domingo, dezembro 11, 2005

O Mundo Está Perdido













O Mundo está desequilibrado.
O Mundo está perdido.
Esta nova geração não é tão capaz como foi a nossa.
A juventude de hoje não tem valores morais nem princípios éticos.
Os jovens são superficiais, apenas buscam o prazer.
Vivemos o primado do egoísmo.
O mundo está perdido.



-Estas frases, são proferidas com algum desespero passivo por quem perdeu o rumo dos dias, ou se perdeu nele. Por quem vê o seu fim a cada passo mais perto e assim expressa a sua própria desgraça, tristeza e amargura. É muito mais a alma do observador/comentador que se ouve do que a constatação dos factos que observa e de que tira as conclusões. São fruto da descrença e das esperanças frustradas; Da cegueira para com a mudança e da incapacidade de abrir os sentidos e o coração à constante e perpétua mudança social a que chamo evolução e aperfeiçoamento. Tudo é mutável, até mesmo os grandes valores se adaptam às consciências novas e estas a eles sem que deixem de existir.

-O mais profundo significado que atribuo à expressão “alma velha” é este. É o acto de permanecer de braços caídos, cego, surdo e estúpido perante as mudanças que nos arrastam na corrente dos dias. Esta atitude é a que conduz e reduz a uma argumentação maldizente, simultaneamente símbolo de paragem e de desejo de retrocesso, que nos manteria como seres humanos vivos com sombra de cadáveres.

-Infelizmente não vejo estas atitudes apenas como devaneios de velhos. São bem mais e pior do que apenas isso traduzem a incultura e estreiteza de pensamento de muita gente.

-Li não me recordo onde, a tradução de um documento encontrado durante uma escavação arqueológica, talvez Suméria, mas não posso precisar e que aqui reproduzo de memória:

-Os meus filhos não têm valores nem a sua geração.
-O meu pai, o meu avô e os seus avós trabalharam e viveram sempre com a honra que me deixaram e que eu queria para os meus filhos, netos e bisnetos. Mas eles não a desejam. Este mundo tal como o conheço está perdido.
-No entanto, isto ouvi-o ao meu pai acerca da minha geração, ele ao meu avô acerca da sua e este ao seu pai acerca da dele. Ainda assim existimos melhor do que nos tempos antigos e distantes.
-Talvez o mundo seja assim e eu esteja errado como eles estavam”

-No futuro veremos.

Rui

sábado, dezembro 10, 2005

Voar
















-Quando somos novos uma grande parte do tempo que temos é dispendido numa quase incessante busca de novas sensações, diversão e experiências. Admiramos a sensação que nos traz a queda no vazio, a velocidade e a vertigem da busca de felicidade.

-Depois crescemos, seja lá isso o que for, desenvolvemos medos e receios e já não nos lançamos nos ares de braços e coração aberto. Temos medo que ninguém nos ajude na queda e que não haja quem nos estenda os braços para nos ajudar a reerguer. Já não nos aproximamos da borda do abismo e receamos a proximidade de tudo o que não conhecemos, que nos assusta e que seja novo. Temos medo e recuamos, temos medo e não voamos, temos medo e paramos de crescer por dentro. Medo de partir uns ossos ou o coração e já não voamos.



“Ele levou-os à beira do abismo e então disse-lhes:

-Saltem!

Eles estremeceram, deram um passo a trás e não saltaram.

Ele então olhou-os nos olhos e repetiu:

-Saltem!!

Eles então voaram...”


Rui

sexta-feira, dezembro 09, 2005

sobre a minha cidade

sobre a minha cidade, falei-te ontem, mostrei-te
as esquinas do tempo, a imagem de fachadas
que ainda conheci, de outras que
eu próprio ignorava; sobre

a minha cidade e suas pedras, seus espaços
de árvores graves; e o que foi arrasado,
ou está a desfazer-se; as manchas do presente, a
poluição dos homens; e o que foi

violentamente arrancado por negócios sucessivos,
erros, brutalidades: o que era e o que foi
o que é dentro de mim o seu obscuro,
imaginário ser: costumes e conflitos,

maneiras de falar, a gente
e a confusão das ruas, as casas do barredo;
sobre a minha cidade achei que tu
tiveste gratidão, a viste.

que percorreste as pontes que a minha
cidade a ti me trazem, entre
gaivotas alastrando e músicas diferentes,
e foste nascer nela.

(poema de Vasco Graça Moura)

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Carta ao pai natal

















-Tenho que confessar que nunca acreditei, nem em ti, nem na tua existência. Mesmo quando tinha idade para acreditar em ti, não era em ti mas no menino Jesus que acreditava. Não sei bem porquê, talvez por tradição familiar, cultural ou apenas talvez porquê sim.
-A ti, pensei-te sempre como um ser de ficção, de filmes e de outra cultura que não era e não é a minha. Que esperavas? Deixaste que te vestissem com a cor da coca-cola e te colocassem umas barbas como as do Ho-Chi-Min que me aterrorizava sempre que aparecia nos telejornais da noite quando era criança.
-Ainda não me apresentei, apenas porque me dizem que sabes tudo acerca de todas a gente, com uma espécie de omnisciência emprestada por Deus. Sobretudo, dizem-me que sabes tudo acerca de todas as crianças e eu tenho alguns aspectos em que quero ser sempre criança e por isso saberás tudo acerca de mim também.
-Lembrei-me agora que além de tudo o que te contei já, também nunca tive uma chaminé em que pudesses passar em condições. Não, não estou a insinuar que sejas gordo. É que esse fato que usas não deve mesmo dar jeito nenhum para essas descidas e subidas em espaços tão apertados como são as chaminés das cidades de agora.
-Bem...depois a vida foi mudando. Foi-se tornando a cada ano mais complicada e era-me difícil, e ainda é, acreditar na existência de alguém que nunca vira como me é difícil acreditar em algo que não sinto. Lá fui vivendo então, sem ti e muitas vezes até sem Natal. Lá fui passando pela época, muitas vezes desejando apenas que ela passasse por mim o mais depressa possível. Desejando que se extinguissem dos rostos os sorrisos de plástico e se calassem as saudações e os votos de circunstância.
-Via-te, apesar de tudo, em todos os locais por onde passava. Mais alto ou mais baixo, mais magro ou mais gordo... Forte, era forte que queria dizer! Com a barba lisa ou encaracolada, amarelada de fumo de cigarro ou imaculadamente branca, côr de plástico barato. Encontro-te a cada passo nas grandes superfícies em promoções oportunistas de quase tudo e na Internet. Vejo-te pendurado de varandas como um ladrão e em centros comerciais a segurar criancinhas com ar enfastiado, "para a fotografia". Vejo-te nas ruas, a abanar campaínhas e a pedinchar moedas para instituições que nem sei muitas vezes se existem ou a que fins se destinam. Até já te encontrei numa casa de banho pública a fazer o mesmo que eu, com ar aliviado, a fumares quase às escondidas um cigarro e saíste sem teres lavado as mãos.
-Mas, …enfim, tudo isso é passado e deve ficar no local a que pertence que é o passado.
Hoje, escrevo-te a primeira carta em quarenta e um anos para te fazer um pedido. Não é nada de impossível, e eu não sei, nem nunca soube, pedir o que quer que fosse. Que queres? O meu orgulho, como algumas das minhas convicções já não é como era e por vezes, o desespero leva a que engulamos o orgulho e até se aprende a pedir ao Pai Natal. Tu sabes tudo isso . Sabes bem o que sou e que sou apenas como sou. Sabes o que mais desejo, como, e porquê. Por isso não te vou maçar repetindo o que já sabes. Caso possas, agradecia a tua atenção mas talvez nem tu possas… Se sim, prometo passar a acreditar em ti, mais até do que acredito em mim. Prometo-te que vou comprar uma imagem tua e colocá-la sobre a lareira todo o ano e nunca me esquecer de te deixar um copo de leite e bolachas, ou se preferires, champanhe e salmão fumado; Do importado está claro!
-Fica bem. Evita o colesterol e mede a pressão arterial com regularidade. Tem cuidado contigo que o mundo está cheio de coisas más e as noites estão frias como o coração de muitas pessoas.
Teu amigo:

Rui

PS - Como sabes e com certeza compreendes, enviei uma carta ao Menino Jesus acerca do mesmo assunto. É que nestas coisas mais vale tentar jogar pelo seguro.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Palavras e Sonhos













---------Hoje mesmo, uma pessoa que muito respeito e considero, vai ter ocasião de publicar mais um livro.
---------É pelas 18:00 horas no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Stº. Ildefonso no Porto e a apresentação da Obra será feita por: Mário Cláudio (Prémio Pessoa 2004) e por Snr. D. Manuel Martins (Bispo Emérito de Setúbal).

-----------Estarei lá presente e deixo aqui um pequeno texto extraído dessa obra.
---------- Sei bem o quanto o mundo lhe deve e o quanto ele jamais lhe cobrou. Se juntarmos uma vida e uma carreira ao serviço dos outros, dificilmente conseguiremos obter um tão brilhante resultado; Pleno de dádiva e de HUMANIDADE.
---------Ao meu, ouso chamar-lhe amigo, Dr. Alexandrino Brochado, o meu abraço de admiração.

LOUVOR DOS POETAS

Não se trata dum apego exagerado a coisas velhas que já morreram. Os cadáveres enterram-se.
A beleza e a arte verdadeiras nunca morrem. Ultrapassam o tempo. Têm o selo da perenidade.

Trata-se, sim, duma expressão de mágoa pelo abandono, pela rejeição de valores que sempre julgamos fora e acima de qualquer ataque ou inflação.

Há dias, numa homenagem prestada a um artista (com letra grande) português, este, ao agradecer as palavras de apreço e de carinho, afirmou: “A vida do artista é dura e áspera sobretudo no país em que vivemos. Aconteceu-me uma fatalidade: acabei uma nova obra… As composições ficam na gaveta, serão vendidas a peso e servirão para embrulhar sabão (o que já aconteceu) ou para buchas de foguetes…”

Palavras duras, magoadas, dum grande vulto da música portuguesa contemporânea! Sinceramente, tive e tenho pena que no podium da arte e da beleza sejam colocados pseudo artistas sem valor, sem dimensão e que os autênticos, os verdadeiros, sejam atirados para a prateleira das coisas velhas e inúteis, cobertas de pó.

E o que dizemos da música, afirmamo-lo da literatura. No momento em que entre nós a arte de escrever, cada dia mais se corrompe e se profana, sob o influxo de todos os estrangeirismos e extravagâncias, da grosseria e do calão, a gramática e a clareza, a elegância e a decência da expressão tornaram-se virtudes clandestinas de cultores atrasados, de velhos ritos.

Escrever mal é hoje uma escola. Parece que o desalinho da linguagem, as tropelias das palavras, o desmazelo da forma são hoje atributos do pensamento. Estilo hoje é palavra soez, é truculência da imagem, é obscuridade rebarbativa. A clareza, a simplicidade, são sinais de frivolidade, o brilho do estilo, uma inferioridade de gosto.

A arte é essencialmente expressão, expressão na cor, expressão plástica, expressão musical e não uma autêntica caldeirada literária ié-ié, como por vezes se verifica. Escrever não é amassar e ligar palavras como quem frita batatas. Pode ser-se profundo sem se ser obscuro ou cair em preciosismos de linguagem. Pode ser-se brilhante sem ser exótico; pode ser-se elegante sem ser arrebicado. A prosa pode ser viril sem cheirar a suor, nem ter as unhas sujas.

É sobretudo no trabalho da expressão estética que está a obra de arte e na sua criação o artista que a inspira e molda. E que dizer da mania de banir por completo o uso das maiúsculas? Será que a exigência da igualdade é tal que até no reino das palavras não se toleram diferenciações? A rasoira da igualdade total instalou-se também no mundo das letras?

Há tempos, lemos um artigo de pessoa com responsabilidade, em jornal também com responsabilidade, onde não aparecia um único ponto final nem uma única vírgula. Até a palavra Deus (parece um sacrilégio) estava grafada com minúscula!

Simples extravagância e ânsia incontida de originalidade ou insinuação duma ideia igualitária que domina todos os espíritos e parece ser a única preocupação do nosso tempo? Até para as artes os tempos são difíceis! Os jovens, que têm às suas costas a grande responsabilidade de construir um mundo novo e melhor, parecem deixar-se dominar pela psicose de escaqueirar todas as estruturas vigentes.

Há uma espécie de alergia a tudo o que é sensatez, madureza e apoio aos valores do espírito. E a ingenuidade, a falta de densidade mental nas afirmações e nas atitudes começam a vir ao de cima e a exercer um domínio despótico.

Na música e na literatura os sinais de desorientação e de rebeldia contra regras e cânones são por demais evidentes. E, numa atitude de inconsciência e irresponsabilidade, muitos buscam o subterfúgio do grito desenfreado, do sapateado nervoso e da mímica histérica. A música ficou reduzida a isto. E a prosa fresca e elegante? Tudo parece esboroar-se num mundo às apalpadelas e em busca de qualquer coisa que lhe foge rindo-se dele. Ironia da vida!

Até para as artes os tempos estão difíceis!

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quarta-feira, novembro 30, 2005

70 Anos




















A Homenagem possível em forma
de agradecimento.

segunda-feira, novembro 28, 2005

República Vodkova



















REPÚBLICA VODKOVA

Situação Geográfica:
-
Trata-se de uma pequena República Ocidental no Oriente. Facto que se ficou a dever a que os Vodkovos não sabiam ler mapas e faziam-no ao contrário. Localizada mais exactamente a sul da Federação Russa, fazia até há pouco parte deste país. É um pequeno território entre a cordilheira de Merdisstók (a Norte) e o deserto de Massa (a sul) e integra no seu território grande parte do lago Baycair, onde se localizam as plataformas de extracção de areia e gás natural.
-A Norte faz fronteira com a Federação Russa, a sudoeste com o Prakistan e a sudeste com o Kapädonistan, duas repúblicas também recentes.
-Fazem ainda parte do país três ilhas na zona fronteiriça do lago Baycair.

Relevo:
-A Vodkova é essencialmente um país liso excepto a norte onde existe a cordilheira de Merdistók. Sendo um país sem relevo possui características de deserto em 60% do seu território o que não parece ter qualquer relevância.
-A rede hidrográfica é constituída por três cursos de água a que podemos com esforço chamar rios e que alimentam o lago Baycair, sendo que dois deles nascem no próprio país e um na Federação Russa.

Povoamento:
-É em Kudur a cidade capital que vive 99% da sua população de meio milhão de habitantes. As outras cidades importantes são: Kuz, Kalina (nas margens do lago), Porcalhitcha (onde se situa o segundo dos dois aeroportos) e Resseaka-Matina. De salientar que nenhuma destas cidades tem mais de duzentos habitantes.
-Apesar de alguns estudiosos atribuírem esta forte concentração populacional ao facto de serem frios os Invernos, a verdade é que num país como este não existem grandes alternativas.
-Os locais de maior densidade populacional são no entanto a antiga “Loja do Povo”, transformada agora em bordél e o Departamento de Licenças de Imigração onde funciona à segunda-feira de manhã a extracção da Lotaria Nacional Vodkovense.

Clima:
-No norte bem como no Centro e Sul do país predomina a ausência de vegetação o que se deve ao clima desértico a aos ventos que sopram quase sempre apartir do deserto. No resto do país o clima é moderado, sobretudo nos três hotéis e no palácio presidencial.


Rui

domingo, novembro 27, 2005

Diàlogos








-O Amor é algo que me ergue do chão e me eleva, fazendo-me pairar.

-Não! A isso chama-se avião, helicóptero ou planador. Quem sabe, até mesmo pára-pente, mas Amor não!

-O Amor faz-me perder a respiração e a fala!

-Noop, isso é cansaço, bronquite asmática ou uma severa constipação que te deixe afónico. Mas Amor…? Não me parece!

-O Amor é algo que arde dentro do peito e nos consome, deixando-nos consolados.

-Hmmmm…? Não me parece. Isso é provavelmente uma arritmia ou um enfarte seguido da sensação de alívio por teres ficado vivo… desta vez!

-Amar é como ser levado às estrelas e depois deixado de novo na terra.

-Pois sim…, isso é algum ET que te raptou e te levou para o seu “disco” para te examinar e que farto de ti, te deixou de novo onde te encontrara.

-O Amor muda tudo o que vemos em menos de um segundo.

-Irra! Isso é um controlo remoto e muda apenas os canais de televisão.

-Então o que é o Amor? Vá, diz lá!

-Sei lá o que é isso ou se sequer existe? Mas se existir, eu reconheço-o quando o vir!

Rui

sexta-feira, novembro 25, 2005

quinta-feira, novembro 24, 2005


Hoje sinto-me cinzento da cor das palavras que aqui escrevo.

-Hoje não terei paciência para telejornais, para o rosário de desgraças mundiais desfiadas entre duas garfadas de jantar aquecido.
-Tenho frio nos dedos e nas teclas e a cabeça dói-me, não me apetece “blogar”.
-Hoje não serei jocoso e nem serei “ácido” como algumas vezes sou; Não me importarei com a crise, não vou ligar “pevas” ao desemprego nem à educação ou à falta dela. Não vou ligar nada a coisa nenhuma.

-
Estou cansado, cansado de pensar de ouvir, de falar, de beber e de quase tudo.
-Vou procurar um canto onde me demore a chegar a casa, para ler qualquer coisa que seja, que me restitua a inspiração.


Só há uma coisa que me apetece!


terça-feira, novembro 22, 2005

STRIPTEASE ME PLEASE












-Digam o que disserem as “mentes abertas”, o strip tease masculino não é nada ou é menos do que nada.
Anda por aí como se fosse uma moda destinada a provar que existem maridos e namorados tolerantes e modernaços ou esposas e namoradas muito descontraídas e moderninhas.

-Não me pareceu nunca, mais do que uma elaborada vingança, exercida em nome da ambição de “direitos iguais” pelas namoradas e mulheres, sobre os homens que perdem tempo a ver mulheres despirem-se. Assim juntam-se em grupos de amigas, colegas de escritório, escola ou despedida de solteira e depois de um jantar bem regado lá vão.

-Para mim aquilo não passa de homens a executarem gestos femininos para tirarem a roupa ao som de música, a imitarem uma arte feminina que não é arte ainda que sejam mulheres a exercê-la. Gestos amaricados e movimentos de dança de quem não sabe dançar e tem o ouvido duro, como os músculos que abana no palco.

-Não fui nunca a um desses acontecimentos, pelo facto simples de se não destinarem a mim nem a exemplares do mesmo sexo que eu e também por achar todo e qualquer espectáculo de striptease uma ridícula perda de tempo e uma triste imitação da realidade. Um ser humano que se expõe por dinheiro e que para disfarçar a vergonha que deveras sente, tenta fazer-se passar por artista.

-Tirar a roupa é e será sempre despir, seja no quarto ou em palco. Em todos os casos a música de fundo não passa de barulho, para acompanhar o bamboleio que disfarça a falta de excitação ou quem sabe, de paixão.

Rui

segunda-feira, novembro 21, 2005

Semelhanças jet-setistas

Transcrevo alguns excertos de um texto de opinião de Mia Couto, retirado do seu livro Pensatempos, sobre o jet-set moçambicano. Qualquer semelhança com o «jet-set português» será… pura coincidência?

“(…) O essencial é parecer rico. Entre parecer e ser vai menos que um passo, a diferença entre um tropeço e uma trapaça. (…) Daí que a empresa comece pela fachada, o empresário de sucesso comece pelo sucesso da sua viatura, a felicidade do casamento se faça pela dimensão da festa. (…)
O jet-set, como todos sabem, é algo que ninguém sabe o que é. Mas reúne a gente de luxo, a gente vazia que enche de vazio as colunas sociais. (…) Aqui seguem algumas dicas que, durante o próximo ano, ajudarão qualquer pelintra a candidatar-se a um jet-setista.
(…) Boas maneiras - não se devem ter. Nem pensar. O bom estilo é agressivo, o arranhão, o grosseiro. Um tipo simpático, de modos afáveis e que se preocupa com os outros? Isso, só uma pessoa que necessita de aprovação da sociedade. O jet-setista nacional não precisa de aprovação de ninguém, já nasceu aprovado. Daí os seus ares de chefe, de gajo mandão, que olha o mundo inteiro com superioridade de patrão. Pára o carro no meio da estrada atrapalhando o trânsito, fura a bicha, passa à frente, pisa o cidadão anónimo. Onde os outros devem esperar, o jet-setista aproveita para exibir a sua condição de criatura especial. O jet-setista não se sujeita a condições: telefona e manda. Quando não desmanda.
(…) Cultura - o jet-setista não lê, não vai ao teatro. A única coisa que ele lê são os rótulos de uísque. (…) Os tipos da cultura são, no entender do matreco nacional, uns desgraçados que nunca ficarão ricos. O segredo é o seguinte: o jet-setista nem precisa de estudar. Nem de ter curriculum vitae. Para quê? Ele não vai concorrer, os concursos é que vão ter com ele. (…)
Óculos escuros - essenciais, haja ou não haja claridade. O style - ou em português, o estilo - assim o exige. Devem ser usados em casa, no cinema, enfim, em tudo o que não bate o sol directo. O matreco deve dar a entender que há uma luz especial que lhe vem de dentro da cabeça (…)
Telemóvel - ui, ui, ui! O celular ou telemóvel já faz parte do braço do matreco (…) A marca, o modelo, as luzinhas que acendem, os brilhantes, tudo isso conta (…) Última sugestão: nunca desligue o telemóvel! (…) Em conselho de ministros, na confissão da igreja, no funeral do avô: mostre que nada é mais importante que as suas inadiáveis comunicações. Você é que é o centro do universo” in Mia Couto, Pensatempos. Ed. Caminho

Ana

terça-feira, novembro 15, 2005

Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa





















Deixo aqui a sugestão a quem não sabe o que é que procure saber.

Rui

segunda-feira, novembro 14, 2005

É o Tempo das Castanhas













Castanhas quentes enroladas em cones de papel,
a aquecer as mãos e o coração.
Nuvens que se despedem da respiração.
Os casacos quentes e fofos,
As luvas de lã colorida,
Os gorros grossos,
O ultimo Inverno, do inferno da vida…

É o tempo das castanhas.

Rui

Meteorologia




















Meteorologia Politica:

-Exposição de ideias fraca e (inferior a uma boa ideia por dia), vento critico soprando forte a roçar o insulto.
-Queda da vergonha e ligeira subida do compadrio nos cargos altos de nomeação governamental.
-Pequena subida da temperatura para a pré-campanha eleitoral.
-Prossegue a baixa ondulação na Educação alterando-se no fim da semana especialmente sexta-feira.
-Nevoeiro intelectual cerrado em mentes ministeriais e outras.

Meteorologia Económica:

-Períodos de Nevoeiro muito intenso que impedem a visibilidade da saída para a crise.
-Descida do preço internacional do petróleo, reflectindo-se por cá numa acentuada subida dos bens de primeira necessidade.
-Prevê-se, para o meio da semana, uma baixíssima subida (37 cêntimos diários), do ordenado mínimo que no entanto não deverá afectar a o desespero nacional.
-Subida acentuada das importações da china e ondulação forte dos endividados orçamentos familiares.


Meteorologia Pessoal:

-Períodos de neblina ou nevoeiro nos olhos, especialmente ao fim do dia acentuando-se durante a noite e a madrugada.
-Vento intenso, por vezes forte, soprando de Centro/Sul.
-Descida acentuada da taxa de alcoolémia durante toda a semana e ligeira subida das dores de cabeça, sobretudo nas testas altas.
-Ondulação dolorosa moderada nestas costas do Norte
-Prevê-se a manutenção do mau humor matinal que em muitos casos se prolongará ao logo de todo o dia.


Rui

sexta-feira, novembro 11, 2005

Presidenciáveis






















-
Tentei e tentarei sempre não demonstrar aqui as minhas convicções políticas, futebolísticas ou de outra qualquer índole porque as considero minhas apenas, e enquanto tal, não partilháveis neste espaço que não tem tal objectivo. Não resisto no entanto, a tecer um comentário ou dois ou mais, acerca do modo como esta “ante-pré-campanha” para as eleições presidenciais tem decorrido, corrido e sobretudo escorrido.

-Desde os primórdios da democracia neste país que pensei sempre que independentemente dos objectivos, sejam politico-partidários ou de carácter mais pessoal como é o caso das presidenciais, a educação e o respeito que os candidatos exibem refelectir-se-à nos seus resultados finais.
-No caso destas eleições choca-me o facto de me parecer que a existência de uma candidatura condiciona de sobremaneira o discurso e a actuação de todas as outras. Daí o ter concluído que ou falta programa a três delas ou sobra à restante. O quase insulto fácil, o tratamento por “tu”, o constante insinuar de dúvidas acerca dos mais recônditos aspectos da vida (pública e sobejamente conhecida de todos), de um dos candidatos pelos restantes, reflecte o receio, ambição cega e desorientação e não a honesta vontade de ser eleito para servir.

-Saliento que não sei ainda em quem irei votar, não sei se ou quando o saberei sem sombra de dúvida, mas sei que atitudes como estas a que tenho assistido não me motivam nem para que vote nem para que escolha.
-Mais para a frente veremos se as pessoas envolvidas possuem a agilidade mental e a educação necessárias para o cargo que pretendem ocupar. Talvez sim, mas agora parece-me In-provavel.

Rui

quinta-feira, novembro 10, 2005

Natal








E pronto ou se preferirem, “prontos”. Lá vem de novo o natal.

-Como sempre faz todos os anos inevitavelmente e sem apelo nem desagravo eis que vai chegando com a suavidade de uma manada de elefantes e o suave tropel de mil gnus desenfreados. A festa é sempre na mesma data, mas os preliminares, esses, qualquer ano começam no fim do verão.

-Já não será possível ligar a TV. sem ser invadido por vinte minutos de publicidade com córos de criancinhas de voz imaculada a cantarem hinos aos hipermercados; Sem dezenas de senhores obesos e potenciais candidatos a enfartes a divulgar com voz profunda a vantagem desta boneca, pista de automóveis ou dinossauro relativamente outras iguais em tudo excepto nos nomes. Imaginem o que será chegar da praia e tentar ver um telejornal com esse prelúdio.

-As ruas enchem-se de luzes e mais luzinhas num “mono-mental” exercício de desperdiçar energia e não há montra que se preze que se não encha de pedacinhos de esferovite, bolinhas coloridas, fitas brilhantes e outros objectos nauseantes de cores intensas cuja lógica nada tem que ver com o que realmente se celebra. Mas enfim… ! Circular torna-se impraticavel, e não se pode dar um passo sequer, sem ser agredido com um saco de compras por alguém “stressado” a correr de montra em montra.

-Não é possível tomar um café sem que o pacote de açúcar ou adoçante e o empregado que nunca vimos mais gordo, nos desejem um Feliz Natal, um próspero Ano Novo e outras banalidades sem interesse algum; E se não colocamos o troco, depois de dada a “gorjeta” na caixinha que feia e mal embrulhada estacionou em cima do balcão, somos olhados de soslaio.

-Interessante também, é observar o número de polícias, aos pares e trios a cada esquina das ruas, onde terão estado todo o resto do ano? Será que de Janeiro a final de Novembro os carteiristas e demais amigos do alheio fazem férias? Ou nesta altura do ano há ordens expressas do senhor ministro das polícias para arejar as fardas de Inverno?

-Mas, o pior de todos os enfados natalícios, é a "musiquinha" de Natal a ser debitada do alto dos candeeiros de rua, “roufenha” e repetitiva, hora após hora, dia após dia, a testar os limites da paciência dos que apenas desejam que a época passe. As mesmas músicas de sempre em mil versões, todas cheias de som de sinos, campaínhas e ho-ho-hos americanos que se nos entranham pelas orelhas e nos fazem cantarolá-las a todo o momento.

-Outro terror natalício, são os postais de boas festas; uma verdadeira tiranía que deixamos que nos imponham. Não vemos as pessoas desde o casamento daquele primo em 1982, não lhes ligamos nenhum mas enviamos pelo natal o rectangulozinho de cartão para que saibam que ajudámos uma qualquer instituição de caridade. Os que recebemos ficam umas semanas a ganhar pó, nunca os relemos e os votos que neles constam, são enjoativamente idênticos a todos os outros de sempre.

-O natal é-nos empurrado pelas goelas, olhos e ouvidos dentro sem compaixão, a todos os momentos e em todos os locais. Impingem-nos a obrigação de sorrir e ser “merdosamente” simpáticos, de apertar mãos e dar beijinhos, de trocar presentes, de desejar coisas boas e ter paciência para aturar tudo a todos.

Rui

terça-feira, novembro 08, 2005

CHOCOLATE











-
Vem aí a feira dos gulosos e todos falam nisso à boca cheia antevendo o encher de boca e a satisfação dos sentidos. Até os mentirosos que dizem que não são gulosos, não conseguem esconder aquele brilho intimamente guardado e que os olhos traem.

-Chocolate, para a tristeza, para a, reconciliação, para oesquecimento, para a desculpa e remédio de todos os males. Triunfo do individualismo materialista, comer para não ser comido. Desculpa para frustrações sem desculpa, mentira com que nos enganamos com a glucose a pulsar nas veias.
-Chocolate branco, negro, chocolate esculpido, com licor e vinho do Porto, com passas mel, gelado e quente. Chocolate em barra, em molho, em bom-bom, em cocktail e em tablete. Pastéis de chocolate, bolos dele, bolinhos, salame, mousse, creme, recheio e cobertura. Com amêndoas, nozes, frutas e cereais, a sós ou com companhia.

-CHO-CO-LA-TE !

-O maior consolo das papilas mais simples e de todas as almas. Prazer, luxo, desejo, vicio, arte, gula.
-É o triunfo final sobre as dietas e a tristeza suprema de quem é diabético.
-Dizem que vicia e eu acredito apenas por ser doce e bom ou apenas bom.

-Existem coisas melhores do que o chocolate, sem dúvida nenhuma, mas dessas talvez fale um dia. Agora… é altura do FESTIVAL INTERNACIONAL DE CHOCOLATE.

-Tenho pena não gostar de chocolate e apenas de quem gosta dele.
De outro modo talvez lá fosse mas assim… é IN-provavel.

Rui

sexta-feira, novembro 04, 2005

Paris já está a arder !











-Dei por mim a pensar que o Iraque até parece ter uma população civilizada comparando-se com Paris. Lá pelo menos os terroristas são terroristas.

Já há por “terras de França” muita gente a pensar que o que se está a passar é fruto da importação de mão-de-obra estrangeira, muitas vezes de países pouco amistosos e não do consumo de alimentos geneticamente modificados e de hambúrgueres da McDonalds ou malefício da globalização.
-Não tenho nada contra nenhuma das quatro coisas e confesso-me preocupado quando como hoje a policia foi chamada porque três jovens “teólogos” muçulmanos, viajavam no metro do Porto com mochilas e sacos de desporto.

-Não se trata de qualquer acto de caris racista ou como é “chique” dizer-se, xenófoba. É apenas o medo que nos invade ainda antes dos motivos que a ele dão origem. Não gosto da intolerância para com ninguém mas se me permitem, detesto mais ainda a intolerância para comigo e para com as minhas ideias e práticas.

-França está “pasmada” a ver o que os seus filhos adoptivos são capazes de fazer ao próprio lar. É caso para pensar se vale realmente a pena criá-los, pari-los ou adoptá-los.

-Talvez depois de Paris parar de arder, a intolerância venha a aumentar e não é difícil entender de quem será a culpa de tal.

Rui

segunda-feira, outubro 31, 2005

Pássaros, passarinhos, passarões e outras aves de arribação ou as potenciais vitimas da gripe das aves.












Águias
benfiquistas.

Desportivo da Aves.

Rio Ave.

Clube de Futebol Passarinhos da Ribeira.

Guarda-redes frangueiros em geral e um em especial que me motiva pesadelos violentos na véspera dos seus jogos pela selecção de todos nós.

Árbitros avestruzes que escondem a cabeça para não verem lances que deviam ver e marcar.

Presidentes de Câmara Migratórias que fogem ao calor para o Brasil e regressam em busca de frescura quando mais lhes convêm. Isto é: põem-se ao fresco quando o calor aperta.
Intimamente ligados a este grupo estão os Cucos que deveriam ter evitado que tais migrações acontecessem e alguns Corvos magistrados/as que deveriam ter mantido na gaiola este tipo de “passaronas” mas não souberam fazê-lo.

Gansos – Ex-alunos da Casa Pia como se não lhes bastasse já tudo o que tem acontecido.

WC Pato - Conhecido produto (passe a publicidade), destinado a disfarçar odores.

Pato Donald – que será vitimado por outra pandemia também originária do oriente: os desenhos animados japoneses.

Zé Carioca – Como ave que é, depois de tantos anos a sobreviver aos gangs das favelas talvez escape ao vírus que por sinal ataca desarmado.

Patos – Cidadãos votantes que acreditam nas promessas eleitorais de certos primeiros-ministros e que depois se arrependem amargamente.

Patos-Bravos – Espécie que nada tem em comum com os anteriores. Espertos e inteligentes, estão desde há muito na mira da Ordem dos Arquitectos que além da notória má pontaria, não tem demonstrado força para puxar o gatilho. Tudo o que tem sido feito para livrar o país dessa autentica praga, tem resultado em tiros de pólvora seca, muito ruído e demagogia quanto baste.

Capão – Primo eunuco do galo cuja feira anual em Freamunde se realiza, a 13 de Dezembro. Sem feira e sendo ave, será difícil para o delicioso animal sobreviver a esta provação.
Para quem nunca ouviu falar ver:
http://www.gastronomias.com/confrarias/capao.html

Galos – São, regra geral, políticos que foram inicialmente retirados dos poleiros e que souberam esperar o revirálho para obterem novo poleiro de onde já não cantam mas onde permanecem até à reforma segura. Ultimamente falou-se muito da Administração da GALP e da Caixa Geral de Depósitos como excelentes poleiros.

Papagaios – Alguns jornalistas e comentadores habituais nos ecrãs e nas ondas do éter que tecem banalidades em redor de factos, concluindo quase sempre o óbvio a partir de análises ocas. Aproveitam sempre estas ocasiões para exprimir opiniões pessoais e para auto-promoção. É caso para dizer que: “…eles falam, falam mas…”.
Não se perde grande coisa em termos de ideias se o vírus os levar.

Galinhas – Falam imenso produzindo ruído de fundo onde quer se encontre mais do que uma com a intenção óbvia de dar nas vistas. Algumas, têm até programas televisivos onde se desdobram em gargalhadas falsas e esgares sorridentes para as câmaras. Também existem em cafés e confeitarias um pouco por todo o lado em grupos barulhentos.

Periquitos – Existem muitos nas autarquias e nos gabinetes dos governantes. Saltitam entre os centros de decisão política e os meios empresariais, levando e trazendo influências, contactos e contratos. Apanham todas as migalhas que caem da mesa do erário público e constroem ninhos para si próprios com o que deveria ser de todos. São muitas vezes vistos na companhia de construtores civis e empreendedores imobiliários.

Peruas – Apanham-se por aí a cada passo nas colunas sociais ou em capas de revistas de vacuidades. Vivem não se sabe de quê, nem interessa e emitem opiniões acerca de tudo como se disso dependesse a próxima “silly season”.

Abutres – Certos políticos que migram entre diversos partidos políticos. Apoiam ora este ora aquele, sempre em busca de apoio para si próprio para cargos internacionais ou há falta de melhor o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Acumulam reformas de deputados, catedráticos e outras e nada parece chegar para o seu “ego” insaciável.

-Haverá com certeza mais, mas a começa a faltar-me o pio. Talvez noutra altura venha a pálrrar acerca deles. Para já, regresso ao ninho que começa a ser hora da alpista.
Bons voo
s.

Rui.

terça-feira, outubro 25, 2005

























Para lêr melhor clicar sobre a imagem.

Direito à estupidez












Art. 1º -
Todo o cidadão português tem não só o direito mas o dever inalienável de ser estúpido.

---------§ único- Entende-se por estupidez a prova cabal e sintomática de estados de consciência e pensamento, reconhecidos pelos diversos convénios internacionais de que Portugal é subscritor.

Art. 2º - Todo o cidadão português estúpido e todo o estúpido cidadão português, incluindo cidadãos estrangeiros casados com cidadãs ou cidadãos portugueses, i.e., cidadãs portuguesas casadas com cidadãos ou cidadãs estrangeiras, tem direito a ser estúpidos a tempo inteiro ou a sê-lo intermitentemente.


---------
§ 1º-Caso a estupidez esteja temporariamente indisponível os cidadãos deverão aguardar ordeiramente a reposição de stocks. Ou em alternativa recorrer a justificações de governantes eleitos, para o não-cumprimento das promessas eleitorais.
---------§ 2º-Por razões de preservação da imagem do país no estrangeiro, especialmente entre os países da União Europeia e da preservação das actividades económicas do sector do turismo não deve ser imposta a cidadãos em turismo no nosso território a prática da estupidez.

Art.º3 – Todo o cidadão português tem o direito inalienável de pagar uma taxa de estupidez e de exigir a respectiva emissão de recibo bem como o direito de exigir através das suas associações representativas o aumento anual desta taxa regularmente e no inicio de cada mandato governamental.

----------§ 1º- O Aumento referido neste artigo devera ser sempre 10% superior ao valor da inflação do trimestre anterior.
----------§ 2º- O valor de 10% previsto no paragrafo anterior deverá reverter para a constituição de um fundo de reforma a favor dos detentores de elevados cargos públicos da Administração Central e Local.

Art.º4 – Todo o cidadão português no âmbito do exercício deste direito, deve assistir em respeitoso silêncio ao destruir da sua economia nacional e familiar, dos seus direitos adquiridos, da sua honra e bom-nome bem como dos da sua profissão. Assim como deve acreditar piamente que tal se destina a debelar a crise e que todas as medidas tomadas para o efeito se destinam a todos por igual, sem distinção de: influência, amizades, peso ou importância politica.

Rui

domingo, outubro 23, 2005

Irritações








-

Há quem diga que tenho um feitio colérico, que me enfureço e que sou demasiado exigente com os outros.

-Talvez seja verdade, mas francamente não suporto gente desleixada a quem pago para obter bens ou serviços e que me trata como se eu tivesse para com eles uma eterna e enormíssima dívida de gratidão. Incluo neste campo os empregados de mesa e as meninas de loja que não sabem pedir por favor ou dizer obrigado; Mas este aspecto parece ser generalizado entre os portugueses hoje em dia ou então serei eu mal-educado e/ ou estrangeiro.

-Não suporto e penso que não o farei “jamais em tempo algum”, pagar por um bem ou serviço o dinheiro que me custa a ganhar e ser mal entendido além de mal atendido. Por exemplo: Se me apetece um café em chávena fria, com a dita cheia dele e adoçante em vez de açúcar é isso mesmo que peço e não me sujeito a tomá-lo em chávena escaldadiça, curto e com açúcar. Ou então se me pedem uma informação na rua e se me dirigem como se eu tivesse escrito na testa “imbecil responsável pelas informações”, não resisto e passo ao ataque. Só não informo do pretendido mas explico, gratuitamente, a quem pede a informação que o que faz é isso mesmo, PEDIR, E que isso faz-se usando a antiga fórmula do por favor e não a mais “modernaça” do “oiça lá onde é que fica…”. Ocorre-me a propósito, algo que há muitos anos aprendi com o saudoso Senhor Guimarães empregado do “Orfeu”, um café da minha adolescência. Dizia-me ele que conhecia as palavras que abrem melhor as portas e que estas não eram, nem “PUXE”, nem “EMPURRE” mas sim, POR FAVOR” e “OBRIGADO”.

-Não sou mas vivi sempre na terra portuguesa que tem, senão o proveito pelo menos a fama, de ter o maior índice de cuspidelas no chão e de uso de palavrões por metro quadrado e “per capita” do país. Tal nunca me melindrou, embora tente não fazer demasiado uso dessa influência conterrânea. No entanto a falta real de educação e de polimento mínimo já não têm em mim o mesmo efeito. Exijo ser tratado como aquilo que sou e não admito menos do que isso. Sou pessoa e como tal mereço e exijo o respeito que tento ter por outros/as como eu. Se sou cliente quero ser tratado como tal, se sou empregado quero respeito por estar a servir alguém com todo o respeito que me merece e se sou gente exijo que me tratem tal qual estou eu a tratar os outros.

-Por outro lado tenho o direito e a obrigação de defender os direitos que são de todos, ainda que outros em nome do “Não te rales”, o não façam. Tenho a obrigação moral de saber os meus direitos e de os exigir porque acredito que a consciência seja algo salutarmente contagioso.

Coisas que me irritam:

-Pés sobre bancos de autocarro ou metro.
-Depois de um encontrão ou pisadela um “-Desculpe lá!”
-Gente que não respeita bichas (ou filas se forem brasileiros).
-Mulheres que agradecem com “OBRIGADO” e homens que o fazem com “OBRIGADA”.
-Quem nem disso é capaz quando se seguram uma porta, lhe cedem passagem ou têm para com esse “ser” uma atitude educada.
-Empregado/as que se fazem descaradamente à gorjeta.
-Gente que olha para o lado “Para não se incomodar”.
-Quem quer que seja que por não ter ouvido o que lhe disseram questiona com a simpática interjeição “HÃ?” ou “QUÊ?”.
-”Mascadores” de chiclete “boquiabertos/tas” e “sorvedores/rãs” de gelado “Sonóros”.
-Quem estaciona o automóvel impedindo a passagem de peões ou outros automobilistas onde quer que seja.
-Tocadores de telemóvel e fãs da troca de toques em locais públicos.
-“CRAVAS” em geral.
-Pessoas que quando se enganam no numero de telefone o desligam na cara de quem atende.
-
Desrespeitosos em geral, “grunhos”, rudes e outros imbecis diversos.

Rui

sábado, outubro 22, 2005

Cenas de todos os dias...

... num autocarro perto de si...




(retirado de uma publicação da Comissão Europeia intitulada “Racista, eu!?”)

quinta-feira, outubro 20, 2005

Diário de um Amnésico












18 de Outubro

-Acordei mal disposto sobre uma coisa que descobri depois num livro ser o chão, nesse mesmo livro descobri também o que era um livro. Ergui-me devagar apoiando-me numa coisa que há aqui no que penso ser o quarto. Parece uma tábua com quatro patas e tem uns panos grandes em cima.

Acho agora que foi mesmo boa esta ideia de escrever um diário, assim posso ir tomando nota das descobertas que vou fazendo. Hoje por exemplo naquela divisão que suspeito chamar-se cozinha ou autoclismo, toda forrada de quadradinhos brancos, descobri um objecto muito interessante. Trata-se de uma espécie de banco branco com dois objectos metálicos que quando se rodam fazem aparecer o já sei ser água.

Espero recuperar a memória em breve mas não sei sequer o que será isso.


6 de Fevereiro

-Hoje passei a maior parte da manha a aprender como funcionam os dois objectos de metal que ontem descobri. Lembrei-me de colocar por baixo deles aquelas duas pontas que eu tenho na minha parte de cima e a que decidi chamar olhos e quando virava a parte mais rugosa para cima podia levar a agua até ao buraco por onde faço barulhos e era bom. Também me senti bem quando descobri um armário de metal no que convencionei chamar garagem e retirei de lá de dentro pacotes com coisas cheirosas que meti no tal buraco que tenho. Também descobri que a água não cai só dos dois objectos de metal do banco branco, há pouco abri a coisa transparente que dá para o exterior e do sitio que costuma ser azul e hoje estava da cor destas bolinhas que tenho na cara, caia água também. Lavei a cara com essa água pois é mais fácil do que ir à cozinha para fazer o mesmo.


3 de Julho

-Afinal enganei-me, aquilo a que chamava banco não é um banco. Hoje quando me sentei numa outra coisa que tem quatro pernas e uma tábua por cima senti-me tão confortável que aquilo sim, deve ser um banco. Só não entendo porque teria, antes de perder a memória, colocado lá em cima umas rodas de um material que parte ao cair e uns objectos de metal estranhos, brilhantes e pontiagudos. Um deles é concavo, outro é cortante e outro tem três picos.
-Também descobri hoje que tenho um buraco que me não serve para nada. Estava sentado naquela coisa parecida com o que pensava ser um banco e que fica mesmo ao seu lado na cozinha onde sinto um alivio enorme quando me sento, foi então que reparei que abaixo da ponta inferior da minha cara, tenho um buraco …não é bem um buraco porque está fechado mas já teve ter tido uma utilidade qualquer de que me não lembro.


1 de Dezembro

-Continuo a ter esperança de recuperar a memória, há nomes que me saltam à ideia, não sei a que se aplicam mas decidi começar a usa-los.
-Hoje fiquei curioso com um caixa que se prolonga da parede por um fio: a sua frente é de vidro escuro ou pelo menos acho que é vidro aquilo... tem uns botões estranhos num tabuleiro por baixo, todos quadrados e com letras decidi chamar-lhe frigorifico.

-Há muito que não cai água de cima pela abertura para o exterior mas enquanto houver água na alcatifa posso lavar a cara as vezes que queira.



34 de Janeiro

-Descobri na fritadeira outro armário de metal que tem frio dentro e dentro dele, mais coisas para meter no buraco grande do que acho que é a cara, não tenho a certeza mas decidi chamar-lhe assim. O lavatório preto hoje começou a fazer um ruído irritante que só parou quando levantei a parte de cima, mas depois de a colocar no sítio vou a fazer o mesmo barulho decidi deixar as duas partes separadas.

-Tomei banho na panela e depois sentei-me dentro do aquário a descansar as orelhas, tive um dia atarefado a puxar lustro ao canário.


Rui (Com base no Pão com Manteiga-Dezembro-81)

sábado, outubro 15, 2005

Futebol e amor












O mundo é redondo e o futebol é a maior prova disso.

-O futebol é uma repetição de todos os reflexos sociais. Tem regras, restrições, perícias, penalidades, artigos, relevância e impertinência. Mas sobretudo tem o acaso. Tem superstição, religião e paixão…muita paixão. Tem corpo e por tudo isto tem alma.

-O futebol é violento como a vida e tem abusos como ela. Duro como a existência e sóbrio como a maior das bebedeiras.

-É diferente nas semelhanças com a religião e semelhante a ela nas diferenças. Ou se crê ou não, ou se ama ou se odeia; Tudo o resto são excepções raras e tudo é permitido em simultâneo. Nele as crises de fé são rápidas, duram o espaço de uma jornada ou o “defeso” de uma época.

-Ao contrário do que se diz por aí, não se joga pensando, joga-se apenas com a alma e com o corpo todo ainda que não seja permitido, depois pensa-se. Isto é: primeiro chuta-se como e quando se pode na altura e à posteriori explica-se o que se fez, se pode explicar ou inventam-se razões ou então não se explica sequer.

-O futebol não é bonito, é lindo se se gosta dele e se a equipa ganha ou trágico se a equipa perde. Arranca euforias e horrores durante o mesmo minuto. Mata-se por ele (tristemente) e morre-se por ele mas sobretudo sofre-se por ele. É catártico e sublime ou aberrante e desprezível.

-Ninguém gosta de futebol apenas. Futebol não se conversa, discute-se. Escreve-se, descreve-se, analisa-se, vê-se e revê-se vezes sem fim em todos os ângulos inversos e reversos e nunca se apura nada.

-Não é desporto, é tudo para quem tem pouco ou nada e algo mais para quem já tem tudo.

-É belo ouvir de alguém que o detesta e não o entende por opção própria, que deseja que a nossa equipa vença, apenas por nós.

-È uma bela declaração de amor.


Rui

quinta-feira, outubro 13, 2005

O Sapo explica o "Pântano"










António Guterres explicou à RTP o que quis dizer com a expressão “pântano” que usou quando se demitiu após as anteriores eleições autárquicas. Nessa altura, não soube ou não quis fazê-lo, tendo assim insultado todo o sistema democrático que rege este país, toda a classe politica de que o próprio fazia (e faz ainda) parte, bem como a todos os portugueses, especialmente aqueles que nele haviam depositado a sua confiança através do voto.

A explicação do senhor não chega sequer a possuir qualquer interesse: nem pelo conteúdo, nem pela altura em que é feita e nem sequer pela sua atitude de auto-desculpabilização. Veio apenas colocar de novo em causa todo o sistema de parlamentar tentando demonstrar (ou apontando nesse sentido) que nada funcionaria para o governo após as autárquicas de então por culpa da oposição. Isto, nada mais é, do que colocar em causa a integridade dos partidos e deputados que da Assembleia faziam então parte, insinuando que existiria um total alheamento por parte destes, das responsabilidades governativas e uma atitude de irresponsabilidade nacional grave. No entanto outra coisa, sim seria de estranhar. O senhor em causa, parece ter esquecido que se encontra actualmente a ocupar um cargo internacional, que lhe exige uma superioridade de princípios morais, que sempre almejou e que não tem sabido demonstrar. Esquece por exemplo, que foram os mesmos partidos e a mesma oposição, quem com a consciência nacional que alega não possuírem, o guindou até ao referido cargo; Servindo-lhe de apoio e mesmo de “lobby” internacional para a sua nomeação.

A “explicação” sempre chegou, mas chegou tarde e apenas como uma rude, desfasada e tardia evocação de razões e sobretudo com o inntuito de desculpar o actual governo por não fazer aquilo que ele fez; Para que este não sentisse a obrigação de o copiar nas suas discutíveis atitudes. Não me parece que apesar de tudo o presente governo sinta o desejo ou a necessidade de se demitir; Facto que lamento, embora honestamente pense que não o deveria fazer.

Enfim: o sapo explicou o pântano.


Rui

"Amigos..."

“Amigos são os que não nos deixam viver abaixo do nível dos nossos sonhos, os que precisam que amemos o que eles amam, os que nos zurzem quando erramos para que comecemos a acertar mais depressa, e sobretudo, os que infinitamente nos abraçam por essas noites imensas em que nos sentimos feios, porcos, maus e esquecidos pelo mundo.” Inês Pedrosa, Crónica Feminina. (Ana)

sábado, outubro 08, 2005

É o tempo dos diospiros










É o tempo dos dióspiros. Altura do ano em que os dias se recolhem mais cedo e a noite começa no que foi o fim de tarde. Tempo das folhas iniciarem a sua viagem de queda amarelecida. Tempo do acordar da tristeza e do adormecer da alma; Da espera até ao renascer ou de morte dos sentidos com a luz do dia. Altura dos dias baços e de chãos atapetados de folhas. Tempo da mágoa e do desespero, de fuga e da cruel saudade dos sonhos. É o tempo dos dióspiros.

Rui

quinta-feira, outubro 06, 2005

Os outros


Quem são os outros?
São os teimosos. Os apáticos. Os incompreensivos. Os incompreensíveis. Os agressivos. Os lamechas. Os violentos. Os cobardes. Os ignorantes. Os que não conseguem entender nada. Os que pensam que entendem tudo. Os que pertencem a um clube que joga mal. Os que lutam por um partido que não defende os nossos interesses. Os ateus. Os fanáticos por uma religião que não responde às nossas questões. Os alienados. Os egoístas. Os defensores de causas perdidas. Os que amam demais. Os que não sabem amar. Os que se auto-elogiam. Os que nos cansam por serem derrotistas ou derrotados. Os que gostam de música sem qualidade. Os melómanos. Os que se deliciam com literatura light. Os que lêem livros indecifráveis. Os pessimistas. Os sonhadores. Os pedantes. Os incompetentes. Os que só vivem para o trabalho. Os que trabalham o mínimo possível. Os autoritários. Os submissos. Os maníacos das novas tecnologias. Os desajustados num mundo em franco progresso tecnológico. Os que fogem ao fisco. Os que são excessivamente cumpridores. Os condutores perigosos. Os que atrapalham o trânsito. Os que nunca se interrogam. Os que têm sempre dúvidas. Os que têm dívidas. Os que não sabem educar os filhos. Os que não querem ser pais. Os vegetarianos. Os defensores de alimentação biológica. Os amantes do fast-food. Os avessos a pratos exóticos. Os que só pensam em trocar de carro. Os que demoram o triplo do tempo a chegar ao emprego de autocarro. Os cravas. Os demasiado liberais. Os excessivamente conservadores. Os que têm o mesmo estilo a vida toda. Os que não conseguem decidir que estilo adoptar. Os maníacos do desporto. Os sedentários que não saem do sofá. Os amantes da TV e das pantufas enxadrezadas. Os faladores incansáveis. Os silenciosos incorrigíveis. Os contadores compulsivos de anedotas. Os que não têm sentido de humor. Os imigrantes. Os xenófobos. Os corruptos. Os que conseguem o emprego por cunha. Os empresários. Os desempregados. Os que nos bajulam. Os que não nos admiram.

Quem são os outros?
São os culpados por tudo o que de negativo nos acontece ou acontece à nossa volta. Por culpa deles há miséria, há violência, há acidentes na estrada e no trabalho, há desemprego e recessão económica.

Quem são os outros?
São os que estão errados porque, naturalmente, nós temos sempre razão.

(Ana)

Máquinas com alma


Não tenho conhecimento de alguém que não desespere quando, ao ligar para um qualquer serviço, é atendido pela robótica voz de uma maquineta completamente indiferente à impaciência de quem a ouve enquanto aguarda todas as instruções.
Em França, a France Telecom trabalha em conjunto com o Institut de la communication parlée de Grenoble para tentar criar uma máquina com alma. Transcrevo parte de um artigo que revela os objectivos do trabalho em curso.
“Premier objectif : arriver à extraire les paramètres d’une voix qui caractérisent l’état émotionnel de l’individu qui appelle. Pour cela, ils sont en train d’analyser en laboratoire par traitement du signal sonore le contenu d’un discours, en clair, les mots employés, le rythme et les variations de fréquences de voix. Deuxième objectif : en fonction de l’état émotionnel perçu, ils essaient des programmer un logiciel qui synthétise des messages avec une voix artificielle dont les phrases et le ton de réponse sont en adéquation avec l’humeur du client (…).Ainsi, quand vous téléphonerez pour un motif urgent et que vous serez particulièrement énervé, non seulement le répondeur adoptera une voix rassurante chargée de vous calmer mais en plus, votre appel sera redirigé en priorité vers un opérateur-robot, prévenu par avance que vous êtes un client à traiter rapidement et avec des pincettes » Science&Vie, nº232, p.15.
Ainda de acordo com a mesma fonte os primeiros « répondeurs compréhensifs » poderão existir dentro de três anos e os modelos expressivos interactivos na próxima década. Até lá só nos resta aguardar com a calma e paciência possíveis.

(Ana)