terça-feira, outubro 17, 2006













-Eis aqui um programa de cinco anos para resolver o problema da falta de autoconfiança na sua capacidade gramatical e ortográfica. Em vez de melhorar o ensino, vamos facilitar as coisas, afinal, que é o que parece que o ministério tem querido fazer até porque o Português é realmente difícil, não apenas a Física e a Matemática. Para não assustar os poucos que sabem escrever, nem deixar mais confusos os que ainda tentam acertar, será tudo feito de forma gradual.


Ano 1 - O "Ç" vai substituir o "S" e o "C" sibilantes, e o "Z" o "S" suave. Peçoas que açeçam a Internet com freqüênçia vão adorar, prinçipalmente os adoleçentes. O "C" duro e o "QU" em que o "U" não é pronunçiado çerão trokados pelo "K", já ke o çom é ekivalente. Iço deve akabar kom a konfuzão, e os teklados de komputador terão uma tekla a menos, olha çó ke koiza prátika e ekonômika.

Ano 2 - Haverá um aumento do entuziasmo por parte do públiko, kuando o problemátiko "H" mudo e todos os acentos, inkluzive o til, seraum eliminados. O "CH" çera çimplifikado para "X" e o "LH" pra "LI" ke da no mesmo e e mais façil. Iço fara kom ke palavras como "onra" fikem 20% mais kurtas e akabara kom o problema de çaber komo çe eskreve xuxa, xa e xatiçe. Da mesma forma, o "G" ço çera uzado kuando o çom for komo em "gordo", e çem o "U" porke naum çera preçizo, ja ke kuando o çom for igual ao de "G" em "tigela", uza-çe o "J" pra façilitar ainda mais a vida.

Ano 3 - A açeitaçaum publika da nova ortografia devera atinjir o estajio em ke mudanças mais komplikadas serão poçiveis. O governo vai enkorajar a remoçaum de letras dobradas que alem de desneçeçarias çempre, foraum um problema terivel para as peçoas, que akabam fikando kom teror de soletrar. Alem diço, todos konkordaum ke os çinais de pontuaçaum komo virgulas dois pontos aspas e traveçaum tambem çaum difíçeis de uzar e preçizam kair e falando çerio já vaum tarde.

Ano 4 - Todas as peçoas já çeraum reçeptivas a koizas komo a eliminaçaum do plural nos adjetivo e nos substantivo e a unificaçaum do U nas palavra todas ke termina kom L como fuziu xakau ou kriminau ja ke afinau a jente fala tudo iguau e açim fika mais faciu. Talvez naum gostem de akabar com os plurau porke gosta de falar xxx nos finau das palavra mas vaum akabar entendendo. Vaum adorar. Os madeirense vaum kerer aproveitar pra akabar com o D nos jerundio .

Ano 5 - Akaba a ipokrizia de çe kolokar R no finau dakelas palavra no infinitivo ja ke ningem fala mesmo e tambem U ou I no meio das palavra ke ningem pronunçia komo por exemplo roba toca e enjenhero e de uzar O ou E em palavra ke tudo pronunçia como U ou I, I ai Im vez di çi iskreve pur ezemplu kem ker falar kom ele vamu iskreve kem ke fala kum Eli ki e muito milio çertu ? Os çinau di interogaçaum I di isklamaçaum kontinuam pra çabe kuandu algem ta faz uma pergunta ou ta isclamandu ou gritandu kom a jenti e o pontu pra jenti sabe kuandu a fraze akabo.

Naum vai te mais problema ningem vai te mais eça barera pra çua açençaum çoçiau e çegurança pçikolojika todu vai iskreve sempri çertu I çi intende muitu melio I di forma mais façiu e finaumenti todu em Portugau vai çabe iskreve direitu ate US jornalista US publiçitario US blogeru US adivogado US iskrito I ate US pulitiko.

Ki maravilia!

(Baseado em texto de Anónimo que ignoro quem seja)

quinta-feira, outubro 12, 2006

quarta-feira, outubro 11, 2006

Emigração




















Portugal era um país de emigrantes e ainda é!

-Os portugueses são emigrantes ilegais em Portugal. Senão vejamos: quantos de nós possuímos autorização de residência? Quantos de nós possuímos emprego garantido? Quantos de nós temos ensino e assistência na saúde gratuitamente?
-Pode pensar-se que o simples facto de termos no bolso um cartãozinho que ostenta o símbolo da república portuguesa, a nossa foto e alguns dados pessoais, nos torna cidadãos de pleno direito, mas não é exactamente assim.
-Todos os portugueses vivem cá por pura necessidade, tal como os emigrantes, sejam eles de leste, de oriente, da América do sul ou de África. Quase todos passam necessidades para conseguir chegar ao fim do mês com dinheiro no bolso e se possível guardar algum. Todos se consideram explorados pela entidade patronal e trabalham quanto podem para manter o emprego.
-Os portugueses, possuem o fatalismo russo, moldavo e ucraniano; A saudade da terra que os Brasileiros possuem, e tal como os chineses e indianos, todos sonhamos com um negócio próprio. Dos africanos herdámos, ou imitamos, o gosto pelo calor, pela comida bem “puxada”e alguma alegria interior.
-Aquilo que no entanto mais nos liga a todos eles, é a progressiva comunhão de falta de qualidade de vida, de uma cada vez maior precariedade de condições sociais e galopante perda de direitos laborais imposta por governos despóticos, surdos e cegos a tudo o que não seja a sanidade económica, que não sabe por manifesta incompetência atingir.
-Tal como nas ditaduras ou governos musculados, que exigem e impõe sacrifícios que não fazem, também por cá as máfias se desenvolvem em terreno fértil e impune. Podem não ser gangs de favela, máfias russas, tríades ou senhores tribais. Podem usar colarinho branco, saco azul, BMW metalizado e apito dourado, mas são máfias e nós pobres emigrantes em Portugal estamos cada dia mais sujeitos a elas.

terça-feira, outubro 10, 2006

segunda-feira, outubro 09, 2006

"República/Monarquia" - Redacção












-Para o final a monarquia não valia dois reis.
-A república começou por ser uma república das bananas, depois a dita, tornou-se muito dura e por fim o estado novo caiu de velho por culpa de uma revolução que se transformou em grande confusão.
-A primeira república laicizou o ensino e as que se lhe seguiram lixaram-no. Na monarquia existiam muitos analfabetos. Na república pouca gente sabe ler bem, e menos ainda são aqueles que lêem realmente. A república acabou com o caciquismo que grassava durante a monarquia e criou caciques novos.
-Na monarquia existia muita pobreza e poucos mandavam em muitos; Com a república, a situação inverteu-se, isto é: poucos mandavam em muitos e havia muita pobreza.
-Na monarquia os mações conspiravam, na república não?

terça-feira, outubro 03, 2006

Manual para políticos amadores (Capitulo III)













Acusar
-Incriminar.
-Apontar responsabilidades.

Adversários
-Protagonistas oponentes.

Amanhã
-Futuro próximo.
-Nunca.

Ambição
-Vontade de servir.
-Progressão politica.

Atrasado
-Moroso.

Cabeçadas
-Divergências.
-Discordâncias.
-Dissonâncias.

Cabeçudo
-Determinado

Cacique
-Líder de opinião local.

Cínico
-Bem humorado.
-Original.

Combinação explosiva
-Coabitação.

Contestação
-Agitação.
-Oportunismo.
-Desvario.

Confissão
-Clarificação.

Culpado
-Alegadamente responsável

Cumplicidade
-Convergência de interesses.
-Comunhão de objectivos.
-Princípios e objectivos comuns.

Deixa andar
-Manutenção do status quo.

Desvalorização salarial
-Reajustamento salarial.

Discordância
-Dissonância.

Doido
-Desequilibrado.
-Original.
-Stressado, esgotado, cansado ou com problemas de coluna, se membro de um governo

Droga
-Dependência.
-Substancia tóxica.

EVASÃO
-Se recluso - Reinserção social.
-Se capitalista - Investimento no estrangeiro.
-Se jornalista - Contornar a questão.

Falhanço
-Adiamento.

Fraqueza
-Tolerância.

Greve
-Paralisação laboral.
-Bloqueio produtivo.
-Ataque às instituições.

Gueto
-Minoria
-Grupo desfasado da realidade.
-Desajustados sociais.

Homem de mão
-Colaborador próximo.
-Assistente pessoal.
-Assessor.

Imobilismo
-Status quo.
-Manutenção da actual situação.

Ignorância
-Desinformação involuntária.

Inflação galopante
-Ligeira derrapagem de preços.
-Dificuldade económica de aquisição.

Jovem palerma ambicioso
-Neófito.

Lobby
-Grupo de pressão.
-Grupo de interesses.

Luta
-Debate aceso de ideias.

Mentiras
-Alegações.
-Desinformação voluntária.

Miséria
-Condições precárias.
-Necessidade económica.
-Precariedade social.

NÃO
-Sim mas…
-Talvez.
-Logo se verá.

Pacóvio
-Rural.

País subdesenvolvido
-País em vias de desenvolvimento.

Pobre
-Necessitado.
-Excluído.

Privilégios
-Vantagens adquiridas.
-Recompensa monetária.
-Compensação.

Propaganda
-Informação.
-Conferencia de imprensa.

Sacudir a água do capote
-Referendo.

Reaccionário
-Tradicionalista.

Repressão
-Manutenção da ordem.

Saco de gatos
-Congresso.

Salário miserável
-Rendimento mínimo.

Suborno
-Contribuição.
-Ajuda monetária.
-Financiamento pessoal.

Víbora
-Dissidente.
-Discordante.

Vira-casacas
-O que sai do meu partido para outro; O que faz o oposto é sempre uma pessoa de coragem politica, carácter, coragem e assinalável percurso politico.

domingo, outubro 01, 2006

Manual para políticos amadores (Capitulo II)












O Que se pensa e o que se diz:

A demora deve-se à excessiva burocracia.
“-O ligeiro atraso verificado deve-se à necessidade de serem respeitados os prazos e procedimentos legais necessários.”

A Inflação vai aumentar.
“-Uma certa incerteza paira sobre as perspectivas de aumento de poder de compra.”

Ambos são cúmplices.
“-Entre ambos existe uma grande convergência de interesses pessoais e outros.”

As eleições mudaram esta trapalhada toda.
“-Trata-se muito naturalmente do fim de um ciclo político e do inicio de um outro na sociedade portuguesa.”

As guerras internas no partido são inevitáveis e perigosas.
“-É salutar que diferentes sensibilidades se exprimam no contexto interno.”

A reunião foi detestável e sem resultados.
“-A reunião decorreu em clima franco e cordial com muitos pontos de vista semelhante e também algumas discordâncias.”

Bolas o fulano tem toda a razão, vou fazer como ele disse.
“-Sou extremamente sensível à eficaz analise que acabou de fazer e não deixarei de a ter em conta no futuro.”

BRONCA:
“-Circunstancias totalmente imprevisíveis levaram a que se cometesse um erro de cálculo com base em previsões não realizadas.”

Cala a boca idiota!
“-Tenha a bondade de me deixar terminar o meu raciocínio sem me interromper constantemente.”

CUNHA:
“-Ligação de personalidades da sociedade civil ao aparelho de Estado.”
“-Escolha pessoal com base na confiança e competência demonstradas.”

Ele é um valho jarreta, dorminhoco e cada vez mais gágá.
“-Ele é um bastião dos grandes valores ideológicos da democracia e a sua contribuição não pode nunca ser descurada ou esquecida.”

Ele é autoritário e déspota.
“-Ele possui uma considerável capacidade de chefia e liderança.”

Eleições? Que chatice.
“-As consultas eleitorais que pautam a vida do nosso país, permitem aos portugueses exprimir os seus anseios de forma democrática.”

Está bem eu digo-vos, mas nada de escrever isto.
“-Naturalmente informar-vos-ei acerca dessa questão mas off-the-record.”

Está totalmente lixado!
“-A sua posição pessoal encontra-se algo fragilizada.”

Está tudo lixado e vai tudo pró desemprego!
“-A actual conjuntura, a avaliar pelos recentes índices da Comunidade Europeia e da OCDE, apresenta sérios défices estruturais cujo resultado poderá traduzir-se na desacelaração da nossa economia e na forte penalização de algumas categorias sócio-profissionais.”

Fui obrigado a ceder em quase tudo.
“-Foi uma frutuosa troca de pontos de vista que me deu ocasião para redefinir as minhas convicções acerca de alguns assuntos específicos.”

Grande escandaleira.
“-Acontecimento algo embaraçoso.”

Há quem saiba bem quem ele é.
“-Goza de uma certa notoriedade em certos círculos.”

Há tantos militantes como correntes internas.
“-A galáxia de opiniões é rica na sua diversidade”

Morreu? Ainda bem, não faz cá falta nenhuma.
“-Uma perda irreparável para a democracia portuguesa.”
“-Um enorme exemplo de respeito pela liberdade, um democrata e um lutador de excepção e sem paralelo.”

Os idiotas dos eleitores.
“-O tecido eleitoral português.”

O Chato do Presidente da República.
“-O Garante da unidade nacional, o supremo magistrado da nação, o Chefe supremo das forças armadas e o verdadeiro vértice do estado.”

Os pobres estão cada vez mais miseráveis.
"-Verifica-se um ligeiro incremento no numero de portugueses necessitados e na taxa de exclusão social.”

O tipo além de cabotino é teimoso como uma mula.
“-Para além da sua personalidade extremamente mediática é sem qualquer duvida possuidor de sólidas convicções.”

O tipo é um fraco.
“- Possui uma enorme abertura de espírito que sempre soube demonstrar.”

O tipo é um idiota chapado e um indeciso.
“-Possui a primordial qualidade de um verdadeiro homem de estado, que é a de saber utilizar a capacidade de análise e reflexão.”

Passa o tempo todo a mudar de opinião.
“-Possui convicções flutuantes mas perfeitamente bem fundamentadas.”

Se falo acerca disso ainda me enterro.
“- Não sustentarei discussões estéreis e inúteis desadequadas ao momento presente.”

Ser do Contra.
“-Exprimir a diferença.”

TACHO:
“-Desempenho desinteressado de funções oficiais da mais alta responsabilidade e da maior importância para o país.”

Uns dias de sonho nas Seychelles com tudo pago.
“-Uma missão de representação ao mais alto nível, com vista ao estabelecimento de contactos comerciais e ao aprofundamento dos laços de amizade entre os dois estados.”

Vou ser demagogo porque isso ainda dá votos.
“-É necessário dar atenção relevada aos problemas que afligem os portugueses e não descurar nunca o aspecto social da governação.”

sexta-feira, setembro 29, 2006

Manual para políticos amadores (Capitulo I)
















-Considero-me um tradicionalista moderado com alguns tiques de reaccionário e umas quantas, se não muitas, atitudes de revolucionário libertário. Possuo uma cada vez maior e mais intensa aversão a algumas pessoas enfeudadas em alguns partidos. Não acredito, nas esquerdas militantes e extremadas, nem tão pouco nas direitas extremas e militantes.
-Por incrível que isso por vezes me pareça a mim e a quem me conhece, acredito no sistema político, na honestidade de uma grande maioria dos seu elementos e não encontro mal de monta no actual regime.
-Outrora, fui militante intenso e responsável; A situação que então se vivia exigia-o e eu tinha a consciência dessa exigência. Ganhei e perdi “combates”, eleições, confrontos ideológicos e tempo, muito tempo e algum dinheiro. Concretizei e vi caírem muitos projectos meus e de outros com quem tinha uma relação leal de comunhão de pontos de vista. Quando considerei ter chegado o momento de me afastar, fi-lo deliberada e lentamente, como se disso dependesse alguma vez a minha dignidade, mas não abandonei nunca o hábito de pensar e reflectir a “coisa politica”.
-Pelo caminho, tomei notas e apontamentos que usei muitas vezes em várias ocasiões, e que aqui irei deixar sob o actual titulo. A mim serviram-me bem.
-Hoje, mais perto do centro do “sistema”, inserido totalmente no mundo e ainda e sempre a pensar, sinto-me cada vez mais cínico com relação a alguns políticos, nada crédulo com relação a algumas intenções e totalmente contrário a determinadas práticas. Não se trata nem da frustração nem da desilusão e nem sequer da descrença. Trata-se apenas de um modo de pensar e da vontade de ver mudar o que de mal está neste meu país.
-Há coisas que felizmente melhoram e a lua cheia é uma das que mais me agradam apesar de ser sempre a mesma lua.

Em Politica:

  • Por vezes não é bom destapar a caixinha dos vermes.
  • Não é aconselhável abanar o barco onde vamos todos juntos pois podemos ir ao fundo, todos separados.
  • A melhor táctica é a do salame, isto é: comer apenas uma fatia de cada vez.
  • O nada é tudo.
  • O que parece é! – Lenine
  • Tudo está ligado a tudo o resto.
  • Bajular resulta sempre.
  • O mentiroso é um criador de factos políticos. O homem honesto é apenas um mero divulgador.
  • É mais difícil reconhecer os inimigos. O tipo que nos trama é o que nos sorri da cadeira ao lado.
  • O referendo é como um “spray” que se abana quando não há coragem para usar e decidir.
  • È sempre bom perdoar aos inimigos, nada os aborrece mais. – Óscar Wilde
  • O protesto é arriscado, a crítica perigosa e a irreverência imperdoável.
  • A coerência é um luxo que por vezes se paga caro.
  • A única coisa para que o passado serve é para ficar para trás.
  • Nunca se deve acreditar em nada até que seja oficialmente desmentido.
  • Não se deve ser revolucionário sem revolução.
  • Há quem possa ser acusado de praticamente tudo, excepto de honestidade, coerência e competência. Disso ninguém os pode acusar.
  • Existem políticos que possuem o mais rígido código de imoralidade.
  • Um conservador de hoje é alguém que defende as ideias de um reformador de ontem.
  • Um reformador só é reconhecido quando morre, mas por isso deixa de reformar morre nesse instante.
  • Agir correctamente pode provocar embaraços. No entanto isto não é razão para deixar de o fazer.
  • Um economista é alguém que serve para explicar amanha, o porquê de as previsões que fez ontem falharem hoje.
  • Alguns políticos não servem para fazer nada, mas sim para explicarem porque não se fez nada e prometerem de novo fazer tudo.
  • O melhor modo de não fazer nada acerca do que quer que seja é falar constantemente nela.

4 passos para não fazer nada em politica:

1- “Ainda é cedo para fazer o que quer que seja!”
2- “Estamos a analisar o que poderá ser feito!”
3- “Estamos a envidar esforços para que tudo ao nosso alcance seja feito!”
4- “Infelizmente já nada podemos fazer, os factos estão consumados!”

  • Quando o tempo confirma os factos eles já não têm significado.
  • O poder adora arrependidos.
  • Existe o trunfo dos sem coração sobre os sem miolos.
  • “No pântano da arrogância, o trajecto dos néscios é tranquilo impune e bem remunerado”.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Blogs S.A.












-Nos blogs, não em todos mas numa generalidade deles, uma primeira leitura impressiona. Por vezes é como se estivesse, sorrateira e maldosamente, a ler o diário da irmã adolescente que nunca tive. A grande diferença é que aqui não existem as pratinhas de chocolates, os bilhetes de cinema nem os bilhetes românticos trocados à socapa nas aulas de português. São pessoas que não conheço a abrirem as portas de uma presumível real intimidade, a pessoas que as conhecem tão pouco quanto eu as conheço…
-Pessoalmente, só muito ao de leve, me perpassam esse género de desabafos que sendo do foro mais íntimo, é por lá que se devem na grande maioria dos casos, manter e saber situar. Evito fazer de um Blog um diário íntimo destinado à mais pura das devassas, e nem tão pouco um jornal generalista ou temático. Escrevo apenas nele, aquilo que me vai na ideia numa ou outra ocasião, sem compromissos de regularidade, tema ou estilo. Não procuro torná-lo num ponto de encontro, ou de debate de ideias, mas apenas um local onde quem gostar de ler (de me ler), me leia; Sem entrelinhas, sem intenções recônditas, e sem compromissos. Recuso a criação e manutenção de polémicas que garantem visitas numerosas e não desejo teorizar nada em detalhe até ao aborrecimento. Procuro muitas vezes tratar seriamente questões cuja seriedade me causa serias dúvidas, e outras vezes procuro no sarcasmo a explicação para temas sérios que me são caros. É aliás no sarcasmo que melhor me revejo quando emito opiniões, o elogio é raro em mim, especialmente porque o mundo está cheio de bajuladores e lambe-botas inúteis; O que vale, vale por si só e não necessita de elogio mas apenas de apoio e de continuidade. É esse o caso de muitos e excelentes Blogs que visito e leio com muito gosto.

-Nos dias que passam em que a leitura é um passatempo de poucos e uma necessidade de muito poucos, os blogs ocupam um espaço importante. Ocupam ou deveriam ocupar, porque por aí existem também blogs, onde apenas se faz a ocupação de espaço com banalidades, pornografia escrita e dislate pseudo-politico, mas tem o seu lugar e ainda bem. Já me disseram que ler Paulo Coelho é melhor do que não ler nada, discordo por razões óbvias, tal como discordo de que comer cogumelos venenosos é melhor do que não comer ou que ver o “Fiel ou infiel” é melhor do que não ver televisão.

terça-feira, setembro 26, 2006

Comunicado da Brigada Al-Amama



















Por: Mohammad Ali-Ká (líder das brigadas Al-Amama)

-Venho a público, infelizmente, porque o nosso pequeno grupo terrorista (Brigadas Al-Amama) não tem obtido o reconhecimento que merece. Sempre que se fala de um qualquer atentado terrorista tudo o que consta nos noticiários é que podem sido da autoria Al-Queda, do Hezbollah ou da Jihad Islâmica. Com certeza vocês não podem imaginar o que é ao nosso quarto carro-bomba, que reivindicámos por carta, fax, telefone e e-mail, ouvirmos a comunicação social descrever o nosso grupo como: “Até agora desconhecida organização”.
-Já tentámos enviar um vídeo mas o Ali (que teve aulas de cinema num campo afegão), depois de ter gasto todo o subsídio e seis meses para o realizar, enviou-o por engano para o festival de Cannes onde ganhou uma “Palma de Ouro” apenas por fazer a apologia do terrorismo.
-Não é sequer por mim, eu sou um mártir tão convicto que nunca tira o cinto-bomba, e o meu Mercedes ultimo modelo, está sempre armadilhado para o que der e vier. Até ainda só não me emulei, por ser tão necessário à causa e ás minhas três mulheres, mas aqueles que envio para o martírio e para o paraíso sabem-no bem.

-Peço-vos por isso que estejam atentos a quem nós somos e a tudo o que fazemos pela expansão da nossa pacifica fé. Agora vou pousar a minha Pepsi, calçar as minhas Nike e vou para a rua queimar umas bandeiras americanas, insultar os países europeus, atirar umas pedras a embaixadas e chorar que nem um desalmado; É que hoje é dia de festa por ter morrido um vizinho que se fez explodir num autocarro escolar.

-Atendam-me por favor, para não ter que ir aí reivindicar pessoalmente os nossos atentados.

terça-feira, setembro 19, 2006

É só Saúde!












O ministro da Saúde admitiu a criação de novas taxas moderadoras para sectores que actualmente são gratuitos para os utentes, como o internamento ou a cirurgia de ambulatório. "Este tipo de receitas é mínimo" para o Serviço Nacional de Saúde, disse o ministro, justificando a criação destas novas taxas com objectivos mais estruturais, como a moderação do acesso e a valorização do serviço prestado.

A taxas moderadoras que actualmente existem - que representam uma receita de 40 milhões de euros por ano - o ministro disse que serão actualizadas no próximo ano, consoante o valor da inflação, tal como aconteceu este ano.

Constituição da Republica Portuguesa, artigo 64 (saúde) que diz assim:

2 - O direito à protecção da saúde é realizado:

a) - Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito.

Quanto à moderação do acesso, realmente já bastavam as listas de espera para impedir os portugueses doentes de se fazer operar à falta de melhor coisa para fazer.

-Hei! Que fazes este fim-de-semana?
-Não tenho nada marcado...
-Que tal se fossemos operados à vesicula, já que é de borla?
-Oh..., já fui e não dei valor nenhum à operação!

sábado, setembro 16, 2006

Sabedoria Apopular














  • É muito mais fácil reconhecer um erro cometido há dez anos do que um cometido há dez minutos.
  • Graças à liberdade de expressão é hoje possível dizer que um ministro é um perfeito inútil sem que nada aconteça. Infelizmente também nada acontecerá ao ministro. (*)
  • Os amigos são para as ocasiões excepto em alguns círculos politico-governativos em que as ocasiões são para os amigos.
  • Temos um sistema fiscal igualitário, ou seja: Quem tem mais paga mais e quem tem menos também paga mais.
  • Ser honrado não conduz a nenhuma parte que os outros apreciem.
  • A juventude tem sempre a ideia de que possuí a verdade total. Infelizmente quando conseguem impô-la já não são jovens e já não é verdade.
  • O homem é o animal mais parecido com o ser humano.
  • A partir de um património de um milhão de Euros, podem contar-se pelos dedos de uma mão as pessoas honestas.
  • Apenas graças à guerra um indivíduo pode não só morrer pelos seus ideais mas também pelos ideais dos outros.
  • Os mineiros, os pára-quedistas e os políticos são os únicos que sobem na vida descendo, os políticos descem apenas de nível moral.
  • Principio de Politicles: Todo o governante envolvido numa crise económica é alvo de um impulso para cima igual ao número de amigos que beneficia.
  • Conhecem aquela história chamada “Ali-Bá-Bá e os quarenta ministros secretários e sub-secretários de estado”?
  • Oração de alguém no poder: “Bem-aventurados os mansos porque eles nos permitem viver como no céu!”
  • Se dez emigrantes de leste constroem um prédio de 3 andares em 18 meses, quantos emigrantes de leste serão necessários, juntando todas as suas poupanças, para em 10 anos poderem comprar um desses andares que construíram
  • Portugal está cheio de governantes ambidextros, isto é: individuo/as que se dizem de esquerda e actuam como sendo de direita. No entanto as suas mãos, direita e esquerda, estão ambas bem cheias.
  • A direita é muito mais importante do que a esquerda na nossa sociedade. Basta apenas pensar que os zeros à direita valem muito mais do que à esquerda.
  • Antigamente ao povo dava-se-lhe fado, Fátima e futebol. Agora graças à democracia vende-se-lhe fado, Fátima e futebol.
  • A maior distancia entre dois pontos é a CP.
  • A minha cor vermelha favorita é o verde!

(*) – Exceptua-se o caso dos sindicalistas da PSP.

terça-feira, setembro 12, 2006

Como é difrente o humor em Portugal










-O humor português é profundamente estranho.
-Normalmente resulta de um caldo de tiques, hábitos, pronuncias, rudezas, e esgares. Tudo em dose não apenas exagerada, como por vezes convêm ao humor, mas quase sempre demasiado exagerada o que o torna boçal. Recentemente entramos no primado do palavrão, usado e abusado quase sempre sem necessidade e sem outro resultado que não seja o de arrancar gargalhadas a imbecis que adoram rir em manada.
-A maior descoberta dos fazedores de humor parece ter sido a imitação da pronúncia regional. Os mesmos que antes se achavam uns parlapatões e tentavam em vão disfarçar o sotaque da sua terrinha, são os que hoje o exageram de tal modo que se tornou irrealista e rústico no que isso tem de pior.

Tudo em muitos ditos stand-up comidients, se parece com muito pouco, ou com coisas já demasiado vistas, em muitos... mas não em todos. No entanto, as piadas parecem quase sempre tiradas ditas por loiras acerca de alentejanos ou o inverso; Algumas são considerações que se não fossem “humorísticas” (reparem nas aspas), seriam no mínimo racistas. È que humor negro por cá tem sempre que fazer referencia a andaimes, se bem que recentemente estão a ceder lugar aos emigrantes de leste que nas anedotas terminam sempre no chão. Será isto humor branco?
-Outro estilo estéril de sorrisos foi o que andou por aí a tentar imitar destruindo, séries britânicas bem conseguidas como o “Sim senhor ministro”, “A mulher do ministro” e uma outra acerca de uma senhora emproada que tornava a vida impossível não só aos vizinhos e familiares, mas também a quem por lapso ou má sorte “zapava” pelo canal que insistia em perder tempo e dinheiro produzindo-a e levando-a para o ar.

-Recordo-me agora de uma questão que me tem ocorrido com frequência: quem foi que disse à Anabóla que tem apetência para escrever humor?

-Pessoalmente prefiro o humor com sketches, depende menos da qualidade teatral de quem interpreta e mais da qualidade de concepção. Nisso o Aldo Lima, os “gato fedorento” e os autores de “Manobras de diversão” são excelentes e demonstram que apesar de tudo, o humor nacional não se esgotou com o desaparecimento do Herman José da cena humorística, embora continue em cena a repetir-se em forma e estilo até à exaustão e ao bocejo final.

-Não sei se repararam que não falei aqui de séries como “Malucos do Riso”, “Batanetes”, “Os Jika da Lapa”, “Camilo …” e outras. Não falei apenas porque não há nada a falar, nem nada nelas que se veja, nada que se distinga ou que divirta quem tiver mais do que neurónio e meio e saiba usar metade daquilo que tem.

-Havia mais a dizer mas eu não sou humorista e seria In-Provavel que tivesse graça, piada, ou humor ao fazê-lo. Por isso fico-me por aqui até porque sorrir é coisa de não tenho tido grande vontade.

-Sobretudo lembrem-se sempre disto: A desgraça dos outros faz-nos rir, a nossa leva-nos às lágrimas!

Musica para hoje: " Sudenly i see" Eye to the telescope

segunda-feira, setembro 11, 2006

Regresso à Escola











-O reinício das aulas ou como é mais conhecido o “regresso às aulas” traz sempre novas esperanças e perspectivas, novas ansiedades e consequentemente novas desilusões.
-Vou aqui deixar apenas algumas notas soltas que podem servir de apoio quer a pais e encarregados de educação, quer a professores e quem sabe, até talvez a alunos desde que (claro) as possam ler, perceber e interpretar.

-Antigamente era a matemática moderna. Era algo interessante graficamente falando. Estava cheia de formas ovais, algumas de cores diferentes, que por vezes se entrelaçavam e formavam formas novas. Graficamente era interessante, mas foram poucos os que aprenderam algo com ela. Nesse tempo, as pessoas achavam que bastava saber fazer círculos defeituosos para saber matemática e que não havia necessidade de livros de exercícios, nem de trabalhos em casa. Daí que hoje em dia ninguém entenda nada de matemática e consequentemente de física, de química ou de geometria, mas toda a gente pensa que um Timex Sinclair é uma coisa facílima e primitiva comparativamente com um PC, um Mac ou uma Playstation.
-Aparentemente hoje apenas os grandes cérebros entendem algo de matemática: cientistas da NASA, o governador do Banco de Portugal, os administradores nomeados para empresas públicas, a ministra da educação, o Francisco Louça (porque entende tudo de tudo) e um ou outro professor de matemática a quem nada é perguntado nunca.

-Português é a nossa língua e essa, toda a gente entende que não necessita saber mais acerca dela. É só estar atento a alguns “repórteres no local” que seja em que circunstancias for, enquanto se esforçam por preencher espaço com detalhes inúteis e disparatados (vulgo: “encher chouriços”), vão aproveitando para assassinar a nossa língua com os mais disparatados e imbecis erros de concordância.
-Antigamente existia na disciplina, uma componente a que se chamava ortografia e que aparentemente deixou de interessar. A própria menção da palavra, resulta hoje como um insulto escrito com “k” e penso já a ter visto escrita num jornal de grande tiragem grafada com “h”.
-Mas afinal porque se preocupam tanto os pais com a actual situação do ensino, chegando mesmo a falar em crise? Porque razão criticam tanto tudo e por todos os motivos?
-Atendendo a que a media de pais com filhos no ensino obrigatório tem entre trinta e quarenta e cinco anos, apetece perguntar se no tempo em que o frequentavam passavam a todas as disciplinas? Se não tinham visíveis dificuldades numa ou outra? Se sabiam a tabuada toda ou que Coimbra era a capital do distrito de Viseu? J Seriam todos alunos brilhantes e esforçados?
-As crianças de hoje trabalham tanto como eles trabalhavam, apenas não andam pela rua a jogar futebol e à pancada com os amigos. Actualmente, isso é feito através da Internet em miríades de jogos que os pais adoram oferecer para não os terem a fazer barulho pela casa enquanto eles lá estão.
-O que se passa é que o ensino mudou, os objectos de aprendizagem são diferentes e a metodologia é outra. Muito embora a necessidade de trabalho extra-escola ainda exista para tristeza de muitos.
Por isso caros pais deste país, antes de pensarem em ir à escola dos vossos filhos insultar os professores ou antes de abrirem a boca para dizer disparates vulgares no escritório ou no café, procurem informar-se acerca da prática corrente das escolas de hoje. Falem com os directores de turma e mantenham-se permanentemente informados das dificuldades e progressos dos vossos rebentos. Porque para se ser pai ou mãe não basta trazer os filhos ao mundo e mimá-los ou reprimi-los, há que saber educá-los e deixar que o ensino os ensine.

Entretanto desejo BOA SORTE a todos os intervenientes, que ao que me tem parecido, bem irão necessitar dela.

5 Anos sem palavras




















Em nome de que?

sábado, setembro 09, 2006

Dor



-



-O que é a dor?
-Algo necessário e inevitável?
-Um aviso, uma indicação de algo vai mal, uma mensagem do interior de nós?
-Será a dor sempre algo desagradável?
-Bem…, exceptuando casos específicos de distúrbios comportamentais, a dor é algo que todos procuramos evitar e que dispensamos por ser exactamente aquilo que é: uma sensação dolorosa. Não sei se é inevitável ou necessária e casos existem em que é mitigável.
-Comummente fala-se em dores agudas, dores persistentes, pós-operatórias, distrofia simpática reflexa que é um tipo de dor neuropática, psicogénicas, nevrálgicas e mais uma série de géneros que se podem encontrar em livros de medicina, com causas conhecidas e relativos tratamentos. Mas ao contrário destas, existem outras contra as quais pouco ou nada se pode fazer e que nada têm que ver com as que se sentem no corpo, nem provêm de feridas visíveis. Uma delas, a dor da perda, é uma dolência que nada mitiga ou cicatriza, que apenas o muito tempo abranda mas que nunca desaparece e cuja chaga nunca fecha.
-Cada um de nós tem um modo próprio de a enfrentar, mas invariavelmente o único que sabemos usar é a fuga inconsequente e escusada, pois para um quer que fujamos a dor acompanha-nos empenhadamente e não nos larga. Podemos usar a negação e tentar não pensar na sua razão ou objecto, dedicar os pensamentos todos a outros pensares, mas ela estará sempre ali, esperando todos os momentos de descuido para se tornar mais presente ainda do que antes. Não nos damos quase sempre conta de que nada adiantamos em tentar lutar contra ela, a dor não é a nossa verdadeira inimiga e quase nunca sequer, existe um inimigo real, concreto e nominável.

“O tempo tudo cura” dizem uns, “com o tempo tudo passa” dizem outros.

-Falar é fácil e gratuito, é inglório e só quem não sente a dor que nós sentimos é capaz de falar assim. Para quem sente essas dores reais, os dias claros e ensolarados são dias escuros de inverno chuvoso e todas as horas tem demasiados minutos de intermináveis segundos cada um e todos eles.
-Outra corrente de falsos conselheiros, apregoa que é necessário escutar a dor, saber de onde provem, aprender a sua inevitabilidade e continuar com a vida, porque de um ou outro modo sempre irá estar ali, dentro e presente. Escutar a dor não é mais doloroso do é senti-la, nem o é menos. Saber de onde provem, não evita que doa e conseguir acolhe-la é um cúmulo de sofrimento que apenas é ultrapassado pela tentativa seguinte de o fazer.

-Não sei teorizar nem mais nem melhor acerca da dor e não gosto de o fazer; Mas uma coisa sei com toda a certeza: a dor é profundamente injusta e a injustiça é para mim impossível de aceitar sem uma boa e insuportável dose de raiva e angústia ou com um sincero sorriso. Sei também que perto de algumas dores assim, as dores físicas tornam-se suportáveis. Meras manchas desfocadas, ao fundo, numa realidade também injusta mas quase compreensível e até, se fosse possível trocar, desejável.


Música para hoje: “I Really aAm Such a Fool” EZSpecial

sexta-feira, setembro 08, 2006

Plutão a Planeta













Já que neste país ninguém protesta por nada excepto futebol, deixo uma sugestão de uma boa causa!


Musica para hoje: "L X-Press" David Byrne

terça-feira, setembro 05, 2006

Diálogo IN-Provavel

















-Afinal quem manda mais, o governo ou o partido do governo?
-Depende!
-Depende de quê?
-Depende do partido do Governo!


-Afinal quem manda mais, o José Socrates primeiro-ministro ou o José Socrates secretário geral do PS?
-Mandam ambos igualmente 13 horas por dia!


-Irra! Este governo é mesmo bom!
-Como é que tu sabes?
-Porque o governo decretou que é um governo mesmo bom!


Rui

segunda-feira, setembro 04, 2006

AMORES ACTUAIS



















Muito raramente aqui coloco textos não inéditos, não sei aliás se já o fiz. Ainda assim, quando há dias ouvi estede Miguel Esteves Cardoso numa repetição do programa "A revolta dos pasteis de nata", convenci-me que o devia fazer.

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.
Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e é mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananiçidas, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos.
Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessýria. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."


Miguel Esteves Cardoso in "EXPRESSO"

Protocolos e Igualdades












-O ser humano é por definição um ser profundamente contraditório. Tem necessidade para poder viver harmoniosamente em sociedade, de um conjunto de normas que tende a ignorar logo que as suas necessidades pessoais se sobreponham ás necessidades comuns. Necessita de uma ordem pré-estabelecida por que se reja e a que possa criticar ou opor-se a cada passo. Se por um lado possui a tendência de que seja outro a fazer e a decidir por si, quando as decisões e as acções não vão inteiramente de encontro ao que pensa, estão para si indubitavelmente mal feitas e é então que pretende ser ele a fazer e a decidir. -Bom…, se isto pode parecer uma introdução que pode conduzir a uma análise de cariz político ou sociológico, não é disso que vos vou falar hoje. Não vou falar nem de politica, nem de sociologia nem sequer de nada que seja algo minimamente transcendente. -De que pretendo tratar aqui? Quem levanta a mão? Vamos lá a ver então, o senhor aí na última fila.

(o apontado): “Vai falar de subjectividade!”

-Mesmo isso seria ainda assim profundamente subjectivo, mas então podemos começar por aí e subjectivarmos todos em conjunto.
-Uma das palavras possíveis que usaria para me definir seria “anarquista”, apesar de não me considerar anárquico.
-O que quero então eu dizer com isto?
-Não sou favorável à abolição do actual estado de coisas, nem favorável à abolição do estado, do regime ou do sistema. No entanto sou contra, (e este “contra” não significa uma recusa absoluta), contra uma grande parte dos protocolos e formalismos dos comportamentos socialmente aceites.
-A linha é fina e muitas vezes invisível quando se procura separar a hipocrisia e as boas maneiras e muitas vezes nem existe sequer.

(Voz inidentificável) …a hipocrisia é por vezes preferível ao conflito!

-Vejo que os apontamentos do ano passado já estão a correr por aí; Nada a opor! Mas na realidade tudo depende das consequências que possam advir do conflito e essa é a única medida possível. No entanto não desejo ir por aí para já.
-Era então do protocolo que se falava.
-Se vamos a um local, vestimos de uma maneira determinada. Se nos vamos a encontrar com alguém a quem consideramos importante, trataremos essa pessoa com respeito, até por vezes excessivo. No entanto, se lidamos com alguém cujo aspecto nos parece de algum modo desagradável (um Zé ninguém) sentimo-nos com licença de o desrespeitar, de endurecer a voz ou de lhe faltar ao respeito como modo de evidenciarmos a nossa superioridade moral e estética. Vamos a um médico ou a um advogado somos amáveis. Vamos a uma “tasca”, temos o direito de ser crápulas, refilões e exigentes em excesso. Somos atendidos por uma senhora no interior de uma farda de design, somos polidos e educados mas se nos atende alguém de fato-macaco, tratamo-lo de qualquer maneira. Podemos regatear numa feira mas não numa loja de marca.
-As demarcações e classes sociais não são coisa do passado. Somos todos iguais perante a lei, mas os ricos podem pagar melhores advogados que os pobres, melhores médicos, melhores escolas e universidades. Somos todos iguais, mas uns um pouco menos do que outros.
-O que é o protocolo?
-È exactamente o mesmo que a arte. Critérios pessoais que alguém tratou de fazer passar por universais.
-O que é o protocolo?
-Uma deferência que se tem para com aqueles que são nossos iguais ou superiores. No entanto, não se esqueçam jamais que um crápula não é menos crápula se têm ou aparenta ter mais ou menos capacidade financeira ou acesso ao poder.
(…)

sábado, setembro 02, 2006

Manifestações In-provaveis





















O Bloco de Esquerda convocou uma manifestação de apoio para apoiar as manifestações de apoio dos manifestantes que o têm apoiado.

Rui

Envio de Tropas





















"O Presidente concorda com o envio de tropas"

- Qual presidente? O do Gil Vicente? O presidente da Liga ? O da Federação? O da FIFA?
O do Belenenses? O do Leixões?
-Não, é só o Presidente da República!

Rui

sexta-feira, setembro 01, 2006

Diálogo Provável















-Boa tarde, siga aquela medida eficaz e destituída de populismo!
-Qual? Já não vejo uma dessas há muito tempo!

FIM

segunda-feira, agosto 28, 2006

Ressaca











-A minha cabeça lateja como a pele de um tambor. Mas isso nem sequer me interessa, todo o gin é justificado, seja com ou sem agua tónica. Ah… bolas lá para o estilo, isto sim é uma ressaca.
-Bem podia haver quem mandasse calar este parvo palrador ou quem sabe dar-lhe um tiro; Não, tiros não, já chegam os do Iraque.
-Todo este discurso vago e pretensamente filosófico me enterra ainda mais no sono e no alheamento. Será que a filosofia toda caberia no meu último copo de gin? Em todo o caso agora bebia um litro de água.

Será que sou só eu, quem não está a ligar absolutamente nada ao que este insuflado génio está para ali a prégar às moscas? Aposto que aquele ali logo à frente, a rabiscar, também não está cá ou se estiver, está com o mesmo interesse que eu.

-Caramba, ainda falta meia hora, por vezes o tempo é mesmo um mistério cruel.

-Eu já sabia que iria ser assim, aliás eu já sabia desde o início que iria ser assim. Há tantas coisas que sei e a que desprezo a utilidade, e tantas que não sei e que acho úteis. Há tanta coisa que queria. Queria escrever como o Mário Cláudio, queria desenhar como o Alex Raimond, queria compor como o Rodrigo Leão, jogar futebol como o Figo, queria ter e ser de ...

-Acho que me vou embora, estou farto de estar aqui a secar…
-Nestas alturas, dá-me uma inveja de quem se preocupa filosoficamente. Queria estar mais integrado na contemporaneidade em vez de ter esta existência caótica e este amargor seco na boca.

Quem será mais estúpido aqui? O fala-barato pomposo ali no palco, quem não o entende, quem finge entender ou quem o compreende realmente?
-O Plano Regional de Ordenamento do Território do Norte (PROT - Norte) é mesmo fantástico. Como pude eu viver tanto tempo sem que existisse o PROT? Como é boa esta nostalgia saudável que o PROT possui, arre!

-Entretanto vou escrevendo, sempre me faz parecer interessado e tenho ainda muitas paginas em branco. Entretanto recordo outras conferências, outros lugares, outros temas e companhia bem mais interessante do que o “mostrêngo” aqui ao lado; recordo uma em especial… com música de harpa ao fundo.

-Ah, ainda um dia vou entender porque guardo todos os papéis que me dão, ainda que inúteis; Quase nunca os releio nem analiso.
-Bolas, tenho o atacador desapertado…
-Olha, terminou finalmente.
-Café, café, café e agua, muita agua!
-Tenho saudade, agora que me deixei pensar, fiquei ainda com mais saudade.

-Boa tarde, quero um gin-tónico, sem gelo se faz favor!

Rui

sexta-feira, agosto 25, 2006

ONU (Ó NU!!)












-A ONU não vale nada. Representa cada vez menos, tem cada vez menos poder e menos capacidade de manobra. Não tem peso político, não tem força militar ou outra, é manipulada pelos interesses dos países membros permanentes do Conselho de Segurança. Não evita conflitos nem os previne, não evita crimes contra a humanidade e nem sequer os pune.
-Recentemente no caso do Líbano, veio tentar impor um cessar-fogo entre uma organização terrorista e um estado soberano que ela própria reconhece; Sendo que os repetidos ataques terroristas a partir do que deveria ser um país soberano nunca incomodaram a dita ONU. Também nunca foi causa de preocupação o facto de um país com presença de forças da própria organização, ter todo o seu sul dominado por grupos violentos que não reconhecem aquilo que ela própria reconhece e que desencadeiam ataques cobardes a partir desse território de ninguém onde tropas de boina azul se dizem observadores. Realmente, tudo aquilo que fazem é observar.

-A futura força da ONU no Líbano já começa mal. Aparentemente a França com a sua costumeiro chauvinismo, irá comandar, a Itália irá participar mas ninguém sabe por quanto tempo, a Alemanha também, apesar das dificuldades politicas poderá enviar tropas, Portugal e outros países poderão participar se forem clarificadas as circunstâncias dessa participação, em suma: ninguém parece saber bem o que irá acontecer. Isto é o reflexo da politica de defesa europeia, que se existe não funciona e se funciona, funciona apenas intermitentemente e de modo hesitante. Temos por isso duas das mais importantes organizações mundiais envolvidas na questão Libanesa, e ambas sem conseguirem convencer ninguém da sua eficácia.

Rui