sábado, maio 13, 2006

Comboio In-Provavel










-Quando subires para o comboio, escolhe um lugar no centro da carruagem e junto à janela. São esses os lugares onde se é menos incomodado.
-Sim senhor! – Respondeu o rapaz baixando a cabeça respeitosamente.
-Quando o comboio começar a andar, pode aparecer alguém a tentar vender-te alguma coisa. Não compres nada, não lhe ligues, não respondas sequer. De certeza que é alguém prontinho para te burlar, um vigarista.
-Sim senhor, não lhe ligo sequer!
-Se alguém te oferecer um cigarro, não aceites; Os cigarros têm droga. Entendeste?
-Sim senhor, entendi!
-Se te aparecer alguma rapariga nova e bonita a querer meter conversa contigo, abafa o teu primeiro impulso e sem seres mal-educado, corta logo ali o diálogo. Essa rapariga há-de ser uma aventureira.
-Uma quê?
-Uma desavergonhada! Ouviste?
-Sim senhor, ouvi e entendi! Não lhe darei troco à conversa!
-Se por acaso alguém te convidar para jogares cartas, não jogues; Os comboios estão cheios de vigaristas que te fazem perder tudo o que tens e nem sequer saberás como.
-Sim senhor! Não me hei-de esquecer.

-O jovem subiu para o comboio e entrando na carruagem, atravessou-a até ao fundo, colocou os sacos no estrado sobre os bancos e sentou-se num lugar junto à coxia.
-Quando o comboio se pôs em movimento, entrou um homem enorme e de aspecto simpático que vendia artesanato africano. Chamou-o com um gesto e escolheu um pequeno elefante negro com as presas em marfim.
-Retirou do bolso do casaco um maço de cigarros e acendeu um, devagar. Fumo-o com evidente prazer, muito embora soubesse que ali não era permitido fumar. Foi então que viu sentada quase no centro da carruagem uma rapariga que lia. Levantou-se, dirigiu-se até ela e pedindo licença para se sentar ofereceu-lhe o pequeno elefante. Pouco tempo depois falavam animadamente como se se tivessem conhecido muito tempo antes. Jogaram às cartas e riram-se durante quase toda a viagem.

-Dois anos mais tarde, casaram e convidaram os avós de ambos, que vieram de comboio ao casamento.


Rui

sexta-feira, maio 12, 2006

EMBIRRAÇÕES IV




















CALIMÉRO II
-Niguém gosta de mim...
-Fui vítima de injustiça...
-Havia um
complot...

(Entrevista de Manuel Maria Carrilho à RTP 1, dia 12 de Maio de 2006)


quarta-feira, maio 10, 2006

LIVRA... RIA!







-
Confesso que tenho uma secreta paixão por livrarias. E embora a não a exerça com a regularidade que gostaria, ela está em mim e eu nela sempre que a ambos é possível estarmos juntos.
-Quando estou numa livraria a desfolhar mil livros que não tenciono comprar tenho, nesses momentos únicos, a impressão que ainda resta no mundo alguém que sabe pensar.
-Gosto das cores das lombadas dispostas anarquicamente, e bem dispostas habitualmente. Gosto do cheiro a papel e a tinta e sobretudo gosto do quase solene silêncio que lá existe; Este, não é o silêncio mal disposto, obrigatório, pesado e opressivo das bibliotecas, mas um silêncio respeitoso e auto imposto, como o som da concentração do atleta antes de iniciar a corrida contra a fasquia que deveria ultrapassar.
-Adoro percorrer as secções temáticas e já me tem acontecido encontrar na secção de arte, excelentes obras acerca de reciclagem de resíduos sólidos ou na de auto-biografias, fantásticas obras de ficção. Mas sobretudo sempre me impressionou a divisão da totalidade dos livros em dois grandes grupos: ficção e não ficção. É como se me quisessem dizer que uns são verdadeiros e outros apenas uma data de patranhas que no entanto eu devo ler, pagando para isso a pequena fortuna que os livros por cá vão custando.

-Ainda recordo com alguma saudável saudade, outro tempo não muito distante, em que era possível fazer perguntas aos empregados das livrarias e obter respostas concretas, rápidas e acertadas sem que tivessem de consultar com ar sério um terminal de computador. Nessas alturas, franzem o sobrolho como se soubessem a resposta e apenas não se recordassem bem dela, consultam a base de dados e concluem quase invariavelmente, que o autor cujo livro nós procuramos não existe, ou que naquela livraria não existe nada, que ele a ter existido, tivesse escrito; O que parece dar no mesmo a julgar pela expressão de estranheza e desdém com que nos olha. È mais ou menos assim: “Hum…, desculpe mas OZ, só se for O feiticeiro de OZ. Esse tal Amos Oz não existe!”. Está encerrada a questão, e assim Amos Oz (pseudónimo de Amos Klausner), um dos mais importantes e mais traduzidos autores em língua hebraica, deixa pura e simplesmente de existir num ápice, desaparecendo com ele toda a sua obra.

Rui

segunda-feira, maio 08, 2006

Breve historia do Erotismo















-Os povos da antiguidade não conheciam a diferença entre erotismo e pornografia e não se importavam nada com o facto.
-Para este texto deparei-me com grandes dificuldades, pois a escassez de obras de consulta é enorme já que a “Penthouse” não era vendida em Roma, a “Playboy” não era editada no Egipto, a “Lui” não se publicava na Grécia e os persas apenas liam a “Nova Gente”. No entanto, a conclusão mais evidente a que cheguei foi a de que estes povos apreciavam tudo aquilo que neste capitulo a humanidade actual aprecia sem qualquer distinção ou preocupação de distinguir entre: sexo, pornografia e erotismo.

Algumas questões prementes:
-O nariz de Cleópatra, era sexy, erótico, ou pornográfico?
-Os Hunos, combatiam semi-nus por facilitismo, naturismo ou exibicionismo?
-Os gregos, acreditavam mesmo na mitologia, ou criavam as lendas para disfarçar algumas facadazinhas que davam e atirar a culpa para os deuses e deusas?
-As múmias, exerceriam algum grau de atracção sexual sobre os egípcios?
-As pirâmides eram símbolos fálicos?
-Na Pérsia, a barba cerrada em cachinhos tinha algum poder de atracção?

-Todos sabemos que os gregos eram uns tipos liberais à brava; Eros era grego, Afrodite também, Apolo e aqueles sacanas que nos levaram o Campeonato Europeu de Futebol também eram. Em Atenas periodicamente, jovens de todos os sexos, pelo menos de quatro deles, juntavam-se para a prática de jogos que fariam corar Zeus se ele tivesse realmente existido.
-Os romanos, herdaram dos gregos alguma da sua liberalidade e dos lusitanos a restante que lhes haveria de permitir que inventassem as orgias de todos os dias e os semanais bacanais.
-Os egípcios não nos deixaram grandes testemunhos. Eram um povo estranho que tinha má caligrafia e andava sempre de lado, mas apesar de tudo sabemos hoje que não existe qualquer registo de que tenham existido múmias semi-nuas.
-Os hunos, sabemos terem sido um povo muito fértil pois as hunas não tinham filhos mas sim hordas deles, que arrasavam tudo por onde passavam.

-Talvez aqui volte ao assunto para falar da idade média, que como todos sabem, é a idade em que a humanidade ainda não tinha idade para fazer algumas coisas e já não tinha idade para fazer outras. Por isso e por não existir ainda electricidade, há quem lhe chame a idade das trevas, embora eu não concorde de modo algum, pois como já referi, os casais nem tinham luz para apagar.


Rui

quinta-feira, maio 04, 2006

terça-feira, maio 02, 2006

sábado, abril 29, 2006

Tempus Fugit














Nasceu ao soar da primeira badalada do relógio da torre.

Disse papá e mamã quando se ouviu a segunda.

À terceira badalada, escreveu o seu primeiro poema.

Quando a quarta se ouviu, teve a primeira paixão carnal.

Quando a quinta badalada tocou, entrou na universidade.

Ao sexto toque do relógio, terminou o doutoramento.

Ao sétimo toque, casou próspero e feliz.

Tornou-se célebre, rico e famoso quando soou a oitava badalada.

Ao som da nona, foi conhecer o neto a Paris.

Ao toque da décima, jubilou-se.

Quando soava a décima primeira badalada do relógio da torre, morria feliz rodeado da numerosa família.

À décima segunda toda a gente o tinha esquecido.

Rui

quarta-feira, abril 26, 2006

Diálogos IX



























-Queres vir comigo?

-Onde, quando, para quê, porquê?
-...E se eu apenas te amar?

Yur Adelev in "Frases Soltas"

Rui

domingo, abril 23, 2006

Eu sou um palhaço!













-Tenho oitenta e três anos, uma reforma vergonhosa, filhos e netos que só vejo no Natal, contas que não posso pagar e uma vida inteira de trabalho. Outros que têm a minha idade entram em sentido contrário em auto-estradas porque elas são confusas. Eu sou mesmo um palhaço!

-Vivo num país em que quem tem dinheiro foge à Justiça para o Brasil, regressa em liberdade e é eleita Presidente de Câmara. Logo: …sou um palhaço!

-Tenho um primeiro-ministro que faz férias na neve e safaris em Africa. Antes e depois congela aumentos e progressões de carreira que eu mereço e pelas quais trabalhei sempre; Obriga-me a trabalhar mais anos para que me reforme, nomeia amigos e os amigos nomeiam outros amigos e ainda tem a lata de me pedir sacrifícios e de me falar da crise. Sim, a mim fala-me de crise, …porque eu sou um palhaço!

-Estou no meu carrinho para ir para o emprego a ouvir falar de crise em todas as notícias e quando olho para o lado, vejo um rapaz de 22 anos num Mercedes que eu nunca poderia sequer sonhar ter. Ele ou o pai dele são culpados de algo muito grave com certeza, e eu? Eu sou um palhaço!

-Um careca com um excelente implante de cabelo, desgraça uma câmara municipal do norte do meu país, é nomeado ministro, deixa de o ser, perde eleições, aguarda um pouco enquanto se passeia de jipe Mercedes com, …imagine-se, MOTORISTA; É depois nomeado administrador da GALP. Bolas, ele pode ser careca mas eu sou um palhaço!

-Tenho vinte e poucos anos passados a estudar à custa do esforço e sacrifício dos meus pais. Tenho um curso superior e vontade de trabalhar. Tenho amigos que trabalham em instituições governamentais apenas porque os tios são aí directores. Sou actualmente ajudante de peixaria de uma grande superfície. Ainda bem que a minha licenciatura era Biologia Marinha. Sim ainda bem, para saber que sou um verdadeiro palhaço.

-Tenho 47 anos e trabalhei desde os 14 na mesma fábrica onde o meu pai e o meu avô trabalharam sempre. A empresa encerrou deixando por pagar 18 meses de ordenados e 115 pessoas no desemprego. O Proprietário mantém as suas casas em Lisboa, Algarve, Ibiza e Brasil, bem como a quinta no Douro, um barco em Vila Moura e todos os automóveis que possuía. Eu… mantenho a família viva à custa da arte de sapateiro, mantenho alguma dignidade e pouca esperança no futuro dos meus. Mantenho também a certeza de ter sido toda a vida um verdadeiro palhaço, triste mas ainda assim palhaço.

-Sou professor, cometi o “erro” de desejar ter uma família como toda a gente. Estive sempre nos primeiros 18 anos de carreira a mais de 80 quilómetros dela. Quando menos recebia tinha que pagar duas casas, gasolina, portagens, e cheguei quase a passar fome. Perdi uma boa parte do crescimento dos meus filhos enquanto adorava ensinar os filhos dos outros; Esforcei-me sempre o mais que pude sem ter muitas vezes os meios que necessitava, para os alunos e por eles. Fui insultado, tentaram agredir-me, riscaram-me o carro, não me aumentam e exigem-me que trabalhe nas escola e o volte a fazer quando chego a casa. No entanto ainda gosto do que faço, mas parece que nem pais, alunos ou ministras o entendem. Tudo isso apenas porque é por vezes difícil entender um palhaço e eu… sou apenas mais um palhaço!


NOTA:“Nenhuma das situações aqui relatadas reflecte qualquer situação real que o autor verdadeiramente conheça. Trata-se unicamente de situações imaginárias e ficcionadas e como tal impossíveis de existirem na vida real.”

Depois de feito tal esclarecimento também eu afirmo que sou um palhaço, embora nutra enorme respeito e estima por todos aqueles que o são profissionalmente.

Rui

sábado, abril 08, 2006

sexta-feira, abril 07, 2006

Confissões de um Indeciso












-Sempre, ou quase sempre, pensei em mim como uma pessoa hesitante. Quer dizer, hesitante e por vezes com dúvidas. Mas apesar disso nunca entendi muito bem o que são as certezas e talvez por isso tenha tantas dúvidas e hesitações. “Na realidade, não tenho a certeza de nada o que não significa que duvide de tudo”, acho que li esta frase em qualquer lado mas não tenho bem a certeza onde.
-Quando se decide algo, é um acto definitivo, está decidido, resolvido, encerrado e já não há nada a fazer excepto claro, se mudarmos de ideias e decidirmos o contrário do que decidira-mos antes. A isto também se chama hesitar, embora eu, quer por hábito quer por vício, não goste de chamar ás coisas nomes definitivos de que, quem sabe, me possa vir a arrepender mais tarde ou mais cedo. Peso e repeso sempre tudo antes de tentar tomar uma decisão, até me peso a mim várias vezes por dia por não estar bem certo se devo emagrecer, ou se pelo contrário devo ganhar mais algum peso. Penso todas as coisas repetidamente e depois deixo que alguém ou a providência, decida por mim. É mais prático e evita que volte a pensar de novo tudo o que pensei antes, embora ainda não esteja convencido que este seja o melhor modo de proceder.
-Apesar de tudo considero, na maior parte das vezes, as decisões como coisas muito importantes e isto, talvez seja o que me complica o acto de decidir; Por outro lado talvez o simplifique, porque se afinal não decido nada, é porque não tenho nada que decidir o que quer que seja.
-Sou, como já me chamaram, “um viciado em alternativas”, até nas tauromáquicas que na realidade é a tomada da decisão de ir para os cornos do touro e não deve ser nada fácil de tomar.
-Deixo portanto tudo à sorte, à sorte ou ao azar e mando à fava as decisões; Outras vezes no entanto, faço exactamente o contrário ou nem chego a fazer nada. Porque uma pessoa que não hesite é uma pessoa decidida e eu decidi ser hesitante. Disto tenho eu a mais absoluta das certezas… ou talvez não.

Rui

quarta-feira, abril 05, 2006

Diálogos VIII























-Desculpe… podia fazer-me um favor?
-Com certeza. Aguarde só um momento.

Dois momentos depois.

-Ora cá está o seu favorzinho e acabadinho de fazer.
-Mas, este é redondo…
-Neste momento só temos material para fazer este tipo de favor, lamento.

Rui

terça-feira, abril 04, 2006

In-Provavel Abril












-Abril é o Mês da Primavera, dos passarinhos, dos dias mais longos após o Inverno chuvoso.
-Regressam as andorinhas e as primeiras borboletas, abrem as flores, nascem os primeiros frutos e bagas.
-Abril é mês de comemorar uma revolução de que muita gente já se não recorda e mês de dias mais amenos.
-Abril começa com o dia dos enganos como todos os dias em todos os anos.
-Abril é nome de música, de gente, de mês, de esperança, de renascimento, Páscoa e ressurreição.
-Abril é o mês de todas as Camélias na minha cidade.
-Abril é o mês do Carneiro e do Touro.
-Abril do dia de S. Leónidas que é o meu dia.
-Abril é o meu mês.

Mas por vezes, …neva em Abril.


Prince:

"Sometimes it snows in april
Sometimes I feel so bad, so bad
Sometimes I wish that life was never ending,
But all good things, they say, never last

All good things that say, never last
And love, it isn’t love until it’s past."

Rui

segunda-feira, abril 03, 2006

Metade do número da besta





















Já nos tinham tirado as medidas, agora eis que nos são dadas de volta.

Rui

quinta-feira, março 30, 2006

IN-Provavel / IN-TOLERÁVEL ????














"PARA MEIO ENTENDEDOR, UMA PALAVRA BASTA!"

Rui

sexta-feira, março 24, 2006

Julgamento Final

















“Este pode muito bem ter sido o Julgamento final!”

-Foi com esta declaração prestada em absoluto exclusivo ao nosso repórter no local, que Santo Moura encerrou ontem a sessão do Supremo Tribunal Celestial.
-O Julgamento não parecia possuir à partida a importância que com esta afirmação pode vir a assumir. Em julgamento estavam apenas três diabretes: um administrador de uma empresa pública recentemente nomeado, um politico em travessia do deserto que foi nomeado administrador de uma empresa pública e um ex-ministro da economia e das finanças actualmente responsável por uma empresa de energia espanhola. Os arguidos foram condenados em penas leves, pois como se sabe, Deus é misericordioso e a clemência divina sempre é melhor do que a impunidade humana. O primeiro foi condenado a substituir o burro no presépio no próximo Natal; O segundo a fazer uma lista de todas as medidas idiotas tomadas no sector do ensino em Portugal desde 1974. O terceiro e último foi condenado a copiar com notas explicativas todos os discursos de Jorge Sampaio durante ambos os seus mandatos.
-Santo Moura, que exerce o cargo desde há mil anos, declarou na ocasião sentir-se cansado de tanto inquérito e que a idade já o não ajuda a conservar em sua posse todas as informações, como fazia noutros séculos. Não se prevê ainda quem será o substituto mas a decisão parece indicar que se tratou do julgamento final de Santo Moura.
-Aguardemos então.

Rui

quinta-feira, março 23, 2006

Jornal In-Provavel

























Nota: Para lêr melhor clicar sobre a imagem.


Rui

quarta-feira, março 22, 2006

Prima Vera










-Segundo o calendário gregoriano, a Primavera chega por volta do dia 21 de Março como é habitual. Trata-se da estação das flores, dos passarinhos chilreantes e, no caso deste ano, dos passarinhos com gripe aviária. É tempo dos verdes prados cobertos de erva e formigas. É tempo dos raios solares ficarem quentes e mais amarelos, ainda que como se sabe, demorem oito minutos a atingir a terra que, ao contrário da EDP, não possui luz própria por ser um planeta.

Rui

sábado, março 18, 2006

quinta-feira, março 16, 2006

Contraponto & Fuga












-Desde há vários anos desenvolvi uma técnica para me esquivar de quem não estou disposto a “aturar”. Faço-me sonso, faço-me surdo, insosso, distraído e ignorante ao que me dizem; Não estou atento, não reparo em nada, não vejo se é homem ou mulher, oiço mal ou nem oiço sequer quando não quero ouvir nem ver.
-Se me falam, respondo sem parar de andar, se me acenam finjo acenar e se me estendem a mau para um cumprimento suado, cumprimento, mas passo rapidamente ao lado. Se me querem dar um beijo educado, paro um curto momento, beijo longe da face e retomo o andamento.

Rui