domingo, janeiro 22, 2006

MODA









-Confesso que não gosto, detesto e na prática abomino, ter que comprar roupa.

-Não gosto que me perguntem que numero uso, ou ter que decifrar o que significam aquelas letras nas etiquetas: P, M, L, Xl, XXL; Durante algum tempo pensei que fosse numeração romana mas já me explicaram que afinal é só inglês. Não gosto das perguntas invasivas e dos elogios ocos das/os empregadas/os, das sugestões idiotas que me dão, que se seguisse me transformariam numa versão mais amaricada do Castelo-Branco; Seria possível? Irrita-me transportar aqueles saquinhos coloridos pela ruas a fazer publicidade a uma marca e ter tido que pagar para isso. Detesto etiquetas, botões, fechos de correr, bainhas, recibos para troca, talões, descontos, salas de provas, promoções e tudo o que tenho que aturar para comprar uma simples camisa ou um casaco. Fico cansado ao fim de um par de peúgas, então quando tenho que comprar outra roupa, encontro sempre algo que me faz pensar: se fosse mais novo, alto ,sexy isto ficar-me-ia bem; Mas quando chego a casa e experimento de novo a peça, concluo sempre que não sou novo, nem alto, nem sexy mas sim apenas um perfeito idiota mais leve umas dezenas de euros.

-Tenho esperança que um dia a moda acabe e penso sempre que a única coisa boa da revolução maoista na china, foi a uniformização. Talvez um dia seja como nos filmes de ficção científica, tudo de traje praticamente igual. Porque não umas jardineiras prateadas e botas verde-salsa para todos?

Rui

sábado, janeiro 21, 2006

Verdade e mentira









“Ele há mentiras enormes que parecem a mais cândida das verdades e verdades reais que podem parecer a mais deslavada das mentiras; Basta para isso que se cerrem os ouvidos aos factos, os olhos aos sentimentos e que o entendimento se refugie na dúvida”

Yur Adelev



Rui



quinta-feira, janeiro 19, 2006

República ???









-Tinha prometido a mim mesmo que não voltaria a falar nas eleições presidenciais, mas está-me a custar.

Custa-me ver um Dr. Mário Soares a fazer jus ao nome do seu boneco na contra-informação: a dar-se “só ares” de grande combatente da liberdade e único português com capacidade real de ser presidente, achincalhando todos os outros candidatos para lá do aceitável ainda que na contenda politica de campanha.

Custa-me ver um Dr. Francisco Louça, sempre do alto do pedestal a que ele próprio se guindou, a exibir a verborreia de homem politicamente culto e único detentor da verdade; Censor encartado da restante da humanidade que não pense como ele diz que pensa, sempre em busca de assuntos novos de que possa fazer declarações inflamadas.

Custa-me ver um Sr. Jerónimo de Sousa, a fazer uma campanha de charme ao fiel eleitorado comunista, para que se mantenha fiel e a repetir uma cassete que embora de imagem renovada, em formato DVD, se encontra gasta e ao mesmo tempo tentando as simpatias da restante esquerda em geral.

Custa-me ver o Dr. Manuel Alegre, armado em vitima a explorar a receita da traição que lhe rendeu o arranque inicial e a insistir na técnica da auto-vitimização. Gritando roucamente contra tudo o que sempre defendeu e de onde, ao contrário do que diz, não se afastou mas sim, foi afastado.
Tantos anos de militância partidária deram-lhe para ver, apenas após ter sido desancado pelos do seu próprio partido, todos os males do mundo no sistema partidário em que até então sempre se manteve.

Restam-me por exclusão de partes dois candidatos.

O Professor Cavaco Silva, que considero ter sido um excelente primeiro-ministro e um homem de invulgar objectividade e de princípios. Tem sabido gerir a sua campanha sem ser soez nos ataques e pautou-se sempre pela educação e pela explanação das suas ideias. Censuro-lhe no entanto a premeditação recente, a falta de lealdade e o respeito que um politico deve ter sempre presente pelos que o apoiaram.

O Dr. Garcia Pereira, candidato quase inesperado que tem feito uma campanha incomparavelmente menor que todos os outros por escassez de meios mas que tem sabido usar a coerência de ideias e a mais pura lógica argumentativa mantendo-se afastado de falsas polémicas e do insulto daninho. Conheço-lhe no entanto as circunstancias de vida e essas são manifestamente incompatíveis com o que prega.

Confesso que não sei o que farei, mas farei com certeza alguma coisa no Domingo. Não coloco sequer a hipótese de não votar, nunca o fiz apesar de discordar do sistema e do regime, mas isso são as minhas ideias e exijo para elas o respeito que tenho pelas dos outros.
Talvez vote em branco, talvez volte aqui a falar de politica mas é In-Provavel.

Que o Povo decida, que eu saberei respeitar a sua decisão. Assim o saibamos todos.

Rui

segunda-feira, janeiro 16, 2006

SANGUE





-Tendo nos últimos dias recebido vários emails solicitando a dação de diversos tipos de sangue venho desaconselhar a difusão deste tipo de emails, dado que o Instituto Português de Sangue já por várias vezes tem salientado o seguinte:

-O INS possui a todo o tempo reservas de sangue suficientes para este tipo de situações e até para outras de gravidade e ocorrência elevada.

-Não existe nenhum tipo de sangue "raríssimo", apenas menos usual e as suas necessidades encontram-se supridas; caso tal não ocorresse o INS tem à sua disposição um banco de dados que lhe permitiria com celeridade contactar dadores comprovados de qualquer tipo sanguíneo e obter o referido sangue sem necessidade de apelos públicos.

-O INS tem ao seu alcance meios próprios que não hesitaria usar para pedir ao grande público a resolução urgente de um problema semelhante.

-Este tipo de apelos são falsos, mal intencionados e apenas se destinam à obtenção de endereços de E-mail para fins comerciais, vulgo SPAM (correio não solicitado)

No entanto, e como o sangue é um bem escasso, todos os voluntários podem fazer a sua dádiva no IPS. Nunca é demais.

domingo, janeiro 15, 2006

Manual de instruções












-São coisas engraçadas os manuais de instruções que por vezes nos chegam a casa juntamente com algo que compramos e que teremos de montar ou de fazer funcionar correctamente.
-Regra geral, quando neles consigo descobrir a língua de Camões, deparo com palavras como: “conetar”, “abrazivo”, “detregente” e expressões como “efetuar a ligação da parte A32 à parte B12” ou “o tubo em direção ao lado direito do orifício inferior em baixo não deve permanecer aberto (posição A e B) quando o aparelho estiver ligado numa dessas posições”. Por outro lado não vislumbro o que será uma “tostadeira”, quando o que acabei de comprar foi uma torradeira.
-Pois é, muitas vezes os manuais de instruções não dizem nada daquilo que deveriam dizer; Outras vezes fazem-no com uma tão má linguagem que ficamos sem saber o que fazer e o que fazer no caso de não sabermos o que fazer. Não entendi ainda se é apenas em Portugal que isso acontece, se se trata apenas de más traduções ou de desconhecimento total da sua língua.

-Já cheguei mesmo a pensar que existe um qualquer convénio, em que consta que a empresa concorrente da que vende o produto, é quem faz o manual.

-Isto demonstra apenas o total desrespeito de algumas empresas e dos seus representantes em Portugal pelos seus clientes que neles confiaram ao adquirir um qualquer bem.

Rui

sexta-feira, janeiro 13, 2006













-Há anos atrás que desisti de discutir com idiotas é um esforço que tenho dado por bem empregue. Assim nem eles deixam de pertencer à espécie que tanto parecem prezar, nem eu corro o risco de me tornar num deles.

-Como dizia Miguel Unamuno: “Aos imbecis não há mais do que chamar-lhes imbecis cara a cara e seguir andando. Não há que lutar contra eles; porque se por um lado é perigoso alimentar-lhes o ego e a estupidez que em todos os tempos agita as multidões, por outro corremos o risco de cair no ressentimento que acaba por ser tão sectário e tão infiel à verdade como as heresias dominantes”.

-Para não me esquecer disto tenho feito um enorme esforço. Faço-o porque não me interessa lutar nem contra esquerdas ou direitas, ateus ou muçulmanos, nem contra judeus nem contra nazis mas apenas contra a mentira e contra a imbecilidade, que são uma e a mesma coisa.


Vem isto a propósito de uma discussão que não tive, acerca das campanhas de alguns candidatos à Presidência da Republica dos seus discursos e métodos, do que dizem e de como se comportam.

Rui

Frigorifico












-Tenho no meu frigorifico, um mundo inteiro de vazios interiores.
-Coisas sem açúcar, sem cafeína, sem calorias, sem gordura, sem sal, sem ilusão, sabor ou esperança.

Rui

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Profissionais e "biscateiros"










-Não entendo nem penso vir a entender o porquê de tanta gente inteligente acreditar quando um pedreiro, carpinteiro, electricista, pintor ou outro profissional de reparações em geral e afins, afirma: “Próxima segunda-feira, sem falta”.

-Toda a gente sabe que para esta estirpe de trabalhadores, a segunda-feira próxima significa um período variável que pode ir de quinze dias a seis meses depois da data aprazada. Alguns existem, para quem pode mesmo ultrapassar um ano e chegar até à eternidade. No entanto o ar sério com que proferem a frase e com que acrescentam uma hora concreta intriga-me profundamente: “Na próxima segunda-feira, sem falta às nove em ponto”. É como se eles próprios acreditassem naquilo que acabam de dizer ou como se eu acreditasse e fizesse o mais pequeno dos esforços para ficar em casa nessa data e hora. Não faço. Limito-me apenas no dia seguinte a ligar para saber a razão de não ter aparecido. Invariavelmente oiço que tem muito trabalho em mãos, que tentou avisar mas não foi possível e alguns não têm qualquer problema em “matar” alguém da família, sobretudo as sogras; Sim sogras, conheço um a quem já faleceram pelo menos quatro sogras e sempre na altura em que eu deveria estar à sua espera em casa. Coitada daquela família, devem ter por mim um ódio de morte.

-Eu, pela parte que me diz respeito, não tenho absolutamente nada que fazer; Sou um inútil ou um felizardo que pode dispor das manhãs sempre que quer para esperar um profissional de elevado gabarito, palavra honrada e extremamente ocupado que não vem nem avisa. “Mas fica já combinado, na próxima segunda-feira sem falta às nove em ponto”.

-Como disse antes não entendo porque o fazem. Se é mesmo muito o trabalho, se a minha encomenda é demasiado insignificante para esse barão da indústria, se não gostou de mim ou se pretende deixar-me “secar” até que o problema se me torne realmente insustentável, a empreitada mais cara e a necessidade dos seus serviços realmente absoluta. Aí terá a certeza que obtém a minha profunda e eterna gratidão, um pagamento maior e uma gratificação choruda. Se por acaso na altura em que o problema ficar resolvido já existir outro, eis que me dirá como um oráculo: “Está combinado, na próxima segunda-feira. Na próxima segunda-feira, sem falta às nove em ponto”.

-Sei que existem excepções mas são In-provaveis e que um dia falarei delas, talvez… na próxima segunda-feira, sem falta às nove em ponto.

Rui

terça-feira, janeiro 10, 2006

O Cisne aprende a nadar


Imagem adaptada de uma de origem, para mim, desconhecida.








-A natação não é como outros desportos algo natural para toda a gente; Correr, marchar ou pedalar são actividades que facilmente se dominam, uma vez que são naturais no ser humano tem a ver com o equilíbrio que nos é natural enquanto espécie.

Na natação é necessária grande coordenação de movimentos e vontade de aprender a conquistar o mundo da água.

-Nadar, é feito na posição horizontal que para muita gente não é uma posição natural para exercer qualquer tipo de esforço coordenado. (nada de bocas!)

-Os iniciados tendem a ficar algo desorientados e a sentir medo de cair quando tal não acontece; Sempre recomendei que se imaginassem sobre um colchão suave e confortável. Ainda nesta analogia, recordemos que quando nos preparamos para adormecer, o nosso corpo deve estar relaxado e os músculos soltos. É precisamente isto que devemos sentir para que possamos flutuar e a partir daqui iniciar o processo de habituação ao meio aquático.

-Mas o maior inimigo de todos é o medo, desenvolvido pouco após o nascimento é ele que nos faz actuar receosamente num meio que ainda não dominamos. Mas convém não esquecer que a água é nossa amiga e que muitos antes de nós, aprenderam a dominar o processo da natação.

-E nós já aprendemos tanta coisa nesta vida que antes nos assustava e que agora dominamos na perfeição. Lembrem-se de como aprenderam a andar.

Nota: A aprendizagem da natação deve ser sempre acompanhada por alguém com experiência comprovada de ensino e não dispensa em nenhuma circunstância a rigorosa observância de todas as normas de segurança. Nadar é o domínio de uma técnica e não do meio onde essa técnica de locomoção é praticada. Nunca se deve confiar na perícia arriscando a própria vida e colocando as de outros em perigo por isso.

Rui

Diálogos IV












-O que achas que é mais importante para se ser feliz?

-Profundo conhecimento da natureza e do comportamento social humano?

-Não!

-Capacidade de análise psicológica dos outros?

-Não!

-Hummm… Espírito aberto? Ter muitos amigos? Grande experiencia de relacionamento? Ser rico? Ter a mulher ideal? Gostar daquilo que se faz? Ter saúde? Ser céptico? Ter uma fé? Ser paciente? Provir de uma boa família?

-Não!

-Desisto. O que é?

-Sorte!


Rui

segunda-feira, janeiro 09, 2006

irRItante











-Não é sempre… nem todas as manhãs acordo irritado com o mundo e com tudo (excepto as minhas gatas), que se me depara nos primeiros vinte minutos do dia despertado. Por vezes até a minha inépcia me irrita: o tropeçar nos chinelos ao lado da cama, o corte ao barbear, o entornar do café, as coisas que não me aparecem onde as procuro e toda uma longa lista de imbecilidades que sou mais do que capaz de cometer, antes ainda de sair para a rua. Irritam-me as notícias na rádio acerca do trânsito, porque hão-de ter a mania de as dar se as repetem diariamente? Será por serem outros automóveis e não os do dia anterior, que lá estão nos engarrafamentos?

-Irrita-me de sobremaneira receber telefonemas logo pela manhã acerca de assuntos que não possuem nem urgência nem importância suficiente para gastar calorias a carregar nas teclas. Havia uma única excepção. Aí sim, era um prazer acordar e olhar o nome de quem me telefonava, falar um minuto, ou dois e levantava-me como se o mundo fosse só céu azul e sol prazenteiro. Mas até isso abandonou as minhas “madrugações”.

-Como disse isto não me acontece TODAS as manhãs, mas quase e nas poucas em que a má disposição não se manifesta imediatamente, é sempre uma questão de tempo até que surja. Nos dias chuvosos ou “morrinhentos”, a situação ainda se agrava mais. Por isso, faço daqui um apelo: Não se cruzem comigo antes de passar uma hora do meu despertar; Não me falem e se o fizerem por mera boa educação, que não seja mais do que um bom dia atirado de longe que eu responder-vos-ei.

-Já me disseram que talvez sofra de um qualquer estado depressivo, provocado pela falta de luminosidade e que deveria fazer algo como fototerapia. Só me faltava essa…, talvez faça, mas...é In-Provavel.

Rui


sábado, janeiro 07, 2006

Diálogos III












-O Amor vence tudo!

-O Amor vai à guerra?

-O Amor está em todo o lado!

-Aqui também?

-Claro!

-Onde? Não o vejo?

-Ora… lá estás tu. Não tens um ossinho romântico?

-Não. Tenho espinhas românticas que me picam por dentro!


Rui

terça-feira, janeiro 03, 2006

Proibir


-

-O recente debate nacional, aberto com a proibição de fumar em espaços cobertos em Espanha, veio de novo relançar a polémica acerca do tabaco e do proibicionismo.
-Como já se sabia, havendo força de vontade e não havendo cigarros é fácil deixar de fumar mas como não há fumo sem fogo, sempre quero ver como é que o governo vai descalçar a bota de restringir o consumo de tabaco e perder os largos milhões que os fumadores lhe entregam mensalmente em impostos tão ridículos como muitos outros que andam por aí.

-Se por acaso se proibisse o consumo de tabaco e já agora, o de álcool, desapareceriam as tosses e escarradelas e as borracheiras e pifos. Consequentemente, assim aliviados, os portugueses veriam as suas despesas diminuir e subir em flecha o nível de vida.
-Depois, poderia o Governo nacional restringir e mesmo proibir, o consumo de carne. Inicialmente, haveriam de existir protestos de produtores, talhantes, restaurantes e outros mal intencionados que não entendem que tudo seria em nome da boa saúde de todos. Mas logo diríamos: “Ainda me lembro quando andava “agarrado” à carne, coisas de jovem, mas agora estou “limpinho”!
-Com estas medidas, os portugueses finalmente aproximar-se-iam dos restantes países europeus.
-Era então a altura certa para atacar de frente e corajosamente, esse hábito que temos todos de consumir peixe, que como se sabe possui mercúrio, chumbo e outras várias substâncias nocivas. No primeiro ano apenas se comeria peixe no natal e noutras três ou quatro ocasiões definidas superiormente. Seria um processo lento mas eficaz, até que ninguém corresse já o risco de ficar com uma espinha entalada.
-Assim, libertos de mais uma praga, o povo começaria a estar com as finanças equilibradas e o risco de endividamento familiar com certeza desapareceria. Mas não basta, haveria que proibir outros terríveis vícios de que esta sociedade padece. Os transportes por exemplo. É sabido o quanto são poluentes e mortais em crimes de trânsito. Seriam proibidos todo o tipo de transportes públicos ou privados. Andar a pé reduziria ainda mais o risco de doenças cardíacas, para além de ser um excelente modo de poupar combustíveis e fazer baixar os índices de poluição. Aí, o nível de vida dos portugueses atingiria um patamar nunca alcançado. Estaríamos a par da Polónia, de Malta e quem sabe até mesmo da Grécia; sobretudo depois da proibição absoluta desses produtos nocivos que são os lacticínios.
-Devido a estas medidas de protecção da saúde e à consequente economia de meios e redução de despesas, Portugal poderia liderar o processo de construção da União Europeia.

-Depois tudo viria por acréscimo e de uma forma natural: o cinema, teatro, a música, a pêra rocha, o agrião – tudo pequenos vícios que lesam a saúde e se perdem facilmente, como se viu no caso do tabaco. E o problema da habitação também se resolve se demolirmos as casas e vivermos em comunhão absoluta com a natureza.

-Tudo é uma questão de rigor e força de vontade. Se todos colaborarmos o ordenado chega.

Em memória de PcM.

Rui

(este texto não pretende expressar com exactidão o meu pensamento acerca de qualquer assunto nele mencinado)

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Anos








-A Caminhada de 2005 chegou ao fim.
-O ano anterior disse adeus e ocupou discretamente o seu lugar na eternidade e nos nossos corações. Para outros, foi com suspiros de alívio que o viram partir e com redobradas e repetidas esperanças… outra vez.
-Despediram-se dele com foguetes, festas, garrafas abertas e gritinhos por entre passas e beijos, tal como farão no próximo ano, deste que agora entrou.
-É assim todos os anos, depois o cenário artificial desfaz-se em dias seguidos; Ás alegrias sucedem-se outras alegrias e tristezas. Os aplausos e desejos esquecem-se, afogados na continuidade da vida. Na ressaca do quotidiano, onde as cores perdem brilho e as máscaras se retiram.
-Volta o trabalho e no dia 31 do primeiro mês, já ninguém recorda os doze ridículos e egoístas desejos de há um mês à meia-noite. Retorna a crueldade humana exibida em horário nobre para consumo rápido e fácil esquecimento. Retornam os silêncios cúmplices perante os olhares desesperados, os discursos vazios para calar as culpas solteiras, o sofrimento e de novo a esperança.

-Para o horóscopo chinês em 29 de Janeiro inicia-se o ano do cão, vamos a ver se o mundo não se comporta como um, raivoso de novo. Mas é In-Provavel!


Rui (revisão : Ana)

2006

sexta-feira, dezembro 30, 2005

FELIZ 2006














INUENDO-QUEEN



While the sun hangs in the sky and the desert has sand
While the waves crash in the sea and meet the land
While there's a wind and the stars and the rainbow
Till the mountains crumble into the plain
Oh yes we'll keep on tryin'
Tread that fine line
Oh we'll keep on tryin' yeah
Just passing our time
While we live according to race, colour or creed
While we rule by blind madness and pure greed
Our lives dictated by tradition, superstition, false religion
Through the eons, and on and on
Oh yes we'll keep on tryin'
We'll tread that fine line
Oh we'll keep on tryin'
Till the end of time
Till the end of time

Through the sorrow all through our splendour
Don't take offence at my innuendo

You can be anything you want to be
Just turn yourself into anything you think that you could ever be
Be free with your tempo, be free be free
Surrender your ego - be free, be free to yourself

Oooh, ooh -
If there's a God or any kind of justice under the sky
If there's a point, if there's a reason to live or die
If there's an answer to the questions we feel bound to ask
Show yourself - destroy our fears - release your mask
Oh yes we'll keep on trying
Hey tread that fine line
Yeah we'll keep on smiling yeah
And whatever will be - will be
We'll just keep on trying
We'll just keep on trying
Till the end of time
Till the end of time
Till the end of time



É com estas palavras que termino este ano.
Com esta mensagem de ESPERANÇA e de PERSEVERANÇA em forma de letra de canção.
Pena é que seja em inglês, mas as coisas belas não têm nacionalidade
Para todos um ANO NOVO FARTO DE COISAS BOAS.

Rui

quinta-feira, dezembro 29, 2005

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Diálogos II









— Tenho a certeza!
— Como é que tens a certeza?
— Tenho.
— Mas tens porquê?
— Porque sim.
— Isso não é resposta.
— Então não é?
— Não, não é! Como é que sabes e tens a certeza?
— Houve alguém que me disse.
— Quem?
— Toda a gente sabe disso.
— Toda a gente? Como toda a gente? Diz-me lá quem te disse.
— Ora… disseram-me.
— E tu acreditaste?
— Claro, quem me disse leu não sei onde.
— Mas como é que podes ter a certeza que é mesmo assim?
— Tendo. Eu acredito na pessoa que me contou.
— Na tal pessoa que leu?
— Leu ou ouviu na televisão num documentário.

Rui



sexta-feira, dezembro 23, 2005

quinta-feira, dezembro 22, 2005

DESPERTARES

















-Abriu primeiro o olho direito e depois o esquerdo com esforço considerável. Esticou-se lenta e preguiçosamente, delicadamente como uma flor que abre as pétalas ao sol primaveril. Era a elegância dos gestos, a lentidão quase pensada, com que esticava cada um dos membros e com que tacteava com os dedos alongados, o sofá em que adormecera. Olhou em volta e abriu a boca no seu ritual de acordar, leeeenntameeeente e bocejou.

-Parou apenas um momento e respirou profundamente. Era como se visse o mundo pela primeira vez. Como se a cada despertar tudo fosse novo, diferente e belo para si. A cada despertar uma vida nova dentro de um dia novo. Olhou o sol lá fora, invernoso e pálido, mas brilhante e quente e desejou-o acima de todas as coisas. Desejou deitar-se sob ele e absorver-lhe com a pele o brilho e o calor e ficar assim para sempre nessa indolência sem pecado.

-Reparou com especial atenção no movimento de um pequeno ramo que oscilava para lá da cortina da janela e projectava a sua sombra. Recordou-se de outros despertares, de outros ramos ondulantes e vagamente de acordar com companhia ali a seu lado. Sentiu uma saudade indescritível.

-Desceu até ao chão que pisou mansamente com passos decididos e silenciosos como se dançasse uma complicada coreografia mil vezes ensaiada. Sentou-se no chão tépido, aquecido pelo sol da manhã e gozou a sensação. Começou então, devagar, a lamber as patas e depois o resto do pelo.

Rui

terça-feira, dezembro 20, 2005

ESCREVER






Cada vez, tenho menos vontade de escrever e de cada vez que o tento, a inspiração e a vontade de o fazer fogem como se tivessem visto um “papão” ignóbil. O ruído das teclas surge hesitante e vago como vagos são os dedos que as primem e as ideias que surgem a negro sobre esta imitação electrónica de papel.

No entanto sei que a inspiração existe, que anda por aí na sua vida habitual, apenas longe e descrente de mim.

Nada do que escrevo parece ter qualquer nexo que não seja o da lamentação, um desfiar de tristezas em rosário rezado uma vez e outra.

Nunca tive a ideia de influenciar quem quer que fosse ou sequer de procurar palavras de alívio no retorno da leitura. Não, o que escrevo não me merece a mim comentários. Não me reconheço sequer qualidade na escrita, bem ao inverso, escrevo apenas porque sim e porque não e já são duas razões excelentes para que não deixe do fazer. Talvez as duas únicas razões que vislumbro daqui, deste limbo onde estou agora.

Um blog não passa de um espaço público em que estendemos a nossa alma a corar ao sol dos olhos que nos lêem. Se alguém se influenciar com o que escrevo que o faça. Caso contrario continuarei a escrever porque escrever é um modo de pensar, de sentir.

Já escrevi demais, acerca de “escrever”. Talvez um dia volte ao assunto.

Mas é In-Provavel.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Fazes-me falta












Fazes-me falta Ana, tanta falta!

Duas pessoas, duas visões, um amor e uma morte.
Este livro escrito com a aparente facilidade de quem sente, é uma magnífica obra acerca da saudade e das ocasiões perdidas para sempre, por culpa da cegueira que existe em todos nós quando fechamos os olhos ao amor. É sem duvida uma obra triste mas “imperdivel” para quem conjugue o verbo sentir na sua pessoa ou na de alguém.

Pela parte que me toca, tornou-se um objecto de culto e uma fonte de saudade por si só. Bem-haja quem mo ofereceu.

Rui

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Tempus












-Ela vivia cinco minutos depois de tudo e sabia sempre tudo o que sucedera cinco minutos antes . Os seus dias estavam cheios de certezas, que obtinha concluíndo das razões que conhecia antecipadamente. Nada a fazia mudar de ideias nem nada a inquietava jamais, porque sabia o que se passara há cinco minutos. Tinha os dias da vida cheios de presente e de futuro, separados por trezentos segundos bem contados. Desperdiçava o tempo que tinha sem sequer olhar para trás.


-Ele vivia atrasado cinco minutos. As suas horas estavam cheias de melancôlia do passado e do futuro que estava para si mais distante ainda, do que para toda a gente que conhecia. Tinha sido abandonado como uma lata velha por uma mulher que não era sua mas que era especial e ele só o soube dali a cinco minutos. Estava farto de si mesmo, farto dos amigos, dos relógios, farto até de estar farto de tudo. Ele não tinha tempo e via-o a fugir de si cada vez mais.

-O futuro esperava-os em silêncio mas eles com os medos, as dúvidas e as certezas não o viram e passaram por ele com dez minutos de intervalo.

Rui

quarta-feira, dezembro 14, 2005

PRECISA-SE



















Anúncio In-Provavel

Rui

terça-feira, dezembro 13, 2005

Matar Saudades












-
Estava ali apenas. Estava ali parada como o seu olhar estava parado. Pareciam, ela e o olhar, esperar alguma coisa. Talvez fosse o autocarro que havia de levá-la a casa de um filho ou de um de um neto. Domingo, dia de almoço familiar numa casa cheia de alegria, crianças a correr gritando e fazendo barulho; Televisão alta e cheiro de carne assada e pudim. Filhos, netos, talvez bisnetos a rever, a ter ao colo, a dar beijos, a matar saudades. Lembrava-me vagamente a minha mãe; mas todas as mulheres de ar simples e olhos bondosos me lembram a minha mãe.
-Sabes… o meu pai morreu quando eu tinha quinze anos. Diziam-me que essa era a pior idade para se perder o pai. Mas hoje sei que não existe nenhuma idade boa para coisas tão más. A minha mãe então, ficou sozinha comigo e quando digo sozinha insisto no que digo. Naquela idade quando já se tem a chave de casa e a convicção de ser crescido, tudo no mundo são estradas que nos afastam de casa. No entanto, nunca passei uma Páscoa que não fosse com ela, um Natal que não lhe visse os olhos tristes e cinzentos que antes haviam sido verde-água-alegre.
-Não, não me deixava fazer tudo o que eu queria, bastava-lhe pedi-lo e a mim bastava-me que o pedisse.
-Hoje, quando vejo uma mulher de olhos bondosos lembro-me sempre da minha mãe.

-Chegou o autocarro e quando lhe vi o saco de roupa suja, maior do que ela e talvez tão pesado quanto ela, lembrei-me da proximidade do estabelecimento prisional; Lembrei-me das visitas dos domingos de manhã, reservadas apenas a familiares próximos. Há anos que assistia àquele desfilar de sacos dominicais nas proximidades de casa.

Talvez um filho, um neto ou talvez um bisneto? A matar saudades.

Rui

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Estranha forma de Ecologia



-
Vá, vamos já ajudar a limpar o planeta terra desta escória humana que nos polui a vida e a sociedade.

-Acima de tudo fume, conduza sem cinto de segurança sempre e se for mota o que o transporta nunca, mas nunca use capacete. Coma comida rápida a cada refeição em sempre em grande quantidade. Ande apenas o essencial a pé e faça sempre sexo sem usar preservativo. Não se vacine, não olhe sequer quando atravessar fora das passadeiras e nada de respeitar os limites de velocidade, seja insalubre. Caminhe de noite, horas altas, pelos piores bairros da sua cidade e frequente todos os pardieiros que puder buscando sempre as piores companhias. Manipule explosivos, substancias tóxicas e se possível radioactivas. Meta os dedos nas tomadas, tome carradas de comprimidos, ateste-se de álcool em simultâneo e porque não? Tome drogas, das pesadas de preferência. Adormeça sempre com um cigarro aceso nos dedos, durma o menos que puder e responda sempre mal a quem lhe buzine.

-Mas sobretudo apaixone-se, apaixone-se profundamente e julgue-se correspondido.

-Enfim goze a vida e morra no processo.


Rui

domingo, dezembro 11, 2005

O Mundo Está Perdido













O Mundo está desequilibrado.
O Mundo está perdido.
Esta nova geração não é tão capaz como foi a nossa.
A juventude de hoje não tem valores morais nem princípios éticos.
Os jovens são superficiais, apenas buscam o prazer.
Vivemos o primado do egoísmo.
O mundo está perdido.



-Estas frases, são proferidas com algum desespero passivo por quem perdeu o rumo dos dias, ou se perdeu nele. Por quem vê o seu fim a cada passo mais perto e assim expressa a sua própria desgraça, tristeza e amargura. É muito mais a alma do observador/comentador que se ouve do que a constatação dos factos que observa e de que tira as conclusões. São fruto da descrença e das esperanças frustradas; Da cegueira para com a mudança e da incapacidade de abrir os sentidos e o coração à constante e perpétua mudança social a que chamo evolução e aperfeiçoamento. Tudo é mutável, até mesmo os grandes valores se adaptam às consciências novas e estas a eles sem que deixem de existir.

-O mais profundo significado que atribuo à expressão “alma velha” é este. É o acto de permanecer de braços caídos, cego, surdo e estúpido perante as mudanças que nos arrastam na corrente dos dias. Esta atitude é a que conduz e reduz a uma argumentação maldizente, simultaneamente símbolo de paragem e de desejo de retrocesso, que nos manteria como seres humanos vivos com sombra de cadáveres.

-Infelizmente não vejo estas atitudes apenas como devaneios de velhos. São bem mais e pior do que apenas isso traduzem a incultura e estreiteza de pensamento de muita gente.

-Li não me recordo onde, a tradução de um documento encontrado durante uma escavação arqueológica, talvez Suméria, mas não posso precisar e que aqui reproduzo de memória:

-Os meus filhos não têm valores nem a sua geração.
-O meu pai, o meu avô e os seus avós trabalharam e viveram sempre com a honra que me deixaram e que eu queria para os meus filhos, netos e bisnetos. Mas eles não a desejam. Este mundo tal como o conheço está perdido.
-No entanto, isto ouvi-o ao meu pai acerca da minha geração, ele ao meu avô acerca da sua e este ao seu pai acerca da dele. Ainda assim existimos melhor do que nos tempos antigos e distantes.
-Talvez o mundo seja assim e eu esteja errado como eles estavam”

-No futuro veremos.

Rui

sábado, dezembro 10, 2005

Voar
















-Quando somos novos uma grande parte do tempo que temos é dispendido numa quase incessante busca de novas sensações, diversão e experiências. Admiramos a sensação que nos traz a queda no vazio, a velocidade e a vertigem da busca de felicidade.

-Depois crescemos, seja lá isso o que for, desenvolvemos medos e receios e já não nos lançamos nos ares de braços e coração aberto. Temos medo que ninguém nos ajude na queda e que não haja quem nos estenda os braços para nos ajudar a reerguer. Já não nos aproximamos da borda do abismo e receamos a proximidade de tudo o que não conhecemos, que nos assusta e que seja novo. Temos medo e recuamos, temos medo e não voamos, temos medo e paramos de crescer por dentro. Medo de partir uns ossos ou o coração e já não voamos.



“Ele levou-os à beira do abismo e então disse-lhes:

-Saltem!

Eles estremeceram, deram um passo a trás e não saltaram.

Ele então olhou-os nos olhos e repetiu:

-Saltem!!

Eles então voaram...”


Rui

sexta-feira, dezembro 09, 2005

sobre a minha cidade

sobre a minha cidade, falei-te ontem, mostrei-te
as esquinas do tempo, a imagem de fachadas
que ainda conheci, de outras que
eu próprio ignorava; sobre

a minha cidade e suas pedras, seus espaços
de árvores graves; e o que foi arrasado,
ou está a desfazer-se; as manchas do presente, a
poluição dos homens; e o que foi

violentamente arrancado por negócios sucessivos,
erros, brutalidades: o que era e o que foi
o que é dentro de mim o seu obscuro,
imaginário ser: costumes e conflitos,

maneiras de falar, a gente
e a confusão das ruas, as casas do barredo;
sobre a minha cidade achei que tu
tiveste gratidão, a viste.

que percorreste as pontes que a minha
cidade a ti me trazem, entre
gaivotas alastrando e músicas diferentes,
e foste nascer nela.

(poema de Vasco Graça Moura)

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Carta ao pai natal

















-Tenho que confessar que nunca acreditei, nem em ti, nem na tua existência. Mesmo quando tinha idade para acreditar em ti, não era em ti mas no menino Jesus que acreditava. Não sei bem porquê, talvez por tradição familiar, cultural ou apenas talvez porquê sim.
-A ti, pensei-te sempre como um ser de ficção, de filmes e de outra cultura que não era e não é a minha. Que esperavas? Deixaste que te vestissem com a cor da coca-cola e te colocassem umas barbas como as do Ho-Chi-Min que me aterrorizava sempre que aparecia nos telejornais da noite quando era criança.
-Ainda não me apresentei, apenas porque me dizem que sabes tudo acerca de todas a gente, com uma espécie de omnisciência emprestada por Deus. Sobretudo, dizem-me que sabes tudo acerca de todas as crianças e eu tenho alguns aspectos em que quero ser sempre criança e por isso saberás tudo acerca de mim também.
-Lembrei-me agora que além de tudo o que te contei já, também nunca tive uma chaminé em que pudesses passar em condições. Não, não estou a insinuar que sejas gordo. É que esse fato que usas não deve mesmo dar jeito nenhum para essas descidas e subidas em espaços tão apertados como são as chaminés das cidades de agora.
-Bem...depois a vida foi mudando. Foi-se tornando a cada ano mais complicada e era-me difícil, e ainda é, acreditar na existência de alguém que nunca vira como me é difícil acreditar em algo que não sinto. Lá fui vivendo então, sem ti e muitas vezes até sem Natal. Lá fui passando pela época, muitas vezes desejando apenas que ela passasse por mim o mais depressa possível. Desejando que se extinguissem dos rostos os sorrisos de plástico e se calassem as saudações e os votos de circunstância.
-Via-te, apesar de tudo, em todos os locais por onde passava. Mais alto ou mais baixo, mais magro ou mais gordo... Forte, era forte que queria dizer! Com a barba lisa ou encaracolada, amarelada de fumo de cigarro ou imaculadamente branca, côr de plástico barato. Encontro-te a cada passo nas grandes superfícies em promoções oportunistas de quase tudo e na Internet. Vejo-te pendurado de varandas como um ladrão e em centros comerciais a segurar criancinhas com ar enfastiado, "para a fotografia". Vejo-te nas ruas, a abanar campaínhas e a pedinchar moedas para instituições que nem sei muitas vezes se existem ou a que fins se destinam. Até já te encontrei numa casa de banho pública a fazer o mesmo que eu, com ar aliviado, a fumares quase às escondidas um cigarro e saíste sem teres lavado as mãos.
-Mas, …enfim, tudo isso é passado e deve ficar no local a que pertence que é o passado.
Hoje, escrevo-te a primeira carta em quarenta e um anos para te fazer um pedido. Não é nada de impossível, e eu não sei, nem nunca soube, pedir o que quer que fosse. Que queres? O meu orgulho, como algumas das minhas convicções já não é como era e por vezes, o desespero leva a que engulamos o orgulho e até se aprende a pedir ao Pai Natal. Tu sabes tudo isso . Sabes bem o que sou e que sou apenas como sou. Sabes o que mais desejo, como, e porquê. Por isso não te vou maçar repetindo o que já sabes. Caso possas, agradecia a tua atenção mas talvez nem tu possas… Se sim, prometo passar a acreditar em ti, mais até do que acredito em mim. Prometo-te que vou comprar uma imagem tua e colocá-la sobre a lareira todo o ano e nunca me esquecer de te deixar um copo de leite e bolachas, ou se preferires, champanhe e salmão fumado; Do importado está claro!
-Fica bem. Evita o colesterol e mede a pressão arterial com regularidade. Tem cuidado contigo que o mundo está cheio de coisas más e as noites estão frias como o coração de muitas pessoas.
Teu amigo:

Rui

PS - Como sabes e com certeza compreendes, enviei uma carta ao Menino Jesus acerca do mesmo assunto. É que nestas coisas mais vale tentar jogar pelo seguro.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Palavras e Sonhos













---------Hoje mesmo, uma pessoa que muito respeito e considero, vai ter ocasião de publicar mais um livro.
---------É pelas 18:00 horas no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Stº. Ildefonso no Porto e a apresentação da Obra será feita por: Mário Cláudio (Prémio Pessoa 2004) e por Snr. D. Manuel Martins (Bispo Emérito de Setúbal).

-----------Estarei lá presente e deixo aqui um pequeno texto extraído dessa obra.
---------- Sei bem o quanto o mundo lhe deve e o quanto ele jamais lhe cobrou. Se juntarmos uma vida e uma carreira ao serviço dos outros, dificilmente conseguiremos obter um tão brilhante resultado; Pleno de dádiva e de HUMANIDADE.
---------Ao meu, ouso chamar-lhe amigo, Dr. Alexandrino Brochado, o meu abraço de admiração.

LOUVOR DOS POETAS

Não se trata dum apego exagerado a coisas velhas que já morreram. Os cadáveres enterram-se.
A beleza e a arte verdadeiras nunca morrem. Ultrapassam o tempo. Têm o selo da perenidade.

Trata-se, sim, duma expressão de mágoa pelo abandono, pela rejeição de valores que sempre julgamos fora e acima de qualquer ataque ou inflação.

Há dias, numa homenagem prestada a um artista (com letra grande) português, este, ao agradecer as palavras de apreço e de carinho, afirmou: “A vida do artista é dura e áspera sobretudo no país em que vivemos. Aconteceu-me uma fatalidade: acabei uma nova obra… As composições ficam na gaveta, serão vendidas a peso e servirão para embrulhar sabão (o que já aconteceu) ou para buchas de foguetes…”

Palavras duras, magoadas, dum grande vulto da música portuguesa contemporânea! Sinceramente, tive e tenho pena que no podium da arte e da beleza sejam colocados pseudo artistas sem valor, sem dimensão e que os autênticos, os verdadeiros, sejam atirados para a prateleira das coisas velhas e inúteis, cobertas de pó.

E o que dizemos da música, afirmamo-lo da literatura. No momento em que entre nós a arte de escrever, cada dia mais se corrompe e se profana, sob o influxo de todos os estrangeirismos e extravagâncias, da grosseria e do calão, a gramática e a clareza, a elegância e a decência da expressão tornaram-se virtudes clandestinas de cultores atrasados, de velhos ritos.

Escrever mal é hoje uma escola. Parece que o desalinho da linguagem, as tropelias das palavras, o desmazelo da forma são hoje atributos do pensamento. Estilo hoje é palavra soez, é truculência da imagem, é obscuridade rebarbativa. A clareza, a simplicidade, são sinais de frivolidade, o brilho do estilo, uma inferioridade de gosto.

A arte é essencialmente expressão, expressão na cor, expressão plástica, expressão musical e não uma autêntica caldeirada literária ié-ié, como por vezes se verifica. Escrever não é amassar e ligar palavras como quem frita batatas. Pode ser-se profundo sem se ser obscuro ou cair em preciosismos de linguagem. Pode ser-se brilhante sem ser exótico; pode ser-se elegante sem ser arrebicado. A prosa pode ser viril sem cheirar a suor, nem ter as unhas sujas.

É sobretudo no trabalho da expressão estética que está a obra de arte e na sua criação o artista que a inspira e molda. E que dizer da mania de banir por completo o uso das maiúsculas? Será que a exigência da igualdade é tal que até no reino das palavras não se toleram diferenciações? A rasoira da igualdade total instalou-se também no mundo das letras?

Há tempos, lemos um artigo de pessoa com responsabilidade, em jornal também com responsabilidade, onde não aparecia um único ponto final nem uma única vírgula. Até a palavra Deus (parece um sacrilégio) estava grafada com minúscula!

Simples extravagância e ânsia incontida de originalidade ou insinuação duma ideia igualitária que domina todos os espíritos e parece ser a única preocupação do nosso tempo? Até para as artes os tempos são difíceis! Os jovens, que têm às suas costas a grande responsabilidade de construir um mundo novo e melhor, parecem deixar-se dominar pela psicose de escaqueirar todas as estruturas vigentes.

Há uma espécie de alergia a tudo o que é sensatez, madureza e apoio aos valores do espírito. E a ingenuidade, a falta de densidade mental nas afirmações e nas atitudes começam a vir ao de cima e a exercer um domínio despótico.

Na música e na literatura os sinais de desorientação e de rebeldia contra regras e cânones são por demais evidentes. E, numa atitude de inconsciência e irresponsabilidade, muitos buscam o subterfúgio do grito desenfreado, do sapateado nervoso e da mímica histérica. A música ficou reduzida a isto. E a prosa fresca e elegante? Tudo parece esboroar-se num mundo às apalpadelas e em busca de qualquer coisa que lhe foge rindo-se dele. Ironia da vida!

Até para as artes os tempos estão difíceis!

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quarta-feira, novembro 30, 2005

70 Anos




















A Homenagem possível em forma
de agradecimento.

segunda-feira, novembro 28, 2005

República Vodkova



















REPÚBLICA VODKOVA

Situação Geográfica:
-
Trata-se de uma pequena República Ocidental no Oriente. Facto que se ficou a dever a que os Vodkovos não sabiam ler mapas e faziam-no ao contrário. Localizada mais exactamente a sul da Federação Russa, fazia até há pouco parte deste país. É um pequeno território entre a cordilheira de Merdisstók (a Norte) e o deserto de Massa (a sul) e integra no seu território grande parte do lago Baycair, onde se localizam as plataformas de extracção de areia e gás natural.
-A Norte faz fronteira com a Federação Russa, a sudoeste com o Prakistan e a sudeste com o Kapädonistan, duas repúblicas também recentes.
-Fazem ainda parte do país três ilhas na zona fronteiriça do lago Baycair.

Relevo:
-A Vodkova é essencialmente um país liso excepto a norte onde existe a cordilheira de Merdistók. Sendo um país sem relevo possui características de deserto em 60% do seu território o que não parece ter qualquer relevância.
-A rede hidrográfica é constituída por três cursos de água a que podemos com esforço chamar rios e que alimentam o lago Baycair, sendo que dois deles nascem no próprio país e um na Federação Russa.

Povoamento:
-É em Kudur a cidade capital que vive 99% da sua população de meio milhão de habitantes. As outras cidades importantes são: Kuz, Kalina (nas margens do lago), Porcalhitcha (onde se situa o segundo dos dois aeroportos) e Resseaka-Matina. De salientar que nenhuma destas cidades tem mais de duzentos habitantes.
-Apesar de alguns estudiosos atribuírem esta forte concentração populacional ao facto de serem frios os Invernos, a verdade é que num país como este não existem grandes alternativas.
-Os locais de maior densidade populacional são no entanto a antiga “Loja do Povo”, transformada agora em bordél e o Departamento de Licenças de Imigração onde funciona à segunda-feira de manhã a extracção da Lotaria Nacional Vodkovense.

Clima:
-No norte bem como no Centro e Sul do país predomina a ausência de vegetação o que se deve ao clima desértico a aos ventos que sopram quase sempre apartir do deserto. No resto do país o clima é moderado, sobretudo nos três hotéis e no palácio presidencial.


Rui

domingo, novembro 27, 2005

Diàlogos








-O Amor é algo que me ergue do chão e me eleva, fazendo-me pairar.

-Não! A isso chama-se avião, helicóptero ou planador. Quem sabe, até mesmo pára-pente, mas Amor não!

-O Amor faz-me perder a respiração e a fala!

-Noop, isso é cansaço, bronquite asmática ou uma severa constipação que te deixe afónico. Mas Amor…? Não me parece!

-O Amor é algo que arde dentro do peito e nos consome, deixando-nos consolados.

-Hmmmm…? Não me parece. Isso é provavelmente uma arritmia ou um enfarte seguido da sensação de alívio por teres ficado vivo… desta vez!

-Amar é como ser levado às estrelas e depois deixado de novo na terra.

-Pois sim…, isso é algum ET que te raptou e te levou para o seu “disco” para te examinar e que farto de ti, te deixou de novo onde te encontrara.

-O Amor muda tudo o que vemos em menos de um segundo.

-Irra! Isso é um controlo remoto e muda apenas os canais de televisão.

-Então o que é o Amor? Vá, diz lá!

-Sei lá o que é isso ou se sequer existe? Mas se existir, eu reconheço-o quando o vir!

Rui

sexta-feira, novembro 25, 2005