terça-feira, junho 19, 2007

Governação e depressão









-
Eu tenho vindo a acordar, desde à meses para cá, sem esperança, sem vontade de lutar, quase sem animo para enfrentar os dias e as ideias. Sem vontade de mudar o país, mundo, o universo.
-Outras noites, tenho dificuldade em adormecer ou não durmo mesmo. Fecho os olhos e penso: estou velho, talvez tivessem razão os que me diziam que quando tivesse a idade que então eles tinham, veria o mundo sob outro prisma, de outro modo diferente daquele como o via então, mas isso foi ainda ontem; Ou talvez seja eu quem está mesmo acabado. Conjecturo então que devo continuar a minha actividade física, juntar-lhe complexos vitamínicos, mudar de guarda-roupa, de alimentação, de corte de barba e cabelo…

-Bah…!

-Hoje li uma sondagem que diz que os portugueses estão pessimistas, sem ânimo, com pouca esperança e alguma desesperança. Parece que há uma epidemia de impotência e desanimo a assolar o país neste preciso momento!
-Para mim é culpa do governo.
-A sério, o actual modo de governar é o que nos torna pessimistas a todos. Governar contra todos e em favor de ninguém é desmotivante para quem é governado. Como é desmotivante perder direitos em nome de nada, perder condições na assistência na doença, perder qualidade de ensino, perder condições na evolução da carreira profissional, ver regressar a perseguição a quem é “do contra”, ver liberdades cerceadas em nome de objectivos pouco claros. A culpa é do Governo e mais nada. Não se lhe antevêem objectivos, não possui lógica de acção, espezinha princípios consagrados, diz uns disparates de pasmar e faz outros tantos de corar. Diz hoje para desdizer amanha e sobrevive atolado numa total impunidade ministerial onde a asneira é recompensada com a permanência e o incumprimento premiado com apoio. Afirma peremptoriamente hoje, hesita amanhã e volta a ter certezas logo no dia seguinte.

-Governar assim chama-se desgoverno e não possui outro efeito pratico que não seja o facilitismo, a involução e a descrença dos desgovernados e desgovernados somos todos, logo pessimistas. E pessimistas não dormem, não agem, não protestam, não reclamam, não incomodam.

-Que diabo de tempos são estes?

-Que diabo de país é este?

-Pessimistas de todo Portugal, uni-vos! Somos a maioria!

-Às ruas!

sexta-feira, junho 15, 2007

FUMO II





















"As multas previstas para os fumadores apanhados com um cigarro aceso num local proibido são o dobro daquelas que estão previstas para os consumidores de drogas ilícitas. Se fumar pode custar entre 50 e mil euros, consumir droga dá direito a coimas de 25 a 403 euros, que podem ser substituídas pelo tratamento voluntário."

in DN online, 03.05.2007


-Irrita-me que me tratem como a uma criança e me castiguem a golpes de Lei enquanto tentam fazer-me crer que é para meu próprio bem que me tiram o direito de brincar com o meu brinquedo.

Eu explico: ao retirarem-me a liberdade de fumar em estabelecimentos públicos dizem-me que o fazem em nome da saúde de todos. Existe algo de muito perigoso em promulgar leis que nos protejam de nós mesmos. Antes de mais, não acredito na seriedade da preocupação do Estado para com a minha saúde nem para com a saúde de quem quer que seja; Em segundo lugar, sou maior, vacinado e consciente dos perigos que corro quando voluntariamente os corro. Se me falam na possibilidade de constituir (a minha pratica de fumar) um perigo para não-fumadores, respondo que a eles, tal como a mim, deve ser dado o direito de escolha e não apenas a eles mas também aos proprietários dos estabelecimentos em causa; A uns, a hipótese de escolherem um local sem fumo e aos segundos a hipótese de gerirem o seu negócio para o tipo de clientes que mais desejem ter. Além disso estou convencido que o número de gripes, constipações e insolações irão subir muito de futuro sobretudo entre os fumadores..

-As leis devem servir para garantir os direitos individuais de TODOS os cidadãos e não para protegerem os cidadãos deles mesmos, caso em que se corre o sério risco de legalizar o que em última instância constitui uma séria ameaça à liberdade individual.

-Se o propósito fosse real e não apenas uma medida economicista e de moda, seriam também imediatamente proibidos os desportos radicais mais perigosos, toda e qualquer obesidade, a frequência de alguns estabelecimentos hospitalares, alguns programas de televisão e todas as desculpas politicas para o incumprimento das promessas eleitorais.

-As leis, todas as leis, devem servir para garantir os direitos e liberdades individuais e para permitir e organizar a sã convivência entre direitos e obrigações. Caso contrário caminhamos para uma sociedade asséptica mas morta.

“Toda a acção privada que não constitua dano ou prejuízo moral ou da ordem pública bem como prejuízo de terceiros devem estar fora do alcance da Lei.”

-Tudo o resto não passa de oportunismo politico e vergonhosa demagogia.



Nota-
Ver também "FUMO"
Post de 04/Fevereiro de 2007

quarta-feira, junho 13, 2007

segunda-feira, junho 11, 2007

Sabedoria Impopular










Frequentar a Igreja faz tanto de mim um católico como frequentar uma garagem fará de mim um automóvel.

A inteligência artificial, não consegue competir com a estupidez natural.

Não existe uma única prova científica de a vida seja algo sério.

Para tudo o que é bom, existe uma lei médica, lógica ou governamental que o proíbe.

A velocidade das contas é exactamente o dobro da velocidade dos cheques.

Come equilibradamente, faz exercício, não fumes ou bebas em demasia e morrerás na mesma mas mais estúpido.

Afinal os homens são da Terra e as mulheres também.

Uma multa é um imposto por ter feito asneira, um imposto é uma multa por ter feito bem.

Lixo é algo que mantemos connosco anos a fio e deitamos fora dois dias antes de nos fazer falta.

Não são os jeans que nos fazem parecer mais novos nem mais magros.

sexta-feira, junho 08, 2007

JUSTIÇA















-Apenas vos peço que leiam. Depois peço-vos que pensem à luz da mais básica noção de justiça, de direito, de responsabilidade, de dignidade.
-Depois peço-vos que transmitam, que divulguem e que exijam JUSTIÇA!


22/02/2007
Com leucemia - Professora obrigada a dar aulas

-"Uma docente da Escola EB 2/3 de Cacia, em Aveiro, que se encontrava de baixa há cerca de dois anos, após lhe ter sido diagnosticada uma leucemia, foi obrigada pela Caixa Geral de Aposentações a regressar ao serviço para cumprir um período mínimo de 31 dias de trabalho. Manuela Estanqueiro, de 63 anos, tinha pedido para ser aposentada por incapacidade, mas, após uma junta médica realizada em Novembro, não só viu a pretensão recusada como teve a baixa médica suspensa e ordem para voltar ao serviço, sob pena de perder o vencimento."Sinto-me muito injustiçada. Sei que há quem faça de conta que está doente, mas esse não é, infelizmente, o meu caso", salientou a professora ao CM. ATESTADO ATÉ NOVA JUNTA.
-O período mínimo exigido terminou anteontem e Manuela Estanqueiro está actualmente de atestado médico, até poder ir a nova junta médica. "Estes 31 dias foram de extrema agonia e cheguei a desmaiar em plena sala de aula, para além de ter de descansar nos intervalos. Só consegui ultrapassar este sofrimento porque tive sempre o apoio dos colegas, da escola e da Direcção Regional de Educação do Centro."A decisão da Caixa Geral de Aposentações deixou a docente de educação tecnológica "abalada psicologicamente". "Depois de meses de quimioterapia, era o pior que me podia acontecer", diz Manuela Estanqueiro diz que não a preocupa o facto de lhe recusarem a aposentação – da qual já apresentou recurso – só não entende como a podem considerar capaz para o serviço, quando tem uma doença grave diagnostica. Por causa de tudo isto, viu a baixa revogada, quando "a tinha até Outubro de 2008"".

in: http://www.cacia.pt/index.php?CA=Noticia&IDNoticia=40

-O comentário que se segue, e que nos conta o que infelizmente aconteceu a esta professora, foi extraído daqui:
http://legoergosum.blogspot.com/2007/05/questes-de-moral.html

-"Essa pergunta pode ser feita à Ministra da Educação? É que, relativamente a esta notícia da professora com leucemia que foi obrigada a trabalhar há 3 meses: http://www.cacia.pt/index.php?CA=Noticia&IDNoticia=40 essa professora, a minha colega Manuela Estanqueiro, foi hoje a enterrar às 15.30h no Cemitério de Cacia, em Aveiro. Estou REVOLTADO. Nem sabem o que me apetece fazer. Agora percebo porquê que às vezes lemos nos jornais casos de ajustes de contas a tiro. Por muito menos o fazem, por muito menos. Desculpem a crueldade mas, dizer menos que isto, era lutar contra um sentimento de justiça que me atormenta e é bem mais forte. Estou ENOJADO.ENOJADO!!!!!!!!!!!!!

Francisco"

4 de Junho de 2007 21:47




quarta-feira, junho 06, 2007

A cegonha já não é o que era












-Parece ter-se tornado uma nova moda esta coisa dos nascimentos em ambulância.
-Quase todos os dias há um, seja na ambulância dos Bombeiros Voluntários da Rebardeja, seja numa viatura do INEM.

-Torna-se interessante assistir a este novo epifenómeno de popularidade jornalística. Entrevista-se o pai babado, ali mesmo à mão do repórter de serviço, que já se esqueceu que podia ter perdido esposa e rebento. Questionam-se os voluntários de serviço que entendem de partos tanto quanto de microbiologia celular ou de fractais e é vê-los sorridentes por estarem na televisão a dizer como tudo correu bem. Elogia-se-lhes a bravata e a bravura de que hão-de falar no café e na corporação durante uma semana e termina-se a reportagem com uma frase bombástica: “Felizmente tudo correu bem e quer a mãe quer a criança estão de excelente saúde!”.
-É assim e é pena.
-Na realidade, no meio de tanta celebração e de tanto suspiro de alívio esquece-se quem é o verdadeiro responsável por esta dinâmica de natalidade terceiro-mundista. Quem fechou, ou mandou que fechassem maternidades e quem fez mais por estas noticias, com que a RTP nos brinda quase diariamente, mais do que quem qualquer outro rematado idiota.
-As crianças lá vão nascendo como podem e até agora ainda não ocorreu a desgraça. Mas e se ocorrer? Será noticia ou será apenas um acidente de percurso como muitos outros, resumido a um relatório numa pasta de arquivo algures numa qualquer Direcção Regional de Saúde?
-E o Sr. Ministro? Com certeza continuará a dormir na angélica paz dos ineficazes mas economicistas. Na mesma paz dos que recorrem apenas a serviços de saúde privados.

-E nós? Continuaremos a sorrir sempre que virmos um pai babádo e um bombeiro elogiado?

-Com certeza e respiraremos comovidamente fundo ao ouvir: “Felizmente tudo correu bem e quer a mãe quer a criança estão de excelente saúde!”.

terça-feira, junho 05, 2007

Entrevista IN-Provavel













-Qual a coisa mais baixa que já fez?
-Apertar os atacadores.
-Qual o seu estado civil
-Sou sargento, logo: militar.
-É uma pessoa indecisa?
-Antes era, agora tenho a certeza que sou!
-Prefere a televisão ou um livro?
-Se tiver figurinhas prefiro o livro.
-Qual o livro de que mais gostou?
-Nunca encontrei nenhum que não tivesse um acentuado sabor a papel.
-Tem algum passatempo?
-Sim, adoro enigmas difíceis, quase impossíveis como por exemplo: sobreviver até ao fim de cada mês sem emigrar e também persigo arco-íris.
-Que pensa da nossa
Justiça?
-Não gosto de enlatados.
-Acompanha as questões de politica nacional?
-Apenas à guitarra.
-Conte-nos uma coisa estúpida que tenha feito.
-Bom, para além de ter nascido e de ter votado como votei, a semana passada perdi as chaves de casa e procurei-as no GOOGLE!

sexta-feira, junho 01, 2007

quinta-feira, maio 31, 2007

Valor















-"Há gente que eu gostava de comprar pelo preço que realmente vale e vender pelo preço que eles acham que valem!"

quarta-feira, maio 30, 2007

GREVE















Pelas ESCOLA ENCERRADAS
Pelas UNIDADES DE SAÚDE FECHADAS
Pelas EMPRESAS DESLOCALISADAS
Pelas POLITICAS ERRADAS
Pelas PROMESSAS QUEBRADAS
Pelas DECLARAÇÕES APARVALHADAS
Pelas LIBERDADES AMEAÇADAS
Por todas as ENORMES TRAPALHADAS

terça-feira, maio 29, 2007

Policial




















-O inspector-chefe Meireles saiu do carro mesmo em frente ao número 22 no preciso momento em que sobre a cidade se abatia uma tremenda chuvada. Vestiu a gabardina, disse dois palavrões e atravessou a rua. Depois de cumprimentar o agente da PSP que estava à porta, atirou o cigarro para longe e entrou resoluto. A vítima, encontrava-se logo no hall de entrada, de barriga para baixo numa poça de sangue aparentemente recente. Meireles colocou o joelho direito no chão e atentamente observou o cadáver.
- Um tiro no estômago – afirmou peremptório olhando as costas da vítima. Ergueu-se a custo e amaldiçoou o último gin tónico da noite anterior. Olhou em volta e chamou o sub-inspector Cerdeira.
- Cerdeira! Já encontraram a arma do crime e determinaram a identidade da vítima?
Cerdeira era um homem atarracado, nem alto nem baixo e de idade indeterminada. Chamavam-lhe “a sombra” por andar sempre atrás do inspector mas era quase sempre ele quem descobria a última peça das investigações em que ambos participavam. Tinha estagiado em Londres e só não era ele próprio inspector-chefe em lugar do inspector-chefe por ter feito a licenciatura na UnI.
-Bem chefe, não e sim – disse Cerdeira com o mais sardónico dos sorrisos que foi capaz de exibir– quer dizer, a arma não encontrámos mas sabemos quem é ele.
- Vá lá Cerdeira, que raio quer dizer “sardónico” e quem é afinal o gajo? - O inspector estava agora com cara de poucos amigos. Nunca na realidade tivera muitos, mas desde que o Ferráz lhe fugira com a mulher perdera esse, o que para quem só tinha dois amigos significava quase 60% de perdas
- O tipo é ex-candidato à Câmara de Lisboa. Talvez se lembre dele, teve as trombas aí por todo o lado em cartazes. Era aquele com ar de idiota chapado…
-Porra Cerdeira, eles eram tantos e todos tinham esse ar. Como raio quer que me lembre? Vamos lá tratar de procurar a arma que já são quase duas da manhã e estou com um secão
-Apenas duas horas depois foi o agente Vagos, a quem toda a gente chamava “Bagos”, quem encontrou a dez centímetros da mão direita da vítima, o punhal ensanguentado. Com todo o cuidado, fotografou-o. Tinha mesmo quer ter cuidado, aquela máquina fora caríssima e ele já tivera problemas quando perdera o crachá e a arma durante o pic-nic anual da brigada. Só depois chamou por Meireles.

segunda-feira, maio 28, 2007

Um Post Histórico





















Edste *e o p+rtimero posdt eswcitro cpom o nbariz !"

sábado, maio 26, 2007

Hoje





















Se hoje oferecesse algo seria isto:

Não, não te esqueci e nem sei como fazê-lo.

sexta-feira, maio 25, 2007

Coisas assim...









-A idade é um preço demasiado elevado a pagar pela maturidade.

-Experiência é algo que apenas se adquire depois de já nos ter feito muita falta.

-Por vezes a idade não traz a experiência consigo, por vezes a idade vem sozinha.

-A experiência é um grande ensinamento, faz com que não reconheçamos um erro quando estamos a repeti-lo.


quinta-feira, maio 24, 2007

Ministros, Bocarras e Burricadas













-Apenas Neste país encantador (apetecia-me dizer nesta República das bananas governado por um… ) se passam dislátes deste calibre. -Primeiro dizem-se os mais rematados disparates para de seguida se vir a terreiro desmentir aquilo que se disse. Já assim fora com o metro do Porto e antes com a OTA como seu projecto pessoal.

-Não adianta agora, vir dizer que não disse aquilo que disse porque todos o ouvimos a dizê-lo. Cale-se e demita-se de uma vez, pois há muito que parece demitido do mais básico resquício de bom senso e lucidez.
-A actual sem vergonhice é intolerável, o desrespeito pelos cidadãos é óbvio, a desresponsabilização e a irresponsabilidade só encontra
m paralelo na impunidade de declarações e nas justificações infantis de má interpretação.









-
O que vale ao actual governo é que depois de uma rematadissima imbecilidade de um ministro, logo a seguir surge outra ainda mais grave por parte de um colega seu. No entretanto ninguém é chamado à pedra, a ninguém são assacadas responsabilidades e o Primeiro-ministro remete-se ao silêncio cúmplice do costume.

-Se isto não é “um pais de bananas governado por um …. (*)”., não sei o que será.















Post Scriptum – Se existisse um premio a atribuir à mais esfarrapada das desculpas com toda a certeza seria atribuído a Almeida Santos pela sua interpretação das asneiras ditas pelo ministro Mário Lino. Francamente, bombas nas pontes?






(*) Frase supostamente dita por um professor e que lhe acarretou um monte de aborrecimentos típicos de quem habita numa Republica das Bananas

terça-feira, maio 22, 2007

IRRA!!









in: PÚBLICO

- É o triunfo dos porcos em versão Lusa; O dealbar do lambebótismo; A estupidez gratuita; O reacender das trevas da imbecilidade; O culminar da perseguição sem sentido; O regresso da delação.
-Se assim querem matar a critica, abafar o humor, aniquilar a opinião, ultrajar a Liberdade de expressão, então: tristes dos perseguidos, dos não seguidistas, dos que não bajulam, dos que se não ajoelham, dos que têm coluna vertebral e dos que pensam.
-É enfim, o Socratismo na sua verdadeira face visível.
-Povo que votas, ergue-te, emenda-te que eu perdoo-te.

Declaração Universal dos Direitos do Homem, nomeadamente o seu Art. 19.º:
"Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão".

Artigo 2.º (Estado de direito democrático) da Constituição da República Portuguesa:
"A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa."


segunda-feira, maio 21, 2007

Casamentos e Copos de Àgua Fria










-Quem nunca foi a um casamento?
-Se alguém tiver levantado a mão, deixe que lhe diga: “Parabéns!”

-Pessoalmente, sempre que recebo um convite para um casamento, faço exactamente a mesma cara que faço quando recebo uma conta exagerada, uma multa ou uma mensagem insultuosa.
-Já repararam como as pessoas se vestem para irem a um casamento?
-As mulheres sobretudo, vestem-se com cores super garridas e raras, usam decotes que no dia-a-dia nem ousam pensar, quase tão profundos como altos são os saltos dos seus sapatos. Que dizer daqueles chapelinhos com uma rendinha na frente? Pois… e as bolsinhas que transportam debaixo do braço e que contrastam em tamanho com as dos dias “normais”? Que raio conseguem lá meter além do telemóvel? Uma daquelas pistolas de batoteiro do Oeste americano e dois rebuçados para a tosse?
-Os homens por seu lado, enfiam-se em casacos onde apenas entraram no dia do próprio casamento ou que usaram antes ainda da barriga lhes crescer. Alguns, mais novos, ficam com aquele ar vulgarzinho de vendedores de automoveis usados ou de falsos jovens empresários, mas quase sempre erram na escolha da gravata. Aquilo mais parece um uniforme de parvo do que uma vestimenta para uma ocasião especial.
-Outra das coisas que me desespera nos casamentos é a espera. Espera-se que o noivo chegue, espera-se que a noiva chegue sempre atrasada, mas sempre também se espera que não chegue tão atrasada como sempre chega. Espera-se que o casamento termine, depois espera-se com as mãos cheias de arroz para que os noivos saiam da igreja. Na altura em que isso acontece, com o calor e o suor das mãos, o que se lhes atira mais parece arroz malandro do que o arroz dos noivos. Depois ainda esperamos não nos perder desde a Igreja até ao restaurante. Temos sempre que seguir alguém e muitas vezes acabamos a seguir um carro errado até à porta de casa do condutor. Logo a seguir, vem a típica espera pela almoçarada e aí espera-se em fila para conseguir chegar à mesa das “entradinhas”. Espera-se na fila do bar para beber nem que seja um copo de água e continua-se a esperar pelo almoço.
-Também existe a questão dos lugares à mesa. Nunca vos aconteceu alguém sentado perto dizer algo como:
-Olá! Tu deves ser o Alberto, o filho da Tininha. Eu sou a tua prima Aurora filha do Fernandes, aquele com quem o avô não fala. Não achas que o noivo tem ar de azeiteiro?
-Bem… eu não sou da família, sou amigo do noivo.

-Talvez a única coisa realmente bem organizada nos casamentos seja a repartição dos idiotas: existe sempre pelo menos um em cada mesa e dois na minha. Insistem em falar comigo como se eu estivesse interessado em conhece-los, fazem perguntas imbecis, contam a vida toda e gostam de quase tudo o que eu detesto.
-Enquanto a comida não chega, os fotógrafos e os tipos do Vídeo não param de encher os olhos dos convidados com flashes e esperam que haja quem possa sorrir.
-As mães por esta altura repetem o vale de lágrimas que haviam vertido na igreja e os tios vão repetindo: “Que sejais muito felizes e vos respeiteis sempre!”
-As gravatas caem na sopa, os brindes parvinhos sucedem-se e não há um idiota que não queira dizer “duas palavrinhas”.
-Depois começa o bailarico, as quedas aparatosas dos “tocados-da-pinga-que-hoje-é-de- graça”, os vestidos que se rasgam os tacões que se partem e mais quedas aparatosas.
-Depois… bem depois é quando normalmente eu saio para o bar, para fugir ao leilão da liga da noiva e da gravata do noivo e já agora para não ver a tristíssima figura das raparigas encalhadas a matarem-se umas às outras pelo ramo. O resto é ainda pior, fotografias com os noivos, com o noivo, com a noiva, com os pais de ambos, com os amigos da noiva, os do noivo, as primas, os ex-colegas… um fartar vilanagem de pixels e de aborrecimento.

-Se então falarmos da despesa que um casamento acarreta para os convidados, rapidamente nos tornamos adeptos fervorosos do celibato e não apenas do nosso. Tudo começa com a despedida de solteiro, onde se gasta dinheiro como se nascesse nas árvores. No final, nada daquilo passa de uma desculpa para que os já casados possam chegar a casa a cairem de bêbados e para que todos vejam mulheres com que sonham a fazerem coisas com que as mulheres deles nem sonham.
-Se a isto somarmos o presente, escolhido por lista na mais cara loja da baixa….

-Pronto, pronto, vivam os noivos… mas que me não convidem para o casamento que eu, se algum dia endoidecer ao ponto de casar, também os não convidarei.

domingo, maio 20, 2007

Homenagem

-Hoje quero aqui prestar uma homenagem, singela mas sentida a dois pobres seres que toda a vida levaram bofetadas, pedradas, golpes e até com tortas de creme; Caíram uma imensidão de vezes, foram humilhados, maltratados, explodidos, atropelados. Viveram inúmeros fracassos e outras tantas desilusões.

-Não, não me refiro a mim em nenhum dos casos, ainda que pudesse. Refiro-me a eles.

sexta-feira, maio 18, 2007

ENTREVISTA














Batem à porta.
-Entre, entre por favor!
-Bom dia, venho pelo lugar que anunciaram no jornal de ontem.
-Sente-se por favor, sente-se. Tem o seu curriculum consigo? Obrigado. Hum… duas licenciaturas, dois mestrados, quatro línguas, oito anos de experiência, muito bem, muito bem. Penso que o lugar será ideal para si. Alto…, que aborrecimento. Lamento imenso mas afinal é impossível admiti-lo na nossa empresa.
-Mas…, porquê?
-É que o senhor chama-se Maurício e já cá trabalham dois Maurícios; Como entenderá traria alguns problemas de funcionalidade. Não seria operativo em termos de comunicação interna.
-Mas, vai-me recusar apenas por isso?

-Compreenda, teria muito gosto em tê-lo na equipa, mas a empresa tem normas muito definidas acerca de casos assim.

-Por favor, preciso muito deste trabalho…
- Hum…, bem vistas as coisas poderia abrir uma excepção. Se mudar de nome… Olhe temos em aberto... Vital e Capitulino, assim de repente...

-Vital! Vital estaria muito bem por mim se…
-Excelente fica Vital. Continuando, onde mora?

-Moro em Alcabichóbe!
-Impossível, vai ter que mudar de casa. É que já temos duas pessoas que moram lá e isso é o máximo permitido pelas normas da empresa. Sabe como é a proximidade fora do trabalho pode criar conluios e problemas à posteriori. Ainda se fosse Além de Cima ou Oliveiras.
-Bem… posso mudar-me para casa de um cunhado em Além de Cima.

-OK. Já agora, é casado, solteiro? É que não menciona no curriculum?
-Sou casado e tenho dois filhos.

-Pois.. é que assim não vai ser possível. Sabe como é, já cá temos três casados com dois filhos e o director já trepa pelas paredes por isso…. Nisso, como lhe disse, a empresa tem normas muito restritivas.
- Mas aí não há nada que possa fazer, tenho muito carinho aos miúdos e…
-Temos duas vagas para divorciados com dois filhos. Mas teria que me trazer os papéis de divórcio antes de assinarmos o contracto.

-Mas, isto é incrível…

-Tente entender, teria muito gosto em tê-lo nesta equipa, mas a empresa tem normas muito definidas acerca destes casos.

-Está bem. De acordo.

-Que estupidez a minha. Tem que me desculpar. Estive a fazê-lo perder o seu tempo. Não posso mesmo dar-lhe trabalho.

-Mas, que se passa agora?
-É a questão das quotas de mulheres. Tenho que contratar pelo menos 40% de elementos do sexo feminino e já não disponho de lugares para homens.
-Mas… não pode esperar que eu…

-Queira desculpar mas sabe bem que eu teria muito gosto em tê-lo na equipa, mas a empresa tem normas muito rígidas acerca de casos assim.

-E se eu vier vestido de mulher?

-E se vem uma inspecção de trabalho, já viu o que seria. Tente entender as normas da empresa.
-Não há nada que eu possa fazer?

-Bem se fosse uma operaçãozita…; Ao fim ao cabo hoje em dia já nem é nada de estranho é quase uma normalidade. Aí sim, então poderíamos avançar.
-Francamente mudar de sexo para conseguir um emprego
-Entendo. Não se preocupe, hão-de haver outros lugares noutras empresas, no entanto é pena. Paciência.
Boa tarde. O seguinte!
-Espere, espere… eu faço a operação! Mas nós ainda não falamos das condições do lugar, nem do salário, do horário nem de nada.
-Repare. O senhor cumpre com o que está a faltar e depois dessas coisitas, desses ajustamentos, volta cá com o novo B.I., o atestado de residência e o certificado do médico e então falaremos das condições. Bom dia Vitalina, com certeza iremos trabalhar muito bem consigo na equipa.
Seguinte!

quarta-feira, maio 16, 2007

Estúpidos
























-Ser estúpido não é obrigatoriamente uma coisa péssima, mas lá que é mau, é!
-O maior problemas dos estúpidos é que não existe uma vacina contra eles, nem sequer um qualquer comprimido que os trate a eles e às suas consequências em nós. Simplesmente existem, estão por aí e nunca se sabe como, quando nem onde irão atacar de novo. Mas vejamos em que consiste a estupidez:

-Segundo um grande ideólogo do século passado, um místico visionário e reputado analista de questões essenciais, cujo nome me não recorda, a humanidade dividir-se-ia em quatro grandes grupos, sendo que um deles seria o grupo dos estúpidos. Os quatro grupos seriam estes: Inteligentes, Malvados, Incautos e Estúpidos. Para definir em qual grupo se enquadrava cada ser humano, apenas necessitamos de nos basear nas suas acções a cada momento. Vejamos:

-Os inteligentes, quando levam acabo uma acção relativamente a outro ser humano, saem beneficiados com o resultado desta e ao mesmo tempo beneficiam o receptor dessa acção.
Exemplo: Dois indivíduos jogam em sociedade no Euromilhões e no caso de ganharem dividem o prémio.

-Os malvados, quando levam a cabo uma acção que envolva outro indivíduo, obtêm beneficio dessa acção mas dela resulta prejuízo para o segundo elemento.
Exemplo: Dois indivíduos jogam em sociedade no Euromilhões e no caso de ganharem um deles fica com tudo e o outro sem nada.

-Os incautos, quando levam acabo uma acção relativamente a outro ser humano, não obtêm qualquer benefício ou sofrem um prejuízo, mas da acção em causa resulta vantagem ou ganho para o receptor da acção.
Exemplo: Dois indivíduos jogam em sociedade no Euromilhões e no caso de ganharem, um deixa todo o prémio para o outro.

-Os estúpidos, quando realizam uma acção que envolva outro indivíduo, fazem com que dessa acção resulte evidente prejuízo para ambos.
Exemplo: Dois indivíduos jogam em sociedade no Euromilhões e no caso de ganharem,um deita inadvertidamente o comprovativo do registo no WC e ainda inadvertidamente, puxa o autoclismo.

Assim pensava o mundo, o referido estudioso. Eu… acho apenas que todos somos estúpidos em ocasiões inesperadas e uns mais do que outros