quarta-feira, julho 04, 2007

Festival, festivais / Festival de Festivais



























-Pronto, eis então que quase de repente começa tudo de novo.

-Como todos os anos, todos os Verões, a habitual praga está de volta. Quase sempre começa devagar e timidamente ainda na Primavera. Primeiramente são as “Feiras do Livro” de Lisboa e Porto e as milhentas réplicas pelo país inteiro. As “gentes” afluem em peso e desmedidamente, passeando por entre as barracas, desfolhando, fingindo que lêem, que sabem, que gostam e até que tencionam comprar. Outra parte aproveita a frescura do fim do dia e do início da noite para apenas passear por lá entre encontrões; Como se o simples facto de se arrastarem entre barracas repletas de livros, lhes transmitisse o conhecimento que lhes falta. Benditos sejam, dizem de todos eles, os livreiros.
-Antes, já houvera a feira do chocolate, a da castanha, a da noz, a do fumeiro e outras onde a multidão se apresenta na expectativa de tirar a barriga de misérias, no que às coisas boas diz respeito. Sempre com a falsa expectativa de preços mais em conta ou de amostras gratuitas. Pobres crédulos. Benditos sejam todos, dizem em coro os produtores.
-Mal o Verão ameaça, aparecem então os festivais de rock. Primeiro dois: um em “Cascos-de-Rolha” e outro em “Cú-de-Judas” de quem ninguém nunca ouviu sequer falar. Depois multiplicam-se, juntam-se-lhes os de música Celta, música Árabe, de Flamenco, de música Clássica, de Jazz, world music (?), guitarra, cavaquinho, pífaro e mais seis dúzias de festivais de rock nos cinco cantos do país. Milhões de decibéis, toneladas de poeira, toneladas de charros; Tudo patrocinado por uma das duzentas espécies de cerveja anunciadas por um ex-futeboleiro qualquer.
-Chegamos até ao ponto em que não existe térrinha que tendo (ou mesmo não tendo) um castelito qualquer, não erga tendas e panos para um “Festival Medieval”. Assim, depois de nos tirarem os Euros e nos darem em troca umas patacas que nada valem, podemos observar aqueles sofríveis cavaleiros mal trajados, sobre umas miseráveis pilécas a cruzarem espadas num péssimo travestismo de combate mediévico. Quase tudo é ali ridículo: as vestimentas dos figurantes calçados com sapatilhas Nike, os tasqueiros ao telemóvel, as espadas de lata e os bobos, que são os únicos que (embora sem ponta de graça) cumprem o seu papel; eles e as bostas que podem ser pisadas gratuitamente.
-Outra destas verdadeiras pragas de Verão são os festivais de comes e bebes. Não há paparóca nem beberagem que não possua o seu “festivaléco”. Já aqui referi o do chocolate, mas que dizer dos de cerveja, francesinhas, sopas, cerejas, açordas, caracóis, tripas, sardinhas, caça, omoleta, queijos, sorvete, feijoadas, chicharro, enguia, cabrito, blá, blá…
-Famílias inteiras e grupos de alarves amigos, para lá se dirigem. Pagam para entrar ou pagam caríssimo, aquilo que tem todos os dias oportunidade de devorar. Depois comem, comem já frio quase sempre e com cobertura de poeira e imundice. É quase zoológico vê-los a mastigar de boca aberta ou a sorver líquidos com a habitual banda sonora e no fim, o tradicional arroto que tanta gargalhada faz soltar. Benditos sejam, dizem os organizadores que apenas comem em casa.
-Festivais de artesanato, que eu conheça, são mais de mil. Na grande parte deles aquilo nem artesanato é. É comércio puro e duro à mistura com mau gosto, oportunismo e falta de bom gosto.

-Existem mais, muitos mais exemplos, como por exemplo os festivais de folclore, fogo de artifício, velharias, bandas filarmónicas, gaiteiros, tocadores de bombos, caça, pesca, grupos corais e até um que se chama “Multiusos”.


-Benditos sejam todos, digo eu.

sábado, junho 30, 2007

Candidatos à Camara de Lisboa






















--Atendendo ao enorme interesse que tem vindo a suscitar a campanha para a Câmara Municipal de Lisboa a cada candidato foi feita apenas uma pergunta a que deveria responder com honestidade.

--A questão colocada foi a seguinte:

--“Porque decidiu candidatar-se à Câmara de Lisboa?”

Eis as respostas de alguns dos candidatos.























---Em primeiro lugar, candidato-me para poder dizer que o governo deve fazer aquilo que nunca fez quando eu fazia parte do governo.

--Em segundo lugar, sou um especialista em fogos e a Câmara Municipal estava muito quente e o PS em brasa para encontrar um candidato que não estivesse queimado. Além de que como o edifício camarário já ardeu há uns anos, se arder de novo comigo, já vão estar todos habituados.
















-Por duas razões:
-A primeira é que eu sou um Engenheiro a sério e a segunda é que sempre sonhei ser esse o meu Fado. Além disso eu é que sou Camâra.


















- Fi-lo sobretudo para compreender a confusão de siglas que é preciso decorar para ser presidente de câmara.





















-Candidato-me para manter a tradição de me candidatar


















-Obviamente, candidato-me para, no caso de ganhar, poder demitir-me e entrgar o cartão de presidente de camara.


















- Sou candidato por exigência do povo e por exigência do meu partido. Além disso consigo ocupar um ecran de TV na totalidade.


























-Eu sou candidato para poder mais rápida e eficazmente, interpor providências cautelares sempre que achar necessário e tenho sempre achado que é necessário. Obviamente se eu fosse o presidente seria ainda muito mais necessário.
-Além disso não gosto de ficar de braços cruzados.


























-Claramente e de uma vez por todas eu sou candidato por ter tido autorização do Paulo Portas que já estava farto de feiras .

sexta-feira, junho 29, 2007

Ministro da Saúde

























- Será caso de multipla personalidade ou personalidade bipolar?
- Digo mais... será caso de personalidade bipolar ou de multipla personalidade?

quarta-feira, junho 27, 2007

EU, EU, EU!



























Os EU (Estados Unidos) pensam que são EU.

Alguns esquizofrénicos como TU acham que são EU.
EU sei o que fizeste o Verão passado.
EU digo EU, TU dizes EU, ELE diz EU, mas só EU sou EU.
A EU (European Union) não é EU.
EU sou o maior.
EU sou o unico.
EU sou, EU fui, EU vou.
Quem? EU?
EU comigo, EU consigo, Eu sou capaz.
EU VI = Eu sexto.
A mim me doEU.
EUcalipto, TUbarão, ELEctrocutado.




EU sou ninguém, ninguém é perfeito, então EU sou perfeito. Mas só Deus é perfeito. Então EU sou Deus

EU sou Deus! O amor é cego Deus é amor.
Steve Wonder é cego, então Steve Wonder é Deus, mas EU sou Deus.
EU sou Steve Wonder!
Oh não, EU sou cego!!

segunda-feira, junho 25, 2007

Diálogos IN-provaveis











Professor: O senhor acredita em Deus?

Aluno: Absolutamente!

P: E Deus é bom?

A: Sim, claro.

P: E Deus é todo-poderoso?

A: Sim.

P: Um amigo meu, há muito pouco tempo, faleceu com cancro apesar de eu ter rezado para que Deus o curasse. A maioria das pessoas tentariam ajudar aqueles que sofrem e que estão doentes, não é assim?

Deus não o fez. Como pode então Ele ser bom?

A: (Silêncio)

P: Não consegue responder pois não? Vamos então recomeçar. Deus é bom?

A: Sim.

P: O diabo é bom?

A: Não.

P: Quem criou o diabo?

A: Deus.

P: Exactamente. E já agora, há mal no mundo?

A: Sim.

P: O mal está em todo o lado não está?

A: Sim.

P: E Deus foi quem fez todas as coisas, não foi?

A: Sim.

P: Então quem criou o mal?

A: (Silêncio)

P: Existe doença? Imoralidade? Ódio? Fealdade, fome, guerra sofrimento e todas essas terríveis coisas neste mundo?

A: Sim, existem?

P: Quem foi então que as criou?

A: (Silêncio)

P: A ciência afirma que existem cinco sentidos que usados para apreender o mundo em nossa volta. Já alguma vez viu Deus?

A: Não.

P: Já alguma vez o tocou, saboreou, ouviu, cheirou ou teve algum tipo de percepção da sua existência?

A: Não, nunca tive.

P: E no entanto acredita que ele exista?

A: Sim.

P: De acordo com o conhecimento empírico, testável, mensurável e com o pensamento científico a ciência afirma que Deus não existe. Que tem a dizer disto?

A: Nada. Tenho apenas a minha Fé.

P: Pois, a Fé esse é um grande problema humano.

A: Desculpe. Deixe que lhe pergunte: O calor existe?

P: Sim.

A: E existe algo chamado: o frio?

P: Sim.

A: Não senhor. Não existe!

P: (Silêncio)

A: Aquilo que existe é o calor que pode ser pouco, muito, muitíssimo calor, calor imenso ou nenhum calor.
-Não existe nada a que possamos chamar “frio”. Podemos atingir 458 graus abaixo de zero que é o ponto da não existência de calor mas não podemos ir para alem disto e isto não se chama frio. O “frio” é apenas uma palavra que se usa para descrever a ausência de calor mas não significa nada de mensurável. Calor é energia. O frio não é o oposto de calor é apenas a ausência deste.

P: (Silêncio)

A: E que dizer da escuridão? Existe escuridão?

P: Claro que sim! O que é a noite senão a escuridão?

A: Está errado de novo. A escuridão é apenas a ausência de algo. Pode existir luz fraca, forte, brilhante, de diversas cores… mas se constantemente não existisse luz não haveria modo de definir escuridão. Logo a escuridão não existe. Nem existe modo algum de fazer a escuridão mais escura.

P: Onde é que quer chegar com essa argumentação, jovem?

A: Quero apenas demonstrar que a sua argumentação é errada e baseada em premissas erradas.

P: Errada? Pode explicar-nos porquê?

A: Porque se baseia na premissa da dualidade. O senhor argumenta que existe vida e existe morte, um Deus bom e um Deus mau. Assim analisa o conceito de Deus como se este fosse finito e mensurável. A ciência não é sequer ainda capaz de explicar o pensamento, mas nunca ninguém sequer viu nenhum dos dois fenómenos. Pensar a vida como o oposto da morte é ignorar que a morte não pode existir como algo substantivo. A morte não é o oposto da vida mas apenas a sua ausência.
-Já agora diga-me, por favor: o senhor acredita que o homem e o macaco possuem um antepassado comum?

P: Caso se refira ao processo evolucionário da espécie humana, claro que sim.

A: O senhor alguma vez observou esse processo com os seus próprios olhos?

(Sorriso condescendente e ligeiro abanar de cabeça por parte do professor)

A: Se nunca observou tal processo, então aquilo que ensina não passa da crença que possui de que ele existe o que faz de si não um professor mas sim um pregador.

(Gargalhadas de fundo enquanto o aluno se volta para os restantes)

A: Há aqui alguém ( com todo o devido respeito) que já tenha visto o cérebro do professor?

(Mais gargalhadas, estridentes desta vez)

A: Há aqui alguém que já tenha visto o coração do professor, o tenha tocado, saboreado, ouvido, cheirado ou que tenha tido algum tipo de percepção da sua existência?
-Claro que não. Logo, de acordo com o conhecimento empírico, testável, mensurável e com o pensamento científico a ciência afirma que (com todo o respeito) o seu cérebro não existe. Assim como poderemos confiar em tudo quanto nos tem, tão bem, sabido ensinar?

(O professor hesita um momento sem saber bem o que responder)

P: Bem… penso que também neste caso vai ter que confiar na sua Fé!

A: Muito brigado, professor!

sábado, junho 23, 2007

Do Portugal Profundo










Do Portugal Pró-Fundo

-José Sócrates tem todo o direito de se sentir ofendido se alguém atentar contra o seu bom (?) nome a sua personalidade (?) ou honra (?).
-Também nós todos, enquanto cidadãos, temos o direito de nos questionarmos acerca das magníficas trapalhadas em que aparece a sua licenciatura (?), o seu envolvimento com o professor que afirmou (mentindo) que não conhecia e todas as tropelias miseráveis de que temos vindo a ser vitimas.
-Foi exactamente isso que fez o cidadão António Balbino Caldeira no seu BLOG “Portugal Profundo”, exercendo o seu direito de opinião. Tal facto parece ter-lhe custado uma queixa-crime (aparentemente não confirmada) por parte do tiranóte de serviço ao (des) governo da nação. Se a ofensa realmente existisse, poderia e deveria ter sido a verdade explicada na celebre entrevista televisiva que não convenceu ninguém e onde para lá de não ter esclarecido nada, tudo me leva a pensar que voltou a mentir. Já várias vezes disse que não se me dá se o cidadão José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa nascido em Vilar de Maçada a 6 de Setembro de 1957 é ou deixa de ser engenheiro e volto a afirma-lo. O que não admito é que o Primeiro Ministro do meu país, impune e silenciosamente, possa ter usado meios, no mínimo censuráveis, para obter uma licenciatura. Do mesmo modo, não admito que falte à palavra dada em campanha eleitoral ou que se comporte como se fosse dono de um país.
-Com relação ao “Portugal Profundo” e ao seu autor, aquilo que sempre fez foi divulgar factos referenciando-os e extraindo deles, legitimas e mais que razoáveis dúvidas no exercício da sua liberdade de opinião e expressão.--Como se não bastassem as tentativas comprovadas de manipulação de órgãos de informação, J. Sócrates parece agora apostado em passar por virgem violada e ofendida quando o que deveria ter feito era ter-se explicado com humildade sincera quando o pode fazer.
-Todos já sabíamos que o “bufismo”, “o caciquismo”e o “lambe-pésismo” estavam de volta. Agora podemos comprovar que é regressado o delito de opinião.
-Fiquemos à espera. Talvez o lápis azul tenha de novo a sua oportunidade, quem sabe, agora sob o disfarce legalista de lápis cor-de-rosa.

-Quanto a mim, se quiserem, que me mordam ou em alternativa que me instaurem uma queixa-crime.

Visite aqui a notícia "José Sócrates apresentou queixa-crime contra bloguer" (20/06/2007)

Visite aqui a notícia "Balbino Caldeira arguido no caso da licenciatura de Sócrates" (16/06/2007)

Visite aqui o blogue "Do Portugal Profundo"

quinta-feira, junho 21, 2007

SEMPRE












-Mais do que apenas uma personagem curiosa, era uma pessoa peculiar.
-Uma pessoa da mais saudável excentricidade; ou como costumo dizer: “um tipo castiço, um autentico castiçal”.
-Possuía uma leviandade quase juvenil, descuidada por vezes em alguns aspectos menos importantes. Sempre apaixonado por causas ou opiniões, sempre ardentemente. Boémio quanto baste, improvisador, alegre quase sempre, excepto nos momentos (raros) em que parecia descer ao plano do vulgar sob o peso das suas, raramente confessadas e inumeras agruras.
-Dono de uma cultura rara e de uma experiência de vida raramente encontrada, parecia ter vivido três ou quatro vezes a idade que tinha e que ninguém nunca lhe adivinhava. Tinha uma lógica perfeita no discurso e uma profundidade de sentimentos que muitas vezes o fazia emocionar-se com facilidade com factos, que a muitos, poderiam parecer triviais.
-Tudo nele parecia ter apenas parecia ter apenas dois estados: a calma paciente, quase beatífica e absoluta e a explosão tumultuosa. Acérrimo defensor dos seus pontos de vista, era assertivo nas discussões que por vezes gostava de provocar e de que saía quase sempre vencedor absoluto. Nessas ocasiões, parecia um furacão de razões, tal era a forma como destruía até ao mais pequeno grão de pó os argumentos dos que dele discordavam. De uma penada só, destruía-lhes não apenas a argumentação mas também as ideias e as opiniões que possuíam ou que pensavam possuir. Capaz de rasgos com frases literatas que sempre surpreendiam quem lhas ouvia, parecia saber sempre tudo acerca do que quer que fosse de que se falasse. Isto, sempre sem a mais pequena atitude de desprezo pelos outros, sem a mais pequena presunção que fosse passível de censura.-Recordo-me do modo concentrado como lia, escrevia ou desenhava; da absoluta atenção que colocava em tudo o que fazia e também recordo que por vezes enredado em conversa com um amigo, era capaz de seguir 15 ou 20 minutos na direcção oposta à que deveria ser a sua. Nunca deixava de responder a quem o cumprimentasse e tinha um aperto de mão fortíssimo e ao mesmo tempo gentil.
-Talvez na realidade não fosse um génio, mas era de todos os que conheço o que da genialidade mais se aproximava e era capaz de atitudes grandiosas para com os amigos.-

-Ultimamente o nosso convívio tornara-se mais raro, mas não a estima e nem sequer a lembrança mútua ou a amizade.
-Soube ontem que morreu, atropelado e sem avisar ninguém.

-Sei que continuará à minha espera na mesa do costume, no café do costume e como de costume, por detrás de uma chávena vazia ou de um copo de cerveja meio-vazio e um cinzeiro meio-cheio.
-Já lhe tenho muita saudade

quarta-feira, junho 20, 2007

Noticia na SIC-NOTICIAS












Noticia na SIC NOTICIAS

20 de Junho de 2007

“… no Parlamento socialistas acusam populares de serem populistas.”

Infelizmente a eles ninguém os pode acusar de serem socialistas!

terça-feira, junho 19, 2007

Governação e depressão









-
Eu tenho vindo a acordar, desde à meses para cá, sem esperança, sem vontade de lutar, quase sem animo para enfrentar os dias e as ideias. Sem vontade de mudar o país, mundo, o universo.
-Outras noites, tenho dificuldade em adormecer ou não durmo mesmo. Fecho os olhos e penso: estou velho, talvez tivessem razão os que me diziam que quando tivesse a idade que então eles tinham, veria o mundo sob outro prisma, de outro modo diferente daquele como o via então, mas isso foi ainda ontem; Ou talvez seja eu quem está mesmo acabado. Conjecturo então que devo continuar a minha actividade física, juntar-lhe complexos vitamínicos, mudar de guarda-roupa, de alimentação, de corte de barba e cabelo…

-Bah…!

-Hoje li uma sondagem que diz que os portugueses estão pessimistas, sem ânimo, com pouca esperança e alguma desesperança. Parece que há uma epidemia de impotência e desanimo a assolar o país neste preciso momento!
-Para mim é culpa do governo.
-A sério, o actual modo de governar é o que nos torna pessimistas a todos. Governar contra todos e em favor de ninguém é desmotivante para quem é governado. Como é desmotivante perder direitos em nome de nada, perder condições na assistência na doença, perder qualidade de ensino, perder condições na evolução da carreira profissional, ver regressar a perseguição a quem é “do contra”, ver liberdades cerceadas em nome de objectivos pouco claros. A culpa é do Governo e mais nada. Não se lhe antevêem objectivos, não possui lógica de acção, espezinha princípios consagrados, diz uns disparates de pasmar e faz outros tantos de corar. Diz hoje para desdizer amanha e sobrevive atolado numa total impunidade ministerial onde a asneira é recompensada com a permanência e o incumprimento premiado com apoio. Afirma peremptoriamente hoje, hesita amanhã e volta a ter certezas logo no dia seguinte.

-Governar assim chama-se desgoverno e não possui outro efeito pratico que não seja o facilitismo, a involução e a descrença dos desgovernados e desgovernados somos todos, logo pessimistas. E pessimistas não dormem, não agem, não protestam, não reclamam, não incomodam.

-Que diabo de tempos são estes?

-Que diabo de país é este?

-Pessimistas de todo Portugal, uni-vos! Somos a maioria!

-Às ruas!

sexta-feira, junho 15, 2007

FUMO II





















"As multas previstas para os fumadores apanhados com um cigarro aceso num local proibido são o dobro daquelas que estão previstas para os consumidores de drogas ilícitas. Se fumar pode custar entre 50 e mil euros, consumir droga dá direito a coimas de 25 a 403 euros, que podem ser substituídas pelo tratamento voluntário."

in DN online, 03.05.2007


-Irrita-me que me tratem como a uma criança e me castiguem a golpes de Lei enquanto tentam fazer-me crer que é para meu próprio bem que me tiram o direito de brincar com o meu brinquedo.

Eu explico: ao retirarem-me a liberdade de fumar em estabelecimentos públicos dizem-me que o fazem em nome da saúde de todos. Existe algo de muito perigoso em promulgar leis que nos protejam de nós mesmos. Antes de mais, não acredito na seriedade da preocupação do Estado para com a minha saúde nem para com a saúde de quem quer que seja; Em segundo lugar, sou maior, vacinado e consciente dos perigos que corro quando voluntariamente os corro. Se me falam na possibilidade de constituir (a minha pratica de fumar) um perigo para não-fumadores, respondo que a eles, tal como a mim, deve ser dado o direito de escolha e não apenas a eles mas também aos proprietários dos estabelecimentos em causa; A uns, a hipótese de escolherem um local sem fumo e aos segundos a hipótese de gerirem o seu negócio para o tipo de clientes que mais desejem ter. Além disso estou convencido que o número de gripes, constipações e insolações irão subir muito de futuro sobretudo entre os fumadores..

-As leis devem servir para garantir os direitos individuais de TODOS os cidadãos e não para protegerem os cidadãos deles mesmos, caso em que se corre o sério risco de legalizar o que em última instância constitui uma séria ameaça à liberdade individual.

-Se o propósito fosse real e não apenas uma medida economicista e de moda, seriam também imediatamente proibidos os desportos radicais mais perigosos, toda e qualquer obesidade, a frequência de alguns estabelecimentos hospitalares, alguns programas de televisão e todas as desculpas politicas para o incumprimento das promessas eleitorais.

-As leis, todas as leis, devem servir para garantir os direitos e liberdades individuais e para permitir e organizar a sã convivência entre direitos e obrigações. Caso contrário caminhamos para uma sociedade asséptica mas morta.

“Toda a acção privada que não constitua dano ou prejuízo moral ou da ordem pública bem como prejuízo de terceiros devem estar fora do alcance da Lei.”

-Tudo o resto não passa de oportunismo politico e vergonhosa demagogia.



Nota-
Ver também "FUMO"
Post de 04/Fevereiro de 2007

quarta-feira, junho 13, 2007

segunda-feira, junho 11, 2007

Sabedoria Impopular










Frequentar a Igreja faz tanto de mim um católico como frequentar uma garagem fará de mim um automóvel.

A inteligência artificial, não consegue competir com a estupidez natural.

Não existe uma única prova científica de a vida seja algo sério.

Para tudo o que é bom, existe uma lei médica, lógica ou governamental que o proíbe.

A velocidade das contas é exactamente o dobro da velocidade dos cheques.

Come equilibradamente, faz exercício, não fumes ou bebas em demasia e morrerás na mesma mas mais estúpido.

Afinal os homens são da Terra e as mulheres também.

Uma multa é um imposto por ter feito asneira, um imposto é uma multa por ter feito bem.

Lixo é algo que mantemos connosco anos a fio e deitamos fora dois dias antes de nos fazer falta.

Não são os jeans que nos fazem parecer mais novos nem mais magros.

sexta-feira, junho 08, 2007

JUSTIÇA















-Apenas vos peço que leiam. Depois peço-vos que pensem à luz da mais básica noção de justiça, de direito, de responsabilidade, de dignidade.
-Depois peço-vos que transmitam, que divulguem e que exijam JUSTIÇA!


22/02/2007
Com leucemia - Professora obrigada a dar aulas

-"Uma docente da Escola EB 2/3 de Cacia, em Aveiro, que se encontrava de baixa há cerca de dois anos, após lhe ter sido diagnosticada uma leucemia, foi obrigada pela Caixa Geral de Aposentações a regressar ao serviço para cumprir um período mínimo de 31 dias de trabalho. Manuela Estanqueiro, de 63 anos, tinha pedido para ser aposentada por incapacidade, mas, após uma junta médica realizada em Novembro, não só viu a pretensão recusada como teve a baixa médica suspensa e ordem para voltar ao serviço, sob pena de perder o vencimento."Sinto-me muito injustiçada. Sei que há quem faça de conta que está doente, mas esse não é, infelizmente, o meu caso", salientou a professora ao CM. ATESTADO ATÉ NOVA JUNTA.
-O período mínimo exigido terminou anteontem e Manuela Estanqueiro está actualmente de atestado médico, até poder ir a nova junta médica. "Estes 31 dias foram de extrema agonia e cheguei a desmaiar em plena sala de aula, para além de ter de descansar nos intervalos. Só consegui ultrapassar este sofrimento porque tive sempre o apoio dos colegas, da escola e da Direcção Regional de Educação do Centro."A decisão da Caixa Geral de Aposentações deixou a docente de educação tecnológica "abalada psicologicamente". "Depois de meses de quimioterapia, era o pior que me podia acontecer", diz Manuela Estanqueiro diz que não a preocupa o facto de lhe recusarem a aposentação – da qual já apresentou recurso – só não entende como a podem considerar capaz para o serviço, quando tem uma doença grave diagnostica. Por causa de tudo isto, viu a baixa revogada, quando "a tinha até Outubro de 2008"".

in: http://www.cacia.pt/index.php?CA=Noticia&IDNoticia=40

-O comentário que se segue, e que nos conta o que infelizmente aconteceu a esta professora, foi extraído daqui:
http://legoergosum.blogspot.com/2007/05/questes-de-moral.html

-"Essa pergunta pode ser feita à Ministra da Educação? É que, relativamente a esta notícia da professora com leucemia que foi obrigada a trabalhar há 3 meses: http://www.cacia.pt/index.php?CA=Noticia&IDNoticia=40 essa professora, a minha colega Manuela Estanqueiro, foi hoje a enterrar às 15.30h no Cemitério de Cacia, em Aveiro. Estou REVOLTADO. Nem sabem o que me apetece fazer. Agora percebo porquê que às vezes lemos nos jornais casos de ajustes de contas a tiro. Por muito menos o fazem, por muito menos. Desculpem a crueldade mas, dizer menos que isto, era lutar contra um sentimento de justiça que me atormenta e é bem mais forte. Estou ENOJADO.ENOJADO!!!!!!!!!!!!!

Francisco"

4 de Junho de 2007 21:47




quarta-feira, junho 06, 2007

A cegonha já não é o que era












-Parece ter-se tornado uma nova moda esta coisa dos nascimentos em ambulância.
-Quase todos os dias há um, seja na ambulância dos Bombeiros Voluntários da Rebardeja, seja numa viatura do INEM.

-Torna-se interessante assistir a este novo epifenómeno de popularidade jornalística. Entrevista-se o pai babado, ali mesmo à mão do repórter de serviço, que já se esqueceu que podia ter perdido esposa e rebento. Questionam-se os voluntários de serviço que entendem de partos tanto quanto de microbiologia celular ou de fractais e é vê-los sorridentes por estarem na televisão a dizer como tudo correu bem. Elogia-se-lhes a bravata e a bravura de que hão-de falar no café e na corporação durante uma semana e termina-se a reportagem com uma frase bombástica: “Felizmente tudo correu bem e quer a mãe quer a criança estão de excelente saúde!”.
-É assim e é pena.
-Na realidade, no meio de tanta celebração e de tanto suspiro de alívio esquece-se quem é o verdadeiro responsável por esta dinâmica de natalidade terceiro-mundista. Quem fechou, ou mandou que fechassem maternidades e quem fez mais por estas noticias, com que a RTP nos brinda quase diariamente, mais do que quem qualquer outro rematado idiota.
-As crianças lá vão nascendo como podem e até agora ainda não ocorreu a desgraça. Mas e se ocorrer? Será noticia ou será apenas um acidente de percurso como muitos outros, resumido a um relatório numa pasta de arquivo algures numa qualquer Direcção Regional de Saúde?
-E o Sr. Ministro? Com certeza continuará a dormir na angélica paz dos ineficazes mas economicistas. Na mesma paz dos que recorrem apenas a serviços de saúde privados.

-E nós? Continuaremos a sorrir sempre que virmos um pai babádo e um bombeiro elogiado?

-Com certeza e respiraremos comovidamente fundo ao ouvir: “Felizmente tudo correu bem e quer a mãe quer a criança estão de excelente saúde!”.

terça-feira, junho 05, 2007

Entrevista IN-Provavel













-Qual a coisa mais baixa que já fez?
-Apertar os atacadores.
-Qual o seu estado civil
-Sou sargento, logo: militar.
-É uma pessoa indecisa?
-Antes era, agora tenho a certeza que sou!
-Prefere a televisão ou um livro?
-Se tiver figurinhas prefiro o livro.
-Qual o livro de que mais gostou?
-Nunca encontrei nenhum que não tivesse um acentuado sabor a papel.
-Tem algum passatempo?
-Sim, adoro enigmas difíceis, quase impossíveis como por exemplo: sobreviver até ao fim de cada mês sem emigrar e também persigo arco-íris.
-Que pensa da nossa
Justiça?
-Não gosto de enlatados.
-Acompanha as questões de politica nacional?
-Apenas à guitarra.
-Conte-nos uma coisa estúpida que tenha feito.
-Bom, para além de ter nascido e de ter votado como votei, a semana passada perdi as chaves de casa e procurei-as no GOOGLE!

sexta-feira, junho 01, 2007

quinta-feira, maio 31, 2007

Valor















-"Há gente que eu gostava de comprar pelo preço que realmente vale e vender pelo preço que eles acham que valem!"

quarta-feira, maio 30, 2007

GREVE















Pelas ESCOLA ENCERRADAS
Pelas UNIDADES DE SAÚDE FECHADAS
Pelas EMPRESAS DESLOCALISADAS
Pelas POLITICAS ERRADAS
Pelas PROMESSAS QUEBRADAS
Pelas DECLARAÇÕES APARVALHADAS
Pelas LIBERDADES AMEAÇADAS
Por todas as ENORMES TRAPALHADAS

terça-feira, maio 29, 2007

Policial




















-O inspector-chefe Meireles saiu do carro mesmo em frente ao número 22 no preciso momento em que sobre a cidade se abatia uma tremenda chuvada. Vestiu a gabardina, disse dois palavrões e atravessou a rua. Depois de cumprimentar o agente da PSP que estava à porta, atirou o cigarro para longe e entrou resoluto. A vítima, encontrava-se logo no hall de entrada, de barriga para baixo numa poça de sangue aparentemente recente. Meireles colocou o joelho direito no chão e atentamente observou o cadáver.
- Um tiro no estômago – afirmou peremptório olhando as costas da vítima. Ergueu-se a custo e amaldiçoou o último gin tónico da noite anterior. Olhou em volta e chamou o sub-inspector Cerdeira.
- Cerdeira! Já encontraram a arma do crime e determinaram a identidade da vítima?
Cerdeira era um homem atarracado, nem alto nem baixo e de idade indeterminada. Chamavam-lhe “a sombra” por andar sempre atrás do inspector mas era quase sempre ele quem descobria a última peça das investigações em que ambos participavam. Tinha estagiado em Londres e só não era ele próprio inspector-chefe em lugar do inspector-chefe por ter feito a licenciatura na UnI.
-Bem chefe, não e sim – disse Cerdeira com o mais sardónico dos sorrisos que foi capaz de exibir– quer dizer, a arma não encontrámos mas sabemos quem é ele.
- Vá lá Cerdeira, que raio quer dizer “sardónico” e quem é afinal o gajo? - O inspector estava agora com cara de poucos amigos. Nunca na realidade tivera muitos, mas desde que o Ferráz lhe fugira com a mulher perdera esse, o que para quem só tinha dois amigos significava quase 60% de perdas
- O tipo é ex-candidato à Câmara de Lisboa. Talvez se lembre dele, teve as trombas aí por todo o lado em cartazes. Era aquele com ar de idiota chapado…
-Porra Cerdeira, eles eram tantos e todos tinham esse ar. Como raio quer que me lembre? Vamos lá tratar de procurar a arma que já são quase duas da manhã e estou com um secão
-Apenas duas horas depois foi o agente Vagos, a quem toda a gente chamava “Bagos”, quem encontrou a dez centímetros da mão direita da vítima, o punhal ensanguentado. Com todo o cuidado, fotografou-o. Tinha mesmo quer ter cuidado, aquela máquina fora caríssima e ele já tivera problemas quando perdera o crachá e a arma durante o pic-nic anual da brigada. Só depois chamou por Meireles.

segunda-feira, maio 28, 2007

Um Post Histórico





















Edste *e o p+rtimero posdt eswcitro cpom o nbariz !"

sábado, maio 26, 2007

Hoje





















Se hoje oferecesse algo seria isto:

Não, não te esqueci e nem sei como fazê-lo.

sexta-feira, maio 25, 2007

Coisas assim...









-A idade é um preço demasiado elevado a pagar pela maturidade.

-Experiência é algo que apenas se adquire depois de já nos ter feito muita falta.

-Por vezes a idade não traz a experiência consigo, por vezes a idade vem sozinha.

-A experiência é um grande ensinamento, faz com que não reconheçamos um erro quando estamos a repeti-lo.


quinta-feira, maio 24, 2007

Ministros, Bocarras e Burricadas













-Apenas Neste país encantador (apetecia-me dizer nesta República das bananas governado por um… ) se passam dislátes deste calibre. -Primeiro dizem-se os mais rematados disparates para de seguida se vir a terreiro desmentir aquilo que se disse. Já assim fora com o metro do Porto e antes com a OTA como seu projecto pessoal.

-Não adianta agora, vir dizer que não disse aquilo que disse porque todos o ouvimos a dizê-lo. Cale-se e demita-se de uma vez, pois há muito que parece demitido do mais básico resquício de bom senso e lucidez.
-A actual sem vergonhice é intolerável, o desrespeito pelos cidadãos é óbvio, a desresponsabilização e a irresponsabilidade só encontra
m paralelo na impunidade de declarações e nas justificações infantis de má interpretação.









-
O que vale ao actual governo é que depois de uma rematadissima imbecilidade de um ministro, logo a seguir surge outra ainda mais grave por parte de um colega seu. No entretanto ninguém é chamado à pedra, a ninguém são assacadas responsabilidades e o Primeiro-ministro remete-se ao silêncio cúmplice do costume.

-Se isto não é “um pais de bananas governado por um …. (*)”., não sei o que será.















Post Scriptum – Se existisse um premio a atribuir à mais esfarrapada das desculpas com toda a certeza seria atribuído a Almeida Santos pela sua interpretação das asneiras ditas pelo ministro Mário Lino. Francamente, bombas nas pontes?






(*) Frase supostamente dita por um professor e que lhe acarretou um monte de aborrecimentos típicos de quem habita numa Republica das Bananas

terça-feira, maio 22, 2007

IRRA!!









in: PÚBLICO

- É o triunfo dos porcos em versão Lusa; O dealbar do lambebótismo; A estupidez gratuita; O reacender das trevas da imbecilidade; O culminar da perseguição sem sentido; O regresso da delação.
-Se assim querem matar a critica, abafar o humor, aniquilar a opinião, ultrajar a Liberdade de expressão, então: tristes dos perseguidos, dos não seguidistas, dos que não bajulam, dos que se não ajoelham, dos que têm coluna vertebral e dos que pensam.
-É enfim, o Socratismo na sua verdadeira face visível.
-Povo que votas, ergue-te, emenda-te que eu perdoo-te.

Declaração Universal dos Direitos do Homem, nomeadamente o seu Art. 19.º:
"Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão".

Artigo 2.º (Estado de direito democrático) da Constituição da República Portuguesa:
"A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa."


segunda-feira, maio 21, 2007

Casamentos e Copos de Àgua Fria










-Quem nunca foi a um casamento?
-Se alguém tiver levantado a mão, deixe que lhe diga: “Parabéns!”

-Pessoalmente, sempre que recebo um convite para um casamento, faço exactamente a mesma cara que faço quando recebo uma conta exagerada, uma multa ou uma mensagem insultuosa.
-Já repararam como as pessoas se vestem para irem a um casamento?
-As mulheres sobretudo, vestem-se com cores super garridas e raras, usam decotes que no dia-a-dia nem ousam pensar, quase tão profundos como altos são os saltos dos seus sapatos. Que dizer daqueles chapelinhos com uma rendinha na frente? Pois… e as bolsinhas que transportam debaixo do braço e que contrastam em tamanho com as dos dias “normais”? Que raio conseguem lá meter além do telemóvel? Uma daquelas pistolas de batoteiro do Oeste americano e dois rebuçados para a tosse?
-Os homens por seu lado, enfiam-se em casacos onde apenas entraram no dia do próprio casamento ou que usaram antes ainda da barriga lhes crescer. Alguns, mais novos, ficam com aquele ar vulgarzinho de vendedores de automoveis usados ou de falsos jovens empresários, mas quase sempre erram na escolha da gravata. Aquilo mais parece um uniforme de parvo do que uma vestimenta para uma ocasião especial.
-Outra das coisas que me desespera nos casamentos é a espera. Espera-se que o noivo chegue, espera-se que a noiva chegue sempre atrasada, mas sempre também se espera que não chegue tão atrasada como sempre chega. Espera-se que o casamento termine, depois espera-se com as mãos cheias de arroz para que os noivos saiam da igreja. Na altura em que isso acontece, com o calor e o suor das mãos, o que se lhes atira mais parece arroz malandro do que o arroz dos noivos. Depois ainda esperamos não nos perder desde a Igreja até ao restaurante. Temos sempre que seguir alguém e muitas vezes acabamos a seguir um carro errado até à porta de casa do condutor. Logo a seguir, vem a típica espera pela almoçarada e aí espera-se em fila para conseguir chegar à mesa das “entradinhas”. Espera-se na fila do bar para beber nem que seja um copo de água e continua-se a esperar pelo almoço.
-Também existe a questão dos lugares à mesa. Nunca vos aconteceu alguém sentado perto dizer algo como:
-Olá! Tu deves ser o Alberto, o filho da Tininha. Eu sou a tua prima Aurora filha do Fernandes, aquele com quem o avô não fala. Não achas que o noivo tem ar de azeiteiro?
-Bem… eu não sou da família, sou amigo do noivo.

-Talvez a única coisa realmente bem organizada nos casamentos seja a repartição dos idiotas: existe sempre pelo menos um em cada mesa e dois na minha. Insistem em falar comigo como se eu estivesse interessado em conhece-los, fazem perguntas imbecis, contam a vida toda e gostam de quase tudo o que eu detesto.
-Enquanto a comida não chega, os fotógrafos e os tipos do Vídeo não param de encher os olhos dos convidados com flashes e esperam que haja quem possa sorrir.
-As mães por esta altura repetem o vale de lágrimas que haviam vertido na igreja e os tios vão repetindo: “Que sejais muito felizes e vos respeiteis sempre!”
-As gravatas caem na sopa, os brindes parvinhos sucedem-se e não há um idiota que não queira dizer “duas palavrinhas”.
-Depois começa o bailarico, as quedas aparatosas dos “tocados-da-pinga-que-hoje-é-de- graça”, os vestidos que se rasgam os tacões que se partem e mais quedas aparatosas.
-Depois… bem depois é quando normalmente eu saio para o bar, para fugir ao leilão da liga da noiva e da gravata do noivo e já agora para não ver a tristíssima figura das raparigas encalhadas a matarem-se umas às outras pelo ramo. O resto é ainda pior, fotografias com os noivos, com o noivo, com a noiva, com os pais de ambos, com os amigos da noiva, os do noivo, as primas, os ex-colegas… um fartar vilanagem de pixels e de aborrecimento.

-Se então falarmos da despesa que um casamento acarreta para os convidados, rapidamente nos tornamos adeptos fervorosos do celibato e não apenas do nosso. Tudo começa com a despedida de solteiro, onde se gasta dinheiro como se nascesse nas árvores. No final, nada daquilo passa de uma desculpa para que os já casados possam chegar a casa a cairem de bêbados e para que todos vejam mulheres com que sonham a fazerem coisas com que as mulheres deles nem sonham.
-Se a isto somarmos o presente, escolhido por lista na mais cara loja da baixa….

-Pronto, pronto, vivam os noivos… mas que me não convidem para o casamento que eu, se algum dia endoidecer ao ponto de casar, também os não convidarei.

domingo, maio 20, 2007

Homenagem

-Hoje quero aqui prestar uma homenagem, singela mas sentida a dois pobres seres que toda a vida levaram bofetadas, pedradas, golpes e até com tortas de creme; Caíram uma imensidão de vezes, foram humilhados, maltratados, explodidos, atropelados. Viveram inúmeros fracassos e outras tantas desilusões.

-Não, não me refiro a mim em nenhum dos casos, ainda que pudesse. Refiro-me a eles.

sexta-feira, maio 18, 2007

ENTREVISTA














Batem à porta.
-Entre, entre por favor!
-Bom dia, venho pelo lugar que anunciaram no jornal de ontem.
-Sente-se por favor, sente-se. Tem o seu curriculum consigo? Obrigado. Hum… duas licenciaturas, dois mestrados, quatro línguas, oito anos de experiência, muito bem, muito bem. Penso que o lugar será ideal para si. Alto…, que aborrecimento. Lamento imenso mas afinal é impossível admiti-lo na nossa empresa.
-Mas…, porquê?
-É que o senhor chama-se Maurício e já cá trabalham dois Maurícios; Como entenderá traria alguns problemas de funcionalidade. Não seria operativo em termos de comunicação interna.
-Mas, vai-me recusar apenas por isso?

-Compreenda, teria muito gosto em tê-lo na equipa, mas a empresa tem normas muito definidas acerca de casos assim.

-Por favor, preciso muito deste trabalho…
- Hum…, bem vistas as coisas poderia abrir uma excepção. Se mudar de nome… Olhe temos em aberto... Vital e Capitulino, assim de repente...

-Vital! Vital estaria muito bem por mim se…
-Excelente fica Vital. Continuando, onde mora?

-Moro em Alcabichóbe!
-Impossível, vai ter que mudar de casa. É que já temos duas pessoas que moram lá e isso é o máximo permitido pelas normas da empresa. Sabe como é a proximidade fora do trabalho pode criar conluios e problemas à posteriori. Ainda se fosse Além de Cima ou Oliveiras.
-Bem… posso mudar-me para casa de um cunhado em Além de Cima.

-OK. Já agora, é casado, solteiro? É que não menciona no curriculum?
-Sou casado e tenho dois filhos.

-Pois.. é que assim não vai ser possível. Sabe como é, já cá temos três casados com dois filhos e o director já trepa pelas paredes por isso…. Nisso, como lhe disse, a empresa tem normas muito restritivas.
- Mas aí não há nada que possa fazer, tenho muito carinho aos miúdos e…
-Temos duas vagas para divorciados com dois filhos. Mas teria que me trazer os papéis de divórcio antes de assinarmos o contracto.

-Mas, isto é incrível…

-Tente entender, teria muito gosto em tê-lo nesta equipa, mas a empresa tem normas muito definidas acerca destes casos.

-Está bem. De acordo.

-Que estupidez a minha. Tem que me desculpar. Estive a fazê-lo perder o seu tempo. Não posso mesmo dar-lhe trabalho.

-Mas, que se passa agora?
-É a questão das quotas de mulheres. Tenho que contratar pelo menos 40% de elementos do sexo feminino e já não disponho de lugares para homens.
-Mas… não pode esperar que eu…

-Queira desculpar mas sabe bem que eu teria muito gosto em tê-lo na equipa, mas a empresa tem normas muito rígidas acerca de casos assim.

-E se eu vier vestido de mulher?

-E se vem uma inspecção de trabalho, já viu o que seria. Tente entender as normas da empresa.
-Não há nada que eu possa fazer?

-Bem se fosse uma operaçãozita…; Ao fim ao cabo hoje em dia já nem é nada de estranho é quase uma normalidade. Aí sim, então poderíamos avançar.
-Francamente mudar de sexo para conseguir um emprego
-Entendo. Não se preocupe, hão-de haver outros lugares noutras empresas, no entanto é pena. Paciência.
Boa tarde. O seguinte!
-Espere, espere… eu faço a operação! Mas nós ainda não falamos das condições do lugar, nem do salário, do horário nem de nada.
-Repare. O senhor cumpre com o que está a faltar e depois dessas coisitas, desses ajustamentos, volta cá com o novo B.I., o atestado de residência e o certificado do médico e então falaremos das condições. Bom dia Vitalina, com certeza iremos trabalhar muito bem consigo na equipa.
Seguinte!