quinta-feira, março 15, 2007

Pesca-dores á linha











-Há tempos atrás dois amigos meus decidiram que eu precisava de um tempo de qualidade, de animação, distracção e divertimento. Vai daí levaram-me com eles à pesca. Ainda tentei argumentar que a noite estava demasiado fria e húmida; Que não trazia calçado apropriado para a façanha e que sobretudo, não entendia nada de pesca. Não adiantou, pois à medida que eu expunha um problema, ora um ora outro, descobriam-lhe logo ali a solução. Lá fui.
-Devo confessar que não sou grande adepto de praia, nem sequer de dia. A simples presença de areia causou-me sempre aborrecimento e comichão. Logo, que fazia ali eu ao frio sob um céu estrelado, perto das ondas com uma lanterna na cabeça e uma cana na mão?
-Os preparativos para a pesca estavam todos feitos. O farnel abundante, a cerveja fresquíssima e muita, o isco, canas, botas, lanternas, e uns estranhos estojos com mil e uma coisas pequenas que dificilmente eu entendia para o que serviriam. Colocado o isco na ponta de um anzol atira-se com ele e com um pedaço de chumbo para dentro da água; Espeta-se a cana na areia, com um suporte especial e espera-se que ela abane. Imediatamente era a hora de abrir cervejas. A conversa era escassa mas corria calma agradável e até o frio não incomodava tanto como eu pensara.

-Foi uma das melhores noites que tive nos últimos tempos. Continuo sem perceber nada da “arte da pesca à cana”, mas ali sob aquele céu estrelado, longe da civilização, entendi pelo menos porque há tanta gente que (literalmente) se dedica à pesca. Ali, com o vento frio no rosto, entre o rugir do mar invernoso e o silêncio da noite é realmente possível ouvirmos os nossos pensamentos mais íntimos e encontrar alguma verdadeira paz de espírito.

quarta-feira, março 14, 2007

Trabalho












-Eu acredito na existência de Deus. No entanto e como a enorme maioria dos que como eu acreditam que Ele existe por vezes tenho alturas de dúvida.
-A maioria das pessoas justifica a sua dúvida da existência de Deus com argumentos como: “Se Deus realmente existisse não haveria no mundo tanto sofrimento, fomes, guerras, violências.” Blá, blá, blá… Para mim, a única causa de dúvida chama-se: trabalho. Isso mesmo, trabalho!
-Porque se Deus existe, para que temos nós então dois dias de fim-de-semana e cinco de trabalho e não o inverso?
-Pensem bem nas possibilidades que se abririam a toda a espécie humana se tivéssemos cinco dias de fim-de-semana. Não seria óptimo dizer “estes dias de trabalho passaram a correr” ou “nunca mais chegam os dias de trabalho”?
-Para a nossa economia seria brilhante, existiria maior consumo, o comércio venderia quase tudo até porque a produção seria menor, importaríamos mais e reforçaríamos as praticas comerciais. As mulheres teriam mais tempo para os filhos, para as compras e para dizerem aos maridos aquilo que eles devem fazer. Isto seria proveitoso para as crianças que talvez assim não se tornassem uns imbecis iletrados e violentos.
-Haveria mais gente a acreditar no paraíso, já que a vida na terra não seria um inferno em vida.
-Nunca repararam que na Bíblia o nome daquele que era o maior sofredor era Job. Que em inglês significa trabalho?
-Hércules, por exemplo, só teve que realizar 12 tarefas e depois foi recompensado com descanso.
-Por cá o que vai acontecendo é que esperam de nós paciência de Job e forças de Hércules para que trabalhemos cinco dias por semana e descansemos apenas dois, paguemos impostos e sejamos mal tratados pelos governos.
-Pessoalmente já perdi há muito a paciência, e não tenho a força hercúlea necessária para resistir sequer a um Bosford com água tónica.

-Por isso já sabem: se me virem sentado a uma mesa de esplanada a meio de uma tarde de semana, a ler e a apanhar sol, com um copo alto meio-cheio de algo que pode parecer água, já sabem: Deus atendeu o meu pedido e como sou um homem com fé, tenho fé que Deus o atenda.

segunda-feira, março 12, 2007

DOIS ANOS É MUITO TEMPO











Não, dois anos não passam a correr!

Faz hoje (12 de Março de 2007) dois anos que me apetece chamar algumas destas e de outras coisas a alguém:

Atarantado, abestalhado, abobarrado, abobosado, acanhotado, alarve, alonso, alvar, alvarinho, apalermado, aparente, aparvado, apatetado, apombocado, asneirão, asonsado, atolado, atolambado, atoleimado, azémola, asno, atrasado, anormal, anormalóide, besta, bestôncio, burro, bronco, bobo, babáca, babanca, basbaque, bate-orelha, babão, badana bertoldo, bestalhão, bestiaga,belarmino, beliz, bocó, boleima, bolónio chanfrado, chalado, doido,calino, cândido, capadocio, cepo, chapetão, coió, curto, cuco, cretino, cavalgadura, camelo, débil, demente, doloso, enxovedo, escroto, estulto, estúpido, estupidóla, nado-estupido, falsco, falacioso, fátuo, fingido, fútil, fanfarro, gaivota, ganso, girolas, guedes, harlequim, hebetado, hipócrita, idiota, imbecil, imbecil, imbecilóide, incapaz, inepto, inhenho, insensato, insensivel, insonso, intelijumento, jegue, jerico, jumento, lamecha, lapardão, lapardeiro, lapa, latoso, lapuz, lorpa, lapárro, louco, lé-lé, mandu, mané, manicaca, marinelo,maroto, macaco, mentiroso, mentecapto, molongó, obtuso, orelhudo, otário, paca, pacóvio, paio, painte, paioso, palurdio, pancracio, pandonga, papalvo, paspalho, pancado, parvo, párvulo, parvinho, pavão, parvalhão, pascácio, pasmado, papalho, paspalhão, pataloto, patamaz, pataroco, pateta, pêngó, prego, primário, ráca, tolo, tonto, tolo chapado, toldado, maluco, marado, simples, simplório, sardo, sandio, sarango, serodio, tacanho, tonto trouxa, tapado, toleirão, urumbeba, vigarista, vigaro, viperino, viscoso.

-Só não o faço por mera educação!

Nota: Atenção ao logotipo!

sábado, março 10, 2007

Desconsolados















-
Como se não bastasse tudo aquilo que tem sido encerrado, agora vão encerrar também consulados e embaixadas.
-È caso para dizer que nós portugueses, vamos ficar mais ainda desconsolados.
-Se este afã de encerramentos continua, temo pelos intestinos nacionais mas e daí... talvez que se encerre o governo!

quarta-feira, março 07, 2007

Mude-se o POVO !









-Como foi possível não ter pensado nisto antes?
-Como é que ainda ninguém reparou em algo tão óbvio, tão evidente, tão claro?

-José Sócrates é que tem razão. O governo está 110% correcto. O ministro da Saúde está coberto de razão. A ministra da Educação afinal estava certíssima e o ministro das Finanças afoga-se em razoabilidade. Até o ministro Manuel Pinho tinha razão, apenas que no caso dele ele não sabe o que isso é.
-Claro que já não existe crise alguma, nem informação manipulada; Não houve incêndios de verão, nem cunhas, nem tachos chorudos, nem declarações imbecis. Não houve politicas erradas, reformas mal planeadas e destruidoras do ensino ou da saúde. Os salários afinal não são os mais baixos, na China é pior. Não existiram erros ridículos de indultos natalícios. Não houve manipulação de números nos cálculos orçamentais e até o secretário de Estado da energia tinha toda a razão ao atribuir a culpa aos portugueses.
-Foi aliás ele, quem me abriu os olhos, foi ele quem despertou em mim esta súbita “luz de entendimento”.

-A verdade é afinal linear e simples de entender. Se os juízes não servem, se os professores não servem, se os funcionários públicos não servem, se os jovens médicos não servem; Os bombeiros, os farmacêuticos, os consumidores de electricidade, os reformados e pensionistas, os agricultores, os pescadores, a PSP e a GNR, os oficiais e sargentos da marinha, exercito e força aérea, os bombeiros e nem os operários das empresas que encerram semanalmente servem ao país. Se nem sequer servem as maternidades, os atendimentos de urgência, os autarcas e governos regionais, as escolas das aldeias do interior ou esquadras então a resposta é simples: mude-se o povo! Mude-se este povo aborrecido e “protestante” que sai para a rua a armar arruaças apenas por tudo e por nada. Porque em ultima análise, não é com certeza para o povo que este governo governa. Será quando muito pelo povo, mas não para ele. Por isso, para que ter que o suportar?

-Mude-se o povo, exporte-se para a China, ou melhor ainda, para a Finlândia para que aprendam a ser POVO; Sim, porque nem chineses nem finlandeses, têm por habito sair à rua a cortar o trânsito e a chamar mentiroso ao primeiro-ministro.
-
Por outro lado, importemos eslavos e magrebinos que esses não exigem condições de trabalho, nem direitos que qualquer espécie e "contentam-se" apenas com salários magros e empregos instáveis por absoluta necessidade.

-Este povo de “bravos costumes”, afinal não passa de uma cambada, incapaz de entender os altos desígnios da governação, apenas por estar ocupado a tentar sobreviver. Este povo se não se presta ao governo, mude-se. Mude-se, mas que deixe o governo que esse sim sabe o que faz por si!

sexta-feira, março 02, 2007

Grunhos, xungas, azeiteiros e outros monstros urbanos: Como ser um











Atitude:

-Ter amigos o mais estranhos possível e ser tão estranho como eles são.
-Ter a atitude “bué da cool”.
-Cuspir para o chão e arrotar alto.
-Chamar coisas como “garina”, “chavala” ou “dama” quando fala das amigas, conhecidas ou namoradas. No caso delas: “gajo”, “chavalo” ou “macho”.
-Nunca usar palavras como: “sim” ou “amigo”, mas antes “yá” e “my man”.
-Baloiçar o corpo ao andar, parecendo um marinheiro enjoado e abanar os braços como um orangotango descoordenado.
-Ao falar gesticular muito esticando sempre que abrir os braços alguns dedos alternadamente.
-Colocar os pés nos bancos e cadeiras nos transportes públicos.
-Não ter aproveitamento na Escola.
-Fazer parte de um “Gang” ou de uma claque, o que dá no mesmo.
-Fazer de conta que se vive num bairro social.
-Passar horas sentado em muros ou no chão.
-Fazer “Tags” em tudo o que é sitio até nas paredes de casa.
-Ouvir apenas: House Music, Acid, Trance, Techno; ou em alternativa: funáná, kizomba e kuduro.
-É importante que a dieta seja exclusivamente constituída por bebidas de lata, pacotes de batatas fritas, “bolicaus” e aperitivos de pacote. Para equilibrar pode também comer “go(s)mas” e mascar chiclete desde que o faça com a boca aberta. Raramente pode comer pizza ou hambuguers.

Moda:

-Usar o cabelo rapado com desenhos estúpidos na nuca.
-Usar sempre calças rasgadas, largas e curtas, quer em baixo como em cima para que se vejam os boxers ou o fio dental.
-É imprescindível usar tatuagens em local visível.
-Calçar sempre ténis ainda que da feira de Custóias ou Carcavelos.
-Ter sempre um boné com a pala para trás que só é coberto pelo capuz que deve existir em todas as peças de roupa.
-Usar brincos, piercings e alguns anéis da mãe.
-Usar roupas. “verde-mete-nojo”, “roxo-vómito”, “verde-cuspe”, “amarelo-fulminante e “laranja-estraga-olhos”. Todas com siglas que se não sabem ler e que não significam nada.

quinta-feira, março 01, 2007

Pequena definição de ironia












-Aos boçais, aos cabeçudos, a todos aqueles que tem pedra no lugar do cérebro há que esculpir-lha não com uma frase irónica, um dito mordaz ou uma observação jocosa. Há que ser preciso e contundente até mesmo soez, na frase, preferencialmente de índole sexual, para que primeiramente sorriam e pouco mais tarde, riam a plenos pulmões alarves. É necessário ser parlapatão e “grunho” para provocar-lhes essas gargalhadas epilépticas que os farão abanar os pescoços ruminantes que lhes prendem a cabeça ao mísero corpo; Para que abanem as ancas suínas e inchadas sobre que se arrastam e que terminam em inúteis cepos em forma de pé. Há que fazê-los tossir, engasgar e verter lágrimas. Muito tempo depois, hão-de ainda repetir a ridícula figura de cada vez que contam a pilhéria que ouviram; Hão-de bater com as manápulas toscas nos presuntos, enquanto em volta buscam o olhar cúmplice de outro boçal que se ria do mesmo modo que ele se ri enquanto celebram a estupidez obscena que nós lhe contamos.
-Esta é para mim a maior das ironias, o melhor uso que da ironia podemos fazer a mais doce vingança sobre a cretinice.
-Talvez por isso a ironia, a verdadeira ironia e não a tosca, seja tão depreciada. Muitos, não compreendem a sua agudeza perversa, a sua subtileza malvada, o seu propósito afiado como o punhal de um corsário.
-A ironia não desfere golpes de palhaço, mas sim passos de dança diabólicos.
-A turba ruidosa dos brutos, jamais entenderá nada de ironia enquanto se entretiver a golpear com ruído mas sem qualquer ritmo, paixão ou convicção o bombo da anedota vulgar e da comparação obscena.
-“Canalha com preconceitos”, chamou-lhes Borges.
-“Vou na direcção oposta.”, disse Bocage.
-A falta de ironia é a musculatura da anorexia, o bolor dos sujos. Ao passo que a sua existência é a dor doce e fina do fio da navalha afiada em mão de ser irónico.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

HEROI DO DIA



















Foi preciso um golo escandalosamente mal anulado para terminar o sonho!

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

OSCAR ÁLHO












-Estes são apenas alguns dos filmes candidatos ao Óscar-alho, esse tradicional troféu nacional que contempla as “fitas” que por cá se fazem. Deixo-vos aqui um pequeno resumo da acção encerrada em cada um deles.
-A atribuição dos galardões decorrerá no final do ano fiscal e só então saberemos quem serão os vencedores de cada classe, da falta de classe um se alguma classe conseguirá sobreveiver.

Melhor Fita:

“Babel”
-A história de um edifício onde deputados de partidos diferentes falam, falam mas não se entendem.
-Frequentemente são visitados por um primeiro-ministro e pela fotocópia deste mas nada de especial se passa, pois uns são surdos e outros nada ouvem; Até ao dia em que é entregue uma petição de 5000 cidadãos eleitores que é “despachada” numa discussão de 3 minutos.

“ Iwo Jima”
-
O argumento baseia-se nas cartas escritas por um estudante do ensino superior chamado Ivo Lima, que escrevia mal e lia pior. Traça a sua trajectória através dos diversos níveis de ensino onde nunca teve que efectuar um exame ou provar as suas capacidades reais. Sempre por iniciativa ministerial acaba, por laços familiares, por integrar como assessor um ministério qualquer e mais tarde uma empresa pública.

“The Departed” (os falecidos)
-Trata-se de uma trama que envolve a saúde e a justiça e que tem início aquando do encerramento de diversas unidades de saúde num pequeno país quase Europeu. A justiça tarda e a saúde falta e desta dualidade acaba por resultar a perda de vidas (daí o titulo). Conta com excelentes interpretações especialmente por parte de actores amadores que sentiram na pele a necessidade de intervir no filme.

“A rainha”
-Baseado em factos reais, o argumento relata com detalhe apreciável a fuga para o exílio dourado de uma rainha local de cabelo lacado e lágrima fácil. Amada pelo seu povinho, regressa quando os esbirros incompetentes que a perseguiam lho permitem. É então que guia o povéco a uma admirável vitória e retoma o governo do pequeno reino. No entanto a história não termina e ela acaba por ser levada a julgamento na sequência dos desmandos praticados. È de prever uma sequela para um futuro próximo.

“Uma família à beira de um ataque de nervos”
-Um filme hiper-realista mas que se não pode considerar como documentário, apenas por não revelar toda a realidade. Uma família com dois filhos em idade escolar, cujo pai perdera o emprego numa empresa “deslocalisada” e que se vê aflita para chegar ao fim de cada mês.
-Uma narrativa humana que mostra o esforço e a dedicação das personagens mas também o desespero, vergonha e loucura são reveladas já no final, quando admitem estar contentes com a actual situação ao declararem a sua intenção de votar no actual partido de governo.

“Voo 31”
-Filme de aventura ao bom estilo sul-americano em que um grupo de turistas fica sem poder regressar das suas férias (pagas a prestações) no Brasil. O argumento é deveras risível e revela o conhecimento das asneiras que muitas agências de viagens fazem em busca do lucro fácil a coberto da falta de fiscalização das autoridades.

“A Diaba veste Fátima Lopes”
-Uma incursão ao mundo da alta-costura através de uma costureira que insiste e defende o uso de peles de animais apesar do que isso tem de idiota hoje em dia.

"O Ilusionista"
-Filme na linha dos grandes clássicos governativos em que um homem ascende ao poder através de eleições e de enormes promessas que não tencionava cumprir. O argumento é bem escrito mas desde cedo se poderia constatar que não era realista nem viável.

“Carros”
-Uma trama que envolve aumentos de combustíveis, impostos a serem alterados e auto-estradas a serem pagas pela 2ª. vez, sempre com o dinheiro dos mesmos contribuintes. Trata também da velocidade excessiva com que um ministro acelera e abre a boca estampando-se de cada vez que o faz.

“Uma verdade inconveniente”
-Filme idealizado e levado a cabo por um ex-ministro das obras publicas em que se assiste à elaboração de um projecto de combate à corrupção. A história é no entanto por demais vulgar e termina com um “pontapé para cima” quando o politico em causa é despachado para a verdadeira Europa. Como contrapartida terá que permanecer quietinho e longe, revelando a sua honorabilidade enquanto o seu projecto é deitado para o lixo .

“O ultimo rei da Madeira”
-Um quase soberano que uns consideram déspota e outros admiram pela sua obra, vendo-se acossado financeiramente, pede a demissão e tenta recuperar a face através de novas eleições. Continuando a suscitar amores e ódios mas a quem ninguém consegue ficar indiferente.

"Notas sobre um escândalo"
-Uma jurista viciada em “tempos de antena” é nomeada para conduzir uma caça aos gambozinos, na sequência de um dos seus íntimos ódios viscerais. Cruzam-se aqui traços de grandes clássicos como: “O padrinho do Norte”, “Os incorruptíveis contra o futebol” ou até mesmo “E tudo o tempo levou”.

“O Labirinto do Fauno”
-Um ex-jornalista, ex-director de um gabinete de sondagens de opinião, um ex-ministro e um ex-presidente de um partido reúnem-se num só homem e tentam recuperar a liderança de um pequeno e estranho partido.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

MEDO












-O medo é algo mesmo muito complicado. Alem do mais, nós seres humanos, não parecemos estar bem preparados para lidar com o medo sem perdermos, quando o sentimos, quase toda a nossa compostura e dignidade. Quando à noite, por exemplo, ouvimos um ruído estranho e acto contínuo cobrimos a cabeça com o lençol, o edredão ou os cobertores, que raio estamos nós a fazer? Será por acaso o lençol à prova de bala? Se por acaso fosse alguém com uma faca, esta não atravessaria os cobertores? Quantos de nós nunca (já em idade adulta) demos por nós a espreitar para debaixo da cama? Que estamos ali, de fundo das costas para o ar, a fazer? E se estivesse mesmo alguém lá? Será que diríamos algo como: “Ora então muito boa noite, como está?” Tal como quando nos encontramos de noite num local estranho e ouvimos um ruído mais forte e perguntamos em alta voz: “Está aí alguém?”. Bolas se realmente alguém se aproximasse sorrateiro para nos fazer mal iria responder?
-Que nos passa pela cabeça quando viajamos ao lado de um condutor acelera e este decide que é piloto de Formula 1? Simples, afundamo-nos no banco e agarramos com toda a força aquela “pégazita” de plástico por cima da porta. Aí sim, estamos seguros e se ele quiser bater de frente a 180 ou 190 quilómetros/hora já não temos qualquer problema.
-Lembro-me que em miúdo, numa descida acentuada, a minha bicicleta ficou sem travões e não parava de ganhar velocidade. Nessa altura que fez este ser inteligente? Claro está que tirei os pés dos pedais, como se isso me fizesse abrandar e só não larguei o guiador não sei bem porquê. Estaria eu à espera de levantar voo como se levasse comigo o ET?
-Uma altura em que percorria uma rua sem iluminação, por causa de obras que aí decorriam, cruzei-me com um homem que segurava firmemente um guarda-chuva na mão direita. Chovia e realmente o cenário era mais apropriado a um filme de terror do que ao centro de uma cidade moderna. No preciso momento em que nos cruzávamos no passeio, espirrei. Foi aí que o pobre homem soltou um grito e se atirou descontrolado contra a grade de uma ourivesaria fazendo tocar o alarme. Foi divertido ouvi-lo explicar à polícia como tinha escorregado sem motivo.
-Que dizer também da reacção estúpida que é a de ficar “congelado” a meio de uma passadeira porque um carro vem direito a nós? Porque não corremos para o passeio?
-Outra muito estúpida reacção é a de gritar quando o óleo de uma frigideira se incendeia. Há dias atrás aconteceu em casa de um casal amigo, ela gritava e ele juntou-se-lhe a gritar palavrões. Enquanto eu procurava uma tampa para “abafar” as chamas, dei por mim a pensar que se alguma vez os bombeiros descobrem esse método de apagar chamas, temos o problema dos fogos resolvido mas com certeza as nossas matas seriam um desassossego enorme, impróprio a menores e pessoas sensíveis.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

País dividido









SIM – NÃO
Litoral – Interior
Pepsi – Coca-Cola
Marcelo Rebelo de Sousa – António Vitorino
Bica – Cimbalino
Expresso – Sol
Público – Diário de Noticias
Morangos com Açucar – Floribela
Manuel Pinho – Palhaço Batatinha
OTA – Não OTA
OPA – Não OPA
Prego – Bitóque
Sagres – Super Bock
Jumbo – Continente
Futebol – Hóquei
Ferrero Roche – Mon Cherri

Até aqui a coisa vai, mas francamente: Salazar – Cunhal?
Que raio de povo é este?
Foi isto que aprendemos com o exercício da democracia?
Estará realmente tudo estúpido como eu tenho vindo a suspeitar?
Haverá quem mereça isto?

Apetecia-me terminar com um palavrão e fugir para Espanha a falar Francês!

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Crianças









-Vou começar por vos contar um segredo. O Papão NÃO existe. Tal como não existe o Pai Natal e muito menos a cegonha de que nos falavam em crianças.
-Na realidade quando éramos crianças vivíamos enganados, éramos enganados quase todos os dias por aqueles em quem mais confiávamos: os nossos pais e os adultos em geral. Os adultos não hesitam em recorrer ás mais torpes patranhas para ludibriar as crianças e fazem-no com a maior desfaçatez; Fazem-no até, achando que é esse o seu dever de progenitores e educadores, como se cumprissem um qualquer dever ou uma obrigação superior.
-Quando as crianças não querem comer, os adultos tentam fazer-lhes crer que a colher cheia daquele horroroso puré de verduras, é na realidade um aviãozinho e no intuito de enganar as pobres crianças, até imitam o ruído do motor: VVRRRUUUMMMMM. Qual será a lógica disto? Se as crianças não querem comer o puré, será que lhes apetece comer aviões?
-Outra técnica muito usada é a de tornar a criança responsável pela alimentação de toda a família: “Esta pela mama, esta pelo papá, esta pelo senhor da leitaria. Ou seja, o pobre infante, ou infanta, tem que comer por toda aquela cambada de glutões.
-Para adormecer então é que os adultos mentem, inventam letras idiotas, arrasam as mais belas músicas de embalar e destroem as obras mais clássicas transformando-as em algo semelhante ao jazz experimental cantado por um rouco-surdo. Quem depois de tais maus-tratos aos ouvidos conseguiria pregar olho?
-Os médicos também enganam as crianças. Quem nunca ouviu no final de uma consulta a frase: “Toma meu menino, isto é para ti” enquanto nos estendem uma espécie de pau de gelado sem gelado algum?
-Ainda para mais, somos obrigados pela mãe ou pelo pai a agradecer: “Que se diz ao senhor doutor?”, quando o que nos apetecia era mandar que ele metesse o pauzinho no... no bolso.
-Outra ideia peregrina dos adultos foi a invenção dos jogos educativos, que consiste essencialmente em associar algo de que não se gosta com algo de que se goste muito. Por exemplo: tinham que associar a bola de praia ao globo terrestre?

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Cupido e outros adoráveis malandretes (Repostagem)













-O Cupido não passa de um estupor.

Idiota e bêbado, com considerável miopia.

Não entende absolutamente nada de Amor

e tem uma péssima pontaria!

Yur Adelev


-O Cupido ao contrário do que se pensa, não passa de um tipo balofo e baixinho, na casa dos quarenta, com barriga, "falta de vista" e de penas na asa direita.

-Todos os dias, depois de acordar e enquanto desfaz a barba sob as olheiras, mira-se ao espelho e lamenta a vida que tem levado. Toma duas aspirinas, um Guronsam e recomeça outro dia.

-Há dois séculos que se compromete a beber menos, deixar de fumar e consumir mais vegetais. Mas vai adiando.

-Naquele dia, acordou particularmente enfastiado, consigo e com a vida, com os outros todos e particularmente com Júpiter. O pouco tempo que dormiu, dormiu mal. Acordou várias vezes com pesadelos e quando se levantou para ir à casa de banho, tropeçou nos chinelos “de meter no dedo” e bateu com o joelho direito contra o bidé. Disse três ou quatro palavrões, fez o que tinha a fazer e voltou para a cama sem lavar as mãos.

-Como todas as manhãs, relê a a embalagem de flocos ao ponto de conseguir recitar tudo o que lá esta escrito, até as letras pequeninas que só lia com o olho esquerdo aberto e com um esgar no rosto para focar melhor. E quando termina faz sempre a mesma pergunta a si mesmo: “Será que vale a pena comer a embalagem de flocos? Mais sabor a cartão não deve ter do que os próprios flocos…?” Mas nunca se respondera, nem comera a embalagem.

-Como sempre, no final do pequeno-almoço agarrou no jornal diário, roubara ao vizinho da frente e leu os signos em que dizia não acreditar. Mas neste dia, depois de lêr, como era hábito uma vez por semana, por vezes duas… que os nativos do seu signo iriam encontrar a pessoa que tanto idealizavam, atirou com o jornal para um canto. Pensou um pouco e depois dirigiu-se com ar furioso até à janela; Levando numa mão a aljava e na outra o arco. Abriu a janela de par em par e o mais rapidamente que foi capaz, disparou todas as suas setas ao caso. Fechou a janela já mais calmo, ligou a TV, tirou do frigorifico uma cerveja e sentou-se no sofá o resto do dia.

-Eu sei que foi assim! Tenho uma cicatriz de flecha na nádega esquerda e uma dor enorme no coração para o provar.

Rui

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Terramoto in-Provavel












-Hoje ás 10h.35m., ocorreu um sismo de magnitude 5.8 com origem no Banco de Gorringe, ao largo de Sagres. Foi o maior sismo dos últimos trinta anos.

-Terá sido ocasionado pelo referendo de ontem?

-Infelizmente o governo embora tenha abanado não caiu.

-Confirma-se no entanto que a situação geral do povo português se encontra muito tremida.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

SONETO In-Provavel







QUEROFAZER UM SONETO Francisco Briz Hidalgo

Sempre quis fazer um soneto,
ainda que requeira muita paciência
bem como muita experiência
para chegar ao segundo quarteto.
Com grande consideração e respeito,
mas com limitada inteligência,
lutarei para desvendar a essência
que se esconde nesse difícil repto.
Ainda que já se canse a minha mente
e me veja cada vez mais vacilante,
não quero que de mim diga a gente
que sou pessoa inconstante,
continuarei adiante e de repente,
acabou-se-me o soneto neste instante.

Tradução própria

Sempre gostei muito deste "soneto improvavel". Hoje partilho-o aqui.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Não é o mesmo









Não é o mesmo dizer Andaluzia do que dizer “Anda Luzia”.
Não é o mesmo ter família na Mancha do que ter uma mancha na família.
Não é o mesmo ter um camaleão do que ter um leão na cama.
Não é o mesmo ser um tipo apático do que ser um pato atípico.
Não é o mesmo olhar para as pernas da Dores do que olhar para as dores das pernas.
Não é o mesmo uma selva virgem do que uma virgem na selva
Não é o mesmo detestar livros de texto do que detestar o texto dos livros.
Não é o mesmo viver na Rua do Meio do que viver no meio da rua.
Não é o mesmo dizer que a tormenta se avizinha do que dizer que a vizinha se atormenta.
Não é o mesmo dizer que me banho no rio do que dizer que me rio no banho.
Não é o mesmo dizer tudo o que se pensa do que pensar tudo o que se diz.
Não é o mesmo ter certas calças a preço baixo do que baixar as calças a preço certo.
Não é o mesmo ter patas com ovos do que ter ovos com patas.
Não é o mesmo, um cinto negro atrás do que “sinto um negro atrás
Não é o mesmo dizer que a SIDA não tem cura do que dizer que o cura não tem SIDA.
Não é o mesmo o rabo do revólver do revolver o rabo.
Não é o mesmo ver novidades no piso de cima do que piso em cima das novidades.
Não é o mesmo a obra-prima do mestre do que a prima do mestre da obra.

domingo, fevereiro 04, 2007

FUMO















-Confesso que embora fume bastante pouco, sou um fumador militante, assíduo e inveterado. Confesso também que tenho um prazer enorme em fumar.
-No entanto, sempre que vou ao médico e ele me pergunta se ainda fumo, já sei que a seguir vou ficar com menos cigarros e ouvir: “Dá-me lá então fumar um desses teus cigarros malcheirosos que já há muito que não fumo um desses”.

-Apesar disso, este fim-de-semana veio parar-me às mãos um livro intitulado: “Como deixar de fumar de um dia para o outro”. De início achei o título idiota; seria simples apagar um cigarro ás 23 e 59 e acender outro logo depois da meia-noite. Apesar de tudo, lá me decidi a abri-lo e dar uma vista de olhos.

-Rezava assim:

Ponto 1 – “Escolha uma data festiva importante, para deixar de fumar.”
-Até aqui eu tencionava deixar de fumar hoje mesmo, mas hoje é apenas Domingo e não se festeja nada que não seja o facto de ser Domingo. Ao procurar no calendário reparei que além do dia de S. Valentim e do Carnaval, a que não dou importância alguma, teria que esperar pela Páscoa.

Ponto 2 – “Desfaça-se de tudo o que lhe recorde o tabaco.”
-Estaria bem se fossem apenas os isqueiros, ainda que fosse a estimada colecção de “ZIPPOS”, os cinzeiros, ainda que todos os que “arrepiei” de hotéis, bares, companhias aéreas, museus e outros mil sítios por onde fui passando; Mas que fazer quanto aos casacos com queimadura de charuto? Os livros com partículas de cinza de cigarrilha entre as páginas? A televisão? Os CD’s? A cama? O quarto? Os copos? A mobília? Os amigos? Até o Fidel Castro, que passa a vida a aparecer, me recorda o tabaco.

Ponto 3 – “Evite o contacto com fumadores.”
-Pois…, então mudo-me para o deserto e mesmo assim tenho que estar atento ao beduínos ou então passo a viver com os meninos do Côro do Colégio de St.ª Engrácia, em regime de internato absoluto.

Ponto 4 – “Procure substitutos para o tabaco.”
-Boa, com esta idade e depois de ter sempre tentado evita-los, vou juntar ao álcool a marijuana, o ópio, a coca, a LSD, o “crack” e quem sabe as batatas fritas de pacote e ministro da saúde para me arruinarem o que dela me resta. Será que por outro lado querem que comece a trazer pendurado nos lábios, em vez do cigarro uma esferográfica “Rotring”?
-Ainda pensei nos cigarros de chocolate que se vendem nas pastelarias por aí, mas mudei de ideias quando me imaginei a tentar acender o primeiro, distaridamente, na chama de uma vela e a sujar-me todo, além de me engasgar até ás lágrimas.

Ponto 5 – “Beba muita água.”
-Que pode uma coisa ter a ver com outra? A ideia é deixar de fumar e não passar a vida a ir à casa de banho. Além disso, com o proibicionismo tabágico que por aí anda, seria como entrar numa nuvem de fumo de tabaco de cada vez que procurasse alívio. Será que é para ajudar a esquecer o hábito de ter algo na mão, substituindo o cigarro por…, por outra coisa?

-Começo a ter dúvidas acerca desta metodologia!

-Fecho o livro. Acendo um cigarro que me sabe pela vida e me faz, ainda que por pouco tempo, esquecer algumas das agruras dela!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Manuel Pinho (O ministro In-provavel)















-O ministro da economia (de esforço intelectual), declarou durante a visita á China, a que alguns gostam de chamar República Popular, que Portugal é atractivo para os investimentos chineses por ter mão-de-obra barata.

-Então não é que esta barata tonta, além de aceléra, inoportuno e boçal também é incompetente ?
-Não saberá este "tontinho" que o facto que aponta como atractivo foi exctamente o que levou ao colapso de muitos sectores económicos em Portugal? Á não reestruturação industrial? Á falta de mão-de obra-especializada? Aos baixos indices de desenvolvimento socio-económico?
-Talvez este "iluminado" consiga um dia "abrir a boca e que entre mosca", ou talvez continue a tentar vender frigificos no Pólo Norte.
-Num país normal seria demitido de imediato, na China seria certamente fuzilado na nuca com uma bala custeada pela familia!

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Há gente que...















Que tem menos inteligência do que uma caixa cheia de ar.

A quem faltam “corn flakes” na caixa.

Cuja cabeça tem a rodinha a girar mas onde o hamster já morreu.

Que é só espuma mas nenhuma cerveja.

Que devia colar no espelho um aviso: “Perigo, o que vê no espelho é mais estúpido ainda do que parece!”

Que parece ter caído do mais alto ramo da arvore da estupidez e que antes de chegar ao chão bateu em todos ramos.

Que nasceu com a chaminé entupida.

Em quem o elevador das ideias não chega ao andar de cima!

Que se esqueceu de tirar a licença de uso e porte de cérebro.

Cuja antena não apanha os canais todos.

Que se tivesse outro cérebro ele sentir-se-ia solitário.

Que é a prova viva de que a regressão da espécie é não apenas possível mas também real.

Que parece saída de uma experiência de Estupidez Artificial

sexta-feira, janeiro 26, 2007