quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Valentim, o dia do Santo











-Há um dia em cada ano em que a cidade se enche de vermelho ou encarnado, se preferirem.
-Chega a parecer que a Rainha santa Isabel retornou da História e fez, não só o milagre das rosas mas também o milagre da multiplicação das rosas. Ou que o país inteiro se rendeu à celebração de um titulo do Benfica, do Salgueiros ou agora, da selecção Nacional de nova fatióta.
-Não existe alminha, seja homem ou mulher, que me desculpem os que se não incluem nas duas categorias, que não transporte consigo uma dessas singelas flores,
ou ramos delas acompanhadas de um cartãozinho .
-Cruzo-me com homens que arrastam consigo rosas à unidade, em cones de celofane ou aos ramos, consoante a bolsa, mas todos ou quase, com ar de quem cumpre não um ritual mas um dever pesado, como o de ir votar em dia de “ponte” e de praia no Verão. As mulheres, senhoras ou meninas não lhes ficam atrás; algumas trazem dois e três ramos ou rosas e parecem olhar em redor à procura de um caixote que a Câmara Municipal ali deveria ter colocado.
-Nas montras está tudo da mesma cor. Abundam em todas os mesmos músculos cardíacos estilizados e os mesmos ursos de peluche abraçados a tudo e mais alguma coisa.
-Para o comércio é um dia de “fartar vilanagem”. Há de todo em todos os feitios, mas tudo na mesma côr e com o mesmo objectivo. É necessário, até mesmo obrigatório, comprar algo para que o “objecto” da nossa paixão saiba um dia por ano, que o/a não esquecemos, para que se não sinta esquecido/a para que possa mostrar e comparar com os/as amigos/as os postais melosos e os presentes mais ou menos dispendiosos.
-Os restaurantes e sucedâneos lugares onde se come, estão cheios de parezinhos de namorados, um de cada lado de uma vela inevitavelmente vermelha e os empregados correm entre as mesas a fingir sorrisos enquanto pensam na gratificação.
-Tudo em nome de um santo que provavelmente não existiu, que não fez nada do que as pessoas pensam e que é uma tradição estranha à nossa cultura. Mas isso que interessa? Há que avançar com os novos tempos, respeitar os novos hábitos, ainda que impostos pelo consumismo e inventar mais uma dúzia de dias para que se compre algo mais, em nome de algo mais.
-Por cá, também existem partidos e governantes que à falta de causas prementes, inventam e reciclam causas antigas para desviar a atenção dos seus problemas e ganharem assim algum espaço na comunicação social.
-Será assim tão diferente o comércio da política e a política do comércio?
-Pode ser que sim mas parece-me cada vez mais In-Provavel.

-Quanto ao S. Valentim, fica-me o contentamento pelos gestos realmente sinceros e pelos sorrisos de apaixonada satisfação que o dia traz.

-Eu sorri e pensava ser In-Provavel.


Rui

Nota: Relativamente ao mesmo tema, existe um outro "post" publicado em Setembro 09, 2005, intitulado: "Cupidos e outros adoráveis malandretes".

terça-feira, fevereiro 14, 2006

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Sssshhhht...














Fala agora!

Um dia não nos será permitido falar porque alguém, não sei onde, se irá sentir ofendido por alguém que irá dizer, não sei o quê, que não sei quem, não irá gostar…

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Haja saúde!














-Em qualquer tipo de teste, seja ele físico, médico ou outro, tento sempre obter o melhor resultado possível, de preferência ainda melhor do que o possível.

Ainda me recordo que em miúdo quando fiz um teste de visão, queria ver mais até do que aquilo que era possível ver. Esforcei-me imenso por ver até o que não existia. Talvez esperasse que o oftalmologista me dissesse algo como: “Rapaz… tens um super-poder de visão, tenho que mandar os teus testes para a NASA”. No entanto, quando me pedem a amostra de urina, aquilo que levo comigo no “frasquinho”, parece-me sempre pouco. Para que raio querem eles um frasco tão pequeno, quando eu tenho tanto para dar? Pelo contrário cada tubinho de sangue que me tiram, parecem-me litros dele, litros que eu produzi com trabalho e alimento, e que vou ter que repor e pagar de novo.

Li não sei onde que a ciência médica tem feito descobertas fantásticas e que progride a bom ritmo, no entanto uma das coisas que mais me agradou foi o anúncio de que o vinho ajuda a prevenir possíveis ataques cardíacos; Agora, sempre que saboreio um bom tinto do Dão, Douro Alentejo ou Estremadura sei que estou a contribuir para a minha saúde e não apenas a satisfazer a gula como até aqui fazia.

Toda a gente que ser sadia. Toda a gente quer estar em forma, mas para quê?

Hoje em dia, dizer que não se frequenta um ginásio é quase uma penosa confissão, é como se se fosse um ser de outro planeta ou como se se tivesse cometido um crime horrendo e tivesse orgulho nele. Mas francamente não me convencem. Não tenciono gastar o meu rico dinheirinho para alimentar as necessidades e vícios de gente que tem um ar mais saudável do que o meu. Para quê? Hoje em dia excepto na profissão de estivador ninguém necessita de levantar cargas pesadas; Se não se pretender correr a maratona para quê treinar a corrida de manhã? Quanto aos músculos, para que são precisos? Não tenciono espancar ninguém. Na nossa sociedade, o esforço físico quase não existe e quando existe é pago em mensalidades, jóia de inscrição, tempo e suor.

Rui

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Diálogos VI





















- Já alguma vez te envolves-te com alguém com quem sabias que irias ter uma relação complicada?
- Sim!
- Porque?
- Por medo.
- Medo? Medo de quê?
- Medo de ser como os outros. Os que não sonham, os que não crêem, os que não tentam e falham ainda assim e por isso.
Medo de sobreviver sem ter vivido.


Rui

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Idiotices III





















-Há pessoas cujo cérebro vale muito mais do que o de outras, pelo simples facto de estar em melhores condições por falta de uso.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Idiotices II



















-Há muita gente a quem apenas a morte melhora.
A tragédia é que raramente são essas pessoas as escolhidas.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Viagem










-O homem de bigode farto junto à porta de saída.
-A senhora nova mas pesada, que espalhava o aroma de frango assado pelo autocarro, segurando como um tesouro o saco de plástico estampado de uma churrasqueira da baixa.
-Mesmo na minha frente, o adolescente com a pouca barba desenhada e o piercing, calcorreava com os polegares as teclas frenéticas do telemóvel; Parava apenas para lançar vislumbres à menina que lia interessada uma “Maria” qualquer.
-Do outro lado da coxia, dois ucranianos conversam com o volume e a convicção de quem não é entendido por mais ninguém.
-Um homem escondia o sono por detrás da bola e fingia ler, cabeceando a cada travagem.
-O habitual policia fardado, em pé ao lado do motorista, regressando ou a caminho da esquadra.
-O tipo cool, de blusão negro com correntes e penteado trabalhado com a prática de quem tem tempo em excesso, olhava as luzes da rua e sonhava com um concerto de heavy-metal qualquer.
-O vendedor, que hoje deixara o carro na empresa, entalado no fato a imitar corte italiano e que lhe era grande demais, a querer parecer mais alto do era.
-O informático, alternando entre o portátil, para impressionar, e o telemóvel. Falava mais alto do que os ucranianos, como se tudo fosse “importantíssimo e ele um verdadeiro líder.
-A professora, ainda jovem, com a pasta aos pés e as olheiras sob os olhos, lendo papeis ilegíveis e ar triste a cada leitura. Tinha cabelo escuro e franja e mordiscava a intervalos a usada esferográfica vermelha.
-Numa curva mais rápida deixou cair parte dos papéis, estava cansada. Apanhei-os e entreguei-lhos. É então que a sua face neutra e abandonada sorri. Olha-me e sorri.
-Já nos encontrámos hoje.
-Perdão? - Foi apenas o que consegui dizer e não sei que ar terei feito, embora tentasse sorrir.
-Já nos encontrámos hoje! …de manhã, à vinda, neste autocarro.
-Pois sim, deve ter sido isso mesmo.
-Esboçou um sorriso e arrumou os testes na mala.
-Saiu na paragem seguinte sem se voltar para trás. Quase a admirei, apenas por me ter tanto recordado alguém que lembro sempre.


Rui

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

IDIOTICES










A distância pode medir-se em tempo.

Por ex. : “Fiz 180 quilómetros em 2 horas!”

O contrário não é possível!

Imaginem:

-Estás à minha espera há muito tempo?

-Sim! Há 180 quilómetros.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Coisas pequenas












-Ouve-se dizer: pensa em grande, deseja em grande, faz grande! Mas será realmente a grandiosidade a única coisa importante? E que espaço reservamos em nós para as pequenas coisas? Porquê, as coisas pequenas parecem tão ausentes do léxico popular, da moda e do nosso modo de pensar? Poderia alguma vez existir esta nossa vida, por vezes tão fastidiosa e tristonha, se não existissem pequenas coisas com as células e as bactérias? Recordo que é o ADN quem estabelece quem somos, como e como funcionamos à partida; Que o imenso universo é composto, todo ele, por uma imensidade de pequenos átomos, mantidos assim por outra imensidade de ligações e partículas sub atómicas.

-A natureza de toda a vida e tudo na vida, provém e pulula de ínfima pequenez. Toda a vastidão de ecossistemas assenta em incontáveis pequenos organismos e microorganismos sem os quais a vida não existiria no nosso planeta. Até a chuva que nos molha e nos nutre é composta por gotículas que se juntam em gotas para saciar a natureza com a sua dádiva de renovação. O sol que nos ilumina e nos acaricia, não é mais do partículas. Que seria uma rosa sem as suas pequenas pétalas? Perguntem a um pássaro acerca da pequenez das palhas e ramos com que faz o seu ninho.

-Que seria da humanidade sem as pequenas ideias, sem pequenas conquistas, pequenos gestos e sem os pequenos falhanços que conduziram à grande evolução? Imaginemo-nos sem a pequena partícula de chama, que saltou do encontro de duas pedras para nos dar o fogo.

-Têm sido sempre pequenos sonhos, aquilo que nos conduz às grandes realizações. Tem sido sempre a partir de coisas pequenas que esculpimos e reesculpimos o nosso mundo e a nossa cultura. Pequenos poemas que nos acendem a alma, constituídos por pequenas palavras compostas de pequenos signos gráficos.
-Toda a nossa vida, colapsaria se não tivéssemos pequenos momentos de felicidade. São eles o combustível necessário para que desenrolemos os dias, até ao dia seguinte. São coisas pequenas como ínfimos pontos que constituem o desenho, ora cinzento, ora colorido das nossas vidas, das nossas experiências, dos nossos amores, ódios, frustrações e alegrias. Tão inimitáveis e encantadores.

-Porque ansiamos então tanto pela grandeza? Porque não nos empenhamos apenas em cumprir os nossos papéis na vida para assim ajudarmos a redimir o mundo a nós mesmos?

-Neste preciso momento milhares, senão milhões de “pequenas pessoas”, lutam nas suas pequenas vidas para que tenhamos todos uma vida melhor: em laboratórios, em missões, em fábricas e em escolas por todo o mundo. A madre Teresa foi sempre uma “pessoa pequena”, em estatura, em fama e em influência politica ou outra. Mas não deixou de fazer mais do que muitas pessoas ditas grandes, pela humanidade.

-Sempre que vejo uma criança pequena, vejo os seus pequenos olhos ávidos de ver coisas novas, e as suas pequenas mãos, cheias de potencial para agarrarem o futuro.

-Essa é sem dúvida, a fantástica grandiosidade das pequenas coisas. Saibamos aprecia-la correctamente.

-Hoje aconteceu-me uma pequena coisa, que me deixou feliz.

Falei com a Ana!

Rui

sexta-feira, janeiro 27, 2006











-Parem a realidade imediatamente que eu quero sair aqui mesmo e já!
Matem a lógica que é fria e cruel e por isso merece morrer cruel e friamente.
Enforquem a probidade no ramo mais alto da arvore do vício.

-Jamais voltarei a introduzir no meu corpo algo que não tenha álcool, cafeína, ou açúcar, nem voltarei a comprar nada 100% natural ou Made in Nature.

-Ontem cheguei a casa num deplorável estado de sobriedade. Totalmente imerso na realidade, completamente capaz de pensar e doentiamente consciente.
Por isso, terminei ontem mesmo a minha relação, por comprovado fracasso, com medicamentos, dietas, caldos de galinha, horários e bom senso. Respeitei-os a todos durante muito tempo, e o que fizeram eles por mim? Que vantagem retirei alguma vez dessa relação? Dependi deles, tal como sabia que a minha vida dependia de mim; E para quê?

-“Beber a tragos largos a solidão dos dias engarrafada nas noites frias, nas noites em que se sorve a alternativa à embriaguez de um copo cheio de tristeza”

Yur Adelev

Rui

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Favores & Companhia Ilimitada










-
Detesto quando alguém me liga para pedir um favor e não me diz logo o que pretende: “Olha estou a ligar-te para te pedir um favor, quando é que podes tomar um café para falarmos?” Porque não desembucham logo? Porque não me perguntam se quero beber um whisky ou uma cerveja? Porque não me perguntam se me apetece vê-los e ouvi-los?

-Depois há os favores que podem ser favores pequenos ou favores grandes. Sei sempre se o que me vão pedir é grande ou pequeno, pelo tempo que a pausa entre o anuncio da intenção de pedir e o e o pedido propriamente dito duram: “Bem o que te queria pedir era…(3 segundos) que me desses o numero de telefone de..”-favor pequeno. “Bem o que te queria pedir era…(8 segundos) que metesses uma cunha aquele teu amigo para…-favor grande. É isso mesmo, quanto maior a pausa maior o incómodo que se avizinha, seja para fazer o favor ou para encontrar um modo de recusar fazê-lo.
-Já me tem acontecido fazer favores a gente que depois me diz: “Pá… obrigado, mas já resolvi a coisa de outro modo”. Dá-me sempre vontade de lhes bater no mínimo, mas ainda não o fiz, limito-me a aguardar o próximo pedido para poder responder com um rotundo e sonante “NÃO”.

-Em Portugal a prática do favorzinho, do jeitinho e da cunhazita (sempre acompanhados pelo diminutivo), são tão tradicionais como o folar de Bragança, as tripas à moda do Porto, o presunto de Barrancos, as pataniscas de Lisboa, as açordas Alentejanas ou o queijo dos Açores. Quem os não pede ou não os pratica é ou estrangeiro ou um elemento deslocado e associal para os restantes indígenas.

Rui

Atneu e Cesareia












-Atneu era instalador de parabólicas; Fora na tropa que aprendera a ignorar as vertigens e o medo das alturas. Antes das parabólicas, montara antenas de tv, antenas de telemóveis, limpara chaminés, lavara janelas em arranha-céus e trabalhara no alto de postes de alta tensão. Desafiava a altitude e a gravidade todos os dias da sus vida mas nem a altitude nem a gravidade o sabiam e quando o descobriram, vingaram-se. Caiu, caiu em desgraça e caiu em peso juntamente com uma parabólica colectiva das mais caras do mercado. Aterrou num terraço de condomínio depois de furar um toldo novinho em folha e de esmagar uma mesa de piquenique e duas cadeiras de plástico. Não morreu mas partiu os dentes todos e entre eles o dente de ouro, que era o bem mais preciosos que possuía naquele tempo.

-Ao chegar a casa desdentado, com meia dúzia de pontos no lábio superior e outros tantos no inferior, descobriu que a esposa, Cesareia, fora ao minimercado da esquina e não voltara para casa. Fugira com um técnico de informática com quem namorara antes de conhecer Atneu.

-Atneu, triste por se ver abandonado, odontologicamente deprimido e defraudado de esperança, fez contas à vida. Passou em revista a sua conta bancária e acabou numa loja de artigos em segunda mão, à procura de uma dentadura que lhe servisse. A si e às suas magras poupanças.

-Tudo parecia correr, senão bem, pelo menos não pior do que de costume. Até que uma semana depois, pouco antes de adormecer, teve a sensação de que na penumbra do seu quarto ouvia chamar por si, baixinho e suavemente. Ficou imóvel, quase assustado sem respirar sequer, mas a voz continuava. Era uma voz carinhosa, que sussurrava frases ternurentas por entre risinhos. Depois… bem, depois sentiu que lhe davam mordiscadelas ternas no lóbulo da orelha esquerda, mordiscadelas pequenas, como beijos roubados. Imóvel, como se mantinha, olhou pelo canto do olho e com a pouca luz com que a lua-cheia lhe iluminava o quarto, viu que o copo onde colocara a sua dentadura cuidadosamente em agua, estava agora vazio. Teve então a certeza que possuía uma dentadura feminina.

-No dia seguinte, mastigou a comida toda do mesmo modo que mamara o seu primeiro leite materno. Não voltou a ousar colocar o objecto da sua afeição na boca.

-Passou a ansiar regressar a casa e à sua companhia mais e mais a cada dia que passava. Às conversas acerca de tudo e de nada e a tudo o que aprendiam um com o outro, mesmo quando se mantinham em silêncio.

-Pela primeira vez desde à muito, muito tempo Atneu sentia-se feliz.


Rui

segunda-feira, janeiro 23, 2006

ADIVINHOS












-Em tempos, uma médium viu-me o futuro nas folhas do meu chá e tal como a cigana que me lera a palma da mão, vaticinou-me que casaria cedo e que teria uma vida longa e feliz.
-Mais tarde o meu astrólogo, depois de consultar o professor Mustafa Kálimero, que me lançara os ossos, estudou a minha carta astral e prognosticou para mim uma vida de felicidade, saúde e muitos filhos, na conjuntura dos astros.
-Todos pareciam estar de acordo: o numerólogo, o pai-de-santo,o xamã, a vidente e a taróloga que tinha um programa na televisão. Seria sem duvida feliz aos amores, cheio de amigos, saúde, filhos e dinheiro e viveria muitos anos assim.

Morri Sábado a meio da tarde. Ainda algo novo, solteiro, sem filhos e doente. Não deixei dinheiro que chegasse para pagar o funeral; Apenas duas pessoas estiveram presentes e ninguém me chorou. Gastara o dinheiro todo a pagar falsos vislumbres do futuro e não tive tempo para fazer amizades.

Rui

domingo, janeiro 22, 2006

MODA









-Confesso que não gosto, detesto e na prática abomino, ter que comprar roupa.

-Não gosto que me perguntem que numero uso, ou ter que decifrar o que significam aquelas letras nas etiquetas: P, M, L, Xl, XXL; Durante algum tempo pensei que fosse numeração romana mas já me explicaram que afinal é só inglês. Não gosto das perguntas invasivas e dos elogios ocos das/os empregadas/os, das sugestões idiotas que me dão, que se seguisse me transformariam numa versão mais amaricada do Castelo-Branco; Seria possível? Irrita-me transportar aqueles saquinhos coloridos pela ruas a fazer publicidade a uma marca e ter tido que pagar para isso. Detesto etiquetas, botões, fechos de correr, bainhas, recibos para troca, talões, descontos, salas de provas, promoções e tudo o que tenho que aturar para comprar uma simples camisa ou um casaco. Fico cansado ao fim de um par de peúgas, então quando tenho que comprar outra roupa, encontro sempre algo que me faz pensar: se fosse mais novo, alto ,sexy isto ficar-me-ia bem; Mas quando chego a casa e experimento de novo a peça, concluo sempre que não sou novo, nem alto, nem sexy mas sim apenas um perfeito idiota mais leve umas dezenas de euros.

-Tenho esperança que um dia a moda acabe e penso sempre que a única coisa boa da revolução maoista na china, foi a uniformização. Talvez um dia seja como nos filmes de ficção científica, tudo de traje praticamente igual. Porque não umas jardineiras prateadas e botas verde-salsa para todos?

Rui

sábado, janeiro 21, 2006

Verdade e mentira









“Ele há mentiras enormes que parecem a mais cândida das verdades e verdades reais que podem parecer a mais deslavada das mentiras; Basta para isso que se cerrem os ouvidos aos factos, os olhos aos sentimentos e que o entendimento se refugie na dúvida”

Yur Adelev



Rui



quinta-feira, janeiro 19, 2006

República ???









-Tinha prometido a mim mesmo que não voltaria a falar nas eleições presidenciais, mas está-me a custar.

Custa-me ver um Dr. Mário Soares a fazer jus ao nome do seu boneco na contra-informação: a dar-se “só ares” de grande combatente da liberdade e único português com capacidade real de ser presidente, achincalhando todos os outros candidatos para lá do aceitável ainda que na contenda politica de campanha.

Custa-me ver um Dr. Francisco Louça, sempre do alto do pedestal a que ele próprio se guindou, a exibir a verborreia de homem politicamente culto e único detentor da verdade; Censor encartado da restante da humanidade que não pense como ele diz que pensa, sempre em busca de assuntos novos de que possa fazer declarações inflamadas.

Custa-me ver um Sr. Jerónimo de Sousa, a fazer uma campanha de charme ao fiel eleitorado comunista, para que se mantenha fiel e a repetir uma cassete que embora de imagem renovada, em formato DVD, se encontra gasta e ao mesmo tempo tentando as simpatias da restante esquerda em geral.

Custa-me ver o Dr. Manuel Alegre, armado em vitima a explorar a receita da traição que lhe rendeu o arranque inicial e a insistir na técnica da auto-vitimização. Gritando roucamente contra tudo o que sempre defendeu e de onde, ao contrário do que diz, não se afastou mas sim, foi afastado.
Tantos anos de militância partidária deram-lhe para ver, apenas após ter sido desancado pelos do seu próprio partido, todos os males do mundo no sistema partidário em que até então sempre se manteve.

Restam-me por exclusão de partes dois candidatos.

O Professor Cavaco Silva, que considero ter sido um excelente primeiro-ministro e um homem de invulgar objectividade e de princípios. Tem sabido gerir a sua campanha sem ser soez nos ataques e pautou-se sempre pela educação e pela explanação das suas ideias. Censuro-lhe no entanto a premeditação recente, a falta de lealdade e o respeito que um politico deve ter sempre presente pelos que o apoiaram.

O Dr. Garcia Pereira, candidato quase inesperado que tem feito uma campanha incomparavelmente menor que todos os outros por escassez de meios mas que tem sabido usar a coerência de ideias e a mais pura lógica argumentativa mantendo-se afastado de falsas polémicas e do insulto daninho. Conheço-lhe no entanto as circunstancias de vida e essas são manifestamente incompatíveis com o que prega.

Confesso que não sei o que farei, mas farei com certeza alguma coisa no Domingo. Não coloco sequer a hipótese de não votar, nunca o fiz apesar de discordar do sistema e do regime, mas isso são as minhas ideias e exijo para elas o respeito que tenho pelas dos outros.
Talvez vote em branco, talvez volte aqui a falar de politica mas é In-Provavel.

Que o Povo decida, que eu saberei respeitar a sua decisão. Assim o saibamos todos.

Rui

segunda-feira, janeiro 16, 2006

SANGUE





-Tendo nos últimos dias recebido vários emails solicitando a dação de diversos tipos de sangue venho desaconselhar a difusão deste tipo de emails, dado que o Instituto Português de Sangue já por várias vezes tem salientado o seguinte:

-O INS possui a todo o tempo reservas de sangue suficientes para este tipo de situações e até para outras de gravidade e ocorrência elevada.

-Não existe nenhum tipo de sangue "raríssimo", apenas menos usual e as suas necessidades encontram-se supridas; caso tal não ocorresse o INS tem à sua disposição um banco de dados que lhe permitiria com celeridade contactar dadores comprovados de qualquer tipo sanguíneo e obter o referido sangue sem necessidade de apelos públicos.

-O INS tem ao seu alcance meios próprios que não hesitaria usar para pedir ao grande público a resolução urgente de um problema semelhante.

-Este tipo de apelos são falsos, mal intencionados e apenas se destinam à obtenção de endereços de E-mail para fins comerciais, vulgo SPAM (correio não solicitado)

No entanto, e como o sangue é um bem escasso, todos os voluntários podem fazer a sua dádiva no IPS. Nunca é demais.

domingo, janeiro 15, 2006

Manual de instruções












-São coisas engraçadas os manuais de instruções que por vezes nos chegam a casa juntamente com algo que compramos e que teremos de montar ou de fazer funcionar correctamente.
-Regra geral, quando neles consigo descobrir a língua de Camões, deparo com palavras como: “conetar”, “abrazivo”, “detregente” e expressões como “efetuar a ligação da parte A32 à parte B12” ou “o tubo em direção ao lado direito do orifício inferior em baixo não deve permanecer aberto (posição A e B) quando o aparelho estiver ligado numa dessas posições”. Por outro lado não vislumbro o que será uma “tostadeira”, quando o que acabei de comprar foi uma torradeira.
-Pois é, muitas vezes os manuais de instruções não dizem nada daquilo que deveriam dizer; Outras vezes fazem-no com uma tão má linguagem que ficamos sem saber o que fazer e o que fazer no caso de não sabermos o que fazer. Não entendi ainda se é apenas em Portugal que isso acontece, se se trata apenas de más traduções ou de desconhecimento total da sua língua.

-Já cheguei mesmo a pensar que existe um qualquer convénio, em que consta que a empresa concorrente da que vende o produto, é quem faz o manual.

-Isto demonstra apenas o total desrespeito de algumas empresas e dos seus representantes em Portugal pelos seus clientes que neles confiaram ao adquirir um qualquer bem.

Rui