o que fazem os senhores da Inspecção-geral de Impostos. Verificam, investigam, inspeccionam? Não! Sentam os seus redondos traseiros nas suas cadeiras de gabinete, a ler os inquéritos na esperança de que existam recém-casados que façam o trabalho que é deles.

-Ignoro quem foi o responsável por mais esta disparatada atitude, mas há-de com certeza existir um responsável, que como sempre, passará despercebido e incólume ás consequências dos seus actos, cometidos na esperança de agradar superiormente ou quem sabe cometidos por ordem de um superior.

- Já que não há bom-senso que exista pelo menos algum juízo e decência por parte de quem nos devia governar.

quinta-feira, março 20, 2008

segunda-feira, março 17, 2008

Raças de cães perigosos














-O tipo de medidas como a apontada pelo actual ministro da agricultura, tende a irritar-me profundamente.

-A actual legislação em vigor é suficiente sem ser radical ou desumana, apenas bastaria para que resultasse que fosse cumprida e não o é! Diariamente, assistimos a transacções de animais desprovidos de qualquer registo ou licença em locais públicos e em casas que não são fiscalizadas. Todos os dias nos cruzamos com cães que sendo legalmente obrigados a usar açaime o não usam; que são passeados (quando muito) à trela por crianças (ou pouco mais) que não demonstram qualquer capacidade de os controlar numa hipotética situação limite como por exemplo um caso de pânico do animal.

-Tudo isto se passa “às claras”, muitas vezes sob o olhar da PSP ou GNR que passam a pé ou de carro sem nunca intervir para solicitar a documentação e/ou aplicar as coimas e penas previstas. São estas autoridades, as mesmíssimas que se chamadas a um local onde um cão de “raça perigosa” se encontra sem dono ou em plena liberdade, não comparecem atempadamente ou não comparecem sequer e a culpa não é sua mas de quem os dirige.

NÃO existem raças perigosas de cães!

-Aquilo que existe são donos incompetentes, maldosos e ignorantes por um lado e por outro, total ausência de fiscalização e inoperância por parte das autoridades que voluntariamente ignoram a existência da lei vigente.

-Castrar cães cujos donos são incapazes, incompetentes, desleixados e ignorantes de tudo o que significa “possuir” um cão, não é a melhor solução e não chega sequer a ser solução. Possuir um qualquer animal significa antes de mais afecto e conhecimento. Um qualquer dono deve possuir todo o conhecimento necessário acerca da raça do seu animal, das suas características físicas e comportamentais, das suas necessidades específicas e deve aprender a lidar com elas e com o animal propriamente dito.

-Os cães, são actualmente o produto de uma evolução demorada e apurada. Foram sendo seleccionados ao longo de milénios pelas suas aptidões especiais para esta ou aquela função de auxílio ao homem e criados com esse preciso objectivo. Tal como não passaria pela cabeça do mais idiota dos seres humanos possuir um cão para lavrar a terra ou um boi para guardar a casa também os canídeos devem ser usados para aquilo que são as suas aptidões naturais: guarda, companhia e trabalho. Isto não significa que não se trate de um animal extremamente adaptável mas nesse caso é, não apenas necessário mas exigível, que se entenda que se trata de uma adaptação e não de um facto ou função natural.

-Se para ser “dono” de um cão de companhia, grande parte dos seres humanos se encontra preparada, já para um cão de trabalho ou de guarda não se passa o mesmo. Ainda assim, no caso dos cães de companhia ou de luxo, conheço casos em que é o animal o verdadeiro dono casa, muitas vezes tiranizando os donos à sua vontade e chegando ao ponto de morder as visitas e até mesmo os donos, o que constitui um comportamento intolerável mas totalmente imputável aos “familiares” e não ao próprio cão.

-Os cães, ao contrário do que se tende a pensar, são animais de extrema sensibilidade psíquica e com enorme necessidade de afecto; são extremamente gregários e excelentes respeitadores das regras do seu grupo social. A questão que se coloca é que não as adquirem por si só, estas devem ser-lhes ensinadas e inculcado o respeito por elas. Se os observarmos em liberdade, é fácil constatar que isso acontece desde muito cedo por parte das mães e dos líderes da matilha ou alcateia.

Algumas regras de ouro para o possuidor de um qualquer cão :

“Quanto maior o animal, maior é a sua necessidade de espaço aberto e de exercício físico”.

“Nenhum cão nasce ensinado a respeitar membros exteriores ao seu grupo social. A sociabilização É ESSENCIAL!”

“A disciplina e o ensino obtêm-se com paciência e recompensa. Jamais com castigos!”

“Escolha o cão adequado ao espaço de que dispõe, à sua própria personalidade, à função que pretende que ele desempenhe e à sua disponibilidade!”

“Um cão como qualquer animal, NÃO É um brinquedo. Não deve ser exclusivamente educado por uma criança!”

“Um cão pode ser “o melhor amigo do homem” mas pode tornar-se um perigo e isto apenas acontece por culpa do próprio homem: por insensatez, desconhecimento, maldade ou incúria!”

“Se não sabe educar um cão não o tenha! É melhor para si, para o animal e para todos nós. Compre um pelhuche!”

segunda-feira, março 10, 2008

Portugal Sempre em Festa













-Vivemos em constante ambiente festivo. Esta é uma das manias, tiques e modernices mais idiotas que me são dadas a observar. Todas as semanas, assistimos a celebrações de dias mundiais, europeus e nacionais; Existe um dia para cada causa, para cada tema, para cada ideal, para cada organização, cada profissão, sexo, arte, actividade, meio de transporte, grau de parentesco, animal, vegetal ou fenómeno meteorológico. Celebram-se aniversários de carreira, de nascimento, de estreias e de falecimentos. Celebra-se hoje o aniversário do nascimento de um poeta, amanhã o da publicação sua primeira obra, depois o da atribuição de um prémio ao poeta, na semana seguinte o da sua maior publicação e um mês após o primeiro, celebra-se o aniversário do seu falecimento.

-Existem galas, shows, exposições, espectáculos comemorativos, conferências, inaugurações, casas museu, fundações, sessões solenes, transladações, evocações, estátuas, bustos, placas e primeiras e únicas pedras.

-Exultam-se carreiras de cantadores de fado, de “cançoneteiros”, de “pintadores”, fazedores de fitas, “futeboleiros”, escrevedores de jornais ou livrécos. Todos apresentados como sendo “sem pecado”, todos personalidades exemplares apenas dotados de virtudes. Todos beneméritos e impolutos. Todos, exemplos de cultura e humanismo, de portugalidade vigente e dominante. Todos pouco (muito pouco) mais do que apenas servidores do próprio Ego, da sua carteira e dos seus próprios amigos e comparsas no “crime”. Quando ainda vivos, são exultados em debates e entrevistas onde se pronunciam sem razão aparente nem conhecimento suficiente. Falam, opinam, contestam e criticam temas que nem sequer conhecem e muito menos ainda dominam mas pronunciam-se e opinam.

-Também se celebram monumentos (alguns absolutamente “monos” e nada monumentais). Celebram-se 5 anos de um programa televisivo idiota, dez anos de dissolução de um grupo de rock (e os 11 com a sua “reunião”). Celebra-se a milésima edição de um programa de opinião, os 8000 visitantes de um blog, catorze anos de um canal, cinco anos de uma empresa, quatro meses de uma relação e cinco meses de vida.

domingo, março 09, 2008

Santos Silva










-O governo anda nervoso. Os ministros andam nervosos.
-Se por um lado já nos habituámos aos disparates do ministro da Economia, às patranhas do ministro das Finanças, à agressividade do ministro da Agricultura, à precipitação do ministro dos Negócios Estrangeiros, ao incoerente “francês” do ministro das Obras Públicas; Eis agora a má têmpera do ministro dos Assuntos Parlamentares Augusto Santos Silva. O homem zangou-se, aborreceu-se seriamente e apontou o dedo aos manifestantes que lhe chamavam “mentiroso e fascista”. Chamou-lhes primeiro comunistas e devolveu-lhes o epíteto de fascistas que “ele” sim… é que era um combatente pela liberdade.

-À parte da óbvia e preocupante contradição das suas palavras, surpreendeu-me o facto de que não se tivesse ofendido mais por lhe terem chamado mentiroso do que o que se ofendeu com o apelidar de fascista. Fiquei convicto de existe, pelo menos um ministro neste governo, que tem profunda consciência daquilo que é ele próprio e do que é o governo no seu todo.

-Ainda pensei que iria vê-lo ontem, de dedo em riste, ar contristado e ofendido a apontar aos cem mil professores (*) que se manifestaram em Lisboa, o facto de serem todos eles Comuno-fascistas ou Fachólo-comunistas.

(*) Disseram-me hoje, que mil professores de Aveiro e outros tantos de Viana do Castelo foram aparentemente impedidos, por quilo que parece ter sido um “excesso de zelo policial”, de prosseguirem a viagem até Lisboa e que não terão sido casos únicos.

quinta-feira, março 06, 2008

DISPARATES PÚBLICOS

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- “Ele” está aí desde o princípio do mundo. Talvez até seja mais velho do que a mais velha profissão do mundo. Tem sido acarinhado pelos maus políticos, pelos burocratas de carreira, pelos barbeiros, donos de tascos e cafés de aldeia, por alguns blogs e por alguns jornais, rádios e programas de televisão.
-Falo, é fácil de ver, do “disparate público”. Com certeza que já na pré-historia existia e que era aquele que teimava que o fogo e a roda não passavam de disparates inúteis.

-Regra geral distingue-se de todos os outros, por ser aquele que tem sempre uma opinião acerca de tudo: “Eu bem avisei César, que o Coliseu devia ter sido construído na outra ponta de Roma. Agora vou ser comido por leões constipados.”

-O “disparate público” acredita em tudo o que é disparatado e não coloca qualquer objecção a repetir uma asneira que tenha ouvido, mesmo que não faça ideia do que está a falar: “Olha este!? A terra é que o centro, toda a gente sabe isso. O Galileu é mas é maluco!”.

-Outra característica sua é o facto de ser invejoso até à saciedade da estupidez: “Mozart? Ora essa… um garotelho que apenas faz ruídos com os instrumentos. A música antigamente é que era boa!”

-Como aconteceu com muitas coisas boas também o “disparate público” foi afectado e transformado pelas novas tecnologias. Actualmente, não é necessário deslocar-se de taberna em taberna ou de casa em casa das comadres, para espalhar a sua sanha virulenta. Existem mil e um programas em que o mais básico e simplório dos “disparates públicos”, pode ser transmitido e ampliado sob a capa de “opinião”. Mil escrevinhadores de colunas assinadas que não sabendo nada acerca daquilo que escrevem, ainda assim o fazem sem que se distingam das “cartas dos leitores” excepto pelo facto de serem bem pagos.

-Quem não ouviu já afirmações como as que se seguem?


- Os professores só trabalham cinco horas por dia, ganham uma fortuna, têm dois meses e meio de férias e não querem ser avaliados!

- Os funcionários públicos, não fazem nada, ganham bem, têm emprego certo e baixa quando querem.

- Os juízes têm dois meses de férias e só trabalham quando querem. É só vê-los a adiar os julgamentos. Uma balda.

- Os portugueses não querem é trabalhar; Os emigrantes são todos mafiosos; Os políticos são todos corruptos; Os sindicalistas são todos comunistas; Os taxistas, todos uns …

Dedicado com todo o respeito e carinho a quem defende a voz do dono “actual dono” pelo menos.

Vital Moreira - Terça-feira no “PÚBLICO”

José Miguel Júdice – Afirmações algures num canal noticioso da televisão por cabo.

segunda-feira, março 03, 2008

Manuel Pinho - Sapatos Italianos























Podia acrescentar um comentário mas para quê?

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Prós e Contras - Educação (25 Fev. 2008)












-O debate foi fraco em termos de conteúdo, de orientação e de satisfação da razão de qualquer das partes.
-Mal moderado, quase diria tendenciosamente mal moderado. Recordo a exigência, duas vezes feita pela apresentadora /“moderadora” aos “Educadores” de que não batessem palmas enquanto duas vezes, depois dessa exigência, a autêntica claque da ministra e que me pareceu organizada pelo secretário de estado, desabridamente aplaudia frases inacabadas.
- A mesma “moderadora”, deixou que o debate caísse num discurso técnico que em nada contribuiu para o esclarecimento de ninguém e que serviu sobretudo os objectivos ministeriais ao permitir de novo, o uso e abuso das estatísticas que o próprio ministério produz sem que nunca revele o modo como as produz e que não traduzem absolutamente em nada a realidade actual do ensino.

-Do debate tirei duas conclusões essenciais. Uma refere-se aos professores e a outra à ministra da Educação.

-A primeira, foi que os professores se encontram realmente preocupados com a situação do ensino e não apenas com a sua situação profissional. No entanto não se encontram, (na sua grande maioria) preparados para debates como este. Não possuem o traquejo político, o à-vontade frente às câmaras e demasiadas vezes se deixam dispersar ao querer abarcar demasiados assuntos numa única intervenção, o que leva a “moderadora” a retirar-lhes a palavra. Por outro lado falam muito mais com o coração e quase sempre “pessoalizam” o discurso o que lhes retira eficácia à argumentação. Afinal a sua profissão é ensinar e não debater.

-Por seu lado, a ministra notoriamente teve aulas. Isso tornou-se tanto mais evidente para quem desde o início da sua actividade ministerial a tem acompanhado via TV. A sua imagem foi expurgada de marcas negativas como os seus anteriores óculos mais pesados ou o hábito de não se apresentar com eles; Agora mostra um aspecto mais cuidado, melhor combinação de peças de vestuário, penteado mais elaborado, sobrancelhas aparadas em arco que lhe intensificam o olhar, outrora mortiço e maquilhagem em que sobressai o batôn vermelho que anteriormente se lhe não via.
-Mas não foi apenas isso. É evidente que os gestos e poses são agora estudados e trabalhados: a postura corporal é mais erecta e o posicionamento das mãos varia consoante fala ou escuta. Até o “esganiçar” de voz que a caracterizava já não está lá. O que ainda lá está é o hábito de derivar de assuntos inconvenientes para a bendita afirmação peremptória apoiada por números. O abuso do argumento da necessidade de provas físicas para que os seus oponentes sustentem meras opiniões e sua tão própria técnica de “Calimero”.

domingo, fevereiro 24, 2008

OSCAR












-Estes são apenas alguns dos filmes candidatos ao Oscar/alho, esse tradicional troféu nacional que contempla as “fitas” que por cá se fazem. Deixo-vos aqui um pequeno resumo da acção encerrada em cada um deles.-A atribuição dos galardões decorrerá no final do ano fiscal e só então saberemos quem serão os vencedores de cada classe e da falta de classe

-Isto apenas no caso de alguma classe social conseguir sobreviver.

Melhor Fita:


“Este país não é para velhos”

- Uma aventurosa tragédia diária em podemos assistir às andanças e desventuras de um casal de idosos que para além de tentarem não morrer à fome por culpa das ridículas pensões de reforma que recebem, ainda são agraciados com o encerramento do Serviço de Urgência mais próximo, tendo agora que percorrer cinquenta quilómetros em caso de emergência.


“Uma questão de Consciência”

-Uma excelente comédia em que um primeiro-ministro alardeia aos quatro ventos, promessas que não cumpre e aparece na televisão a vangloriar-se de progressos que não existem mas que teima em afirmar.
-No final, revela-se que o título é um “anti-título”, já que acabamos por ficar a saber que não se tratava de uma questão de consciência mas sim de uma mera questão de ambição politica e satisfação do próprio ego.



“There Will be Blood

-Um thriller acerca de uma viagem Norte-Sul pelas estradas portuguesas na qual uma família se vê obrigada a constantes aventuras para conseguir escapar à morte.
-Com uma sucessão cuidada de episódios bem construídos, como a célebre cena do camionista que adormece e a quem a GNR não pode controlar o tacógrafo digital por falta da tecnologia para o efeito, trata-se de um verdadeiro épico interessante e ao mesmo tempo assustador.


“Juno”

-Um filme criado no mês de Juno, rodado no mês de Julo, montado em Aosto e que estreou em Seembro.


“La Vie en Rose”

- Mais uma obra que poderia ter causado enorme polémica. Obra, em que mais uma vez o título contraria toda a acção e até a inacção narrada.
- Trata da história de um país imaginário em que há três anos, o povo pretendia um “vida cor-de-rosa”. Assim, foi levado a votar no partido que se apresentava com essa mesma cor. No entanto, três anos volvidos (talvez pela fraca qualidade dos “troca-tintas”) o “rosa” transforma-se em negro. Toda a realidade se começa a assemelhar ao pesadelo do pintor louco José S. que continua a descrever tudo o que todos vêm a negro, como sendo cor-de-rosa, num acto que já há muito justificaria o seu internamento compulsivo.


“Sweeney Todd”

-Com um argumento original, criado pela Associação de Cabeleireiros, Barbeiros e Similares, esta fita trata da história verídica de uma mulher (que deveria ter sido cabeleireira) a quem foi dado um cargo de ministra da Educação. Chegada ao poder, decide usar esse mesmo poder para cortar a direito em tudo aquilo que vê. Trata-se ao que parece de uma história de vingança quase selvagem e sem outras razões que não sejam as frustrações terríveis que lhe marcaram a juventude dos seus tempos de escola: o facto de ser achincalhada pelos colegas, por pensar que só ela tinha em tudo razão e por ter visto a sua paixão adolescente, rejeitada por todos os seus professores.
-De salientar do filme, a cena essencial, em que apupada e assobiada por alunos de uma Escola, ela responde apupando como resposta e interpreta os assobios como um elogio à sua esbelta e elegante figura. Seria uma cena cómica se não fosse uma cena tão profundamente ridícula.
-O final é tão ambíguo como foi toda a acção e apenas fica ao espectador a certeza de que serão os seus filhos netos e bisnetos quem irá sofrer realmente com o facto de este filme existir.


“Elizabeth: The Golden Age”

- O único filme verdadeiramente biográfico a concurso. Analisa a acção de uma ministra da Cultura cuja acção positiva caberia numa micro-metragem a incluir no género “Filme-Catástrofe”, agora muito em voga.


“Vista pela última vez”

-Passado no Algarve trata do infeliz e triste desaparecimento de uma criança inglesa.


“O Assassínio de uma Polícia pelo covarde Director Nacional”

-Um homem tido p+or responsável e calado, abriu um dia a boca e disse o que nunca deveria ter dito sem sofrer quaisquer consequências.



“I’M Not There”

-A verdadeira história de muitos responsáveis políticos que a exemplo de um ministro do Ambiente, passaram (sempre que havia uma crise qualquer) a afirmar: “ A responsabilidade não é minha nem do governo” e mais tarde “ Eu não estou lá!”.
-Um verdadeiro “músico” este “serzinho”.



“Jogos de Poder”

-Um especialista em coisa nenhuma, acabado de atravessar o deserto, é nomeado para um Banco do Estado onde ganha dinheiro muito acima do seu real nível de competência. Não contente, consegue dar um verdadeiro “salto à Vara” para o maior Banco Privado, onde exerce funções apenas com base nas suas ligações ao poder político vigente.
-Uma história vulgar mas absolutamente trágica para um qualquer país com dignidade.


“No Vale de Elah”

-Num vale perdido nas serranias ou talvez no Alentejo profundo, vivia uma comunidade longínqua onde nunca chegou a ser encerrada qualquer Escola, Maternidade, Centro de Saúde, Estação de Correios, Linha-férrea, ou o que quer que fosse e onde as condições de vida melhoraram nos últimos três anos.
-Em português terá o título: “Vale Feliz”


O Lado Selvagem”

- Um intrigante filme de análise psicológica que reflecte acerca dos sentimentos das pessoas em geral e particularmente acerca de quem se manifesta espontaneamente na rua contra politicas imbecis e cegas, levadas a cabos por incompetentes convencidos e carreiristas do oportunismo.
- De uma profundidade avassaladora, reflecte de modo concreto o receio desta gente pelo seu futuro e pelo futuro dos seus.
-Sem cair no erro de mostrar apenas um dos lados da questão, detém-se também a analisar os pensamentos dos agentes da PSP enviados para identificar cidadãos que permanecem em pé no passeio público.

sábado, fevereiro 23, 2008

Um aluno normal









-O Fábio é um miúdo perfeitamente normal, como são normais todos os miúdos da turma do Fábio, os das outras turmas e todos os miúdos da Escola do Fábio e de todas as outras Escolas deste país. O Fábio é um aluno de aproveitamento mediano na Escola, o que quer dizer que nunca se livra de uma, duas, ou por vezes, até três negativas. Tem amigos e amigas da sua idade, gosta de futebol, de séries da TVI e de meia dúzia de grupos musicais que os pais desconhecem por completo.
-O Fábio gosta de usar sapatilhas e roupa muito larga de marca. Tem um telemóvel com SMS’s ilimitados, um leitor de MP4 e tem um computador em casa. O Fábio tem uma playstation que o tio lhe mandou do Canadá pelo Natal do ano passado. Tem uma bicicleta, uns patins em linha e tem televisão no quarto mas gostava de ter um piercing.

-O Fábio é um aluno, regra geral, perturbador nas aulas, até mesmo algo indisciplinado; A mãe acha-o apenas hiperactivo e o avô diz que ele é apenas um malandrete, tal como também ele era, na mesma idade. O avô dá-lhe vinte euros ao fim-de-semana para o Fábio comprar bolycaos, batatas fritas, pastéis, gomas e refrigerantes. Mas o avô não sabe que o Fábio também compra cigarros que partilha com os amigos nas traseiras da Escola.

-O Fábio, quase nunca faz os trabalhos de casa e apenas estuda na véspera dos testes. O pai, acha que ele é distraído e algo “aéreo”, coisas desta idade. A tia, que por ser educadora de infância, acha que percebe de psicologia, diz que a culpa é da Escola e dos professores que lhe não dão atenção suficiente.
-No primeiro período o Fábio teve sete negativas. O pai foi pela primeira vez à Escola do Fábio e depois de falar com a Directora de turma, colocou o Fábio de castigo uma Sexta-feira e um Sábado inteirinhos, sem Playstation nem computador. Depois, no Domingo de tarde levou-o consigo ao futebol e comprou-lhe uma camisola igual à do seu jogador favorito.

-O Fábio é um miúdo normal. O Fábio não sabe que a capital de Espanha é Madrid, quantas fases tem a Lua, quantos metros tem um quilómetro nem o nome do Presidente da República. Nunca leu um livro sem desenhos. Aliás mal sabe ler, e não sabe fazer contas aos trocos que recebe na confeitaria ou na papelaria.

-O Fábio é um rapaz perfeitamente normal e este ano provavelmente não irá reprovar outra vez.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Entrevista de José Sócrates (2000-02-18)











-Na entrevista de ontem, José Sócrates esteve como de costume, igual a si próprio.
-Impávido, sereno, usando toda a sua experiência televisiva para paulatinamente ir fugindo às questões que o incomodavam visivelmente; Lá foi prosseguindo, numa entrevista que me pareceu vaga e suave e na qual nada se esclareceu acerca de coisa alguma.

-Ensaiou dois ou três números de ilusionismo com as estatísticas do emprego e desemprego mas não foi especialmente feliz.

-Defendeu a sua “dama” acerca da Educação mas não me pareceu ele próprio convencido e viu-se na necessidade de afirmar, três ou quatro vezes, que não queria ser como todos os anteriores primeiros-ministros que nada fizeram acerca da avaliação de professores. Foi este, aliás, o argumento com que pretendendo demonstrar firmeza, mais não fez que recordar-me António Guterres, ao afirmar mil vezes seu apego ao “diálogo” transformado agora em “firmeza”.

-Com os argumentos habituais de optimismo e auto-valorização da acção governativa, J. Sócrates, de novo demonstrou ser “absolutamente cego” às realidades nacionais, “totalmente surdo” ás necessidades e aos anseios dos portugueses e efectivamente ausente da vida dos que o elegeram e dos outros que também lhe escutaram as promessas.

-A entrevista ficou marcada por ter apenas abordado quatro grandes áreas da política governativa e pelo tempo, a meu ver, demasiado limitado. Estes dois factores, a que se juntou a quase total ausência de “contraditório” por parte dos entrevistadores, tornou o que se pretenderia que fosse um momento de jornalismo político em apenas um “tempo de antena” do governo que facilmente se substituiria por uma das antigas “Conversas em família” dos idos do marcelismo.

-Foi uma má prestação de um sofrível primeiro-ministro que lidera um péssimo gabinete.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

INUNDAÇÃO / CHEIAS = METER ÁGUA





















-Desta vez Portugal (ou parte dele) meteu água! -Não, não foi a selecção que empatou ou perdeu com uma equipa de menor valor. Não foi nenhum acordo idiota assinado acerca de pescas ou agricultura, nem um puxão de orelhas por parte da Comissão Europeia por má aplicação de fundos comunitários ou por culpa do eterno déficit público. Não foi sequer a perda do Rally de Portugal, do GP de Formula um ou do “Lisboa Dakar” e nem tão pouco se tratou do mapa-côr-de-rosa em segunda edição revista e aumentada. Mais incrível ainda, não se tratou de uma eleição em que os portugueses se tivessem deixado enganar por um qualquer demagogo, mentiroso, incompetente e pomposo “fazedor de promessas”!

-Não. Portugal meteu água daquela que cai de cima e a que vulgarmente chamamos chuva. Maria Elisa deve ter um qualquer dedo que adivinha, pois ainda há poucos dias ao recordar uma ocasião anterior levantou a questão de como seria se fosse hoje. Dir-me-ão que o fenómeno não é comparável em termos de escala. Não é! Não é comparável mas é sem sombra de dúvida semelhante.

-O nosso país mete água. Mete-a pela costa (litoral) “adentro” e pelo interior “afora”.
-Não existe a menor preocupação em “pensar” um plano de aproveitamento das águas pluviais que não passe pelo desaguar destas em leitos de rios e de ribeiras, conduzindo-as ao desperdício mais inútil e absoluto, para que na época estival se possam lamentar da falta de recursos aquíferos.


Toda a gente “enche a boca” com a impermeabilização de solos e ao mesmo tempo esquece-se que a antiga “calçada portuguesa” era um meio de impedir tal impermeabilização sobretudo nos grandes centros urbanos.

-Mas não me quero adiantar em polémicas nem em questões de ordem técnica.

-Sobretudo:
-Surpreendi-me quando escutei as declarações do actual ministro do “ambiente” rejeitando, liminarmente, qualquer culpa que dos acontecimentos pudesse vir a ser assacada ao governo ou a si próprio.
-Classifico essa atitude como covarde, mal intencionada e como um “lavar de mãos Ponciopilático”. Noutros países, a primeira palavra seria de consternação, conforto e promessa de efectiva análise e revisão (solução) das situações problemáticas. Por cá não; A culpa é das Câmaras Municipais e mais nada.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

S. Valentim - Cupido











O Cupido não passa de um estupor.

Idiota e bêbado, com considerável miopia.

Não entende absolutamente nada de Amor

e tem uma péssima pontaria!

Yur Adelev

-O Cupido, ao contrário do que se pensa, não passa de um tipo balofo e baixinho, na casa dos quarenta, com barriga, "falta de vista" e de penas na asa direita.

-Todos os dias, depois de acordar e enquanto desfaz a barba sob as olheiras, mira-se ao espelho e lamenta a vida que tem levado. Toma duas aspirinas, um Guronsam e recomeça outro dia.

-Há dois séculos que se compromete a beber menos, deixar de fumar e consumir mais vegetais. Mas vai adiando.

-Naquele dia, acordou particularmente enfastiado consigo e com a vida, com os outros todos e particularmente com Júpiter. O pouco tempo que dormiu, dormiu mal. Acordou várias vezes com pesadelos e quando se levantou para ir à casa de banho, tropeçou nos chinelos “de meter no dedo” e bateu com o joelho direito contra o bidé. Disse três ou quatro palavrões, fez o que tinha a fazer e voltou para a cama sem lavar as mãos.

-Como todas as manhãs, relê a a embalagem de flocos ao ponto de já conseguir recitar tudo o que lá está escrito; até as letras pequeninas que só lia com o olho esquerdo aberto e com um esgar no rosto para focar melhor. E quando termina faz sempre a mesma pergunta a si mesmo: “Será que vale a pena comer a embalagem de flocos? Mais sabor a cartão não deve ter do que os próprios flocos…?” Mas nunca se respondera, nem comera a embalagem.

-Como sempre, no final do pequeno-almoço agarrou no jornal diário, roubado ao vizinho da frente e leu os signos em que dizia não acreditar. Mas neste dia, depois de lêr, como era hábito uma vez por semana, por vezes duas… que os nativos do seu signo iriam encontrar a pessoa que tanto idealizavam, atirou com o jornal para um canto. Pensou um pouco e depois dirigiu-se com ar furioso até à janela levando numa das mãos a aljava e na outra o arco. Abriu a janela de par em par e o mais rapidamente que foi capaz, disparou todas as suas setas ao caso. Fechou a janela e já mais calmo ligou a TV, tirou do frigorifico uma cerveja e sentou-se no sofá o resto do dia.

-Eu sei que foi assim! Tenho uma cicatriz de flecha na nádega esquerda e uma dor enorme no coração para o provar.

sábado, fevereiro 09, 2008

Camilo Pessanha - CONVITE












Clube Literário do Porto

Rua Nova da Alfândega, n.º 22

4050-430 Porto

T. 222 089 228

Dia 10 - Domingo

Auditório

Camilo Pessanha: o Poeta ao longe - Comemoração dos 140 anos do seu nascimento (parceria Associação Venceslau de Morais e Clube Literário do Porto)

17:00h

Conversa sobre Camilo Pessanha:

- Ana Paula Laborinho (Comissária da exposição)

- Pedro Barreiros (Comissário da exposição)

- Vale de Figueiredo

- Fernando Guimarães

- António Aresta

- António Leite da Costa

Participação do Grupo de Coros Dramáticos dos Antigos Estudantes de Coimbra no Porto.

Lançamento do livro O essencial sobre Camilo Pessanha de Paulo Franchetti.

Piano-bar

19:00h

Camilo Pessanha: o Poeta ao longe - Comemoração dos 140 anos do seu nascimento

Piano - Yuki Rodrigues

Galeria

16:45h

Inauguração da Exposição - Camilo Pessanha: o Poeta ao longe. Comemoração dos 140 anos do seu nascimento.


(ENTRADA LIVRE)




Pessanha, Camilo de Almeida

(1867 - 1926)

-Natural de Coimbra, era filho ilegítimo de um estudante de Direito aristocrata e de uma mulher, que serviu toda a vida como governanta de seu pai.

-Formou-se em Direito, em 1891 pela Universidade de Coimbra. Ainda que temporariamente, em 1890, fez parte do grupo dos «Nefelibatas», criado no Porto por Raul Brandão, António Nobre e Alberto Oliveira. Partiu para Macau para leccionar Filosofia no liceu. Aí, travou amizade com Venceslau de Moraes e publicou alguns poemas na revista Ave Azul e em jornais de província em 1899. Em 1900, era conservador do Registo Predial da cidade, tendo regressado a Portugal entre 1905 e 1909 e entre 1915 e 1916.

-Oferecia os seus poemas, dizia-os quase sempre de cor e era avesso a publicá-los, embora alguns tenham, ainda assim, aparecido em diversas revistas de então. Muito admirado pela geração de Orpheu, foi pelos seus integrantes frequentemente contactado para que se publicassem os seus poemas, quer na Orpheu, quer na Centauro. Foram no entanto, João de Castro Osório e Ana de Castro Osório que conseguiram a publicação do volume Clepsydra (1920), que reúne poemas de Camilo Pessanha, muitos dos quais ditados de memória pelo poeta.

-Considerado o mais genuíno representante do simbolismo português, notabilizou-se sobretudo pela extrema qualidade rítmica e musical dos seus versos, tal como Verlaine. Meticuloso, rigoroso e sempre extremamente equilibrado, afastava-se do lirismo romântico tradicional, do sentimentalismo e confessionalismo, de muita da poesia portuguesa de então. A sua poesia denota quase sempre uma melancôlia plena de calma e resignação; quase pessimista, como se ao passar do tempo todo o esforço humano fosse inútil. Pleno de vivências ténues, sempre expressas com imagens e símbolologia subtil e passageira e de sensações de ansiedade com alguma nostalgia saudosa (de fundo marcadamente português).

-Viveu, em Macau, os últimos anos da sua vida. Afastado do convívio dos seus principais companheiros de letras, ia repetindo os seus melhores versos "de memória", como gostava de sublinhar.

-Camilo Pessanha, deixou além da obra poética, vários estudos sobre literatura e cultura chinesa, reunidos no volume China (1944), em que inclui também oito elegias chinesas.

DOIS POEMAS

Estátua
 
Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, --- frio escalpelo,
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.
 
Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.
 
E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre o mármore correcto
Desse entreaberto lábio gelado...
 
Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.
 
            Caminho
 
                I
 
Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...
 
Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...
 
Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,
 
Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.
 
Camilo Pessanha

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

MINISTRO DA JUSTIÇA




















-No seguimento do post anterior e depois das declarações do Snr. Ministro da Justiça reiterando o seu apoio ao actual Director Nacional da PJ, heis aqui a minha homenagem a tão excelsa personalidade.

Tenham todos :

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Alípio Ribeiro


















-Apenas hoje ouvi na íntegra as declarações de Alípio Ribeiro (Director Nacional da PJ) e a barbaridade é enorme. É realmente lamentável que alguém, com a sua responsabilidade em servir a Justiça Portuguesa, demonstre tanta falta de sensatez, de respeito e brio. Tratou-se de um certificado de “burrice” passado à instituição que dirige e logo a si próprio. Mas pior ainda, tratou-se de denegrir todo um processo de investigação e todo o aparelho de investigação e justiça portugueses. Um verdadeiro “pé na boca” ou “tiro no pé” se preferirem.

-Recordo que por menos foi afastado o anterior responsável pela investigação do “Caso Maddie” e muito bem.

-É agora mais que tempo de que o Ministro da Justiça se deixe de silêncios irresponsáveis e além de se pronunciar claramente, aja e demita quem já provou não estar à altura do cargo para que foi nomeado e que se demita também pois não tem estado ele mesmo à altura do seu cargo.

- Por uma vez, que tenha alguém a dignidade de assumir as “burradas” consecutivas que a Justiça portuguesa tem vindo a sofrer e a fazer nos últimos anos. Façam-no bem e depressa, pois os cidadãos já não confiam nela e começam a não confiar nos seus agentes. Isto, é uma ameaça ao Estado de Direito e à própria Democracia.

-Deixo aqui Alípio Ribeiro, vestido como deveria estar sempre, com as cores nacionais a que junto o cor-de-rosa e pendurado na mão da justiça. Não lhe desejo outro mal que não seja o de ser reconduzido até a um nível onde a sua incompetência não possa prejudicar ninguém.

domingo, fevereiro 03, 2008

Nuvem Passageira

-Num dia tristonho e cinzento em que o sol se não viu, encontrei esta música que embora me não traga alegria trouxe-me algumas recordações nada acessórias.

Eatava aqui:

http://www.baciadasalmas.com/2007/nuvem-passageira/

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

CARNAVAL NACIONAL 2008





















CARNAVAL NACIONAL
(QUADRAS AO GOSTO E DESGOSTO POPULAR)

-O alegre cortejo saiu à rua
em tarde de domingo feliz
A República ia vestida de nua
e de despido se vestia o país.

-Anafados e gordos ministros,
todos eles de negro vestidos,
liderando vários grupos sinistros
de compadres, primos, mulheres e maridos.

-Ali passa um director-geral,
mais além, um administrador,
um diz que é engenheiro e diz mal…
o outro, dizem dele que é doutor.

-Todos inchados e influentes,
vestidos de seda conforme a norma,
caminham devagar acenando às gentes
até que cheguem à data da reforma.

-Enquanto isso, o bom povo pagante
observa em pé desde o passeio
o enorme cortejo governante
que a ele (povo) passa alheio.

-Foi o povo quem teve que o pagar
(e como se pagam estes Carnavais)
e quando o cortejo por fim passar,
fica o povo a ainda a pagar mais.

Yur Adelev

Li, achei graça e cá o publico!
Desculpem, eu disse ... GRAÇA?

quarta-feira, janeiro 30, 2008

REMODELAÇÃO MINISTERIAL CÓSMETICA












-Francamente, esta remodelação não cola.
-Uma remodelação significa a adopção de um novo modelo e não é disso que se trata aqui. O modelo permanece, as politicas irão prosseguir, as praticas são para continuar.

- Os substituídos eram sem dúvida fracos como delineadores de politicas, insensíveis enquanto governantes e obstinados no cumprimento dos seus projectos pessoais. Apenas não eram os únicos e talvez nem sequer fossem os piores. Existem outros tantos e o seu dobro para remodelar por razões idênticas ou mais fortes.
-Remodelar, deve sempre significar a assumpção dos erros cometidos e a tentativa de os corrigir. Remodelar deve ser da responsabilidade do Primeiro-ministro e não da iniciativa dos remodelados excepto em casos que se prendam com a sua vida pessoal ou saúde.
-Por tudo isto, esta remodelação é ineficaz, inoperante e destina-se sobretudo para o consumo interno do partido do governo e/ou para tapar os olhos a quem deixe que lhos tapem.

-Pode-se pintar os lábios a um porco, vesti-lo de seda e perfumá-lo que não será por isso que ele deixará de ser um porco. Aplica-se aqui na totalidade.

sábado, janeiro 26, 2008

O BURACO DA SAÚDE











-Os casos sucedem-se a um ritmo quase diário. Mortes em corredores de hospitais. Falecimentos e partos em ambulâncias. Diagnósticos que confundem abortos com gravidezes. Casos de negligencia absurda e de descoordenação evidente e escandalosa entre serviços hospitalares e entre o INEM e os bombeiros. A desorientação é geral e o ministro permanece teimosamente surdo, cego e auto-desculpabilizador.

-Este é o mais grave descalabro do Sistema Nacional de Saúde desde há muitos anos e é o evidente resultado de uma política que teimosamente insiste em demolir aquilo que existia, sem antes criar as necessárias alternativas. A avassaladora onda de encerramentos de serviços (que podiam não funcionar idealmente mas que funcionavam) prossegue e nada é criado em seu lugar. Ou melhor, as clínicas privadas proliferam sempre que um serviço é encerrado e não me admiraria nada, daqui a algum tempo, ver os actuais dirigentes da saúde como directores e proprietários delas.

-Os tempos de transporte em casos de emergência aumentam exponencialmente e consequentemente os casos trágicos sucedem-se. Enquanto isso, o senhor ministro, lá vai concluindo acordos pontuais com autarcas e distribuindo, como rebuçados a meninos, uma ambulância aqui, um helicóptero acolá e uma VMER mais ali adiante.


-Quem vai ficando com as culpas é o INEM e os Bombeiros, os médicos e os enfermeiros e sobretudo os doentes, que são os maiores culpados, já que na opinião do ministro não deveriam ficar doentes nem recorrer aos serviços de saúde, porque poupariam assim muito dinheiro ao Estado.

-A VERGONHA é geral, a descrença absoluta e as consequências serão imprevisíveis e deixarão cicatrizes profundas.

-A Saúde transformou-se num “BURACO”!

-Também por isto, este é sem dúvida alguma, o pior governo desde o do Marquês de Pombal

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Anti tabagismo



(Francisco George)


















-Quem pensa que as campanhas radicais anti-tabaco e anti-fumadores são factos recentes desengane-se. Foi Adolf Hitler, esse mesmo ADOLF HITLER, que sendo vegetariano, abstémio e anti-tabagista, encarregou os médicos alemães de estabelecer uma relação entre cancro e tabaco. No entanto, ainda antes de se terem apurado os primeiros resultados científicos já o Fuher mandava lançar uma campanha (1941) contra o consumo de tabaco com cartazes onde se podia ler: “Não é você quem fuma o cigarro é ele que o consome a si!”. Tornou-se então PROIBIDO fumar nos edifícios do Partido Nacional-Socialista e mais tarde em todos os edifícios públicos. Isto, porque Hitler defendia a existência de uma raça pura em que os seus valores seriam implantados a todo o custo ainda que contra a capacidade de decisão de cada cidadão.

-Todos sabemos o resultado de tais ideias.

-Nessa altura os países Aliados viram nesta campanha mais uma atitude atentatória ás liberdades individuais, típica de um regime autoritário e despótico. Hoje nesses mesmos países a situação parece ter-se invertido por completo.

- Não voltarei a falar deste assunto!