-Desculpe… podia fazer-me um favor?
-Com certeza. Aguarde só um momento.
Dois momentos depois.
-Ora cá está o seu favorzinho e acabadinho de fazer.
-Mas, este é redondo…
-Neste momento só temos material para fazer este tipo de favor, lamento.
Rui
-Desculpe… podia fazer-me um favor?
-Com certeza. Aguarde só um momento.
Dois momentos depois.
-Ora cá está o seu favorzinho e acabadinho de fazer.
-Mas, este é redondo…
-Neste momento só temos material para fazer este tipo de favor, lamento.
Rui
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quarta-feira, abril 05, 2006
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-Abril é o Mês da Primavera, dos passarinhos, dos dias mais longos após o Inverno chuvoso.
-Regressam as andorinhas e as primeiras borboletas, abrem as flores, nascem os primeiros frutos e bagas.
-Abril é mês de comemorar uma revolução de que muita gente já se não recorda e mês de dias mais amenos.
-Abril começa com o dia dos enganos como todos os dias em todos os anos.
-Abril é nome de música, de gente, de mês, de esperança, de renascimento, Páscoa e ressurreição.
-Abril é o mês de todas as Camélias na minha cidade.
-Abril é o mês do Carneiro e do Touro.
-Abril do dia de S. Leónidas que é o meu dia.
-Abril é o meu mês.
Mas por vezes, …neva em Abril.
Prince:
"Sometimes it snows in april
Sometimes I feel so bad, so bad
Sometimes I wish that life was never ending,
But all good things, they say, never last
All good things that say, never last
And love, it isn’t love until it’s past."
Rui
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terça-feira, abril 04, 2006
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“Este pode muito bem ter sido o Julgamento final!”
-Foi com esta declaração prestada em absoluto exclusivo ao nosso repórter no local, que Santo Moura encerrou ontem a sessão do Supremo Tribunal Celestial.
-O Julgamento não parecia possuir à partida a importância que com esta afirmação pode vir a assumir. Em julgamento estavam apenas três diabretes: um administrador de uma empresa pública recentemente nomeado, um politico em travessia do deserto que foi nomeado administrador de uma empresa pública e um ex-ministro da economia e das finanças actualmente responsável por uma empresa de energia espanhola. Os arguidos foram condenados em penas leves, pois como se sabe, Deus é misericordioso e a clemência divina sempre é melhor do que a impunidade humana. O primeiro foi condenado a substituir o burro no presépio no próximo Natal; O segundo a fazer uma lista de todas as medidas idiotas tomadas no sector do ensino em Portugal desde 1974. O terceiro e último foi condenado a copiar com notas explicativas todos os discursos de Jorge Sampaio durante ambos os seus mandatos.
-Santo Moura, que exerce o cargo desde há mil anos, declarou na ocasião sentir-se cansado de tanto inquérito e que a idade já o não ajuda a conservar em sua posse todas as informações, como fazia noutros séculos. Não se prevê ainda quem será o substituto mas a decisão parece indicar que se tratou do julgamento final de Santo Moura.
-Aguardemos então.
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sexta-feira, março 24, 2006
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-Segundo o calendário gregoriano, a Primavera chega por volta do dia 21 de Março como é habitual. Trata-se da estação das flores, dos passarinhos chilreantes e, no caso deste ano, dos passarinhos com gripe aviária. É tempo dos verdes prados cobertos de erva e formigas. É tempo dos raios solares ficarem quentes e mais amarelos, ainda que como se sabe, demorem oito minutos a atingir a terra que, ao contrário da EDP, não possui luz própria por ser um planeta.
Rui
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quarta-feira, março 22, 2006
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-Desde há vários anos desenvolvi uma técnica para me esquivar de quem não estou disposto a “aturar”. Faço-me sonso, faço-me surdo, insosso, distraído e ignorante ao que me dizem; Não estou atento, não reparo em nada, não vejo se é homem ou mulher, oiço mal ou nem oiço sequer quando não quero ouvir nem ver.
-Se me falam, respondo sem parar de andar, se me acenam finjo acenar e se me estendem a mau para um cumprimento suado, cumprimento, mas passo rapidamente ao lado. Se me querem dar um beijo educado, paro um curto momento, beijo longe da face e retomo o andamento.
Rui
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quinta-feira, março 16, 2006
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-Há meses assim.
-Para algumas pessoas são dias da semana juntamente com determinados números, para outras são alguns objectos partidos ou inteiros, locais, animais, atitudes e até mesmo outras pessoas. Para mim é este mês que decorre. Para mim é Março. Não sei como nasceu esta malapata, este “azar”, esta aversão por um dos doze meses; Ou melhor, sei, sei mas não digo, não quero falar disso e nem sequer pensar em tal coisa. O que é realmente um facto, é que o mês de Março se me distingue no duodécimo calendário, por ser um mês, quase sempre, declaradamente mau, raramente sofrível e quase nunca indiferente.
-César (o Júlio), teve pelo menos um adivinho que o alertou para os idos de Março e para os perigos que este fim de mês lhe traria. Não o escutou, talvez não fosse, como eu não sou, supersticioso, mas acabou por ser assassinado pelos seus amigos mais fiéis e até mesmo pelo seu filho adoptivo Brutus. A mim, cai-me apenas em cima a cada terceiro mês, muito daquilo que não desejava e que talvez não merecesse. Se acreditasse nos astros, culparia a sua conjunção nesta altura do ano; Se acreditasse nas coincidências, não culparia nada. Assim resta-me apenas culpar-me a mim, talvez por existir ou culpar o Março e esperar que passe depressa pois que os seus efeitos, dificilmente passarão.
-Mais uma vez o Março me foi aziago.
Rui
Nota: A ilustração não pretende exprimir nada, excepto a irritação profunda que este personagem me provoca. Poderia ser uma EMBIRRAÇÃO mas é In-Provavel.
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domingo, março 12, 2006
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Cara Ministra:
-Somos um grupo de alunos de uma escola portuguesa que fica perto das nossas casas e que não está nada contente com esta coisa das substituições que tu andas a fazer. E que por isso decidiu escrever-te esta carta para que a leias e a guardes.
-Mas prontos, as substituições até podia ser se os pogramas fossem fixes, menos quadrados e mais modernos; Por isso cá vão umas sugestões. É assim: O Inglês por exemplo e o francês, são muita complicados. Isto de ter que entender como esses gajos pensam não interessa nada. Bastavam umas frases fixólas para o pessoal pedir uns cigarros ou cervejas, comer umas coisas numa pizzaria, entender os pogramas do PC e dar umas voltas. O resto não serve para népias.
-A matemática também está mesmo caducada! Tira os integrais, os numerais, os cardinais, as raízes quadradas, as equações de segundo grau, os conjuntos e já agora a trigonometria toda, menos os cenos, os escalenos e o “pi”, que isso é curtido de dizer e dá para fazer trocadilhos. Podes deixar a tabuada que a gente nem se importa se tiver calculadora. Aliás nem é bom que o pessoal saiba fazer bem contas, senão, já viste como ia ser na apresentação do orçamento de estado? Íamos topar logo as borradas todas.
-No português só lemos secas de gente já morta e quase nunca há figuras. Depois, aquilo da gramática é impossível de gramar. Que coisa, se nós nascemos em Portugal, é porque sabemos falar português; Deixa isso para os russos e ucranianos que não dizem nada que jeito tenha mas são curtidos à brava.
-Quanto à história nem dá bem para falar! Então tanto barulho por causa do Presidente da República e depois passam a vida a falar de reis? Não tem nada a ver…
-Bem vamos ficar por aqui para não te aborrecer muito que ar de enfastiada já tu tens. Porque se fossemos às Biologias, Físicas, ui, ui, ui.
-Mas a Geografia podes deixar, é sempre fixe saber que os Açores são Portugal e saber que tu não sabias.
-Vê lá se te lembras do que te dizemos, que mais dia, menos dia, as eleições estão aí e o pessoal já vai votar. E o teu emprego apesar de tudo até é fixe, não sei se tás a ver a cena?
Prontos, fica bem!
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sexta-feira, março 10, 2006
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-Ora bem, nada melhor do que o dia de hoje para fazer esta confissão: Gosto de mulheres!
-Gosto delas em particular e em geral. Aliás é um hábito que me vem de tenra idade. Comecei por gostar da minha mãe, logo a seguir da minha avó e depois fui gostando de muitas das mulheres que me entraram na vida e que nela, mais ou menos, permaneceram. Gostei das minhas professoras, das minhas colegas de estudos e gostei sobretudo de todas as que foram e algumas são ainda, minhas sinceras amigas.
-Não achei nunca que as mulheres sejam seres especiais, sobredotados de algum modo ou menos capazes do que quer que seja. Não são também com certeza, mais sensíveis ou mais frias do que são os homens. Não têm manhas, técnicas, tácticas, pensamentos, atitudes ou argumentações diferentes das dos homens, e se as têm são apenas fruto da sua evolução no contexto histórico-social.
-Não achei nunca e não o penso ainda hoje, que elas necessitem de quotas para participarem em qualquer campo da vida social, politica, ou laboral ou outro. Também não partilho a opinião contrária de alguns homens que temem os progressos que elas fazem em termos de carreiras de chefia a todos os níveis ou a sua preponderância no ensino superior; Para mim, isto não passa da regularização de uma situação, essa sim, de desigualdade e profunda injustiça que antes se verificava. Nada disto é mais do que evolução natural numa sociedade que se deseja igualitária.
-Não gosto de mulheres como quem gosta de uma obra de arte, mas como quem gosta de uma pessoa. Não devem, nem podem ser jamais, encaradas como um enfeite do mundo, como eternas vitimas da sociedade ou como se nela desempenhassem um papel com atribuições exclusivas de segundo plano. As mulheres, não devem ser nem “feministicamente” exaltadas, nem “marialvamente” desprezadas. As mulheres são seres humanos e apenas tanto quanto os homens o são. Essa é a característica que me faz gostar de mulheres em geral tanto como gosto dos homens e em particular (num único caso) mais, muito mais.
Rui
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quarta-feira, março 08, 2006
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Presidente Ramalho Eanes, “O Carrancudo”
Presidente Mário Soares, “O Viajado”
Presidente Jorge Sampaio, “O Condecorador”
-Jorge Sampaio termina agora o seu 2º e provavelmente ultimo mandato presidencial; Fá-lo do modo oposto ao modo como o exerceu, isto é: dando, o mais possível nas vistas; esforçando-se por visitar e aparecer em todo o lado e sobretudo, condecorando o maior numero possível de pessoas; umas merecidamente, outras nem por isso.
-Ao fazer este pequeno balanço da acção do ainda Presidente da República, nada de realmente importante me ocorre e esse parece ter sido o traço essencial da sua acção. Herdou, em bom andamento, o processou de passagem de soberania de Macau e a fundação do estado de Timor e em ambos interveio o estritamente necessário para não atrapalhar. Fê-lo no entanto, ainda a tempo de recolher alguns (poucos), louros e aparecer a verter algumas lágrimas; Umas, de saudade antecipada e outras de aparente alegria, coisa em que aliás é honestamente pródigo, que parece agradar ao povo e de onde não vem ao mundo qualquer mal.
-Recordo que no início da sua presidência, foi muitas vezes confrontado com a crítica de possuir um discurso denso e dificilmente compreensível pela maioria dos portugueses e nesse capítulo, fez algumas cedências, libertando-se de expressões rebuscadas e tornando o seu discurso mais fluente, menos emproado e mais perceptível. Recordo também com agrado, algumas intervenções e entrevistas feitas em inglês que qualifico como brilhantes do ponto de vista da oratória politica.
-Jorge Sampaio ficará no entanto ligado indelevelmente a dois factos durante o seu “Magistério Politico”. O primeiro: o de ambos os seus associados profissionais, terem exercido funções relevantes a nível da justiça: Vera Jardim como ministro da justiça e Castro Caldas como Bastonário da Ordem dos Advogados. O outro facto foi o de ter aberto um precedente, se não perigoso, no mínimo estranho, para não dizer passível de suspeição de intenções na vida politica democrática, ao demitir o primeiro-ministro de um governo com apoio maioritário na AR. Para além disto apenas o facto de ter sido um presidente “generoso” no que diz respeito à atribuição de Ordens Honorificas em todos os graus. Isto, em rápida análise, retira-lhes alguma importância e algum do real significado que devem possuir como facto de real reconhecimento de méritos extraordinário e casos bem discutíveis existiram.
-Ficar-me-á a recordação de um homem emotivo e aparentemente sincero, empenhado e com muitas das características necessárias ao acto de bem-servir exercendo cargos públicos.
Se mais não fosse, resumiria estes dez anos de Portugal e da sua presidência como uma década. Apenas não sei bem como a qualificar, mas não lhe atribuo culpas de maior no que de essencial vai mal por cá.
Fico à espera, como sempre e como todos, de melhor.
Rui
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segunda-feira, março 06, 2006
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-A felicidade dura dois minutos, a tristeza dura a vida toda.
-Já foste feliz?
-Já! Dois dias de uma vez e um de outra. Quase três…
-E depois?
-Depois? Depois, as dúvidas tomaram o lugar da felicidade e a hesitação o lugar da esperança. Foi tudo!
-Tudo?
-Tudo, tudo … não! Ficou a memória inesquecível, a saudade, a tristeza e a sensação de perda irreparável e depois… de novo a esperança.
-E isso… foi um momento feliz?
-Podes crer! O mais feliz dos momentos, se exceptuarmos algum riso que ouvi.
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segunda-feira, março 06, 2006
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-Gosto de escrever a lápis.
-Gosto do som que a ponta macia faz ao sujar o papel.
-Escrevi sempre muito a lápis, gastei incontáveis tubinhos de madeira com a grafite dentro em afiadelas consecutivas. Reduzi o tamanho a muitos lápis, ate serem pequenos demais para me caberem na mão; Guardo essas pontas numa caixa, não sei porquê, como guardo todas as inúteis recordações que guardo sem saber porque o faço.
-Recordo com saudável saudade o som entrechocalhante que os meus lápis faziam na sua caixa de madeira que usava na escola. O cheiro a madeira intenso quando deslizava a tampa. O cheiro das apáras em espiral que saíam do afia-lápis e o traço a engrossar a cada letra, até à afiadéla seguinte.
-Agora uso um porta-minas,com minas quase tão finas como cabelos, que de quando em quando tenho que empurrar para continuar a sujar o papel com as palavras cinzentas.
Rui
Sábado, 04/02
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domingo, março 05, 2006
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-Não gosto do Carnaval. Não gosto pelo menos, destes Carnavais.
-Não gosto destes figurões de telenovela e dos piores programas que as televisões vomitam, a servirem de Reis e Rainhas. Não gosto de ver as meninas semi-nuas a “bater o dente”, enquanto ensaiam uma triste imitação de samba para afastar o frio, sem deixar cair o sorriso de plástico com que pretendem fazer crer que se divertem. Irritam-me as farpelas em segunda mão, a imitar a opulência das verdadeiras escolas de samba. E que dizer das bandeiras brasileiras que se encontram a cada passo nos desfile? Das desafinadas baterias “sambisticas” que acham que bater em latas é o mesmo que fazer música? Dos carros alegóricos puxados por tractores à vista? Das ridículas cabeleiras de plástico dos “foliões” que sujam, chocam, borrifam e muitas vezes insultam, ainda por cima, quem pagou para ver desfilar semelhante “pinderiquice”?
-Tudo isto me parece ser um Carnaval pobre de meios, de imaginação, de gosto e de espírito. Uma tentativa fracassada de imitar e de copiar, sem ser capaz ou sem saber como. Um exemplo de fingimento e de “quem quer e não pode,” em nome de uma tradição que nada tem a ver com nada do que se vê.
-Apesar disso, não esqueço que ainda existem pessoas que se dedicam de alma e coração aos “corsos” da sua vila e cidade. Gente que trabalha gratuitamente em nome da festa durante o resto do ano e para quem o Carnaval é o culminar e a consagração de um esforço pessoal e de muita dedicação.
-O Carnaval no entanto, era popular e em casos raros ainda é. Recordo do velho e saudoso “Entrudo”: o ainda existente “Testamento do pai velho” no Lindoso, a “dança dos cus” em Cabanas do Viriato, o “almoço do grelo” na Chamusca, o Entrudo da Amareleja, os “caretos” de Lazarim e do nordeste Transmontano, a “cacada” de Podence. Nestes a brasileirice ainda não entrou.
-Uma coisa porem deve ser dita: as portuguesas mexem-se mais do que as brasileiras, se não pelo samba, pelo menos pelo frio.
Rui
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quarta-feira, março 01, 2006
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-Uma pesquisa recente, realizada pela Universidade de Wageningn na Holanda demonstrou que o optimismo pode ser um factor importante no prolongamento do tempo de vida humano e na preservação da saúde física e mental.
-O estudo envolveu uma amostra de 999 homens e mulheres de idade avançada. Para tal, seleccionaram-se todos os que responderam afirmativamente à seguinte frase: “Ainda tenho muitos objectivos que hei-de concretizar na vida”. Nove anos depois foi possível constatar que os que haviam respondido afirmativamente tinham tido uma taxa de mortalidade 63% inferior aos “pessimistas”.
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sábado, fevereiro 25, 2006
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Manda este e-mail a zero amigos.
Se não mandares, não te acontece nada e se mandares também não te
acontece nada!
Acredita! É mesmo verdade!
Houve um rapaz que acreditou, e depois de enviar não lhe
aconteceu mesmo nada.
Outro não acreditou e nada lhe aconteceu!
Por isso acredita, senão nada!
Recebido por e-mail
Rui
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quinta-feira, fevereiro 23, 2006
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-Aumentos de gestores públicos de 30%. Aumento da constituição dos conselhos de administração das empresas publicas. O presidente custa mais 41,7% que o rei de Espanha. E em Espanha há só um rei. O Governador do Banco de Portugal ganha por ano quase o dobro do presidente da Reserva Federal dos EUA e dá-se ao luxo de periodicamente renovar a frota directiva com carros de luxo, tendo até atribuído um automóvel ao seu motorista para uso deste.
A Administração do Porto de Lisboa (APL), contratou em 2005, mais 20 trabalhadores e 20 chefias, em comparação com 2004. Ainda “Trocaram os três Mercedes comprados no início do ano por dois Audis e um BMW”. O Grupo Portugal Telecom (PT) dá hoje emprego a dezenas de ex-políticos, autarcas e filhos de governantes. Ferro Rodrigues, foi nomeado pelo Governo embaixador de Portugal na OCDE. O primeiro-ministro tem 15 secretárias pessoais, 18 assessores, 13 adjuntos. Assinou um despacho para desbloquear, a título excepcional, a contratação da sua ex-assessora, Maria Rui, para a Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia (REPER), em Bruxelas. O Ministério da Justiça pagou entre Janeiro a Junho de 2005 mais de 500 mil euros de renda por umas instalações vazias no Sintra Business Park. Nomeou uma assessora para a impressa, com um ordenado de 3254€ mais abonos. O Governo actual já nomeou 2418 pessoas para gabinetes ministeriais.
Os custos de construção do Metro de Madrid são menos de metade (35%) dos verificados no Metro de Lisboa. As escolas do 1º ciclo estão a fechar pelo país fora. Hospitais estão a ser privatizados, maternidades vão fechar. A gasolina esta 56 escudos mais cara que em Espanha. Os medicamentos são mais caros, os actos médicos são mais caros. O País vive de há uns tempos a esta parte numa pausa de casos públicos de corrupção. Boys e mais boys. A lista é interminável. Mas o benefício para os cidadãos cumpridores é cada vez menor.
Pode ser que isto melhore, mas assim é IN-Provavel.
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segunda-feira, fevereiro 20, 2006
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-Existem no mundo pessoas que para mim são sinónimo de aborrecimento profundo. Gente que não entende, ainda que se esforce, o básico principio de que o óptimo é inimigo do bom e que até o mal tem lugar no universo.
-São pessoas que não recusam a mais ínfima oportunidade de meter o nariz em tudo, de falar acerca do que lhes não diz respeito e emitir o maior número de opiniões não solicitadas. Para algumas dessas pessoas, o mundo é o palco do teatro em que gesticulam grandes gestos a ilustrar discursos grandiosos e ocos. Neles o pior é não conseguir evitar-lhes o fogo caloroso dos seus conselhos, das suas erróneas apreciações condoídas e dos comentários bem intencionados. São na maioria pessoas sinceras, que julgam que podem mudar o mundo apenas expressando o seu desejo de o fazerem. São eles próprios os seus maiores admiradores, admiram e admiram-se com as suas próprias palavras e ideias, embora nunca se rejam por elas. Tem em todas as ocasiões um pensamento caridoso e uma palavra que julgam profiláctica e tem dificuldade em respirar entre tantas palavras inúteis.
-Esquecem no entanto, quase sempre, que o interesse nessa cadeia de infernais boas intenções, nem sempre é partilhado por aqueles que delas são alvo.
-Olho-os como os postes olham os cães.
Rui
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segunda-feira, fevereiro 20, 2006
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Dois ladrões num museu de arte:
- Hei! Olha ali um Picasso!
-Hã… esta instalação artística deve valer bem mais.
-Porquê?
-Porque é feia que se farta e agora a Arte tem que ser feia.
-Tens a certeza?
-Claro. Sou um ladrão profissional de Arte!
-Então esta coisa deve mesmo valer muito, muito, muito.
-Porquê?
-Porque é mesmo muito, muito, muito feia.
Rui
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sexta-feira, fevereiro 17, 2006
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-Há um dia em cada ano em que a cidade se enche de vermelho ou encarnado, se preferirem.
-Chega a parecer que a Rainha santa Isabel retornou da História e fez, não só o milagre das rosas mas também o milagre da multiplicação das rosas. Ou que o país inteiro se rendeu à celebração de um titulo do Benfica, do Salgueiros ou agora, da selecção Nacional de nova fatióta.
-Não existe alminha, seja homem ou mulher, que me desculpem os que se não incluem nas duas categorias, que não transporte consigo uma dessas singelas flores, ou ramos delas acompanhadas de um cartãozinho .
-Cruzo-me com homens que arrastam consigo rosas à unidade, em cones de celofane ou aos ramos, consoante a bolsa, mas todos ou quase, com ar de quem cumpre não um ritual mas um dever pesado, como o de ir votar em dia de “ponte” e de praia no Verão. As mulheres, senhoras ou meninas não lhes ficam atrás; algumas trazem dois e três ramos ou rosas e parecem olhar em redor à procura de um caixote que a Câmara Municipal ali deveria ter colocado.
-Nas montras está tudo da mesma cor. Abundam em todas os mesmos músculos cardíacos estilizados e os mesmos ursos de peluche abraçados a tudo e mais alguma coisa.
-Para o comércio é um dia de “fartar vilanagem”. Há de todo em todos os feitios, mas tudo na mesma côr e com o mesmo objectivo. É necessário, até mesmo obrigatório, comprar algo para que o “objecto” da nossa paixão saiba um dia por ano, que o/a não esquecemos, para que se não sinta esquecido/a para que possa mostrar e comparar com os/as amigos/as os postais melosos e os presentes mais ou menos dispendiosos.
-Os restaurantes e sucedâneos lugares onde se come, estão cheios de parezinhos de namorados, um de cada lado de uma vela inevitavelmente vermelha e os empregados correm entre as mesas a fingir sorrisos enquanto pensam na gratificação.
-Tudo em nome de um santo que provavelmente não existiu, que não fez nada do que as pessoas pensam e que é uma tradição estranha à nossa cultura. Mas isso que interessa? Há que avançar com os novos tempos, respeitar os novos hábitos, ainda que impostos pelo consumismo e inventar mais uma dúzia de dias para que se compre algo mais, em nome de algo mais.
-Por cá, também existem partidos e governantes que à falta de causas prementes, inventam e reciclam causas antigas para desviar a atenção dos seus problemas e ganharem assim algum espaço na comunicação social.
-Será assim tão diferente o comércio da política e a política do comércio?
-Pode ser que sim mas parece-me cada vez mais In-Provavel.
-Quanto ao S. Valentim, fica-me o contentamento pelos gestos realmente sinceros e pelos sorrisos de apaixonada satisfação que o dia traz.
-Eu sorri e pensava ser In-Provavel.
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quarta-feira, fevereiro 15, 2006
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Fala agora!
Um dia não nos será permitido falar porque alguém, não sei onde, se irá sentir ofendido por alguém que irá dizer, não sei o quê, que não sei quem, não irá gostar…
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segunda-feira, fevereiro 13, 2006
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-Em qualquer tipo de teste, seja ele físico, médico ou outro, tento sempre obter o melhor resultado possível, de preferência ainda melhor do que o possível.
Ainda me recordo que em miúdo quando fiz um teste de visão, queria ver mais até do que aquilo que era possível ver. Esforcei-me imenso por ver até o que não existia. Talvez esperasse que o oftalmologista me dissesse algo como: “Rapaz… tens um super-poder de visão, tenho que mandar os teus testes para a NASA”. No entanto, quando me pedem a amostra de urina, aquilo que levo comigo no “frasquinho”, parece-me sempre pouco. Para que raio querem eles um frasco tão pequeno, quando eu tenho tanto para dar? Pelo contrário cada tubinho de sangue que me tiram, parecem-me litros dele, litros que eu produzi com trabalho e alimento, e que vou ter que repor e pagar de novo.
Li não sei onde que a ciência médica tem feito descobertas fantásticas e que progride a bom ritmo, no entanto uma das coisas que mais me agradou foi o anúncio de que o vinho ajuda a prevenir possíveis ataques cardíacos; Agora, sempre que saboreio um bom tinto do Dão, Douro Alentejo ou Estremadura sei que estou a contribuir para a minha saúde e não apenas a satisfazer a gula como até aqui fazia.
Toda a gente que ser sadia. Toda a gente quer estar em forma, mas para quê?
Hoje em dia, dizer que não se frequenta um ginásio é quase uma penosa confissão, é como se se fosse um ser de outro planeta ou como se se tivesse cometido um crime horrendo e tivesse orgulho nele. Mas francamente não me convencem. Não tenciono gastar o meu rico dinheirinho para alimentar as necessidades e vícios de gente que tem um ar mais saudável do que o meu. Para quê? Hoje em dia excepto na profissão de estivador ninguém necessita de levantar cargas pesadas; Se não se pretender correr a maratona para quê treinar a corrida de manhã? Quanto aos músculos, para que são precisos? Não tenciono espancar ninguém. Na nossa sociedade, o esforço físico quase não existe e quando existe é pago em mensalidades, jóia de inscrição, tempo e suor.
Rui
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quinta-feira, fevereiro 09, 2006
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- Já alguma vez te envolves-te com alguém com quem sabias que irias ter uma relação complicada?
- Sim!
- Porque?
- Por medo.
- Medo? Medo de quê?
- Medo de ser como os outros. Os que não sonham, os que não crêem, os que não tentam e falham ainda assim e por isso.
Medo de sobreviver sem ter vivido.
Rui
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quarta-feira, fevereiro 08, 2006
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-Há pessoas cujo cérebro vale muito mais do que o de outras, pelo simples facto de estar em melhores condições por falta de uso.
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segunda-feira, fevereiro 06, 2006
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-Há muita gente a quem apenas a morte melhora. A tragédia é que raramente são essas pessoas as escolhidas.
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sexta-feira, fevereiro 03, 2006
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-O homem de bigode farto junto à porta de saída.
-A senhora nova mas pesada, que espalhava o aroma de frango assado pelo autocarro, segurando como um tesouro o saco de plástico estampado de uma churrasqueira da baixa.
-Mesmo na minha frente, o adolescente com a pouca barba desenhada e o piercing, calcorreava com os polegares as teclas frenéticas do telemóvel; Parava apenas para lançar vislumbres à menina que lia interessada uma “Maria” qualquer.
-Do outro lado da coxia, dois ucranianos conversam com o volume e a convicção de quem não é entendido por mais ninguém.
-Um homem escondia o sono por detrás da bola e fingia ler, cabeceando a cada travagem.
-O habitual policia fardado, em pé ao lado do motorista, regressando ou a caminho da esquadra.
-O tipo cool, de blusão negro com correntes e penteado trabalhado com a prática de quem tem tempo em excesso, olhava as luzes da rua e sonhava com um concerto de heavy-metal qualquer.
-O vendedor, que hoje deixara o carro na empresa, entalado no fato a imitar corte italiano e que lhe era grande demais, a querer parecer mais alto do era.
-O informático, alternando entre o portátil, para impressionar, e o telemóvel. Falava mais alto do que os ucranianos, como se tudo fosse “importantíssimo e ele um verdadeiro líder.
-A professora, ainda jovem, com a pasta aos pés e as olheiras sob os olhos, lendo papeis ilegíveis e ar triste a cada leitura. Tinha cabelo escuro e franja e mordiscava a intervalos a usada esferográfica vermelha.
-Numa curva mais rápida deixou cair parte dos papéis, estava cansada. Apanhei-os e entreguei-lhos. É então que a sua face neutra e abandonada sorri. Olha-me e sorri.
-Já nos encontrámos hoje.
-Perdão? - Foi apenas o que consegui dizer e não sei que ar terei feito, embora tentasse sorrir.
-Já nos encontrámos hoje! …de manhã, à vinda, neste autocarro.
-Pois sim, deve ter sido isso mesmo.
-Esboçou um sorriso e arrumou os testes na mala.
-Saiu na paragem seguinte sem se voltar para trás. Quase a admirei, apenas por me ter tanto recordado alguém que lembro sempre.
Rui
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quinta-feira, fevereiro 02, 2006
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A distância pode medir-se em tempo.
Por ex. : “Fiz 180 quilómetros em 2 horas!”
O contrário não é possível!
Imaginem:
-Estás à minha espera há muito tempo?
-Sim! Há 180 quilómetros.
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Unknown
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quarta-feira, fevereiro 01, 2006
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-Ouve-se dizer: pensa em grande, deseja em grande, faz grande! Mas será realmente a grandiosidade a única coisa importante? E que espaço reservamos em nós para as pequenas coisas? Porquê, as coisas pequenas parecem tão ausentes do léxico popular, da moda e do nosso modo de pensar? Poderia alguma vez existir esta nossa vida, por vezes tão fastidiosa e tristonha, se não existissem pequenas coisas com as células e as bactérias? Recordo que é o ADN quem estabelece quem somos, como e como funcionamos à partida; Que o imenso universo é composto, todo ele, por uma imensidade de pequenos átomos, mantidos assim por outra imensidade de ligações e partículas sub atómicas.
-A natureza de toda a vida e tudo na vida, provém e pulula de ínfima pequenez. Toda a vastidão de ecossistemas assenta em incontáveis pequenos organismos e microorganismos sem os quais a vida não existiria no nosso planeta. Até a chuva que nos molha e nos nutre é composta por gotículas que se juntam em gotas para saciar a natureza com a sua dádiva de renovação. O sol que nos ilumina e nos acaricia, não é mais do partículas. Que seria uma rosa sem as suas pequenas pétalas? Perguntem a um pássaro acerca da pequenez das palhas e ramos com que faz o seu ninho.
-Que seria da humanidade sem as pequenas ideias, sem pequenas conquistas, pequenos gestos e sem os pequenos falhanços que conduziram à grande evolução? Imaginemo-nos sem a pequena partícula de chama, que saltou do encontro de duas pedras para nos dar o fogo.
-Têm sido sempre pequenos sonhos, aquilo que nos conduz às grandes realizações. Tem sido sempre a partir de coisas pequenas que esculpimos e reesculpimos o nosso mundo e a nossa cultura. Pequenos poemas que nos acendem a alma, constituídos por pequenas palavras compostas de pequenos signos gráficos.
-Toda a nossa vida, colapsaria se não tivéssemos pequenos momentos de felicidade. São eles o combustível necessário para que desenrolemos os dias, até ao dia seguinte. São coisas pequenas como ínfimos pontos que constituem o desenho, ora cinzento, ora colorido das nossas vidas, das nossas experiências, dos nossos amores, ódios, frustrações e alegrias. Tão inimitáveis e encantadores.
-Porque ansiamos então tanto pela grandeza? Porque não nos empenhamos apenas em cumprir os nossos papéis na vida para assim ajudarmos a redimir o mundo a nós mesmos?
-Neste preciso momento milhares, senão milhões de “pequenas pessoas”, lutam nas suas pequenas vidas para que tenhamos todos uma vida melhor: em laboratórios, em missões, em fábricas e em escolas por todo o mundo. A madre Teresa foi sempre uma “pessoa pequena”, em estatura, em fama e em influência politica ou outra. Mas não deixou de fazer mais do que muitas pessoas ditas grandes, pela humanidade.
-Sempre que vejo uma criança pequena, vejo os seus pequenos olhos ávidos de ver coisas novas, e as suas pequenas mãos, cheias de potencial para agarrarem o futuro.
-Essa é sem dúvida, a fantástica grandiosidade das pequenas coisas. Saibamos aprecia-la correctamente.
-Hoje aconteceu-me uma pequena coisa, que me deixou feliz.
Falei com a Ana!
Rui
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terça-feira, janeiro 31, 2006
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-Parem a realidade imediatamente que eu quero sair aqui mesmo e já!
Matem a lógica que é fria e cruel e por isso merece morrer cruel e friamente.
Enforquem a probidade no ramo mais alto da arvore do vício.
-Ontem cheguei a casa num deplorável estado de sobriedade. Totalmente imerso na realidade, completamente capaz de pensar e doentiamente consciente.
Por isso, terminei ontem mesmo a minha relação, por comprovado fracasso, com medicamentos, dietas, caldos de galinha, horários e bom senso. Respeitei-os a todos durante muito tempo, e o que fizeram eles por mim? Que vantagem retirei alguma vez dessa relação? Dependi deles, tal como sabia que a minha vida dependia de mim; E para quê?
-“Beber a tragos largos a solidão dos dias engarrafada nas noites frias, nas noites em que se sorve a alternativa à embriaguez de um copo cheio de tristeza”
Yur Adelev
Rui
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sexta-feira, janeiro 27, 2006
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-Detesto quando alguém me liga para pedir um favor e não me diz logo o que pretende: “Olha estou a ligar-te para te pedir um favor, quando é que podes tomar um café para falarmos?” Porque não desembucham logo? Porque não me perguntam se quero beber um whisky ou uma cerveja? Porque não me perguntam se me apetece vê-los e ouvi-los?
-Depois há os favores que podem ser favores pequenos ou favores grandes. Sei sempre se o que me vão pedir é grande ou pequeno, pelo tempo que a pausa entre o anuncio da intenção de pedir e o e o pedido propriamente dito duram: “Bem o que te queria pedir era…(3 segundos) que me desses o numero de telefone de..”-favor pequeno. “Bem o que te queria pedir era…(8 segundos) que metesses uma cunha aquele teu amigo para…-favor grande. É isso mesmo, quanto maior a pausa maior o incómodo que se avizinha, seja para fazer o favor ou para encontrar um modo de recusar fazê-lo.
-Já me tem acontecido fazer favores a gente que depois me diz: “Pá… obrigado, mas já resolvi a coisa de outro modo”. Dá-me sempre vontade de lhes bater no mínimo, mas ainda não o fiz, limito-me a aguardar o próximo pedido para poder responder com um rotundo e sonante “NÃO”.
-Em Portugal a prática do favorzinho, do jeitinho e da cunhazita (sempre acompanhados pelo diminutivo), são tão tradicionais como o folar de Bragança, as tripas à moda do Porto, o presunto de Barrancos, as pataniscas de Lisboa, as açordas Alentejanas ou o queijo dos Açores. Quem os não pede ou não os pratica é ou estrangeiro ou um elemento deslocado e associal para os restantes indígenas.
Rui
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quarta-feira, janeiro 25, 2006
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-Atneu era instalador de parabólicas; Fora na tropa que aprendera a ignorar as vertigens e o medo das alturas. Antes das parabólicas, montara antenas de tv, antenas de telemóveis, limpara chaminés, lavara janelas em arranha-céus e trabalhara no alto de postes de alta tensão. Desafiava a altitude e a gravidade todos os dias da sus vida mas nem a altitude nem a gravidade o sabiam e quando o descobriram, vingaram-se. Caiu, caiu em desgraça e caiu em peso juntamente com uma parabólica colectiva das mais caras do mercado. Aterrou num terraço de condomínio depois de furar um toldo novinho em folha e de esmagar uma mesa de piquenique e duas cadeiras de plástico. Não morreu mas partiu os dentes todos e entre eles o dente de ouro, que era o bem mais preciosos que possuía naquele tempo.
-Ao chegar a casa desdentado, com meia dúzia de pontos no lábio superior e outros tantos no inferior, descobriu que a esposa, Cesareia, fora ao minimercado da esquina e não voltara para casa. Fugira com um técnico de informática com quem namorara antes de conhecer Atneu.
-Atneu, triste por se ver abandonado, odontologicamente deprimido e defraudado de esperança, fez contas à vida. Passou em revista a sua conta bancária e acabou numa loja de artigos em segunda mão, à procura de uma dentadura que lhe servisse. A si e às suas magras poupanças.
-Tudo parecia correr, senão bem, pelo menos não pior do que de costume. Até que uma semana depois, pouco antes de adormecer, teve a sensação de que na penumbra do seu quarto ouvia chamar por si, baixinho e suavemente. Ficou imóvel, quase assustado sem respirar sequer, mas a voz continuava. Era uma voz carinhosa, que sussurrava frases ternurentas por entre risinhos. Depois… bem, depois sentiu que lhe davam mordiscadelas ternas no lóbulo da orelha esquerda, mordiscadelas pequenas, como beijos roubados. Imóvel, como se mantinha, olhou pelo canto do olho e com a pouca luz com que a lua-cheia lhe iluminava o quarto, viu que o copo onde colocara a sua dentadura cuidadosamente em agua, estava agora vazio. Teve então a certeza que possuía uma dentadura feminina.
-No dia seguinte, mastigou a comida toda do mesmo modo que mamara o seu primeiro leite materno. Não voltou a ousar colocar o objecto da sua afeição na boca.
-Pela primeira vez desde à muito, muito tempo Atneu sentia-se feliz.
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quarta-feira, janeiro 25, 2006
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-Em tempos, uma médium viu-me o futuro nas folhas do meu chá e tal como a cigana que me lera a palma da mão, vaticinou-me que casaria cedo e que teria uma vida longa e feliz.
-Mais tarde o meu astrólogo, depois de consultar o professor Mustafa Kálimero, que me lançara os ossos, estudou a minha carta astral e prognosticou para mim uma vida de felicidade, saúde e muitos filhos, na conjuntura dos astros.
-Todos pareciam estar de acordo: o numerólogo, o pai-de-santo,o xamã, a vidente e a taróloga que tinha um programa na televisão. Seria sem duvida feliz aos amores, cheio de amigos, saúde, filhos e dinheiro e viveria muitos anos assim.
Morri Sábado a meio da tarde. Ainda algo novo, solteiro, sem filhos e doente. Não deixei dinheiro que chegasse para pagar o funeral; Apenas duas pessoas estiveram presentes e ninguém me chorou. Gastara o dinheiro todo a pagar falsos vislumbres do futuro e não tive tempo para fazer amizades.
Rui
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segunda-feira, janeiro 23, 2006
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