sábado, setembro 16, 2006

Sabedoria Apopular














  • É muito mais fácil reconhecer um erro cometido há dez anos do que um cometido há dez minutos.
  • Graças à liberdade de expressão é hoje possível dizer que um ministro é um perfeito inútil sem que nada aconteça. Infelizmente também nada acontecerá ao ministro. (*)
  • Os amigos são para as ocasiões excepto em alguns círculos politico-governativos em que as ocasiões são para os amigos.
  • Temos um sistema fiscal igualitário, ou seja: Quem tem mais paga mais e quem tem menos também paga mais.
  • Ser honrado não conduz a nenhuma parte que os outros apreciem.
  • A juventude tem sempre a ideia de que possuí a verdade total. Infelizmente quando conseguem impô-la já não são jovens e já não é verdade.
  • O homem é o animal mais parecido com o ser humano.
  • A partir de um património de um milhão de Euros, podem contar-se pelos dedos de uma mão as pessoas honestas.
  • Apenas graças à guerra um indivíduo pode não só morrer pelos seus ideais mas também pelos ideais dos outros.
  • Os mineiros, os pára-quedistas e os políticos são os únicos que sobem na vida descendo, os políticos descem apenas de nível moral.
  • Principio de Politicles: Todo o governante envolvido numa crise económica é alvo de um impulso para cima igual ao número de amigos que beneficia.
  • Conhecem aquela história chamada “Ali-Bá-Bá e os quarenta ministros secretários e sub-secretários de estado”?
  • Oração de alguém no poder: “Bem-aventurados os mansos porque eles nos permitem viver como no céu!”
  • Se dez emigrantes de leste constroem um prédio de 3 andares em 18 meses, quantos emigrantes de leste serão necessários, juntando todas as suas poupanças, para em 10 anos poderem comprar um desses andares que construíram
  • Portugal está cheio de governantes ambidextros, isto é: individuo/as que se dizem de esquerda e actuam como sendo de direita. No entanto as suas mãos, direita e esquerda, estão ambas bem cheias.
  • A direita é muito mais importante do que a esquerda na nossa sociedade. Basta apenas pensar que os zeros à direita valem muito mais do que à esquerda.
  • Antigamente ao povo dava-se-lhe fado, Fátima e futebol. Agora graças à democracia vende-se-lhe fado, Fátima e futebol.
  • A maior distancia entre dois pontos é a CP.
  • A minha cor vermelha favorita é o verde!

(*) – Exceptua-se o caso dos sindicalistas da PSP.

terça-feira, setembro 12, 2006

Como é difrente o humor em Portugal










-O humor português é profundamente estranho.
-Normalmente resulta de um caldo de tiques, hábitos, pronuncias, rudezas, e esgares. Tudo em dose não apenas exagerada, como por vezes convêm ao humor, mas quase sempre demasiado exagerada o que o torna boçal. Recentemente entramos no primado do palavrão, usado e abusado quase sempre sem necessidade e sem outro resultado que não seja o de arrancar gargalhadas a imbecis que adoram rir em manada.
-A maior descoberta dos fazedores de humor parece ter sido a imitação da pronúncia regional. Os mesmos que antes se achavam uns parlapatões e tentavam em vão disfarçar o sotaque da sua terrinha, são os que hoje o exageram de tal modo que se tornou irrealista e rústico no que isso tem de pior.

Tudo em muitos ditos stand-up comidients, se parece com muito pouco, ou com coisas já demasiado vistas, em muitos... mas não em todos. No entanto, as piadas parecem quase sempre tiradas ditas por loiras acerca de alentejanos ou o inverso; Algumas são considerações que se não fossem “humorísticas” (reparem nas aspas), seriam no mínimo racistas. È que humor negro por cá tem sempre que fazer referencia a andaimes, se bem que recentemente estão a ceder lugar aos emigrantes de leste que nas anedotas terminam sempre no chão. Será isto humor branco?
-Outro estilo estéril de sorrisos foi o que andou por aí a tentar imitar destruindo, séries britânicas bem conseguidas como o “Sim senhor ministro”, “A mulher do ministro” e uma outra acerca de uma senhora emproada que tornava a vida impossível não só aos vizinhos e familiares, mas também a quem por lapso ou má sorte “zapava” pelo canal que insistia em perder tempo e dinheiro produzindo-a e levando-a para o ar.

-Recordo-me agora de uma questão que me tem ocorrido com frequência: quem foi que disse à Anabóla que tem apetência para escrever humor?

-Pessoalmente prefiro o humor com sketches, depende menos da qualidade teatral de quem interpreta e mais da qualidade de concepção. Nisso o Aldo Lima, os “gato fedorento” e os autores de “Manobras de diversão” são excelentes e demonstram que apesar de tudo, o humor nacional não se esgotou com o desaparecimento do Herman José da cena humorística, embora continue em cena a repetir-se em forma e estilo até à exaustão e ao bocejo final.

-Não sei se repararam que não falei aqui de séries como “Malucos do Riso”, “Batanetes”, “Os Jika da Lapa”, “Camilo …” e outras. Não falei apenas porque não há nada a falar, nem nada nelas que se veja, nada que se distinga ou que divirta quem tiver mais do que neurónio e meio e saiba usar metade daquilo que tem.

-Havia mais a dizer mas eu não sou humorista e seria In-Provavel que tivesse graça, piada, ou humor ao fazê-lo. Por isso fico-me por aqui até porque sorrir é coisa de não tenho tido grande vontade.

-Sobretudo lembrem-se sempre disto: A desgraça dos outros faz-nos rir, a nossa leva-nos às lágrimas!

Musica para hoje: " Sudenly i see" Eye to the telescope

segunda-feira, setembro 11, 2006

Regresso à Escola











-O reinício das aulas ou como é mais conhecido o “regresso às aulas” traz sempre novas esperanças e perspectivas, novas ansiedades e consequentemente novas desilusões.
-Vou aqui deixar apenas algumas notas soltas que podem servir de apoio quer a pais e encarregados de educação, quer a professores e quem sabe, até talvez a alunos desde que (claro) as possam ler, perceber e interpretar.

-Antigamente era a matemática moderna. Era algo interessante graficamente falando. Estava cheia de formas ovais, algumas de cores diferentes, que por vezes se entrelaçavam e formavam formas novas. Graficamente era interessante, mas foram poucos os que aprenderam algo com ela. Nesse tempo, as pessoas achavam que bastava saber fazer círculos defeituosos para saber matemática e que não havia necessidade de livros de exercícios, nem de trabalhos em casa. Daí que hoje em dia ninguém entenda nada de matemática e consequentemente de física, de química ou de geometria, mas toda a gente pensa que um Timex Sinclair é uma coisa facílima e primitiva comparativamente com um PC, um Mac ou uma Playstation.
-Aparentemente hoje apenas os grandes cérebros entendem algo de matemática: cientistas da NASA, o governador do Banco de Portugal, os administradores nomeados para empresas públicas, a ministra da educação, o Francisco Louça (porque entende tudo de tudo) e um ou outro professor de matemática a quem nada é perguntado nunca.

-Português é a nossa língua e essa, toda a gente entende que não necessita saber mais acerca dela. É só estar atento a alguns “repórteres no local” que seja em que circunstancias for, enquanto se esforçam por preencher espaço com detalhes inúteis e disparatados (vulgo: “encher chouriços”), vão aproveitando para assassinar a nossa língua com os mais disparatados e imbecis erros de concordância.
-Antigamente existia na disciplina, uma componente a que se chamava ortografia e que aparentemente deixou de interessar. A própria menção da palavra, resulta hoje como um insulto escrito com “k” e penso já a ter visto escrita num jornal de grande tiragem grafada com “h”.
-Mas afinal porque se preocupam tanto os pais com a actual situação do ensino, chegando mesmo a falar em crise? Porque razão criticam tanto tudo e por todos os motivos?
-Atendendo a que a media de pais com filhos no ensino obrigatório tem entre trinta e quarenta e cinco anos, apetece perguntar se no tempo em que o frequentavam passavam a todas as disciplinas? Se não tinham visíveis dificuldades numa ou outra? Se sabiam a tabuada toda ou que Coimbra era a capital do distrito de Viseu? J Seriam todos alunos brilhantes e esforçados?
-As crianças de hoje trabalham tanto como eles trabalhavam, apenas não andam pela rua a jogar futebol e à pancada com os amigos. Actualmente, isso é feito através da Internet em miríades de jogos que os pais adoram oferecer para não os terem a fazer barulho pela casa enquanto eles lá estão.
-O que se passa é que o ensino mudou, os objectos de aprendizagem são diferentes e a metodologia é outra. Muito embora a necessidade de trabalho extra-escola ainda exista para tristeza de muitos.
Por isso caros pais deste país, antes de pensarem em ir à escola dos vossos filhos insultar os professores ou antes de abrirem a boca para dizer disparates vulgares no escritório ou no café, procurem informar-se acerca da prática corrente das escolas de hoje. Falem com os directores de turma e mantenham-se permanentemente informados das dificuldades e progressos dos vossos rebentos. Porque para se ser pai ou mãe não basta trazer os filhos ao mundo e mimá-los ou reprimi-los, há que saber educá-los e deixar que o ensino os ensine.

Entretanto desejo BOA SORTE a todos os intervenientes, que ao que me tem parecido, bem irão necessitar dela.

5 Anos sem palavras




















Em nome de que?

sábado, setembro 09, 2006

Dor



-



-O que é a dor?
-Algo necessário e inevitável?
-Um aviso, uma indicação de algo vai mal, uma mensagem do interior de nós?
-Será a dor sempre algo desagradável?
-Bem…, exceptuando casos específicos de distúrbios comportamentais, a dor é algo que todos procuramos evitar e que dispensamos por ser exactamente aquilo que é: uma sensação dolorosa. Não sei se é inevitável ou necessária e casos existem em que é mitigável.
-Comummente fala-se em dores agudas, dores persistentes, pós-operatórias, distrofia simpática reflexa que é um tipo de dor neuropática, psicogénicas, nevrálgicas e mais uma série de géneros que se podem encontrar em livros de medicina, com causas conhecidas e relativos tratamentos. Mas ao contrário destas, existem outras contra as quais pouco ou nada se pode fazer e que nada têm que ver com as que se sentem no corpo, nem provêm de feridas visíveis. Uma delas, a dor da perda, é uma dolência que nada mitiga ou cicatriza, que apenas o muito tempo abranda mas que nunca desaparece e cuja chaga nunca fecha.
-Cada um de nós tem um modo próprio de a enfrentar, mas invariavelmente o único que sabemos usar é a fuga inconsequente e escusada, pois para um quer que fujamos a dor acompanha-nos empenhadamente e não nos larga. Podemos usar a negação e tentar não pensar na sua razão ou objecto, dedicar os pensamentos todos a outros pensares, mas ela estará sempre ali, esperando todos os momentos de descuido para se tornar mais presente ainda do que antes. Não nos damos quase sempre conta de que nada adiantamos em tentar lutar contra ela, a dor não é a nossa verdadeira inimiga e quase nunca sequer, existe um inimigo real, concreto e nominável.

“O tempo tudo cura” dizem uns, “com o tempo tudo passa” dizem outros.

-Falar é fácil e gratuito, é inglório e só quem não sente a dor que nós sentimos é capaz de falar assim. Para quem sente essas dores reais, os dias claros e ensolarados são dias escuros de inverno chuvoso e todas as horas tem demasiados minutos de intermináveis segundos cada um e todos eles.
-Outra corrente de falsos conselheiros, apregoa que é necessário escutar a dor, saber de onde provem, aprender a sua inevitabilidade e continuar com a vida, porque de um ou outro modo sempre irá estar ali, dentro e presente. Escutar a dor não é mais doloroso do é senti-la, nem o é menos. Saber de onde provem, não evita que doa e conseguir acolhe-la é um cúmulo de sofrimento que apenas é ultrapassado pela tentativa seguinte de o fazer.

-Não sei teorizar nem mais nem melhor acerca da dor e não gosto de o fazer; Mas uma coisa sei com toda a certeza: a dor é profundamente injusta e a injustiça é para mim impossível de aceitar sem uma boa e insuportável dose de raiva e angústia ou com um sincero sorriso. Sei também que perto de algumas dores assim, as dores físicas tornam-se suportáveis. Meras manchas desfocadas, ao fundo, numa realidade também injusta mas quase compreensível e até, se fosse possível trocar, desejável.


Música para hoje: “I Really aAm Such a Fool” EZSpecial

sexta-feira, setembro 08, 2006

Plutão a Planeta













Já que neste país ninguém protesta por nada excepto futebol, deixo uma sugestão de uma boa causa!


Musica para hoje: "L X-Press" David Byrne

terça-feira, setembro 05, 2006

Diálogo IN-Provavel

















-Afinal quem manda mais, o governo ou o partido do governo?
-Depende!
-Depende de quê?
-Depende do partido do Governo!


-Afinal quem manda mais, o José Socrates primeiro-ministro ou o José Socrates secretário geral do PS?
-Mandam ambos igualmente 13 horas por dia!


-Irra! Este governo é mesmo bom!
-Como é que tu sabes?
-Porque o governo decretou que é um governo mesmo bom!


Rui

segunda-feira, setembro 04, 2006

AMORES ACTUAIS



















Muito raramente aqui coloco textos não inéditos, não sei aliás se já o fiz. Ainda assim, quando há dias ouvi estede Miguel Esteves Cardoso numa repetição do programa "A revolta dos pasteis de nata", convenci-me que o devia fazer.

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.
Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e é mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananiçidas, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos.
Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessýria. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."


Miguel Esteves Cardoso in "EXPRESSO"

Protocolos e Igualdades












-O ser humano é por definição um ser profundamente contraditório. Tem necessidade para poder viver harmoniosamente em sociedade, de um conjunto de normas que tende a ignorar logo que as suas necessidades pessoais se sobreponham ás necessidades comuns. Necessita de uma ordem pré-estabelecida por que se reja e a que possa criticar ou opor-se a cada passo. Se por um lado possui a tendência de que seja outro a fazer e a decidir por si, quando as decisões e as acções não vão inteiramente de encontro ao que pensa, estão para si indubitavelmente mal feitas e é então que pretende ser ele a fazer e a decidir. -Bom…, se isto pode parecer uma introdução que pode conduzir a uma análise de cariz político ou sociológico, não é disso que vos vou falar hoje. Não vou falar nem de politica, nem de sociologia nem sequer de nada que seja algo minimamente transcendente. -De que pretendo tratar aqui? Quem levanta a mão? Vamos lá a ver então, o senhor aí na última fila.

(o apontado): “Vai falar de subjectividade!”

-Mesmo isso seria ainda assim profundamente subjectivo, mas então podemos começar por aí e subjectivarmos todos em conjunto.
-Uma das palavras possíveis que usaria para me definir seria “anarquista”, apesar de não me considerar anárquico.
-O que quero então eu dizer com isto?
-Não sou favorável à abolição do actual estado de coisas, nem favorável à abolição do estado, do regime ou do sistema. No entanto sou contra, (e este “contra” não significa uma recusa absoluta), contra uma grande parte dos protocolos e formalismos dos comportamentos socialmente aceites.
-A linha é fina e muitas vezes invisível quando se procura separar a hipocrisia e as boas maneiras e muitas vezes nem existe sequer.

(Voz inidentificável) …a hipocrisia é por vezes preferível ao conflito!

-Vejo que os apontamentos do ano passado já estão a correr por aí; Nada a opor! Mas na realidade tudo depende das consequências que possam advir do conflito e essa é a única medida possível. No entanto não desejo ir por aí para já.
-Era então do protocolo que se falava.
-Se vamos a um local, vestimos de uma maneira determinada. Se nos vamos a encontrar com alguém a quem consideramos importante, trataremos essa pessoa com respeito, até por vezes excessivo. No entanto, se lidamos com alguém cujo aspecto nos parece de algum modo desagradável (um Zé ninguém) sentimo-nos com licença de o desrespeitar, de endurecer a voz ou de lhe faltar ao respeito como modo de evidenciarmos a nossa superioridade moral e estética. Vamos a um médico ou a um advogado somos amáveis. Vamos a uma “tasca”, temos o direito de ser crápulas, refilões e exigentes em excesso. Somos atendidos por uma senhora no interior de uma farda de design, somos polidos e educados mas se nos atende alguém de fato-macaco, tratamo-lo de qualquer maneira. Podemos regatear numa feira mas não numa loja de marca.
-As demarcações e classes sociais não são coisa do passado. Somos todos iguais perante a lei, mas os ricos podem pagar melhores advogados que os pobres, melhores médicos, melhores escolas e universidades. Somos todos iguais, mas uns um pouco menos do que outros.
-O que é o protocolo?
-È exactamente o mesmo que a arte. Critérios pessoais que alguém tratou de fazer passar por universais.
-O que é o protocolo?
-Uma deferência que se tem para com aqueles que são nossos iguais ou superiores. No entanto, não se esqueçam jamais que um crápula não é menos crápula se têm ou aparenta ter mais ou menos capacidade financeira ou acesso ao poder.
(…)

sábado, setembro 02, 2006

Manifestações In-provaveis





















O Bloco de Esquerda convocou uma manifestação de apoio para apoiar as manifestações de apoio dos manifestantes que o têm apoiado.

Rui

Envio de Tropas





















"O Presidente concorda com o envio de tropas"

- Qual presidente? O do Gil Vicente? O presidente da Liga ? O da Federação? O da FIFA?
O do Belenenses? O do Leixões?
-Não, é só o Presidente da República!

Rui

sexta-feira, setembro 01, 2006

Diálogo Provável















-Boa tarde, siga aquela medida eficaz e destituída de populismo!
-Qual? Já não vejo uma dessas há muito tempo!

FIM

segunda-feira, agosto 28, 2006

Ressaca











-A minha cabeça lateja como a pele de um tambor. Mas isso nem sequer me interessa, todo o gin é justificado, seja com ou sem agua tónica. Ah… bolas lá para o estilo, isto sim é uma ressaca.
-Bem podia haver quem mandasse calar este parvo palrador ou quem sabe dar-lhe um tiro; Não, tiros não, já chegam os do Iraque.
-Todo este discurso vago e pretensamente filosófico me enterra ainda mais no sono e no alheamento. Será que a filosofia toda caberia no meu último copo de gin? Em todo o caso agora bebia um litro de água.

Será que sou só eu, quem não está a ligar absolutamente nada ao que este insuflado génio está para ali a prégar às moscas? Aposto que aquele ali logo à frente, a rabiscar, também não está cá ou se estiver, está com o mesmo interesse que eu.

-Caramba, ainda falta meia hora, por vezes o tempo é mesmo um mistério cruel.

-Eu já sabia que iria ser assim, aliás eu já sabia desde o início que iria ser assim. Há tantas coisas que sei e a que desprezo a utilidade, e tantas que não sei e que acho úteis. Há tanta coisa que queria. Queria escrever como o Mário Cláudio, queria desenhar como o Alex Raimond, queria compor como o Rodrigo Leão, jogar futebol como o Figo, queria ter e ser de ...

-Acho que me vou embora, estou farto de estar aqui a secar…
-Nestas alturas, dá-me uma inveja de quem se preocupa filosoficamente. Queria estar mais integrado na contemporaneidade em vez de ter esta existência caótica e este amargor seco na boca.

Quem será mais estúpido aqui? O fala-barato pomposo ali no palco, quem não o entende, quem finge entender ou quem o compreende realmente?
-O Plano Regional de Ordenamento do Território do Norte (PROT - Norte) é mesmo fantástico. Como pude eu viver tanto tempo sem que existisse o PROT? Como é boa esta nostalgia saudável que o PROT possui, arre!

-Entretanto vou escrevendo, sempre me faz parecer interessado e tenho ainda muitas paginas em branco. Entretanto recordo outras conferências, outros lugares, outros temas e companhia bem mais interessante do que o “mostrêngo” aqui ao lado; recordo uma em especial… com música de harpa ao fundo.

-Ah, ainda um dia vou entender porque guardo todos os papéis que me dão, ainda que inúteis; Quase nunca os releio nem analiso.
-Bolas, tenho o atacador desapertado…
-Olha, terminou finalmente.
-Café, café, café e agua, muita agua!
-Tenho saudade, agora que me deixei pensar, fiquei ainda com mais saudade.

-Boa tarde, quero um gin-tónico, sem gelo se faz favor!

Rui

sexta-feira, agosto 25, 2006

ONU (Ó NU!!)












-A ONU não vale nada. Representa cada vez menos, tem cada vez menos poder e menos capacidade de manobra. Não tem peso político, não tem força militar ou outra, é manipulada pelos interesses dos países membros permanentes do Conselho de Segurança. Não evita conflitos nem os previne, não evita crimes contra a humanidade e nem sequer os pune.
-Recentemente no caso do Líbano, veio tentar impor um cessar-fogo entre uma organização terrorista e um estado soberano que ela própria reconhece; Sendo que os repetidos ataques terroristas a partir do que deveria ser um país soberano nunca incomodaram a dita ONU. Também nunca foi causa de preocupação o facto de um país com presença de forças da própria organização, ter todo o seu sul dominado por grupos violentos que não reconhecem aquilo que ela própria reconhece e que desencadeiam ataques cobardes a partir desse território de ninguém onde tropas de boina azul se dizem observadores. Realmente, tudo aquilo que fazem é observar.

-A futura força da ONU no Líbano já começa mal. Aparentemente a França com a sua costumeiro chauvinismo, irá comandar, a Itália irá participar mas ninguém sabe por quanto tempo, a Alemanha também, apesar das dificuldades politicas poderá enviar tropas, Portugal e outros países poderão participar se forem clarificadas as circunstâncias dessa participação, em suma: ninguém parece saber bem o que irá acontecer. Isto é o reflexo da politica de defesa europeia, que se existe não funciona e se funciona, funciona apenas intermitentemente e de modo hesitante. Temos por isso duas das mais importantes organizações mundiais envolvidas na questão Libanesa, e ambas sem conseguirem convencer ninguém da sua eficácia.

Rui

quarta-feira, agosto 23, 2006

1 ANO





















-
Um ano depois de começar, foram muitas as coisas que nunca encontraram lugar ou oportunidade de figurarem aqui e seria IN-Provavel que tal acontecesse. Eis algumas:

-Sempre que peço desculpa isso ajuda os meus neurónios.
-Eles dividem-se, uns apontam para o sul outros para a direcção oposta e outros ainda retiram de uma pasta de couro castanha, como a minha, salpicão, chouriço, queijo de cabra e pão de centeio. Falamos todos muito, muitas vezes em absoluto silêncio. Se tivermos agido correctamente, sentimo-nos todos muito melhor.

-O tempo existe, é gratuito, está aí o tempo todo; Rodopia nos relógios, soa do alto dos campanários, nas rádios e televisões em curtos silvos agudos; mas não leva as dores consigo.

-Hoje de manhã, quando ousei afastar os lençóis e arrastar-me até à casa de banho, reparei antes de desfazer a parte da barba que corto todos os dias, que onde antes existiam dois pelos brancos existe agora uma mancha pequena. Podia ser uma sinal, mas afinal sou só eu quem acredita em sinais!

-Era ainda muito cedo ou talvez demasiado tarde.
As estrelas ainda brilhavam e a lua ainda era cheia da luz da madrugada.
No horizonte, haviam mais dúvidas e montanhas do que nuvens claras.

-Qual é o estranho processo da memória?
-O que faz com que recordemos com minúcia e detalhe alguns factos e não recordemos nada de outros?
-Que mecânica ou reacção química faz com que não deixemos de lembrar situações que preferíamos esquecer?
-Porque alguns factos desagradáveis ou apenas tristes, são relegados para o limbo da não lembrança, para o fundo de um baú, e outros não o são?
-A quantos não assaltou já o desejo de esquecer uma pessoa e não foi nunca possível nem será?

-Frases soltas, diálogos incompletos, personagens perdidas e desencontradas.Romance que talvez um dia escreva e que comece assim:
“Naquele fim-de-semana, toda a angustia regressou de novo e se instalou desconfortável, sem aviso ou convite. Veio como de costume para três dias inteiros de cinza e névoa fria.

-Escrever é como uma catarse mas não apenas um catarse.
-Escrevo apenas para me ajudar a pensar e nesse acto sem corte nem costura, descanso a alma por vezes. Nunca pretendi auto-analises ou exorcismos.
-Escrevo, ora elíptico, ora espiral e por vezes concêntrico. Outras vezes não me reconheço no que releio, mas revejo-me ainda assim no que sinto ali escrito.

-Era sábado de tarde quase noite; Ali perto os sinos de uma igreja tocavam a chamar os crentes, os felizes e os de coração confortado.
-Era sábado, era triste e chovia lá fora, para lá dos vidros do café silencioso e vazio. Era sábado e eu, chovia tristemente ao som dos sinos da igreja dos felizes.

-A aranha tece por instinto uma teia de delicado desenho com que enfeita a natureza. Tece-a apenas para apanhar as suas presas e não para decorar a visão dos humanos. Uma rede subtil, capaz de arrebanhar o orvalho das madrugadas e o aguaceiro leve em contas de reflexo diamantífero sob a luz da lua e do sol matinal.
-Uma emoção geométrica, perfeita da evolução pegajosa de que todos somos parte. Todos somos aranha e a sua presa.

-Há dias atrás, tinha na mão um livro que desfolhara brevemente dias antes e onde lera uma deliciosas passagem acerca das inconsistências da antropologia. Como não a encontrava, pensei fazer uma busca por palavras…
-Fiquei triste por reparar que não era um monitor aquilo que tinha na minha frente. Duplamente triste por estar, talvez, a perder uma raiz mais.

-Existem circunstancias bem estranhas na vida. Uma das mais estranhas é sem duvida a ocorrência das dores físicas. Existem algumas com que nos habituamos a viver, de tal modo quem em determinadas alturas especiais, são tudo aquilo com que p+odemos contar. Aconteça o que acontecer estão lá.

Rui

terça-feira, agosto 22, 2006

Pré-História

















-Olhou à sua volta sem saber bem quanto tempo teria passado desde que chegara ali. Aliás, nem sequer sabia bem onde estava, onde era ”ali” ou como havia chegado lá. A paisagem era estranha, as plantas desconhecidas, as arvores só remotamente lembravam as que conhecia e nem sequer um edifício ou construção humana existia até onde a sua vista alcançava. Mais ao longe alguns cumes de montanhas apontavam um céu cinza-azulado e era de uma dessas montanhas que descia o regato de agua cristalina e pura que ali passava sem vestígios de poluição.
-Foi na precisa altura em que pensava ter visto paisagens como aquela em algum livro de história, que um ruído que ouvia lhe pareceu crescer; primeiro como um rumor e depois como um trovão que se aproximasse de si. Assustado, Álvaro cedeu ao mais básico dos instintos humanos e desatou a correr na direcção oposta àquela de onde o barulho, agora quase ensurdecedor, lhe parecia chegar. Corria desalmadamente, saltando pedras e escorregando em valados, mas ainda assim olhando por sobre o ombro para trás. Foi numa dessas olhadelas que quase não quis acreditar no que via, de inicio pareciam-lhe elefantes, mas com a aproximação teve a certeza de que o que corria na sua direcção eram mamutes. Entre a dúvida e o pasmo, sempre sem parar de correr, não viu a rocha enorme contra a qual chocou e que o fez perder os sentidos.
-Sentindo-se sacudido, recobrou a consciência lentamente como se desperta-se de um sonho estranho. Olhou para cima e três mulheres vestindo peles de animais, abeiravam-se dele com olhar curioso. Tinham os cabelos em total desalinho e pêlo no corpo todo. Lutando contra o corpo, que lhe doía, sentou-se e olhou em volta. Estava numa gruta parcamente iluminada por uma fogueira; ao fundo um grupo de pessoas desgrenhadas comia, não soube bem o quê, como comem os animais. Mais além corriam crianças semi-nuas, sujas e mal cheirosas. Aliás o odor era quase insuportável, uma mistura de môfo, podridão, suor e fezes quase disfarçava o odor da madeira queimada.
-Alguns dos seres que via seguravam clavas, mas pareciam partilhar tudo o resto. Reparou que todos os meios de produção como pedras e lanças eram de todos, que não havia noção de família e todos se entregavam a todos. Definitivamente, não existia nem lei nem estado que os regulasse ou lhes restringisse qualquer liberdade.
-Mais tarde, Álvaro apercebeu-se que não existiam classes sociais, nem trabalho definido, apenas a divisão dele. Por vezes caçavam, outras vezes recolhiam alimentos da natureza. No entanto, grande parte do seu tempo era despendido a procriar sem qualquer complexo freudiano.
-Passado algum tempo, três dos homens barbudos do grupo ao fundo da caverna, ergueram-se e foram na sua direcção. Afastaram com suaves pontapés as mulheres à sua volta, baixaram-se olhando-o de perto e sorriram com ar estranho. Pareceu-lhe reconhece-los e titubeantemente disse:

-Fidel, Carl, Friedrich?

Rui

sexta-feira, agosto 18, 2006

Como ser? Como se comportar? Como pensar? O que sentir?














Marxista ou Estóico? Café ou Descafeinado? Telejornal ou Telenovela? Electro-Rock ou Jazz? Berlim com ou sem muro? "Cem anos de Solidão" ou "O Alquimista"? Coca-Cola ou Pepsi? Ridley Scott ou Godard? “O Príncipe” de Maquiavel ou o “Príncipezinho” de Saint-Exupéry? Google ou Yahoo? Amelie Poulain ou Audrey Tautou? Gato Fedorento ou Camilo Castelo Branco? João Paulo II ou Stones ? Seinfeld ou Engels ? Canal História ou Flintstones? Jeunet ou Natalie Portman ? Ateísmo ou Ecstasy? Gótico ou Desconstrutivista? Liberdade anárquica ou Direito?


-Salvo raríssimas excepções, muito louváveis, o panorama cultural é extremamente boçal, e o espectáculo do possível e do improvável tão largo que apenas me resta fazer um sorrisinho amarelo, meio do canto da boca, e continuar andando. Isso, ou deixar que permaneça o meu maior ar de profundo tédio e depressão, enquanto tento não me interessar pelas causas de tal deserto de ideias. Essencialmente, continuar a viver, ou a sobreviver no meio desta “manada”, um dia penoso de cada vez.
-Telemóvel de ultima geração, máquina fotográfica digital de 200 milhões de pixeis, portátil de 250 gramas.
-Os livros que eu leio é que são bons, os filmes que vejo é que são inteligentes, os meus autores são mais cultos que os teus, a minha música é de melhores autores do que a tua.
-Como ser? Como se comportar? Como pensar? O que sentir?
-Usa-se e abusa-se de rótulos, de citações decoradas. É mais fácil ser ateu ou extremista do que ter uma ideologia, uma causa ou um credo. É pratico ser superficial e inócuo, passar ao lado e dizer que se passa por cima. Ser fútil e vão está na moda, ser assexuado e apolítico também.
-A humanidade é demasiado Kitsch, ser humano é “pindérico” e dizer pindérico é kitsch.
-Ninguém quer sentir terra nos pés nem que seja a dançar na terra molhada. Queremos “Nike” e “Reebock”. Queremos cafeína e “Prozac”. Queremos “Prada” e chinelos de praia. Queremos Estados Unidos quando convém e União Soviética quando dá jeito.
-Queremos depilação e implantes capilares. Tabaco e “fitness”. Álcool e comida vegetariana. Piercing’s, tatuagens e brancura. Neve e praia. Artesanato e “ready made”. Pacifistas e lutadores. Narcisistas e marxistas. Queremos ser Aristóteles e Einstein no mesmo corpo de um gladiador com a habilidade de Monet. Falamos da modernidade e somos voyeurs de concursos. Usamos o MSN e ficamos em silêncio com os amigos. Somos o pop de oitenta com a saudade do disco de setenta e do rock’n roll dos sessenta. Somos as nossas próprias imagens que tiramos com máquinas electrónicas e as velhas fotos dos honrados e desbotados antepassados. Somos revolucionários bêbados e afogados de liberdade capitalista. Reaccionários na vanguarda de belas causas a que assistimos em directo pela televisão. Somos “cult”. Somos tristes cópias do que queremos ser e do que acreditamos que somos, e entretanto, fugimos de nós em nome de nada, fugindo e deixando que fujam de nós para que depois tenhamos de que falar e o que lamentar.
-Um dia quando for demasiado tarde.

Rui

Nota: Apesar do tempo tristonho e fechado, hoje foi uma boa tarde!

terça-feira, agosto 15, 2006

NADA










-Sempre fora um daqueles crentes com uma fé inquebrantável e praticante fiel da religião que por uma ou outra razão naquele momento praticava. Actualmente, vai à missa dominical sempre que tem um problema para resolver e quando quer ser visto pelas pessoas a quem pretende impressionar com a sua religiosidade.
-Se Deus não lhe resolver um problema, seja por ter coisas mais importantes, por ser Agosto ou apenas por não querer resolvê-lo, insulta-O, põe em causa a sua bondade e existência, renega-O e corre a uma casa de artigos exotéricos a comprar um amuleto. Como já antes lhe acontecera, o amuleto não funciona e a dona da casa de artigos exotéricos remenda-lhe um “bruxo fantástico”, que o manda comprar quilos de ervas estranhas e lhe cobra uma fortuna. Banha-se no chá dessas ervas, cheira mal duas semanas e em desespero de causa corre a comprar um revolver para se suicidar. Mas, seja por lhe faltar a coragem para premir o gatilho, ou por ter reflectido que o suicídio é um pecado, corre à igreja mais próxima, onde ajoelhado e contrito, bate no peito e pede perdão. Já em paz consigo e com Deus, sai da igreja com as ideias mais ordenadas. Pelo caminho, usa o seu telemóvel (de ultima geração e modelo), liga ao seu advogado para que resolva o problema que o atormenta, que para isso lhe paga; Toma dois whisky's e volta a estar em paz consigo.
“Graças a Deus!”


Rui

sábado, agosto 12, 2006

EMBIRRAÇÕES V










O COSTAS LARGAS!

Facto 1

A Caixa de Previdência e Abono de Família dos Jornalistas é dirigida por uma comissão administrativa cuja presidente é a mãe do ministro António Costa e do Director-Adjunto da Informação da SIC, Ricardo Costa (Maria Antónia Palla Assis Santos - não tem o "Costa). Esta Caixa vai manter o mesmo estatuto. Isso inclui regalias e compensações muito superiores às vigentes na função pública (ADSE), SNS, SAMS e os outros subsistemas de saúde. Sempre são jornalistas, não é verdade?

Facto 2

Empregou no ministério da Justiça a sua filha Susana Isabel Costa Dutra como responsável pela manutenção, do site desse ministério com um vencimento de 3254€ mais subsídio de refeição.

Facto 3

Passou o último ano a propagandear a eficácia das suas medidas no sentido de que se não repetissem os incêndios calamitosos de anos anteriores. Transformou em bombeiros soldados da GNR, que já tinha uma brigada fiscal e outra do ambiente, mas as encomendas de material necessário aos bombeiros não foram feitas a tempo e horas.

Aí Costa, Costa….


Rui

segunda-feira, agosto 07, 2006

CRIANÇAS DE GUERRA











-
Faz-me verdadeira pele de galinha o facto dos eternos combatentes pelos direitos dos “oprimidos”, se deixarem possuir por uma cega fúria irracional nos comentários que tecem. -Causa-me verdadeiro asco o que leio por vezes na Internet, por vezes em órgãos de informação que lhes dão espaço para desbaratarem a torto e a torto a sua sanha de humanistas libertários e verdadeiros, senão únicos, detentores de ideais e de razão.

-Como é possível que alguém se coloque (sem condições), do lado de teocracias que desrespeitam os mais elementares direitos que por cá defendem tão acerrimamente? Do lado de governos, partidos e organizações que fazem tábua rasa da vida humana, dos direitos das mulheres, da liberdade religiosa, da liberdade de imprensa e do direito ao pensamento e à opinião? Ao lado em suma, de quem em nome de Deus mata indiscriminadamente, fanaticamente e de modo cego e inconsciente?
-Como escreveu Samir Kassir (assassinado a 2 de Junho de 2005 em Beirute): “Regimes em que a civilização é reduzida à cultura, a cultura à religião, a religião à politica e a politica à acção violenta.”

-No caso do actual conflito no Líbano, existe por cá muito ser pseudo-pensante que mais parece padecer de um anti-semitismo primário disfarçado de anti-sionismo, do que da capacidade de defender lá, aquilo que por aqui lhes enche o discurso e as letras.
-Não vejo nesta guerra, como não vejo em guerra alguma, nada que me possa satisfazer no que toca à perda de vidas humanas, mas não me esqueço que a situação de guerra existia já desde há muito tempo, com ataques pouco mais que impunes de uma das partes à outra. Claramente me preocupa e entristece profundamente a perda de vidas, sobretudo quando se trata de crianças. No esqueço no entanto, as crianças que vi morrer por culpa de bombistas, em autocarros quando se dirigiam para a escola, em restaurantes onde almoçavam, em mercados ou em plena rua. Não esqueço nem posso, as outras crianças que servem de escudos humanos ao frequentar, alegadas escolas corânicas, estrategicamente colocadas em edifícios em que “lutadores da liberdade” preparam planos de matança. Não esqueço, não posso nem pode ninguém esquecer, as crianças que na idade em que deviam aprender os essenciais valores da vida humana e do respeito por ela, são incitadas à violência e à barbárie, em nome de desígnios religiosos extrapolados do que o seu profeta não quis com certeza que se entendesse dos seus ensinamentos.
-Eu gosto de crianças, de todas as crianças e não apenas de parte delas consoante a sua vida ou morte me permita esta ou outra opinião e a emissão de “sound bites”.

Talvez aos nossos "inteligentes" de serviço, ainda os oiçamos dizer como disse o presidente iraniano, que o holocausto além de justificado não foi aquilo que foi. Eles que não eram revisionistas da história...

Rui

domingo, julho 30, 2006





















V

a conclusão de que não há abismo, e que a infância não
pára de desenvolver-se e crescer,
é um novo princípio de realidade, de morte, de velhice:
eu não deixo de viver no mundo interior e exterior das
metamorfoses flutuantes; é já dia, mas a noite que con-
duz a esperança no pensamento, e sobre si própria, não
acabou.
Não acabou definitivamente;
onde estará, protegendo-se da luz, o sapo que brilha?
Eu tenho a intuição, Aramis, de que os monstros
são as tentativas mais puras do Universo.
«Olha-os, e não os mates.»

O Raio Sobre o Lápis
de Maria Gabriela Llansol
desenhos de Julião Sarmento
Assírio & Alvim
Novembro de 2004

sábado, julho 29, 2006

Para mim os animais IMPORTAM










Ajude-nos a atingir o reconhecimento mundial que os animais merecem; eles podem sentir dor, podem sofrer e nós temos a responsabilidade em pôr um ponto final nesta crueldade em todo o mundo. Estamos a tentar recolher 10 milhões de assinaturas para que os governos tomem conhecimento de que estamos verdadeiramente empenhados em conseguir uma Declaração Universal do Bem-estar dos Animais nas Nações Unidas.

http://www.animalsmatter.org/


Vá lá, não custa nada! Obrigado!

sexta-feira, julho 28, 2006

Livros In-provaveis













“Como vencer a droga” - Maradona
“Etiqueta e boas maneiras no discurso” – Valentim Loureiro
“Anedotas com educação” – Fernando Rocha
“Tudo que não posso comprar” – Bill Gattes
“Honestidade e bom senso” – J. Sócrates
“Verticalidade politica e outras” – Diogo F. Amaral
“Direitos, liberdades e garantias em Cuba” – F. Castro
“Coisas que não faria por dinheiro” – J. Castelo Branco
“Como me tornei um machão” – Cláudio Ramos
“O único árbitro que conheço” – J. N. Pinto da Costa
“A alta politica” – António Vitorino / Marques Mendes
“De cabeça” – Z. Zidane
“Como superar a derrota com brilho” – Mário Soares
“O romance histórico” – Dan Brown
“A escrita original” – Margarida Pinto Correia
“A merecida reforma” – M. Alegre


quinta-feira, julho 20, 2006

A











A

Abstinência – Uma boa prática desde que tomada com moderação.
Abstraccionismo
– A prova de que as coisas não são tão más como muita gente as pinta.
Absurdo – Facto, opinião, crença ou atitude inconsistente e discordante com o meu modo de pensar.
Acidente – Uma palavra estranhamente retorcida, porque se é verdade que são as pessoas que causam a maioria dos acidentes também é verdade que são os acidentes a causa da grande maioria das pessoas.
Adão – O único homem a ter a certeza de que quando dizia alguma coisa com piada ninguém a havia dito anteriormente.
Admiração – O reconhecimento amável de que mais pessoas, além de mim, são capazes de pensar.
Adultério – Três problemas em um: A pessoa que nos ama, a pessoa que nós amamos e o nosso cônjuge.
Adulto – Uma criança obsoleta; Pessoa que parou de crescer em ambas as extremidades; Pessoa que deixou a geração dos mais novos e se queixa constantemente dela.
Aéreo – Espaço por cima das cabeças de todos e em alguns casos particulares, também no interior das mesmas.
Aflição – Sentimento cada vez mais vulgar sobretudo nos dias que antecedem a data de recebimento; Altura ou alturas em que a maior parte das pessoas se torna crente religioso fervorosamente.
Agnóstico – Crença de quem possui a firme certeza de que não sabe.
Ah – Interjeição que expressa admiração, terror ou medo usada sobretudo na altura de analisar o extracto bancário as notas dos filhos e o teste de gravidez.
Airoso – Modo de sair de um problema que provocámos depois de culpar a outrem.
Ajuda – Algo que nós concedemos a todos e que nunca recebemos; Palácio a que se chamou “Real barraca”, situado em Lisboa e onde seria suposto funcionar o Ministério da Cultura.
Álcool – Algo óptimo para conservar quase tudo excepto segredos e sobriedade.
Alcoólico – Alguém que bebe como um peixe, mas que infelizmente para o seu fígado não bebe o mesmo liquido.
América – Um país tão rico que tem os melhores políticos que o dinheiro pode comprar.
Antiguidade – Algo inútil, caro, difícil de limpar e fácil de partir.
Aonde – Palavra que antecede sempre a procura de chaves, telemóvel, ou outro pequeno objecto importante.
Aplauso – Som explosivo que se ouve no inicio de um discurso politico e que significa que a audiência tem esperança que dure pouco.
Aquém – Modo como ficam as nossas esperanças sempre que há uma remodelação governamental.
Arqueólogo – Homem que quanto mais a esposa envelhece, mais se interessa por ela.
Asneira – Tudo aquilo que fazem os outros e que em nós se chama lapso ou azar. (Ver também: Azar)
Ateu – Aquele que quando esta numa grande enrascada não tem ninguém com quem falar.
Átomo
– A prova de que são as pequenas coisas que realmente contam.
Autobiografia – Uma ficção escrita por quem melhor conhece os factos a esconder.
Automóvel – O melhor lugar para estar sentado durante um engarrafamento.
Aventura – Um modo de superar problemas que não teríamos se pensássemos bem e um modo de perdermos algumas das melhores coisas que a vida tem para nos dar, se não a usarmos.
Axixe – Algo muito em voga em alguns blocos que não de direita sempre que se esquecem da letra “h”.
Azar – Aquilo que nos acontece a nós quando fazemos os mesmos disparates que fazem outros.


Rui

sexta-feira, julho 14, 2006

13 factos inúteis.
















  1. “I am”, é a mais curta frase completa em Inglês.
  2. Mohammed é o nome mais comum em todo o mundo.
  3. O primeiro presidente americano a nascer num hospital foi Jimmy Carter.
  4. Um selo de correio contém um décimo de caloria.
  5. 4,3 Pessoas nascem a cada segundo.
  6. O primeiro passo de Neil Armstong na lua foi dado com o pé esquerdo.
  7. Tonsurfobia é o medo de cortar o cabelo.
  8. Por ano os cocos matam mais pessoas do que os tubarões.
  9. As girafas têm a língua azul.
  10. 85% Das pessoas mortas por raios naturais são do sexo masculino.
  11. A primeira bomba lançada sobre Berlim durante a 2ª guerra mundial pelos aliados matou um elefante no Jardim zoológico de Berlim.
  12. A cor original da Coca-Cola era verde.
  13. Existem 10 milhões de caixas de correio electrónico gratuitas disponiveis em Portugal.
Rui

segunda-feira, julho 10, 2006

Freud explicava isto !













-A psicologia está decididamente na moda.
-Embora eu considere que a psicologia e a psicanálise, não passam de uma muito rentável invenção de um sexualmente desequilibrado individuo chamado Sigmund Freud, aceito que outros possam pensar de modo diferente. Enfim cada um tem as suas taras, lá diz o povo.
-Os distúrbios comportamentais e psíquicos, são hoje uma onda cuja crista não pára de crescer, ameaçando a sanidade e a carteira de todos. Essa é pelo menos a ideia com que a indústria da psicologia tenta convencer-nos.
-Quem actualmente não sofrer de: neuroses várias, complexos, traumas, esgotamentos, depressões, fobias, obsessões ou outras fragilidades da alma, não é visto pelos seus pares como um ser humano verdadeiro. Também qualquer criança que não seja: traumatizada, disléxica, hiper-activa, desintegrada, apática, impaciente, desajustada ou associal não deve ser considerada uma criança dentro dos parâmetros do que se teima em chamar “normalidade”.
-Chegamos mesmo ao ponto ridículo, de que sempre que um acidente ou catástrofe ocorre, ainda mesmo antes de prestar o devido socorro às vítimas, já apareceram os psicólogos para acompanhar as famílias dos envolvidos.
-Os psicólogos aparecem em tudo o que se passa em todos os lugares e a todo o tempo: escolas, tribunais, assistência social e de reinserção, departamentos de recursos humanos, lares de terceira idade e infantários, cuidados de saúde, agencias de publicidade, estudos de impacto ambiental, cursos de pseudo-formação profissional, combate à tóxico-dependência, análise de mercados, enfim em tudo o que possa existir gerando lucro. Por vezes, até parece que este é o único curso superior que confere a quem o conclui, a possibilidade de ser especialista em toda e qualquer área do saber, ou pelo menos o direito de se pronunciar.
-Por relação pessoal, conheço e convivo com vários profissionais desta área, e nunca ouvi a nenhum deles um comentário positivo acerca de um colega que não seja simultaneamente amigo pessoal; Isto faz-me pensar que também eles devem ter os seus problemas, distúrbios ou lá o que tanto querem que tenhamos todos nós e recorda-me a frase que uma vez ouvi: “Pois… ela tem um esgotamento porque é rica e tem a mania que é fina. Se fosse eu apenas andava f…. da cabeça!”.

-Talvez Freud pudesse explicar isto, mas ainda assim acho In-Provavel.


Rui

sábado, julho 08, 2006

Feira do Livro Electrónico ( EBOOK )





















-Estão à disposição de quem quiser fazer download gratuitamente 300.000 livros electrónicos, desde dia 4 de Julho até 4 de Agosto.

Quem quiser aproveite.
Bom proveito.


Rui

sexta-feira, julho 07, 2006

BILL GATES








-Bill Gates, anunciou recentemente a sua intenção de deixar a direcção das empresas Microsoft. O homem mais rico do mundo com uma fortuna estimada de 50 mil milhões de dólares anunciou que iria deixar a sua actividade diária na sua empresa para se poder dedicar mais intensamente ás actividades contra a pobreza e exclusão, que vem desenvolvendo através da fundação que criou para o efeito. A notícia chocou meio mundo. Porque razão alguém no seu perfeito juízo, largaria o lugar de poder da maior empresa do mundo, especialmente quando há quem sempre o tenha acusado de ser uma espécie de Lex Luthor, empenhado em controlar o mundo. A verdade é que Gates controla já o mundo, isto num sentido tecnológico pelo menos. Imaginem se cada PC existente deixasse de repente de funcionar ou passasse a funcionar em função dos interesses de alguém mal intencionado. Seria o mergulho no caos. Se isto fosse o que Bill Gates pretendeu desde sempre, ter-lhe-ia bastado implantar um bug nos seus sistemas operativos, se bem que com os crashes do Windows por vezes…
-No entanto, apesar da sua posição dominante não parece possuir no corpo um só osso megalómano. É sem dúvida, o maior filantropo da actualidade e o maior contribuinte para causas humanitárias; Ainda que isso signifique que os seus herdeiros recebam apenas uma pequena fracção da sua fortuna. Já afirmou não pretender ser o homem mais rico do mundo e apesar de tudo o que atingiu, permanece surpreendentemente humilde e sempre com um sorriso no rosto.
-Isto tudo está para lá da minha natureza cínica, mas acredito com convicção que deve tratar-se de uma pessoa excelente e congratulo-me com a sua decisão de deixar a Microsoft para ajudar os que mais necessitam de ajuda.

-Pelos vistos, o 2º mais rico homem do mundo, Warren Buffet, pensa como eu, pois decidiu entregar 80% de 85% da sua fortuna pessoal, à fundação Bill e Melinda Gates.

-Ele já conquistou o mundo, e não faria qualquer sentido destruí-lo agora, até porque ele já está muito mal. Por isso, porque não salvá-lo?


Rui